{"id":39834,"date":"2016-03-31T15:00:22","date_gmt":"2016-03-31T18:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39834"},"modified":"2016-03-30T20:58:24","modified_gmt":"2016-03-30T23:58:24","slug":"indiana-que-criou-banco-de-sementes-propoe-um-novo-pacto-com-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indiana-que-criou-banco-de-sementes-propoe-um-novo-pacto-com-o-planeta\/","title":{"rendered":"Indiana que criou banco de sementes prop\u00f5e um novo pacto com o planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39835\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39835\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A primeira vez que ouvi falar da indiana Vandana Shiva foi h\u00e1 cerca de dez anos, quando eu editava o &#8220;Raz\u00e3o Social* e uma rep\u00f3rter freelancer, Giselle Paulino, ofereceu-me a entrevista com ela. Giselle estava cursando o <a href=\"https:\/\/www.schumachercollege.org.uk\/\">Schumacher College, <\/a>na Inglaterra, e Vandana fora contratada para dar uma palestra aos estudantes. Prontamente aceitou o pedido de entrevista e eu, quando recebi o texto, prontamente fiquei bastante impactada com as palavras dela.<\/p>\n<p>Vandana era e continua sendo uma ativista do meio ambiente, al\u00e9m de f\u00edsica de forma\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 70, esteve entre as camponesas que se amarraram nas \u00e1rvores das florestas do Himalaia para tentar impedir o desmatamento na regi\u00e3o, movimento bem-sucedido que ficou conhecido como Chipko. Sua cr\u00edtica mais feroz vai para as grandes corpora\u00e7\u00f5es que se apossaram dos bens naturais como se estes a elas pertencessem:<\/p>\n<p>\u201cO ser humano esqueceu-se que a \u00e1gua vem da chuva e a comida vem do solo. Passamos a acreditar que a \u00e1gua e nosso alimento s\u00e3o produtos de uma corpora\u00e7\u00e3o. As empresas querem tomar o lugar da terra, esse sistema vivo ao qual chamo de Gaia. Elas n\u00e3o s\u00e3o criadoras, s\u00e3o exploradoras. \u00c9 hora de perceber que tudo o que nos mant\u00e9m vivos vem da terra e n\u00e3o das empresas\u201d, disse ela \u00e0 rep\u00f3rter na entrevista que publicamos no dia 6 de outubro de 2006.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, passei a acompanhar de perto o trabalho de Vandana Shiva. No filme document\u00e1rio \u201cZugzwang\u201d, dirigido por Duto Sperry em 2009, ela foi uma das entrevistadas e n\u00e3o poupou o sistema econ\u00f4mico por ter ajudado a espalhar uma ideia falsa de desenvolvimento e a definir a cultura n\u00e3o ocidental como subdesenvolvida.<\/p>\n<p>\u201cEstamos em uma situa\u00e7\u00e3o em que a escassez de alimentos est\u00e1 sendo sentida por todos devido ao aumento de pre\u00e7os mas as causas est\u00e3o concentradas em poucas m\u00e3os. A globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica permitiu a gan\u00e2ncia e a destrui\u00e7\u00e3o. A vida tem um sentido maior do que isso\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, Vandana Shiva ajuda a manter a fazenda <a href=\"http:\/\/www.navdanya.org\">Navdanya, <\/a>no norte da \u00cdndia, cujo objetivo maior \u00e9 defender a soberania alimentar. O que significa, entre outras coisas, impedir que as grandes corpora\u00e7\u00f5es entrem em territ\u00f3rios indianos para patentear sementes, degradando grande parte do territ\u00f3rio do pa\u00eds, inundando o mercado com importa\u00e7\u00f5es e empurrando para o suic\u00eddio cerca de 300 mil produtores.**<\/p>\n<p>Para Vandana Shiva, ainda existe um tempo para que se fa\u00e7a \u201cUm novo pacto com o planeta\u201d, t\u00edtulo do artigo que tenho agora em m\u00e3os, escrito por ela e publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o impressa da revista \u201cResurgence &amp; Ecologist\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA sobreviv\u00eancia da humanidade depende deste pacto que seria baseado numa nova vis\u00e3o de cidadania planet\u00e1ria. Um pacto baseado em reciprocidade, cuidado e respeito. Baseado em tomar e devolver, em dividir os recursos do mundo de maneira equitativa entre todas as esp\u00e9cies vivas. Ele come\u00e7a quando se percebe o solo como uma entidade viva, a Terra Viva, cuja sobreviv\u00eancia \u00e9 essencial para todos n\u00f3s. O futuro ser\u00e1 cultivado a partir do solo, e n\u00e3o mais do mercado global de finan\u00e7as fict\u00edcias, consumismo e pessoas jur\u00eddicas. Precisamos sair deste ponto de vista corporativo para outro que tenha o centro na fam\u00edlia Terra. Onde quer que estejamos neste planeta, o solo \u00e9 nossa base. A Terra \u00e9 nossa casa. N\u00f3s precisamos recuperar isto da manipula\u00e7\u00e3o e da gan\u00e2ncia das corpora\u00e7\u00f5es e cuidar disso, juntos\u201d, escreve Vandana Shiva.<\/p>\n<p>Este \u201cPacto com o Planeta\u201d proposto pela indiana que criou o primeiro dos atuais 122 bancos de semente comunit\u00e1rios no seu pa\u00eds, tem dez pontos principais:<\/p>\n<p>1 \u2013 No solo vivo est\u00e1 a prosperidade e a seguran\u00e7a de uma civiliza\u00e7\u00e3o. Na destrui\u00e7\u00e3o deste solo est\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o desta mesma civiliza\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>2 \u2013 Nossas sementes e biodiversidade, nossos solos e \u00e1gua, nosso ar, atmosfera e clima s\u00e3o bens comuns;<\/p>\n<p>3 \u2013 Liberdade de sementes e biodiversidade \u00e9 o primeiro passo para se ter alimentos tamb\u00e9m livres e resili\u00eancia clim\u00e1tica;<\/p>\n<p>4 \u2013 Agricultura industrial globalizada \u00e9 a maior contribui\u00e7\u00e3o para a crise clim\u00e1tica;<\/p>\n<p>5 \u2013 Sistemas de alimentos locais, agricultura em pequena escala e ecol\u00f3gica podem alimentar as pessoas e esfriar o planeta;<\/p>\n<p>6 \u2013 O \u201clivre com\u00e9rcio\u201d \u00e9 uma amea\u00e7a para o planeta e para as nossas pr\u00f3prias liberdades;<\/p>\n<p>7 \u2013 Economias locais protegem a Terra, d\u00e3o mais sentido ao trabalho, nos abastece e nos causa bem-estar;<\/p>\n<p>8 \u2013 Participa\u00e7\u00e3o e democracias vivas s\u00e3o o primeiro fundamento da Terra democr\u00e1tica;<\/p>\n<p>9 \u2013 Somos membros de uma mesma comunidade chamada Terra, na qual todas as esp\u00e9cies, pessoas e culturas t\u00eam direitos e deveres;<\/p>\n<p>10 \u2013 Vamos criar jardins de esperan\u00e7a em todos os lugares.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es, alerta Vandana Shiva, para a crise clim\u00e1tica, para a crise h\u00eddrica e para a crise alimentar que se est\u00e1 vivendo hoje, quando cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas ainda passam fome no mundo. \u00c9 um texto otimista, escrito por uma mulher que compra briga tamb\u00e9m contra a Revolu\u00e7\u00e3o Verde, que nos anos 70 espalhou a ideia de que o uso de agrot\u00f3xicos e pesticidas \u00e9 fundamental para se ter boas safras. A fazenda que dirige \u00e9 tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de escola para ensinar pequenos agricultores a se habituarem ao cultivo org\u00e2nico, sem uso de tais venenos. E tem dado certo.<\/p>\n<p>Ouvir e ler Vandana Shiva \u00e9 um b\u00e1lsamo a ouvidos e olhos que acreditam em outras possibilidades. Seus escritos fornecem um bom material para reflex\u00f5es sobre o momento que estamos vivendo. No artigo \u201cResources\u201d (\u201cRecursos\u201d) que ela escreveu para o livro \u201cThe Development Dictionary (Ed. Zed Books), organizado por Wolfgang Sachs, Vandana Shiva lembra a necessidade de se realinhar os modelos de produ\u00e7\u00e3o com a l\u00f3gica da natureza, n\u00e3o com a l\u00f3gica dos lucros, da acumula\u00e7\u00e3o de capital e retornos de investimentos.<\/p>\n<p>\u201cDesenvolvimento deveria ficar restrito pelos limites da natureza. No entanto, um outro \u2013 e perigoso \u2013 significado est\u00e1 sendo dado \u00e0 sustentabilidade. Diz respeito n\u00e3o \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o da natureza, mas do desenvolvimento em si. Sustentabilidade, assim, quer dizer assegurar o fornecimento cont\u00ednuo de mat\u00e9rias primas para a produ\u00e7\u00e3o industrial\u201d, escreve Vandana Shiva.<\/p>\n<p>*Suplemento sobre sustentabilidade publicado no jornal \u201cO Globo\u201d de 2003 a 2012<\/p>\n<p>**Informa\u00e7\u00f5es pin\u00e7adas do site Navdanya<\/p>\n<p><em>Foto: Elke Wetzig\/Creative Commons<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira vez que ouvi falar da indiana Vandana Shiva foi h\u00e1 cerca de dez<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39835,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/indiana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A primeira vez que ouvi falar da indiana Vandana Shiva foi h\u00e1 cerca de dez","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39834"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39834\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}