{"id":39756,"date":"2016-03-30T17:00:09","date_gmt":"2016-03-30T20:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39756"},"modified":"2016-03-30T17:58:34","modified_gmt":"2016-03-30T20:58:34","slug":"sacola-plastica-as-pessoas-so-valorizam-o-que-custa-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sacola-plastica-as-pessoas-so-valorizam-o-que-custa-dinheiro\/","title":{"rendered":"Sacola pl\u00e1stica: as pessoas s\u00f3 valorizam o que custa dinheiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39757\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39757\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O anivers\u00e1rio de um ano da pol\u00eamica lei de cobran\u00e7a das sacolinhas pl\u00e1sticas de supermercado em S\u00e3o Paulo gerou um bom debate no Blog do Planeta. Reinaldo Canto, jornalista especializado em sustentabilidade, escreveu um artigo onde diz que a teve o efeito positivo de reduzir em 70% o consumo das sacolas, sem reduzir o conforto dos consumidores. Em resposta a ele, Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, associa\u00e7\u00e3o de fabricantes de pl\u00e1sticos e embalagens, escreveu outro artigo. Bahiense argumenta que a lei n\u00e3o serviu para educar o consumidor. E s\u00f3 \u00e9 ben\u00e9fica para os supermercados, que economizam dinheiro. Em entrevista a \u00c9POCA em 2011, Bahiense j\u00e1 havia desenvolvido os argumentos para dizer que os pl\u00e1sticos podem ser bons para o meio ambiente. Agora, Reinaldo Canto escreve mais um artigo, abaixo, sobre o tema.<\/p>\n<p><em>SACOLAS PL\u00c1STICAS E A PERCEP\u00c7\u00c3O DE VALORES<\/em><\/p>\n<p><em>Caro Miguel, antes de mais nada, quero parabeniza-lo ao questionar meu artigo no mais alto n\u00edvel e mant\u00ea-lo no campo das ideias. Nestes tempos bicudos em que o \u00f3dio tem prevalecido sobre o debate cordial \u00e9 de servir de exemplo que as pessoas se coloquem em campos opostos em determinados momentos como advers\u00e1rios e n\u00e3o inimigos.<\/em><\/p>\n<p><em>Feita esta primeira observa\u00e7\u00e3o passo a refletir sobre as suas considera\u00e7\u00f5es. De certa maneira tamb\u00e9m concordo com voc\u00ea que essa quest\u00e3o \u00e9 muito mais profunda e interesses econ\u00f4micos, bem como, conscientiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o se resolvem ou avan\u00e7am com a simples cobran\u00e7a das sacolinhas.<\/em><\/p>\n<p><em>Tenho usado com frequ\u00eancia o argumento de que a falta da percep\u00e7\u00e3o de valor das coisas, sejam eles insumos naturais ou n\u00e3o, s\u00f3 servem para que os impactos ambientais se tornem ainda mais dram\u00e1ticos. Veja o exemplo da \u00e1gua! T\u00e3o essencial, mas foi preciso uma crise h\u00eddrica de grandes propor\u00e7\u00f5es para despertar as pessoas para a sua import\u00e2ncia. Em minha opini\u00e3o, ela deveria custar muito mais caro j\u00e1 que mesmo com a escassez,\u00a0 desperd\u00edcios e o mau uso ainda s\u00e3o frequentes.<\/em><\/p>\n<p><em>No caso das sacolas pl\u00e1sticas algo semelhante acontecia ou mesmo com a cobran\u00e7a ainda acontece, ou seja, muita gente simplesmente n\u00e3o lhes d\u00e1 qualquer valor.\u00a0Antes da lei era comum ver aquela profus\u00e3o de sacolas sendo consumidas sem controle e bom senso. A\u00ed reside a quest\u00e3o central do meu ponto de vista: a no\u00e7\u00e3o de valor. Se posso pegar quanto quiser, na cabe\u00e7a de muitos, as sacolas representavam um acess\u00f3rio absolutamente sem valor, gratuito e, portanto, pass\u00edvel tamb\u00e9m de ser descartado a qualquer momento e em qualquer lugar.<\/em><\/p>\n<p><em>Em defesa da cobran\u00e7a digo sempre em sala de aula que ningu\u00e9m joga ou deixa cair moedas no ch\u00e3o, pois mesmo diante de seu baixo valor de face, essas moedas tem valor. Creio que o mesmo deve valer para as sacolinhas pl\u00e1sticas.<\/em><\/p>\n<p><em>Voc\u00ea e os leitores viram em meu artigo alguns dados sobre o problema do descarte do pl\u00e1stico e suas consequ\u00eancias terr\u00edveis para o meio ambiente e para o futuro de todos n\u00f3s.\u00a0Claro que ao cobrar n\u00e3o se est\u00e1 fazendo educa\u00e7\u00e3o ambiental, mas simplesmente contribuindo para reduzir o impacto ambiental do descalabro que era o uso indiscriminado das sacolinhas.<br \/>\nN\u00e3o sou contra as sacolas pl\u00e1sticas, muito pelo contr\u00e1rio, eu as acho \u00f3timas e as uso quando preciso. Longe de mim apoiar o seu banimento, ela \u00e9, sem d\u00favida, muito \u00fatil, pr\u00e1tica e eficiente.<\/em><\/p>\n<p><em>Questiono \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que a popula\u00e7\u00e3o \u201cmenos favorecida economicamente\u201d, n\u00e3o poderia mais acondicionar seus rejeitos em sacolas pl\u00e1sticas em virtude de cobran\u00e7as que est\u00e3o em torno de R$ 0,08 e R$ 0,10.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Argumenta\u00e7\u00e3o ainda mais fr\u00e1gil faz refer\u00eancia a um aumento no descarte irregular de res\u00edduos. A Prefeitura registrou um aumento de 12% na coleta seletiva logo no primeiro m\u00eas de vig\u00eancia na nova lei gra\u00e7as, exatamente, ao uso correto das sacolinhas. Tamb\u00e9m recentemente foi anunciada a extens\u00e3o da coleta seletiva at\u00e9 dezembro deste ano para toda a cidade de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p><em>Quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre sacolas pl\u00e1sticas e as doen\u00e7as zika, chikungunya, etc, por n\u00e3o existir qualquer estudo conhecido a esse respeito (com a palavra Miguel Bahiense)\u00a0 prefiro n\u00e3o me manifestar. \u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Concordo que os supermercados e os demais com\u00e9rcios atingidos ou mesmo beneficiados pela lei poderiam pensar em a\u00e7\u00f5es inteligentes que beneficiassem os consumidores que n\u00e3o fizerem uso das sacolas. Talvez fosse uma forma de reduzir outra percep\u00e7\u00e3o de muitos de que o com\u00e9rcio est\u00e1 auferindo lucros indevidos.<\/em><\/p>\n<p><em>Prefiro restringir minha an\u00e1lise aos aspectos ligados aos impactos ambientais e n\u00e3o entrar na seara sobre quem perde ou ganha com a lei ou a aus\u00eancia dela. Nessa contenda com supermercados de um lado e fabricantes de embalagens pl\u00e1sticas de outro prefiro chamar os jornalistas da \u00e1rea econ\u00f4mica.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O certo \u00e9 que a sociedade n\u00e3o perdeu, muito pelo contr\u00e1rio, nada de mal aconteceu em virtude da redu\u00e7\u00e3o desse consumo.<\/em><\/p>\n<p><em>Concordo que a batalha \u00e9 muito maior. Realmente infinitamente maior! Mas ela precisa come\u00e7ar a ser travada em algum campo. Imposs\u00edvel imaginar que tudo ser\u00e1 resolvido como em um passe de m\u00e1gica. O certo \u00e9 que ao levar as sacolas retorn\u00e1veis ao supermercado ao inv\u00e9s de comprar uma sacolinha de que n\u00e3o necessita, o consumidor, por bem ou por mal, estar\u00e1 refletindo sobre uma a\u00e7\u00e3o de consumo. \u00c9 pouco, sim!! Mas \u00e9 melhor que nada!<\/em><\/p>\n<p><em>Numa sociedade ideal, as sacolinhas seriam gratuitas, mas as pessoas s\u00f3 usariam se realmente precisassem delas e n\u00e3o as descartariam nas vias p\u00fablicas e c\u00f3rregos; as pessoas n\u00e3o dirigiriam embriagadas e tamb\u00e9m n\u00e3o seria necess\u00e1rio autuar cidad\u00e3os e empresas pelo desperd\u00edcio de \u00e1gua. Infelizmente n\u00e3o vivemos nesse mundo!<\/em><\/p>\n<p><em>Assim como em outras in\u00fameras conquistas da modernidade devemos buscar o equil\u00edbrio e ter uma vis\u00e3o que contemple o longo prazo, a sustentabilidade do nosso consumo e, portanto, tamb\u00e9m do que esperamos para o nosso futuro. O bem comum deve prevalecer sobre um pretenso direito do consumidor.<\/em><\/p>\n<p><em>*Reinaldo Canto \u00e9 jornalista ambiental e assessor de comunica\u00e7\u00e3o da Iniciativa Verde<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O anivers\u00e1rio de um ano da pol\u00eamica lei de cobran\u00e7a das sacolinhas pl\u00e1sticas de supermercado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/sacola.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O anivers\u00e1rio de um ano da pol\u00eamica lei de cobran\u00e7a das sacolinhas pl\u00e1sticas de supermercado","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39756"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39756"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39756\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}