{"id":39617,"date":"2016-03-27T11:13:08","date_gmt":"2016-03-27T14:13:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39617"},"modified":"2016-03-27T11:13:08","modified_gmt":"2016-03-27T14:13:08","slug":"usinas-nucleares-dos-eua-envelhecem-e-cresce-preocupacao-com-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/usinas-nucleares-dos-eua-envelhecem-e-cresce-preocupacao-com-energia\/","title":{"rendered":"Usinas nucleares dos EUA envelhecem e cresce preocupa\u00e7\u00e3o com energia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/energia_nuclear.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39618\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39618\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/energia_nuclear-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/energia_nuclear-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/energia_nuclear.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A usina nuclear H.B. Robinson, na Carolina do Sul (EUA), vem produzindo eletricidade, com pequenas interrup\u00e7\u00f5es, desde a administra\u00e7\u00e3o Nixon. Mas agora, seu destino est\u00e1 definido: ela ter\u00e1 que fechar em 2030, quando far\u00e1 60 anos.<\/p>\n<p>O reator da Robinson \u00e9 um dos mais velhos em opera\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, mas outros est\u00e3o chegando l\u00e1. De 2029 a 2035, tr\u00eas d\u00fazias dos 99 reatores do pa\u00eds, que representam mais de um ter\u00e7o da capacidade geradora da ind\u00fastria, ter\u00e3o que fechar quando suas licen\u00e7as de opera\u00e7\u00e3o expirarem.<\/p>\n<p>Qualquer parada seria mais um golpe na energia nuclear, que fornece 19% da eletricidade do pa\u00eds, mas vem, nos \u00faltimos anos, competindo contra a energia solar e a e\u00f3lica subsidiadas e usinas que queimam o barato g\u00e1s natural.<\/p>\n<p><strong>Os defensores do setor dizem que ao eliminar fontes de energia limpa \u2013 uma rea\u00e7\u00e3o nuclear n\u00e3o produz di\u00f3xido de carbono e outros gases do efeito estufa \u2013 os fechamentos podem afetar a habilidade do governo de cumprir sua promessa, feita nas discuss\u00f5es sobre o clima em Paris no ano passado, para reduzir as emiss\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>E para continuar a produzir o que o pa\u00eds precisa, ser\u00e1 necess\u00e1rio construir uma nova capacidade geradora para repor a que se perder\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas dessas usinas v\u00e3o ser aposentadas. Isso significa que precisaremos atender essa demanda de alguma maneira&#8221;, afirma Stephen E. Kuczynski, presidente-executivo da subsidi\u00e1ria nuclear Southern Co.<\/p>\n<p>Dado o ritmo algumas vezes extremamente lento dos projetos, licenciamentos e constru\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria nuclear, os anos 2030 n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o longe. Operadores das usinas podem conseguir algum tempo buscando extens\u00f5es das licen\u00e7as, por mais 20 anos, na Comiss\u00e3o de Regulamenta\u00e7\u00e3o Nuclear, ou construindo mais reatores grandes como os quatro que est\u00e3o sendo feitos.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria e o Departamento de Energia tamb\u00e9m t\u00eam depositado suas esperan\u00e7as no desenvolvimento de projetos de reatores menos convencionais mais seguros e baratos para construir e operar. Ainda assim n\u00e3o est\u00e1 claro se novos projetos podem chegar ao mercado a tempo de fazer diferen\u00e7a na capacidade de gera\u00e7\u00e3o perdida com as usinas fechadas.<\/p>\n<h3>Pa\u00eds ter\u00e1 uma op\u00e7\u00e3o com custo baixo?<\/h3>\n<p>Parte da ind\u00fastria est\u00e1 otimista, incluindo a Southern, que em janeiro anunciou que receber\u00e1 at\u00e9 US$ 40 milh\u00f5es do Departamento de Energia para desenvolver um reator avan\u00e7ado que utiliza sal fundido para a refrigera\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de \u00e1gua, comum em todos os projetos hoje.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa meta \u00e9: podemos seguir com o processo e ter uma op\u00e7\u00e3o comercial at\u00e9 2030?&#8221;, diz Kuczynski. Para fazer isso, segundo ele e outras pessoas, os ritmos do processo de design e de revis\u00e3o da Comiss\u00e3o de Regulamenta\u00e7\u00e3o Nuclear (NRC, na sigla em ingl\u00eas) precisam ser acelerados.<\/p>\n<p>Mas algumas pessoas afirmam que os cronogramas mais curtos n\u00e3o s\u00e3o realistas por causa das preocupa\u00e7\u00f5es com seguran\u00e7a e outras quest\u00f5es e da necessidade de testar os novos projetos antes de tentar a aprova\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um processo de 25 anos, n\u00e3o importa o que se fa\u00e7a&#8221;, explica Michael McGough, diretor comercial da NuScale Power, que est\u00e1 na frente das outras empresas no trabalho com reatores menos convencionais. O projeto da NuScale, chamado pequeno reator modular, usa \u00e1gua para a refrigera\u00e7\u00e3o, mas as unidades s\u00e3o muito menores do que os reatores atuais e t\u00eam recursos mais avan\u00e7ados de seguran\u00e7a. Eles poderiam em grande parte ser constru\u00eddos em uma f\u00e1brica, economizando dinheiro, e seria poss\u00edvel instalar at\u00e9 12 deles em um mesmo local.<\/p>\n<p>McGough sabe tudo sobre cronogramas longos; o projeto da NuScale est\u00e1 em desenvolvimento desde o ano 2000. J\u00e1 conseguiu um potencial primeiro cliente, o Sistema Associado Municipal de Energia do Utah, ou Uamps (na sigla em ingl\u00eas), que opera na Intermountain West, e espera ter 12 dos pequenos reatores funcionando no local em Idaho at\u00e9 o meio dos anos 2020. &#8220;Para mim parece improv\u00e1vel ver novos projetos desenvolvidos ou licenciados em um tempo muito menor do que o que temos pela frente&#8221;, diz McGough.<\/p>\n<p>A NuScale vem testando seu projeto h\u00e1 13 anos, usando um prot\u00f3tipo n\u00e3o-nuclear. No final deste ano, planeja submeter um requerimento de 11 mil p\u00e1ginas para o NRC a fim de certificar seu projeto. Depois, a comiss\u00e3o tem at\u00e9 40 meses para examinar os documentos.<\/p>\n<p>O processo de certifica\u00e7\u00e3o, e um pedido de aprova\u00e7\u00e3o posterior feito pela Uamps para a constru\u00e7\u00e3o e a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o, podem atrasar se a NRC pedir mais informa\u00e7\u00f5es. Mas, mesmo se tudo correr bem, a usina vai produzir apenas cerca de metade da eletricidade dos muitos reatores existentes. Seriam necess\u00e1rias cerca de 50 dessas usinas de 12 reatores para repor a capacidade de gera\u00e7\u00e3o que pode ser perdida por volta de 2035.<\/p>\n<p>Muitos na ind\u00fastria esperam que uma amplia\u00e7\u00e3o do prazo das licen\u00e7as dos reatores que j\u00e1 existem impedir\u00e1 pelo menos alguns fechamentos. As usinas nucleares foram licenciadas originalmente por 40 anos, mas quase todas pediram e receberam aumentos de 20 anos no tempo de funcionamento.<\/p>\n<h3>Aumentar a vida \u00fatil das usinas<\/h3>\n<p>A comiss\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a pesquisar o que seria exigido para ampliar a vida das usinas para 80 anos. &#8220;Estamos perguntando quest\u00f5es muito b\u00e1sicas, como por quanto tempo o vaso do reator permanece aceit\u00e1vel uma vez que est\u00e1 sendo bombardeado por n\u00eautrons. A informa\u00e7\u00e3o que temos at\u00e9 agora \u00e9 que essas s\u00e3o quest\u00f5es que n\u00e3o interrompem os trabalhos&#8221;, diz o porta-voz Scott Burnell.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora um operador anunciou planos para buscar esse tipo de extens\u00e3o para dois reatores previstos para fechar no come\u00e7o dos anos 2030, mas um pedido e sua poss\u00edvel aprova\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o a anos de dist\u00e2ncia. A Duke Energy, dona da usina Robinson na Carolina do Sul, diz que est\u00e1 avaliando se deve ou n\u00e3o buscar a amplia\u00e7\u00e3o do prazo.<\/p>\n<p>Como a economia das usinas nucleares \u00e9 relativamente ruim, no entanto, mesmo que uma delas pudesse ser licenciada para funcionar por at\u00e9 80 anos, a quest\u00e3o permanece se financeiramente seria v\u00e1lido us\u00e1-la, especialmente se exigir reformas muito caras. Os c\u00e9ticos citam duas usinas nos Estados Unidos que foram fechadas por raz\u00f5es econ\u00f4micas desde 2012, depois que suas licen\u00e7as foram ampliadas para 60 anos.<\/p>\n<p>Incertezas econ\u00f4micas parecidas cercam a mais nova gera\u00e7\u00e3o de reatores, os Westinghouse AP1000, projeto similar em muitos aspectos ao de unidades j\u00e1 existentes, mas com melhorias de seguran\u00e7a e itens que cortam cursos. Quatro deles est\u00e3o sendo constru\u00eddos nos Estados Unidos, e tem havido grandes atrasos nas obras e aumento de custos.<\/p>\n<p>Mas Kuczynski, da Southern, que constr\u00f3i dois reatores na Ge\u00f3rgia, diz que a ind\u00fastria est\u00e1 aprendendo pela experi\u00eancia, o que diminuiria o custo de usinas posteriores. &#8220;Estamos fazendo a primeira de uma s\u00e9rie&#8221;, explica, e todos os pedidos futuros, &#8220;ser\u00e3o pechinchas fant\u00e1sticas&#8221;.<\/p>\n<p>Outras pessoas n\u00e3o t\u00eam tanta certeza de que a ind\u00fastria vai correr para construir mais. &#8220;O que acontecer\u00e1 no final com as quatro AP1000 ser\u00e1 muito importante&#8221;, avalia Matthew McKinzie, cientista s\u00eanior do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. &#8220;Se n\u00e3o valer a pena economicamente estender a vida das usinas para 80 anos, o que isso diz sobre as contas de uma usina nova?&#8221;<\/p>\n<h3>Seguran\u00e7a \u00e9 cr\u00edtica<\/h3>\n<p>Cr\u00edticos da energia nuclear explicam que novos projetos, como reatores que usam sais fundidos, criam novas quest\u00f5es, especialmente em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a, que levar\u00e3o muito tempo para ser avaliadas.<\/p>\n<p>&#8220;Um regulamentador n\u00e3o pode aceitar estudos dizendo que um reator \u00e9 muito seguro. Ele precisa de documenta\u00e7\u00e3o, dados experimentais&#8221;, afirma Edwin Lyman, da Union of Concerned Scientists.<\/p>\n<p>&#8220;A ind\u00fastria e o Departamento de Energia alimentam essa fantasia de que voc\u00ea pode ter um processo de licenciamento geral de projetos neutros&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Mas Ray Rothrock, capitalista de risco que investiu em duas empresas que est\u00e3o trabalhando em projetos avan\u00e7ados, acredita que o tempo est\u00e1 acabando para melhorar o processo.<\/p>\n<p>&#8220;Temos provavelmente uma janela de cinco a dez anos. Se n\u00e3o resolvermos esse problema na pr\u00f3xima administra\u00e7\u00e3o presidencial, perderemos a chance&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A usina nuclear H.B. 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