{"id":39614,"date":"2016-03-27T11:08:26","date_gmt":"2016-03-27T14:08:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39614"},"modified":"2016-03-27T11:08:26","modified_gmt":"2016-03-27T14:08:26","slug":"velho-chico-produz-muitas-riquezas-e-guarda-belezas-surpreendentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/velho-chico-produz-muitas-riquezas-e-guarda-belezas-surpreendentes\/","title":{"rendered":"Velho Chico produz muitas riquezas e guarda belezas surpreendentes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39615\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39615\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00c0 medida que avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 foz, o S\u00e3o Francisco vai mostrando a import\u00e2ncia de suas \u00e1guas para a agricultura, gera\u00e7\u00e3o de energia e para a cultura dos ribeirinhos. A segunda parte da reportagem especial sobre o Velho Chico apresenta um rio que produz muitas riquezas no Nordeste.<\/p>\n<p>Um rio respeitado pelos brasileiros, amado pelos ribeirinhos e que inspira artistas como Vav\u00e1 Cunha.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o dos ribeirinhos com o Velho Chico \u00e9 de muita depend\u00eancia. Os \u00edndios kiriris, por exemplo, vivem em uma aldeia em Muqu\u00e9m de S\u00e3o Francisco e dependem do rio para tudo. Por isso, o tratam como um pai que precisa de cuidados.<\/p>\n<p>\u201cA natureza \u00e9 nossa m\u00e3e. O rio \u00e9 tudo para n\u00f3s\u201d, diz Maria Kiriri, cacique da aldeia Kiriri.<\/p>\n<p>Cerca 200 quil\u00f4metros rio abaixo da tribo Kiriri, a lagoa Itaparica, no munic\u00edpio de Xique-Xique chama a aten\u00e7\u00e3o. As \u00e1guas do S\u00e3o Francisco entram por uma barragem e se espalham por seis quil\u00f4metros de di\u00e2metro. Muitas esp\u00e9cies de peixe se reproduzem no lugar. No entorno, vivem moradores de oito comunidades.<\/p>\n<p>Quanto mais se desce o Velho Chico, mais surpresas encontra-se pelo caminho. O lago da Hidrel\u00e9trica de Sobradinho, com 300 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, \u00e9 o maior lago artificial da Am\u00e9rica Latina. A chuvarada aliviou muito o drama da represa.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente em rela\u00e7\u00e3o a novembro do ano passado, quando o lago quase secou. Aconteceu o que parecia improv\u00e1vel. As cidades que submergiram quando a barragem foi constru\u00edda reapareceram quatro d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>No final de 2015, a aposentada Mara L\u00edlia Castro voltou \u00e0 velha casa nova e reviu, emocionada, o lugar onde nasceu e passou parte da vida. \u201cNunca imaginei que ainda fosse ver fragmentos desse c\u00e3o que eu amo at\u00e9 hoje\u201d, diz.<\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas meses, a antiga cidade j\u00e1 tinha sumido de novo. Com a volta da chuva, o n\u00edvel da represa se recuperou rapidamente e passou de 1% para mais de 30% da capacidade.<\/p>\n<p>Agricultores que tiveram as terras inundadas foram transferidos para o munic\u00edpio de Serra do Ramalho, a quase mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, perto de Bom Jesus da Lapa. Eles passaram a viver em agrovilas constru\u00eddas pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do S\u00e3o Francisco \u2013 Codevasf.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias que se mudaram para a Serra do Ramalho foram atra\u00eddas por promessas do governo federal. A principal delas era a terra irrigada. A \u00e1gua do S\u00e3o Francisco chegaria \u00e0s agrovilas por um canal que at\u00e9 hoje n\u00e3o foi constru\u00eddo. Depois de 40 anos, a lavoura da regi\u00e3o ainda depende da chuva.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, o agricultor Valdomiro Brito se queixa. Embora esteja a dez quil\u00f4metros do rio, n\u00e3o \u00e9 todo ano que ele consegue plantar.<\/p>\n<p>Os moradores que ficaram na regi\u00e3o de Sobradinho comemoram. O agricultor Washington de Barros j\u00e1 garantiu a safra de cebola. \u201cEstava tudo seco. Agora, est\u00e1 tudo verdinho\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com mais \u00e1gua h\u00e1 mais trabalho. A trabalhadora rural Saturnina de Souza, que estava desempregada, voltou a trabalhar na colheita da acerola. \u201cSempre eu trabalho na ro\u00e7a. Quando n\u00e3o tem, eu vou para as firmas para fazer colheita tamb\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p>O Vale do S\u00e3o Francisco \u00e9 um dos mais importantes celeiros da fruticultura brasileira.<br \/>\nOs pomares empregam 250 mil trabalhadores e produzem quase 1,5 milh\u00e3o de toneladas de frutas por ano. O Vale \u00e9 o maior polo nacional de produ\u00e7\u00e3o de manga. A regi\u00e3o colhe mais de 750 mil toneladas da fruta a cada safra. Tamb\u00e9m se torna um importante produtor de uva, com mais de 250 mil toneladas por ano.<\/p>\n<p>O mercado brasileiro consome cerca de 90% da uva produzida no Vale do S\u00e3o Francisco. A variedade de uva de mesa, fina e sem semente \u00e9 uma das mais procuradas pelo mercado. O pre\u00e7o varia de R$ 7 a R$ 10 o quilo. No exterior, deve ser o dobro.<\/p>\n<p>Em Pernambuco \u00e9 desenvolvido o Projeto Nilo Coelho, o maior do per\u00edmetro irrigado. Ele fica no munic\u00edpio de Petrolina e re\u00fane mais de 2,3 mil produtores. Com o sistema de irriga\u00e7\u00e3o, a colheita da uva pode ser programada, como explica o produtor e agr\u00f4nomo Silvio Medeiros.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma regi\u00e3o fant\u00e1stica. Em qualquer \u00e9poca do ano \u00e9 poss\u00edvel produzir. Essa \u00e9 uma grande vantagem competitiva que n\u00f3s temos\u201d, diz Medeiros.<\/p>\n<p>Entre Juazeiro e Petrolina, o Velho Chico transforma suas \u00e1guas em vinho. Um barco leva turistas para uma das vin\u00edcolas do vale. Os visitantes conhecem o parreiral e a colheita das uvas.<\/p>\n<p>Os espumantes s\u00e3o o carro-chefe da regi\u00e3o. Por ano, s\u00e3o produzidos quase dois milh\u00f5es de garrafas apenas em uma vin\u00edcola. Pesquisas realizadas na regi\u00e3o buscam sempre alternativas para diversificar ainda mais a produ\u00e7\u00e3o do Vale do S\u00e3o Francisco. Frutas de regi\u00f5es frias est\u00e3o sendo colhidas no campo experimental da Embrapa em Petrolina.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia come\u00e7ou h\u00e1 oito anos. O agr\u00f4nomo Paulo Roberto Lopes, que coordena o trabalho, diz que 21 variedades de caqui foram plantadas. Muitas n\u00e3o deram certo. Mas a rama forte surpreendeu. &#8220;N\u00f3s temos feito duas produ\u00e7\u00f5es por ano na mesma planta e conseguido bons resultados de produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Mais surpreendente ainda \u00e9 a pera. \u201cN\u00f3s temos alcan\u00e7ado at\u00e9 40 toneladas por hectare. A m\u00e9dia nacional fica em torno de 15 toneladas por hectare\u201d, completa Lopes.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o milagres do S\u00e3o Francisco. O rio que d\u00e1 frutas tamb\u00e9m gera energia. S\u00f3 a Hidrel\u00e9trica de Sobradinho produz o suficiente para abastecer uma cidade de tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>As carrancas eram amuletos obrigat\u00f3rios nas antigas embarca\u00e7\u00f5es que navegavam pelo Velho Chico. Hoje, s\u00e3o obras de arte. Esse estilo diferente foi criado por dona Ana das Carrancas. H\u00e1 34 anos, o Globo Rural mostrou o trabalho dela. A dona Ana morreu h\u00e1 oito anos, mas deixou como herdeiras a neta e a filha mais velha.<\/p>\n<p>A artes\u00e3 Maria da Cruz Santos conta como dona Ana teve a ideia de vazar os olhos da carranca. Foi para homenagear o marido, que n\u00e3o enxergava. \u201cQuando ele passou a m\u00e3o na pe\u00e7a, que tocou nos olhos, que sentiu os olhos perfurados, ele deu uma risada e disse \u2018eita, minha velha, isso que \u00e9 amor\u201d, lembra.<\/p>\n<p>As carrancas de barro misturam rosto de gente com cara de cavalo. J\u00e1 em um atelier da regi\u00e3o, os artes\u00e3os trabalham nas pe\u00e7as mais tradicionais, feitas com madeira da umburana, uma \u00e1rvore da caatinga.<\/p>\n<p>Com a alegria dos ribeirinhos, o S\u00e3o Francisco segue o seu curso rumo ao Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 foz, o S\u00e3o Francisco vai mostrando a import\u00e2ncia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39615,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_sao-francisco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00c0 medida que avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 foz, o S\u00e3o Francisco vai mostrando a import\u00e2ncia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39614"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39614"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39614\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}