{"id":39605,"date":"2016-03-27T10:48:49","date_gmt":"2016-03-27T13:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39605"},"modified":"2016-03-27T10:48:49","modified_gmt":"2016-03-27T13:48:49","slug":"prazer-nao-e-o-principal-motivo-que-leva-nosso-cerebro-a-pedir-acucar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/prazer-nao-e-o-principal-motivo-que-leva-nosso-cerebro-a-pedir-acucar\/","title":{"rendered":"Prazer n\u00e3o \u00e9 o principal motivo que leva nosso c\u00e9rebro a pedir a\u00e7\u00facar"},"content":{"rendered":"<div id=\"parent-fieldname-text\" class=\"plain\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/torta_chocolate.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39606\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39606\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/torta_chocolate-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/torta_chocolate-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/torta_chocolate.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ah, o a\u00e7\u00facar! Vil\u00e3o das dietas, amigo dos quilos a mais e muito presente na vida do ser humano. Onde quer que estejamos, os doces atraem nossos olhos por sua beleza e fazem a boca ficar molhada. H\u00e1 quem pense que o prazer de comer algo muito gostoso \u00e9 o principal motivo para consumirmos a\u00e7\u00facar. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim, de acordo com uma pesquisa realizada na Universidade Yale, nos Estados Unidos. Segundo o estudo, nossa paix\u00e3o pelo sabor doce tem, mais do que com o agrado ao paladar, a ver com a busca por nutrientes vitais.<\/p>\n<p>Um grupo de cientistas, liderado pelo neurologista brasileiro Ivan de Ara\u00fajo, demonstrou que a percep\u00e7\u00e3o do prazer (hed\u00f4nica) e a da nutri\u00e7\u00e3o se d\u00e3o por vias diferentes do sistema nervoso. Isto \u00e9, independentemente do prazer que sentimos ao saborear uma sobremesa, nosso organismo sinaliza a necessidade de comer a\u00e7\u00facar. O trabalho <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.nature.com\/neuro\/journal\/v19\/n3\/full\/nn.4224.html\" target=\"_blank\">foi publicado na revista <em>Nature Neuroscience<\/em><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabia da exist\u00eancia das duas diferentes formas, hed\u00f4nica e nutricional, de est\u00edmulo do consumo dos alimentos, mas o estudo descreve sua ocorr\u00eancia em locais distintos do estriado, uma regi\u00e3o do sistema nervoso que \u00e9 fundamental para o processamento de recompensas. A por\u00e7\u00e3o inferior do sistema, conhecida como estriado ventral, possibilita a percep\u00e7\u00e3o do prazer proporcionada pelo sabor doce, enquanto a superior, chamada de estriado dorsal, \u00e9 respons\u00e1vel por reconhecer o valor cal\u00f3rico e nutricional dos alimentos. A pesquisa mostra que os vertebrados preferem comer algo com gosto menos agrad\u00e1vel se o alimento em quest\u00e3o for mais nutritivo, e que a capacidade de distinguir entre paladar e valor nutricional se deve \u00e0s fun\u00e7\u00f5es complementares desempenhadas pelas duas partes do estriado.<\/p>\n<div class=\"pullquote\">\u00a0A pesquisa mostra que os vertebrados preferem comer algo com gosto menos agrad\u00e1vel se o alimento em quest\u00e3o for mais nutritivo<\/div>\n<p>Para testar se as duas regi\u00f5es cerebrais agiam em conjunto ou separadamente, a equipe realizou experimentos com camundongos, que sorviam de bebedouros duas solu\u00e7\u00f5es diferentes, uma de sabor doce (sucralose), e a outra amarga, de sabor aversivo (contendo benzoato de denat\u00f4nio), ambas sem calorias. Para dissociar o sabor e o prazer do valor nutricional, os pesquisadores injetavam a\u00e7\u00facar no est\u00f4mago dos roedores.<\/p>\n<p>Supreendentemente, a solu\u00e7\u00e3o doce n\u00e3o fez tanto sucesso. Segundo o professor Ivan de Ara\u00fajo, quando h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias \u2013 sabor desagrad\u00e1vel e infus\u00e3o de a\u00e7\u00facar intrag\u00e1strico ou sabor agrad\u00e1vel sem nenhuma infus\u00e3o -, a rea\u00e7\u00e3o do circuito dorsal se sobrep\u00f5e. \u201cDescobrimos que os animais preferem consumir a solu\u00e7\u00e3o amarga quando pareada com a\u00e7\u00facar intrag\u00e1strico, em vez da solu\u00e7\u00e3o doce sem valor nutricional\u201d, conta ele.<\/p>\n<h3>Dopamina no circuito<\/h3>\n<p>O estudo avaliou, a partir de t\u00e9cnicas de est\u00edmulo e inativa\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios das duas regi\u00f5es (ventral e dorsal), a libera\u00e7\u00e3o de dopamina \u2013 o neurotransmissor ligado \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de prazer \u2013 no c\u00e9rebro dos roedores ap\u00f3s o consumo das solu\u00e7\u00f5es. Os resultados mostraram que h\u00e1 mais circula\u00e7\u00e3o de dopamina no circuito ventral (fun\u00e7\u00e3o hed\u00f4nica) quando os camundongos ingerem a bebida doce, por ter o gosto mais agrad\u00e1vel. A libera\u00e7\u00e3o de dopamina no circuito dorsal, por outro lado, depende do valor nutricional do alimento consumido, independentemente do sabor ser agrad\u00e1vel ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se de uma solu\u00e7\u00e3o da natureza para assegurar os n\u00edveis de energia necess\u00e1rios para o funcionamento do c\u00e9rebro: como tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por regular movimentos do corpo, neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos, que carregam a dopamina, geram comportamento ingestivo quando os nutrientes corretos s\u00e3o ingeridos, mesmo que n\u00e3o haja est\u00edmulo ao paladar. Assegura-se, desta forma, o in\u00edcio do processo de busca por estes nutrientes.<\/p>\n<div class=\"pullquote\">Para os autores do artigo, a exist\u00eancia de uma \u00e1rea do c\u00e9rebro estimulada pelo valor nutricional dos alimentos, presente em diversas esp\u00e9cies animais, \u00e9 uma importante ferramenta evolutiva<\/div>\n<p>Para os autores do artigo, a exist\u00eancia de uma \u00e1rea do c\u00e9rebro especializada em detectar o valor nutricional dos alimentos, presente em diversas esp\u00e9cies animais, \u00e9 uma importante ferramenta evolutiva. \u201cOs estoques de glicose, principal fonte de energia do sistema nervoso, s\u00e3o relativamente baixos no organismo se comparados \u00e0 gordura, por exemplo\u201d, ressalta Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o foram feitos testes em humanos, por conta da dificuldade de controlar as condi\u00e7\u00f5es experimentais, mas os pesquisadores acreditam que o c\u00e9rebro de nossa esp\u00e9cie atue da mesma maneira. \u201cO sistema estriado \u00e9 bem desenvolvido evolutivamente [nos animais]. Dados da literatura m\u00e9dica mostram que at\u00e9 invertebrados, como moscas alteradas geneticamente para n\u00e3o sentirem o sabor doce, possuem o mesmo mecanismo. Se as moscas e os camundongos t\u00eam, provavelmente os humanos tamb\u00e9m\u201d, explica a neurobi\u00f3loga Tatiana Lima Ferreira, do Centro de Matem\u00e1tica, Computa\u00e7\u00e3o e Cogni\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do ABC, colaboradora do estudo.<\/p>\n<h3>Tend\u00eancia evolutiva<\/h3>\n<p>\u201cO estudo identifica a predomin\u00e2ncia dos circuitos de valor cal\u00f3rico aos de valor hed\u00f4nico. Se a tend\u00eancia for verificada em humanos, ser\u00e1 mais uma confirma\u00e7\u00e3o da nossa tend\u00eancia evolutiva de buscar nutrientes que possibilitam ao corpo armazenar energia\u201d, comenta a neurocientista Penha Cristina Barradas, do Laborat\u00f3rio de Neurobiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. \u201cOs seres vivos, em geral, s\u00e3o programados para aproveitar o m\u00e1ximo poss\u00edvel do alimento, guardando energia para \u00f3rg\u00e3os nobres (como o c\u00e9rebro) e momentos de maior necessidade\u201d, destaca a neurocientista.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, o a\u00e7\u00facar! 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