{"id":39580,"date":"2016-03-26T17:48:47","date_gmt":"2016-03-26T20:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39580"},"modified":"2016-03-26T17:48:47","modified_gmt":"2016-03-26T20:48:47","slug":"aedes-aegypti-a-proliferacao-do-mosquito-e-a-falta-de-saneamento-basico-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aedes-aegypti-a-proliferacao-do-mosquito-e-a-falta-de-saneamento-basico-no-pais\/","title":{"rendered":"Aedes aegypti: a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito e a falta de saneamento b\u00e1sico no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com J\u00e1der da Cruz Cardoso<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cO sucesso desses mosquitos \u00e9 garantido, em grande parte, pelo crescimento e aglomera\u00e7\u00e3o populacional que urbaniza aceleradamente os munic\u00edpios, pela pobreza, falta de saneamento nas cidades, descarte inadequado de res\u00edduos s\u00f3lidos (e p\u00edfios investimentos na reciclagem), modelo de desenvolvimento que prioriza o consumo de recursos naturais, mudan\u00e7as do clima, falta de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o p\u00fablica\u201d, afirma o bi\u00f3logo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i68.tinypic.com\/wi2hqe.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto :Gilberto-Winter \/\u00a0<a href=\"http:\/\/www.acquasolution.com\">www.acquasolution.com<\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Sendo o <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6345&amp;secao=481\" target=\"_blank\"><strong>Aedes aegypti<\/strong><\/a> um mosquito de \u201ch\u00e1bitos urbanos\u201d e associado \u201c\u00e0s grandes aglomera\u00e7\u00f5es humanas\u201d, tanto a popula\u00e7\u00e3o quanto o poder p\u00fablico t\u00eam responsabilidade no combate ao transmissor da <strong>Dengue<\/strong> e do <strong>v\u00edrus da Zika<\/strong>, diz<strong> J\u00e1der da Cruz Cardoso<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>, em entrevista concedida por e-mail. \u201cSe um propriet\u00e1rio deixa uma piscina ou calha sem manuten\u00e7\u00e3o ou acumula res\u00edduos s\u00f3lidos a c\u00e9u aberto no seu quintal ou em terrenos baldios, isso \u00e9 (ir)responsabilidade sua. (&#8230;) Por outro lado, o poder p\u00fablico tamb\u00e9m tem suas responsabilidades, oferecendo <strong>saneamento b\u00e1sico<\/strong> e infraestrutura adequada nas cidades e atuando de forma efetiva nas a\u00e7\u00f5es de controle vetorial, educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, vigil\u00e2ncia e preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as transmitidas por esses insetos\u201d, frisa.Segundo ele, a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito no pa\u00eds est\u00e1 associada \u00e0 \u201cfalta de condi\u00e7\u00f5es adequadas de <strong>saneamento<\/strong> na maioria dos munic\u00edpios brasileiros\u201d, especialmente em \u201cregi\u00f5es com falta de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, onde a popula\u00e7\u00e3o necessita armazenar \u00e1gua em barris e ton\u00e9is\u201d, ou em \u201ccidades com limita\u00e7\u00f5es no gerenciamento de res\u00edduos s\u00f3lidos e falta de coleta seletiva\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/522766-vigilancia-ambiental-e-a-prevencao-a-saude-entrevista-especial-com-jader-da-cruz-cardoso\" target=\"_blank\"><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso<\/strong><\/a> \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul \u2013 PUC-RS, especializado em Entomologia M\u00e9dica pela Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, mestre em Bioci\u00eancias\/Zoologia pela PUC\u2013RS e doutor em Ci\u00eancias pelo departamento de Epidemiologia da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP. Atualmente, \u00e9 professor do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e do Mestrado em Sa\u00fade e Desenvolvimento Humano do Centro Universit\u00e1rio La Salle \u2013 Unilasalle\/Canoas. Tamb\u00e9m \u00e9 sanitarista da Secretaria Estadual de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, desempenhando suas atividades no Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade &#8211; CEVS.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i66.tinypic.com\/179rup.png\" alt=\"\" width=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.researchgate.net\">www.researchgate.net<\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line \u2013 De que maneira as condi\u00e7\u00f5es de estrutura e acesso ao saneamento b\u00e1sico incidem sobre as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> Cidades com oferta de \u00e1gua pot\u00e1vel, esgotos sanit\u00e1rios recebendo o devido tratamento, drenagem das \u00e1guas pluviais, limpeza urbana e gerenciamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos oferecem aos seus habitantes melhores condi\u00e7\u00f5es ambientais que ir\u00e3o ampliar a qualidade de vida dos cidad\u00e3os. Por outro lado, a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/550852-lei-de-saneamento-basico-poucas-metas-podem-ser-cumpridas-ate-2033-entrevista-especial-com-edison-carlos\" target=\"_blank\"><strong>falta de saneamento b\u00e1sico<\/strong><\/a> degrada os ambientes e a vida das pessoas, possibilitando que popula\u00e7\u00f5es humanas (especialmente crian\u00e7as) convivam diretamente expostas \u00e0 \u00e1gua contaminada, res\u00edduos s\u00f3lidos e todo tipo de restos org\u00e2nicos e esgoto a c\u00e9u aberto. Quanto melhores as condi\u00e7\u00f5es do meio ambiente, mais saud\u00e1veis ser\u00e3o as pessoas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o as principais doen\u00e7as que podem proliferar em fun\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias ou falta de saneamento b\u00e1sico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> Infelizmente, os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551744-investimentos-em-saneamento-uma-questao-estrategica\" target=\"_blank\"><strong>investimentos em saneamento b\u00e1sico<\/strong><\/a> n\u00e3o s\u00e3o priorit\u00e1rios na grande maioria dos munic\u00edpios brasileiros. Essa falta de cuidado com a sa\u00fade ambiental amplia a incid\u00eancia de doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, como hepatite, leptospirose e diarreias. Insetos como baratas e moscas encontram, nesses cen\u00e1rios degradados, condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 ocorr\u00eancia em grandes quantidades. A falta de saneamento tamb\u00e9m contribui para o aumento da densidade de mosquitos transmissores de agentes causadores de <strong>Filariose<\/strong>, <strong>Dengue<\/strong>, <strong>Chikungunya<\/strong> e <strong>Zika<\/strong> nos grandes centros.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Especificamente em rela\u00e7\u00e3o ao mosquito Aedes aegypti, as campanhas t\u00eam sido focadas na convoca\u00e7\u00e3o e responsabilidade da popula\u00e7\u00e3o no combate aos criadouros do inseto. Mas qual \u00e9 o peso da quest\u00e3o do saneamento b\u00e1sico na luta contra o mosquito e as doen\u00e7as que ele transmite?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> Devemos levar em considera\u00e7\u00e3o que o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/550980-pandemia-de-zika-virus-perdemos-a-guerra-para-o-aedes-aegypti-entrevista-especial-com-carlos-henrique-nery-costa-\" target=\"_blank\"><strong>Aedes aegypti<\/strong><\/a> \u00e9 um mosquito de h\u00e1bitos urbanos, associado \u00e0s grandes aglomera\u00e7\u00f5es humanas. Os criadouros preferenciais desses mosquitos est\u00e3o presentes nos quintais e\/ou dentro das resid\u00eancias e estabelecimentos comerciais. \u00c9 natural que a popula\u00e7\u00e3o seja convidada a combater esta esp\u00e9cie que, muitas vezes, recebe da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o. Se um propriet\u00e1rio deixa uma piscina ou calha sem manuten\u00e7\u00e3o ou acumula res\u00edduos s\u00f3lidos a c\u00e9u aberto no seu quintal ou em terrenos baldios, isso \u00e9 (ir)responsabilidade sua. Portanto deve, sim, ser convocado a participar de campanhas de combate. Por outro lado, o poder p\u00fablico tamb\u00e9m tem suas responsabilidades, oferecendo <strong>saneamento b\u00e1sico<\/strong> e infraestrutura adequada nas cidades e atuando de forma efetiva nas a\u00e7\u00f5es de controle vetorial, educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, vigil\u00e2ncia e preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as transmitidas por esses insetos. A falta de condi\u00e7\u00f5es adequadas de saneamento na maioria dos munic\u00edpios brasileiros ainda favorece muito a prolifera\u00e7\u00e3o desta e de outras esp\u00e9cies de mosquitos. Em regi\u00f5es com falta de<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/545978-quase-800-milhoes-de-pessoas-nao-tem-acesso-a-agua-no-mundo\" target=\"_blank\">acesso \u00e0 \u00e1gua<\/a><\/strong> pot\u00e1vel, onde a popula\u00e7\u00e3o necessita armazenar \u00e1gua em barris e ton\u00e9is, a prolifera\u00e7\u00e3o do vetor \u00e9 favorecida. O mesmo vale para diversas cidades com limita\u00e7\u00f5es no gerenciamento de <strong>res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong> e falta de coleta seletiva, contribuindo com aumento de criadouros de mosquitos espalhados pelo seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O mosquito Aedes aegypti j\u00e1 esteve radicado no Brasil? Como ele foi reintroduzido no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> Sim, <strong>Aedes aegypti<\/strong> chegou ao Brasil provavelmente em navios negreiros, no per\u00edodo colonial. Devido \u00e0 sua import\u00e2ncia como vetor do v\u00edrus da febre amarela urbana, foi alvo de muitas campanhas de controle, chegando a ser considerado erradicado em 1955. No entanto, como estava disseminado por outros pa\u00edses da <strong>Am\u00e9rica<\/strong>, incluindo os vizinhos <strong>Venezuela<\/strong> e <strong>Guianas<\/strong>, n\u00e3o foi dif\u00edcil sua reintrodu\u00e7\u00e3o por <strong>Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong>, em 1967. Desse per\u00edodo at\u00e9 os dias de hoje, essa esp\u00e9cie se espalhou por praticamente todos os grandes centros urbanos do pa\u00eds.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cO Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda o uso de larvicidas, todos avaliados e aprovados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A febre Chikungunya e o v\u00edrus da Zika s\u00e3o doen\u00e7as relativamente novas no pa\u00eds. Como elas chegaram aqui?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> No <strong>Brasil<\/strong>, os primeiros casos de <strong>Chikungunya<\/strong> foram detectados em 2014, e <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551742-zika-e-esgoto-por-que-matamos-tantas-pessoas-na-loteria-do-saneamento\" target=\"_blank\"><strong>Zika<\/strong><\/a>, em 2015. Ambas as doen\u00e7as s\u00e3o causadas por v\u00edrus transmitidos por <strong>Aedes aegypti<\/strong>. Para haver a transmiss\u00e3o de uma doen\u00e7a vetorial, necessitamos do vetor (mosquito), do agente patog\u00eanico (v\u00edrus) e de pessoas saud\u00e1veis (suscet\u00edveis). No Brasil temos ambientes impactados pelo homem e extremamente favor\u00e1veis \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de Aedes aegypti, especialmente nas grandes cidades. Al\u00e9m disso, a maioria da popula\u00e7\u00e3o nunca teve contato com esses v\u00edrus, n\u00e3o possuindo, portanto, resposta imunol\u00f3gica a esses organismos. Nessa cadeia de transmiss\u00e3o falta o v\u00edrus propriamente dito. Nos dias de hoje, com a agilidade dos meios de transporte (especialmente a\u00e9reos), esse elo pode ser completado por pessoas que adquirem pat\u00f3genos durante uma viagem, chegando ao pa\u00eds no per\u00edodo de transmissibilidade. N\u00e3o existe consenso sobre como, exatamente, essas doen\u00e7as entraram no Brasil. Acredita-se que tenha sido a partir de brasileiros que tenham viajado para \u00e1reas com circula\u00e7\u00e3o desses v\u00edrus, iniciando a transmiss\u00e3o no retorno ou por meio de turistas procedentes dessas \u00e1reas end\u00eamicas em visita ao pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que maneira o senhor avalia o uso de larvicidas no combate ao Aedes aegypti no Brasil? No Rio Grande do Sul, como v\u00ea a suspens\u00e3o do uso do larvicida Pyriproxyfen em reservat\u00f3rios de \u00e1gua pot\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> As <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/551319-combate-ao-aedes-aegypti-pode-ser-mais-nocivo-ao-humano-do-que-ao-mosquito-entrevista-especial-com-lia-giraldo-da-silva-augusto\" target=\"_blank\">estrat\u00e9gias de combate<\/a> ao <strong>Aedes aegypti<\/strong> incluem prioritariamente a n\u00e3o oferta de criadouros para as larvas. Em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas nas quais os dep\u00f3sitos n\u00e3o podem ser protegidos fisicamente ou h\u00e1 necessidade de armazenamento de \u00e1gua, em virtude da falta de abastecimento, necessitamos de alternativas para diminuir a infesta\u00e7\u00e3o de mosquitos. Nesse sentido, o <strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong> recomenda o uso de larvicidas, todos avaliados e aprovados pela <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade &#8211; OMS<\/strong>. Na lista desses larvicidas recomendados est\u00e1 o <strong>Pyriproxyfen<\/strong>, amplamente utilizado no pa\u00eds. At\u00e9 o momento, alguns estudos t\u00eam mostrado evid\u00eancias da associa\u00e7\u00e3o entre v\u00edrus da <strong>Zika<\/strong> e <strong>microcefalia<\/strong>, como a presen\u00e7a do v\u00edrus no l\u00edquido amni\u00f3tico de m\u00e3es que tiveram filhos com microcefalia.<\/p>\n<p>Por outro lado, ainda n\u00e3o existem estudos epidemiol\u00f3gicos que comprovem cientificamente a associa\u00e7\u00e3o do uso de <strong>Pyriproxyfen<\/strong> com <strong>microcefalia<\/strong>. As secretarias estaduais de sa\u00fade t\u00eam autonomia para utilizar (ou n\u00e3o) os produtos adquiridos e distribu\u00eddos pelo <strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong>. O Estado optou, de forma acertada, por suspender o larvicida em dep\u00f3sitos com \u00e1gua para consumo humano, como medida de precau\u00e7\u00e3o. Nos demais tipos de criadouros continua recomendado o uso do Pyriproxyfen, reiterando a import\u00e2ncia de priorizar a prote\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica dos dep\u00f3sitos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em seus estudos o senhor defende a import\u00e2ncia da Vigil\u00e2ncia Entomol\u00f3gica dentro das pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica. Em que ela consiste, qual seu papel na preven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e como \u00e9 realizada hoje no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> A <strong>Vigil\u00e2ncia Entomol\u00f3gica<\/strong> \u00e9 uma estrat\u00e9gia de sa\u00fade p\u00fablica direcionada a doen\u00e7as transmitidas por insetos. Utiliza o monitoramento constante de popula\u00e7\u00f5es de insetos vetores como forma de reunir informa\u00e7\u00f5es sobre biologia e ecologia das esp\u00e9cies, visando detectar padr\u00f5es de densidade, distribui\u00e7\u00e3o e comportamento que possam interferir na ocorr\u00eancia de doen\u00e7as e agravos. No caso de doen\u00e7as como <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/549252-zika-chikungunya-e-dengue-entenda-as-diferencas\" target=\"_blank\"><strong>Dengue, Chikungunya e Zika<\/strong><\/a>, para estimar o risco de transmiss\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do vetor (<strong>Aedes aegypti<\/strong>), calcular \u00edndices de infesta\u00e7\u00e3o e abund\u00e2ncia, conhecer aspectos ecol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos da esp\u00e9cie e ter pessoas treinadas para a identifica\u00e7\u00e3o e reconhecimento morfol\u00f3gico da esp\u00e9cie em meio a tanta biodiversidade de mosquitos.<\/p>\n<p>No Brasil, outros programas envolvendo doen\u00e7as transmitidas por vetores como leishmanioses, doen\u00e7a de chagas, filarioses e mal\u00e1ria tamb\u00e9m lan\u00e7am m\u00e3o de conceitos, metodologias e estrat\u00e9gias da <strong>Vigil\u00e2ncia Entomol\u00f3gica<\/strong>. Apesar dos esfor\u00e7os para qualifica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es e consolida\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Entomol\u00f3gica no pa\u00eds, ainda existem algumas limita\u00e7\u00f5es. Muitas universidades, especialmente no sul do Brasil, ainda n\u00e3o atentaram para a necessidade de forma\u00e7\u00e3o de entom\u00f3logos (profissionais que estudam insetos) capacitados para atua\u00e7\u00e3o em sa\u00fade p\u00fablica. Al\u00e9m disso, os profissionais habilitados, dispon\u00edveis no mercado, com conhecimentos espec\u00edficos e fundamentais para qualificar equipes multiprofissionais de combate a doen\u00e7as transmitidas por vetores, n\u00e3o s\u00e3o absorvidos pelas secretarias de sa\u00fade municipais e estaduais, nem pelo <strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Recente pesquisa do Instituto Butant\u00e3 revelou uma grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do inseto ao ambiente, como a habilidade de se reproduzir em menores volumes de \u00e1gua, a resist\u00eancia a inseticidas e a varia\u00e7\u00e3o no hor\u00e1rio do ataque \u00e0s pessoas, que agora tamb\u00e9m ocorre \u00e0 noite. Em que essa capacidade evolutiva do mosquito pode implicar nas pol\u00edticas de combate a esses insetos e erradica\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as por ele transmitidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> O estudo confirma aquilo que estamos percebendo no dia a dia. Embora existam padr\u00f5es biol\u00f3gicos bem caracter\u00edsticos de cada esp\u00e9cie, esses mosquitos se ajustaram muito bem \u00e0s press\u00f5es seletivas e condi\u00e7\u00f5es de vida oferecidas nos ambientes antropizados. S\u00e3o insetos extremamente oportunistas. A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/548670-e-rapido-o-processo-evolutivo-do-mosquito-da-dengue-ja-pica-a-noite-e-se-reproduz-em-volumes-menores-de-agua\" target=\"_blank\">alta capacidade<\/a> de conseguir responder \u00e0s mudan\u00e7as impostas pelo meio ambiente requer estrat\u00e9gias de controle cada vez mais integradas, focadas no saneamento ambiental e participa\u00e7\u00e3o da comunidade. Ao contr\u00e1rio do que fora preconizado no passado, <strong>Aedes aegypti<\/strong> n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie a ser erradicada, mas sim, mantida em baixas densidades, para inviabilizar a transmiss\u00e3o de pat\u00f3genos.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cAo contr\u00e1rio do que muitos pensam, Aedes aegypti \u00e9 uma esp\u00e9cie que n\u00e3o pode mais ser erradicada\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que maneira avalia o uso de Aedes aegypti transg\u00eanicos como pol\u00edtica de combate ao mosquito? E dos mosquitos machos esterilizados por radia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> Considerando toda a complexidade que envolve a biologia e ecologia de <strong>Aedes aegypti<\/strong>, s\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es integradas de controle do vetor. A <strong>biotecnologia<\/strong> \u00e9 mais uma estrat\u00e9gia que se soma \u00e0s existentes, mas mosquitos transg\u00eanicos ou esterilizados por raios X ou Gama s\u00e3o tecnologias que ainda necessitam de mais tempo para serem inclu\u00eddas como estrat\u00e9gias recomendadas, pelo <strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong>, para uso em todo o territ\u00f3rio nacional. O <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6346&amp;secao=481\" target=\"_blank\"><strong>mosquito transg\u00eanico<\/strong><\/a> com gene letal que impede o desenvolvimento da larva, por exemplo, ainda n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o da <strong>Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria &#8211; Anvisa<\/strong>. Esse \u00e9 um tema pol\u00eamico e muitos estudiosos questionam a libera\u00e7\u00e3o no meio ambiente de esp\u00e9cies modificadas geneticamente sem medir as consequ\u00eancias disso. De qualquer maneira, o conhecimento cient\u00edfico s\u00f3 avan\u00e7a com pesquisas e, neste momento, v\u00e1rios pesquisadores est\u00e3o nos laborat\u00f3rios ou fazendo testes de campo, em algum munic\u00edpio, para ampliar os conhecimentos sobre esse assunto.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1der da Cruz Cardoso &#8211;<\/strong> Como j\u00e1 foi dito, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, <strong>Aedes aegypti<\/strong> \u00e9 uma esp\u00e9cie que n\u00e3o pode mais ser erradicada. E muitos afirmam que \u201cum mosquitinho desses\u201d n\u00e3o pode ser mais forte do que n\u00f3s, os humanos. Creio que esta vis\u00e3o antropoc\u00eantrica atrapalha muito o combate ao vetor. A popula\u00e7\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es sobre o risco, mas n\u00e3o acredita nele, n\u00e3o enxerga. O sucesso desses mosquitos \u00e9 garantido, em grande parte, pelo crescimento e aglomera\u00e7\u00e3o populacional que urbaniza aceleradamente os munic\u00edpios, pela pobreza, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551743-saneamento-nao-deve-ser-universalizado-ate-2033\" target=\"_blank\"><strong>falta de saneamento<\/strong><\/a> nas cidades, descarte inadequado de res\u00edduos s\u00f3lidos (e p\u00edfios investimentos na reciclagem), modelo de desenvolvimento que prioriza o consumo de recursos naturais, mudan\u00e7as do clima, falta de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o p\u00fablica. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma alta car\u00eancia de recursos para o <strong>SUS<\/strong> e pesquisas aplicadas \u00e0 sa\u00fade e qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio s\u00f3 poder\u00e1 ser alterado se o poder p\u00fablico e a popula\u00e7\u00e3o estiverem articulados com todos os segmentos da sociedade (a imprensa tem papel fundamental nisso!), defendendo <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong> que favore\u00e7am investimentos pesados em saneamento b\u00e1sico, acesso \u00e0 moradia, combate \u00e0 pobreza, educa\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o ambiental, modelo de desenvolvimento que priorize energias limpas e ambientes mais saud\u00e1veis para se viver nas cidades. As altas densidades e distribui\u00e7\u00e3o desses mosquitos demonstram o quanto ainda temos que avan\u00e7ar como sociedade.<\/p>\n<p><em>Por Leslie Chaves e Patricia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com J\u00e1der da Cruz Cardoso \u201cO sucesso desses mosquitos \u00e9 garantido, em grande<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com J\u00e1der da Cruz Cardoso \u201cO sucesso desses mosquitos \u00e9 garantido, em grande","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39580"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}