{"id":39496,"date":"2016-03-26T10:30:18","date_gmt":"2016-03-26T13:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39496"},"modified":"2016-03-25T20:42:18","modified_gmt":"2016-03-25T23:42:18","slug":"tuberculose-pode-matar-15-milhao-de-pessoas-em-2016-alerta-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tuberculose-pode-matar-15-milhao-de-pessoas-em-2016-alerta-onu\/","title":{"rendered":"Tuberculose pode matar 1,5 milh\u00e3o de pessoas em 2016, alerta ONU"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/turbeculose.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39497\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39497\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/turbeculose-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/turbeculose-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/turbeculose.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A tuberculose afetar\u00e1 9,6 milh\u00f5es de pessoas este ano e matar\u00e1 1,5 milh\u00e3o. O alerta \u00e9 destaque de uma mensagem assinada ontem pelo secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ilustra como a enfermidade, mesmo ap\u00f3s seguidas quedas em sua incid\u00eancia, ainda \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. Celebrado hoje, o Dia Mundial de Combate \u00e0 Tuberculose serve como um momento para refletir sobre uma das doen\u00e7as mais desiguais do mundo. Oitenta por cento dos casos ocorrem em apenas 22 pa\u00edses \u2014 o Brasil figura na lista \u2014, e 95% dos \u00f3bitos ocorrem em pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cA tuberculose afeta desproporcionalmente os mais pobres e vulner\u00e1veis, os socialmente marginalizados e aqueles que n\u00e3o t\u00eam acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade\u201d, afirmou Ban Ki-moon em documento. \u201cPor isso, o progresso para acabar com a doen\u00e7a deve vir de m\u00e3os dadas com as Metas de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel para reduzir a desigualdade, eliminar a pobreza extrema, garantir a prote\u00e7\u00e3o social\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/infogbucket.s3.amazonaws.com\/arquivos\/2016\/03\/23\/alerta-global.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"1131\" \/><\/p>\n<p>O objetivo das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u00e9 encerrar a epidemia de tuberculose at\u00e9 2030. Por enquanto, t\u00eam colhido resultados positivos. O \u00edndice de mortalidade despencou 47% entre 1990 e 2015. Um estudo divulgado ontem pode contribuir para o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a. Cientistas da Universidade sul-africana de Cape Town e do Centro para Pesquisas de Doen\u00e7as Infecciosas dos EUA identificaram marcadores biol\u00f3gicos no sangue de pessoas infectadas de forma latente \u2014 ou seja, sem manifestar sintomas \u2014 com a bact\u00e9ria Mycobacterium tuberculosis (ou bacilo de Koch), causadora da enfermidade. Esta informa\u00e7\u00e3o daria aos m\u00e9dicos uma maneira de prever quem corre o risco de desenvolver a forma ativa da doen\u00e7a. Estima-se que um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial esteja infectada pelo micro-organismo.<\/p>\n<p>S\u00d3 2% T\u00caM ACESSO A NOVOS REM\u00c9DIOS<\/p>\n<p>A pesquisa com os biomarcadores foi recebida como uma nova possibilidade de criar terapias contra a tuberculose. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, as tentativas de expandir o leque de tratamentos n\u00e3o foram bem sucedidas. Desde 2014, dois medicamentos para tratar a enfermidade foram aprovados para o uso em pacientes mais graves. At\u00e9 150 mil pessoas poderiam ser atendidas, segundo estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). No entanto, apenas 2% dos pacientes t\u00eam acesso aos rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Coordenador da Campanha de Acesso a Medicamentos da ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras no Brasil, Felipe de Carvalho culpa o pre\u00e7o alto imposto pelos laborat\u00f3rios e a dificuldade para registro dos rem\u00e9dios em pa\u00edses onde h\u00e1 um grande contingente de pessoas infectadas.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje, um paciente gasta at\u00e9 US$ 4,6 mil durante seu tratamento. Defendemos que este valor n\u00e3o ultrapasse US$ 500 \u2014 ressalta. \u2014 Um estudo da Universidade de Liverpool mostrou que os novos medicamentos podem ser vendidos por um pre\u00e7o entre US$ 21 e US$ 52 para um tratamento de seis meses, valor 98% inferior ao menor pre\u00e7o global atual, e ainda permite uma margem de lucro razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Carvalho considera que os portadores de tuberculose podem ter um \u201cfuturo preocupante\u201d \u2014 para ele, a maioria das empresas farmac\u00eauticas est\u00e3o abandonando as pesquisas voltadas para a doen\u00e7a para se dedicar ao estudo de enfermidades mais comuns em pa\u00edses desenvolvidos, como c\u00e2ncer, Aids e doen\u00e7as card\u00edacas, que trariam um retorno financeiro maior.<\/p>\n<p>Ativistas brasileiros tamb\u00e9m temem as consequ\u00eancias do cofre minguado do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O Programa Nacional de Combate \u00e0 Tuberculose, subordinado \u00e0 pasta, passou pelo menos quatro meses sem coordenador, gerando o receio de que ele seria incorporado a outro departamento. O cargo foi preenchido recentemente, mas os movimentos sociais acusam as autoridades de negligenciarem a enfermidade durante a distribui\u00e7\u00e3o de verbas.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo social Carlos Basilia, coordenador do Observat\u00f3rio Tuberculose Brasil, avalia que o governo federal distraiu-se diante o combate ao v\u00edrus zika e aos casos de microcefalia.<\/p>\n<p>\u2014 Com o surgimento das novas emerg\u00eancias, a tuberculose, que \u00e9 igualmente grave, corre o risco de ter cada vez menos recursos \u2014 lamenta Basilia, que tamb\u00e9m \u00e9 secret\u00e1rio-executivo da Parceria Brasileira contra a Tuberculose. \u2014 Houve queda da mortalidade da doen\u00e7a, mas estamos longe de uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel. Pela primeira vez em quatro anos, o governo n\u00e3o deve lan\u00e7ar uma nova campanha. Procurado pela reportagem, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o quis se manifestar.<\/p>\n<p>RIO TEM MAIOR N\u00daMERO DE CASOS<\/p>\n<p>Segundo o Boletim Epidemiol\u00f3gico da Secretaria de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria de 2014, o risco de adoecimento por tuberculose muitas vezes est\u00e1 ligado \u00e0 pobreza e \u00e0 m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda. Entre os moradores de rua, a possibilidade de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 32 vezes maior. O risco tamb\u00e9m cresce em 28 vezes entre os detentos.<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro \u00e9 o estado que apresenta o maior n\u00famero de casos por habitante \u2014 66,45 para cada 100 mil pessoas em 2014 \u2014 e o mais elevado \u00edndice de mortalidade \u2014 naquele ano, foram 842 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Alexandre Chieppe, subsecret\u00e1rio estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, explica que a grave situa\u00e7\u00e3o da tuberculose pode ser explicada pela alta densidade demogr\u00e1fica, j\u00e1 que a conviv\u00eancia prolongada e muito pr\u00f3xima, em ambientes como casas coladas e sem janelas, facilita a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Noventa por cento da popula\u00e7\u00e3o do estado est\u00e1 na regi\u00e3o metropolitana, que \u00e9 uma \u00e1rea muito pequena \u2014 assinala. \u2014 H\u00e1 fatores sociais relevantes, como a pobreza e o prec\u00e1rio uso do espa\u00e7o urbano. N\u00e3o vemos a luz do Sol em algumas partes de favelas como a Rocinha, e os complexos da Mar\u00e9 e do Alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o subsecret\u00e1rio, o tratamento da tuberculose tem dois pilares:<\/p>\n<p>\u2014 Precisamos investir no diagn\u00f3stico precoce e no tratamento adequado, sensibilizando as pessoas sobre o problema \u2014 reivindica. \u2014 Qualquer um que tosse por mais de tr\u00eas dias \u00e9 caso suspeito. E ainda temos que lidar com estigmas e preconceitos. Desde 1991, diminu\u00edmos as taxas de incid\u00eancia e mortalidade, mas ainda estamos em um patamar inferior ao ideal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tuberculose afetar\u00e1 9,6 milh\u00f5es de pessoas este ano e matar\u00e1 1,5 milh\u00e3o. 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