{"id":39491,"date":"2016-03-26T10:00:05","date_gmt":"2016-03-26T13:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39491"},"modified":"2016-03-25T20:37:38","modified_gmt":"2016-03-25T23:37:38","slug":"frutas-que-comemos-hoje-sao-maiores-mais-suculentas-e-menos-variadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/frutas-que-comemos-hoje-sao-maiores-mais-suculentas-e-menos-variadas\/","title":{"rendered":"Frutas que comemos hoje s\u00e3o maiores, mais suculentas e menos variadas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39492\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39492\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Voc\u00ea gosta daquela melancia grande da feira? A que \u00e9 verdinha por fora, toda vermelha por dentro e bem suculenta? Agrade\u00e7a aos agricultores por ela existir. E n\u00e3o s\u00f3 aos que plantaram a \u00faltima que voc\u00ea comeu, mas aos que v\u00eam plantando e melhorando as melancias nos \u00faltimos s\u00e9culos ou mil\u00eanios. Gra\u00e7as a eles, a melancia de hoje \u2013 assim como o milho, o feij\u00e3o, a pera \u2013 s\u00e3o bem diferentes dos que encontrar\u00edamos no passado.<\/p>\n<p>Pistas da mudan\u00e7a pela qual a melancia passou ao longo dos anos est\u00e3o em quadros antigos, em que ela \u00e9 retrata bem menos vermelha do que a que vemos e comemos hoje. &#8220;O homem faz melhoramento sem saber desde o fim da pr\u00e9-hist\u00f3ria. Quando descobriu a agricultura, come\u00e7ou a selecionar o que interessava. &#8216;A mais gostosa \u00e9 a que vou levar para frente, vou plantar de novo&#8217;. Essa \u00e9 a l\u00f3gica&#8221;, explica Rodrigo Gazaffi, professor do Departamento de Biotecnologia e Produ\u00e7\u00e3o Vegetal e Animal da UFSCar.<\/p>\n<p>Uma melancia que enche nossa boca de \u00e1gua em uma mordida \u00e9 fruto de melhoramento gen\u00e9tico. Mas n\u00e3o se trata apenas de ci\u00eancia avan\u00e7ada, tampouco h\u00e1 necessidade de alta tecnologia \u2013 embora exista ci\u00eancia e tecnologia modernas voltadas para a melhoria de plantas. Observar os melhores frutos do cultivo agr\u00edcola, cruzar tipos diferentes e manter aqueles com as caracter\u00edsticas mais interessantes \u00e9 trabalho que sempre foi feito por quem est\u00e1 na lida com a terra, em todas as regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Agricultores s\u00e3o selecionadores natos. Escolhem o tipo mais adequado de uma planta para seu ambiente, para o solo e a condi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica&#8221;, diz Iraj\u00e1 Ferreira Antunes, agr\u00f4nomo e t\u00e9cnico da Embrapa Clima Temperado. Mas n\u00e3o agrada a ningu\u00e9m ter apenas um tipo de um determinado alimento. O feij\u00e3o, por exemplo. \u00c9 interessante ter o preto para fazer uma feijoada, um branco para preparar uma sopa e um carioquinha para fazer feij\u00e3o tropeiro, por exemplo.<\/p>\n<p>Por isso, ao longo da hist\u00f3ria, o agricultor n\u00e3o se limitou a escolher apenas a variedade que julgou mais interessante, deixando de cultivar outras. &#8220;Diferentes feij\u00f5es, milhos, batatas&#8230; toda a riqueza que a gente tem \u00e9 muito grande em termos gen\u00e9tico. Toda essa variedade tamb\u00e9m vem do trabalho que agricultores fazem ao longo do tempo. \u00c9 a intera\u00e7\u00e3o do agricultor, que possui diversas necessidades culturais, com a esp\u00e9cie e o ambiente que resulta na variabilidade&#8221;, completa Antunes.<\/p>\n<p>Ele conta que um banco de sementes de feij\u00e3o na Col\u00f4mbia abriga mais de 40 mil materiais. Na Noruega, o Centro Internacional de Agricultura Tradicional guarda 4,5 milh\u00f5es de c\u00f3pias de seguran\u00e7a de cultivos agr\u00edcolas de todo mundo. Nossa feira fica sem gra\u00e7a perto de tanta op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As sementes utilizadas na agricultura tradicional, que guarda imensa variedade, s\u00e3o chamadas de sementes crioulas. Pequenos produtores \u00e9 que conservam\u00a0o seu uso. J\u00e1 as industrializadas s\u00e3o produzidas por empresas em grande quantidade e com o uso de tecnologia avan\u00e7ada. Tanto as sementes crioulas quanto as industrializadas s\u00e3o melhoradas de forma convencional \u2013 por meio do cruzamento e sele\u00e7\u00e3o das melhores caracter\u00edsticas. Os transg\u00eanicos, forma menos usada de melhoria na ind\u00fastria, s\u00e3o produtos da manipula\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico das plantas, na qual s\u00e3o introduzidos genes estranhos, como os de uma bact\u00e9ria resistente a uma praga, por exemplo.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Paulo Luiz Lanzetta Aguiar\/Embrapa<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/03\/2016\/03\/18\/variedade-de-sementes-de-feijao-banco-de-sementes-na-colombia-possui-mais-de-40-mil-materiais-diferentes-1458330949373_615x300.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Variedade de sementes de feij\u00e3o. Banco de sementes na Col\u00f4mbia possui mais de 40 mil materiais diferentes<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3>Maiores, melhores, mas todos iguais<\/h3>\n<p>Voltando \u00e0 melancia. Por que na feira s\u00f3 encontramos aquela grande, bem vermelha e suculenta por dentro, com raras variedades? Segundo os pesquisadores, esse \u00e9 o lado ruim da hist\u00f3ria recente da alimenta\u00e7\u00e3o, quando sementes melhoradas passaram a ser produzidas industrialmente.<\/p>\n<p>O melhoramento das\u00a0plantas\u00a0cultivadas, feito desde o surgimento da agricultura, h\u00e1 cerca de 10 mil anos, foi potencializado\u00a0no s\u00e9culo 20, com o avan\u00e7o da ci\u00eancia e da tecnologia. Tipos com caracter\u00edsticas melhores para a produ\u00e7\u00e3o em larga escala foram obtidos a partir de cruzamentos induzidos e\u00a0passaram a ser comercializados. A inven\u00e7\u00e3o do chamado &#8216;milho h\u00edbrido&#8217; &#8212; fruto do cruzamento induzido &#8212; foi um marco deste avan\u00e7o.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o das novas sementes melhoradas pela ind\u00fastria permitiu aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e garantiu que o mundo tivesse comida suficiente\u00a0para uma popula\u00e7\u00e3o crescente &#8212; que n\u00e3o passaria fome caso n\u00e3o existissem problemas graves de distribui\u00e7\u00e3o.\u00a0Contudo, esse processo de melhoria industrial teve como contrapartida\u00a0a homogeneiza\u00e7\u00e3o dos materiais cultivados.<\/p>\n<p>&#8220;Se antes se cultivava 100 sementes distintas de trigo, em um exemplo hipot\u00e9tico, com a melhoria feita pela Revolu\u00e7\u00e3o Verde [per\u00edodo em foi disseminado o uso das\u00a0novas sementes inventadas para\u00a0o aumento da produ\u00e7\u00e3o] passam a ser utilizadas apenas 15&#8221;, diz Gazaffi. As mudan\u00e7as econ\u00f4micas que chegaram ao campo, com a introdu\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o em larga escala de alimentos, teve impacto no trabalho dos agricultores.<\/p>\n<p>&#8220;A semente industrializada \u00e9 a mesma para diferentes ambientes e regi\u00f5es. Perde-se a variedade e o elemento cultural associado \u00e0s diferentes sementes&#8221;, diz Antunes. Al\u00e9m da perda cultural, a redu\u00e7\u00e3o da variedade de sementes e plantas exp\u00f5e a sociedade a riscos. &#8220;A grande fome, que matou milhares de pessoas na Irlanda deveu-se ao fato de, na \u00e9poca, cultivarem poucas variedades de batatas, que n\u00e3o eram resistentes a uma praga que surgiu&#8221;, completa Gazaffi.<\/p>\n<p>Para os especialistas, preservar a variedade de sementes crioulas e garantir que esp\u00e9cies n\u00e3o sejam extintas \u00e9 t\u00e3o fundamental quanto os ganhos em melhorias de caracter\u00edsticas. O problema atual \u00e9 que esses guardi\u00f5es s\u00e3o popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o envelhecendo e seus filhos est\u00e3o deixando a agricultura, atra\u00eddos para outras profiss\u00f5es, ou est\u00e3o sucumbindo \u00e0 l\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o industrial no campo.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Paulo Luiz Lanzetta Aguiar\/Embrapa<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/99\/2016\/03\/18\/variedades-diferentes-de-milho-fruto-da-selecao-de-sementes-e-da-conservacao-das-sementes-tradicionais-chamadas-de-crioulas-1458330869296_615x300.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Variedades de milho, fruto da sele\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o das sementes tradicionais, chamadas de crioulas<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea gosta daquela melancia grande da feira? A que \u00e9 verdinha por fora, toda vermelha<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/frutas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Voc\u00ea gosta daquela melancia grande da feira? A que \u00e9 verdinha por fora, toda vermelha","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}