{"id":39335,"date":"2016-03-23T10:00:28","date_gmt":"2016-03-23T13:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39335"},"modified":"2016-03-22T20:29:20","modified_gmt":"2016-03-22T23:29:20","slug":"emissao-de-co2-e-a-maior-desde-era-dos-dinos-conforme-sugere-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/emissao-de-co2-e-a-maior-desde-era-dos-dinos-conforme-sugere-estudo\/","title":{"rendered":"Emiss\u00e3o de CO2 \u00e9 a maior desde era dos dinos, conforme sugere estudo"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39336\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39336\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Velocidade do efeito estufa \u00e9 dez vezes superior \u00e0 de fen\u00f4meno natural ocorrido h\u00e1 56 milh\u00f5es de anos que aqueceu o planeta em 5 graus, sugere estudo; para autores, estamos em \u201cera sem an\u00e1logos\u201d<\/em><\/p>\n<p>Bom trabalho, humanidade: um novo estudo acaba de indicar que a atual taxa de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa \u00e9 a maior da hist\u00f3ria do planeta nos \u00faltimos 66 milh\u00f5es de anos. Ou seja, para encontrar algum momento no passado do planeta em que houve tanto carbono lan\u00e7ado no ar, seria preciso recuar at\u00e9 a era em que os tiranossauros caminhavam sobre a Terra.<\/p>\n<p>O estudo, publicado nesta segunda-feira, afirma que a velocidade de emiss\u00e3o de carbono em 2014 \u00e9 pelo menos dez vezes maior do que a de um pico natural de aquecimento global ocorrido h\u00e1 56 milh\u00f5es de anos \u2013 e que fez as temperaturas m\u00e9dias subirem 5oC no mundo todo.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, os cientistas achavam que esse fen\u00f4meno, conhecido como PETM (sigla em ingl\u00eas para \u201cm\u00e1ximo termal do Paleoceno-Eoceno\u201d) fosse a coisa mais parecida com o efeito estufa provocado pela humanidade nos \u00faltimos 200 anos, pela quantidade gases-estufa lan\u00e7ados no ar \u2013 algo entre 2 trilh\u00f5es e 4,5 trilh\u00f5es de toneladas de carbono, mais ou menos o equivalente \u00e0s nossas reservas restantes de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>O novo estudo, liderado por Richard Zeebe, da Universidade do Hava\u00ed em Manoa, concluiu que n\u00e3o \u00e9 o caso: as taxas de emiss\u00e3o durante o PETM foram muito mais modestas: algo entre 0,6 bilh\u00e3o e 1 bilh\u00e3o de toneladas de carbono (o equivalente a 2,1 bilh\u00f5es a 3,6 bilh\u00f5es de toneladas de CO2) por ano, contra 10 bilh\u00f5es de toneladas de carbono (36 bilh\u00f5es de toneladas de CO2) emitidas apenas pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis em 2014.<\/p>\n<p>\u201cEntramos efetivamente numa era sem an\u00e1logos\u201d, escreveram Zeebe e colegas no artigo cient\u00edfico descrevendo seus resultados, publicado no site do peri\u00f3dico Nature Geoscience. Segundo os cientistas, a velocidade das emiss\u00f5es hoje poder\u00e1 significar \u201camplas extin\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies no futuro\u201d, em especial nos oceanos.<\/p>\n<p>Os cientistas j\u00e1 sabiam que o pulso de carbono do PETM havia sido grande, disparado talvez por mudan\u00e7as no leito oce\u00e2nico que liberaram grandes quantidades de metano, um poderoso g\u00e1s de efeito estufa. At\u00e9 agora, no entanto, ningu\u00e9m conseguia calcular direito as taxas anuais de emiss\u00e3o e a dura\u00e7\u00e3o precisa do evento. Isso porque os registros geol\u00f3gicos usados para esse tipo de data\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u201cm\u00edopes\u201d: trata-se de colunas de sedimentos depositados no fundo do mar muito lentamente, que n\u00e3o permitem estimar a varia\u00e7\u00e3o anual do carbono.<\/p>\n<p>Zeebe e colegas resolveram o problema analisando uma coluna de sedimentos extra\u00edda h\u00e1 muito tempo do fundo do mar em Nova Jersey, nos EUA. Eles reanalisaram quimicamente os sedimentos, prestando aten\u00e7\u00e3o em dois indicadores: a propor\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio pesado (18O, um indicador de temperatura) e a de carbono pesado (13C, um indicador de gases-estufa).<\/p>\n<p>Caso o pulso de metano do PETM tivesse sido catacl\u00edsmico, os sedimentos mostrariam primeiro uma enorme varia\u00e7\u00e3o no teor de carbono das amostras e, depois, um aumento de temperatura. Mas o sedimento de Nova Jersey mostrava a temperatura subindo em sincronia com a libera\u00e7\u00e3o de carbono, o que denota uma taxa de emiss\u00e3o mais lenta \u2013 calculada em at\u00e9 1 bilh\u00e3o de toneladas de carbono por ano ao longo de 4 mil\u00eanios.<\/p>\n<p>No PETM, o pulso de carbono causou enormes mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas, com extin\u00e7\u00e3o extin\u00e7\u00e3o em massa de microrganismos do fundo do mar e sua substitui\u00e7\u00e3o por outras esp\u00e9cies. Segundo o estudo, por\u00e9m, essas mudan\u00e7as foram lentas o suficiente para permitir que a maior parte dos ecossistemas se adaptasse.<\/p>\n<p>N\u00e3o dever\u00e1 ser o caso com emiss\u00f5es anuais que ocorrem dez vezes mais r\u00e1pido, nas quais as esp\u00e9cies marinhas sofrer\u00e3o com o aumento de temperatura e com a acidifica\u00e7\u00e3o do oceano. \u201c[\u00c9] poss\u00edvel que as taxas atuais de mudan\u00e7a excedam a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o dos ecossistemas marinhos e de seus constituintes\u201d, escreveu em coment\u00e1rio na mesma edi\u00e7\u00e3o da Nature Geoscience o ge\u00f3logo Peter Stassen, da Universidade Cat\u00f3lica de Leuven, na B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>O alerta veio no mesmo dia em que a OMM (Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial) divulgou seu balan\u00e7o Estado do Clima Global em 2015, confirmando que o ano passado \u2013 o mais quente da hist\u00f3ria \u2013 foi de fato excepcional, com recordes quebrados de seca, calor, chuvas intensas, ciclones e redu\u00e7\u00e3o de gelo marinho.<\/p>\n<p>\u201cO futuro est\u00e1 acontecendo agora\u201d, sintetizou o secret\u00e1rio-geral da OMM, Petteri Taalas. \u201cHoje, a Terra j\u00e1 est\u00e1 1\u00b0C mais quente do que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Ou seja, estamos na metade do limite cr\u00edtico de 2\u00b0C. E os planos nacionais sobre altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adotados at\u00e9 agora podem n\u00e3o ser suficientes para evitar um aumento de temperatura da ordem de 3\u00b0C. Mas podemos evitar os piores cen\u00e1rios com medidas urgentes e de longo alcance para reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono\u201d, prosseguiu Taalas. Os autores do novo estudo s\u00e3o menos otimistas: para eles, r\u00e1pidas redu\u00e7\u00f5es nas emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de gases-estufa s\u00e3o \u201ccada vez menos prov\u00e1veis no futuro pr\u00f3ximo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Velocidade do efeito estufa \u00e9 dez vezes superior \u00e0 de fen\u00f4meno natural ocorrido h\u00e1 56<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39336,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/co2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Velocidade do efeito estufa \u00e9 dez vezes superior \u00e0 de fen\u00f4meno natural ocorrido h\u00e1 56","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39335"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39335\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}