{"id":39272,"date":"2016-03-22T10:00:12","date_gmt":"2016-03-22T13:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39272"},"modified":"2016-03-22T08:03:50","modified_gmt":"2016-03-22T11:03:50","slug":"acoes-do-homem-colocam-em-risco-bercario-de-peixes-do-velho-chico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/acoes-do-homem-colocam-em-risco-bercario-de-peixes-do-velho-chico\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es do homem colocam em risco ber\u00e7\u00e1rio de peixes do Velho Chico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/bercario_peixe.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39273\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39273\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/bercario_peixe-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/bercario_peixe-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/bercario_peixe.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em Minas Gerais est\u00e3o os principais afluentes do S\u00e3o Francisco. A segunda parte da reportagem sobre o Velho Chico, mostra que tudo o que acontece nesse trecho causa consequ\u00eancias para todo o rio at\u00e9 a foz.<\/p>\n<div id=\"entenda_o_caso_329\" class=\"entenda-o-caso componente_materia\">A bacia do S\u00e3o Francisco ocupa mais de 7% do territ\u00f3rio brasileiro. Em Minas Gerais, est\u00e3o os principais afluentes que produzem quase 80% da \u00e1gua que corre em seu leito. A maioria nasce na regi\u00e3o do cerrado, como explica o hidr\u00f3logo Jorge Werneck.<\/div>\n<p>\u201cO cerrado, apesar de representar s\u00f3 47% da \u00e1rea da bacia do S\u00e3o Francisco, produz cerca de 90% da \u00e1gua que passa na foz da bacia do S\u00e3o Francisco. Os solos do cerrado t\u00eam uma alta permeabilidade, o seu relevo e tudo mais faz com que a \u00e1gua penetre no solo, se armazene para poder abastecer os nossos rios ao longo de todo o ano\u201d, diz Werneck.<\/p>\n<p>O Rio Paracatu \u00e9 o maior contribuinte do Velho Chico. O rio ainda est\u00e1 bem conservado, mas j\u00e1 d\u00e1 sinais de alerta. \u201cAqui \u00e9 um exemplo de uma \u00e1rea que apresenta um grau de degrada\u00e7\u00e3o. O gado, por exemplo, n\u00e3o deveria ter acesso \u00e0 margem do rio e n\u00f3s dever\u00edamos ter a mata ciliar plantada\u201d, diz Werneck.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o do hidr\u00f3logo \u00e9 que, se nada for feito, o Paracatu pode perder \u00e1gua em quantidade e qualidade. Isso j\u00e1 acontece com outros rios da bacia, como o Rio das Velhas. O mais longo afluente do S\u00e3o Francisco ostenta o t\u00edtulo de maior poluidor de sua bacia porque carrega dejetos de in\u00fameras mineradoras e o esgoto de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Os 34 munic\u00edpios que comp\u00f5e a regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte abrigam mais de cinco milh\u00f5es de habitantes. \u00c9 o principal n\u00facleo urbano da bacia do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o em que o rio tem menos vaz\u00e3o. Belo Horizonte consome uns sete metros c\u00fabicos e depois n\u00f3s jogamos algo perto disso tamb\u00e9m de esgoto pra dentro do rio\u201d, diz o m\u00e9dico sanitarista Vin\u00edcius Polignano.<\/p>\n<p>Segundo Polligano, m\u00e9dico \u00e9 presidente do Comit\u00ea de Bacias do Rio das Velhas, a \u00e1gua servida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o tem boa qualidade porque passa por tratamento antes de chegar \u00e0 torneira. Mas apenas 80% do esgoto \u00e9 tratado e o m\u00e9todo escolhido n\u00e3o \u00e9 o mais eficiente.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um tratamento no n\u00edvel secund\u00e1rio. Ele retira mat\u00e9ria org\u00e2nica, mas \u00e9 incapaz ainda de retirar nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo e tamb\u00e9m de tirar os coliformes que impossibilitam o rio de ser utilizado para a pr\u00e1tica, por exemplo, de nata\u00e7\u00e3o\u201d, diz Polligano.<\/p>\n<p>Mesmo recebendo \u00e1gua dos afluentes que est\u00e3o depois de Belo Horizonte, o Rio das Velhas n\u00e3o chega limpo \u00e0 foz. Apesar de tantos problemas, o cen\u00e1rio \u00e9 uma beleza no ponto onde o Rio S\u00e3o Francisco se encontra com o Rio das Velhas.<\/p>\n<p>A foz fica na Barra do Guaicu\u00ed, antigo nome do Rio das Velhas, no munic\u00edpio de V\u00e1rzea da Palma, lugar que conserva uma joia dos tempos do Brasil Col\u00f4nia. A principal atra\u00e7\u00e3o de Barra do Guaicu\u00ed \u00e9 a igrejinha que ningu\u00e9m sabe ao certo a idade. Dizem que o lugar come\u00e7ou a ser constru\u00eddo por padres jesu\u00edtas no s\u00e9culo 18. Fato \u00e9 que a obra nunca foi acabada e sobre a igreja cresceu uma enorme figueira ou uma gameleira, como chama o povo da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Rodrigo Delage nasceu e cresceu na beira do Rio das Velhas, onde descobriu que tinha talento m\u00fasica. \u201cO rio me trouxe a natureza e a natureza me trouxe a viola\u201d, diz.<\/p>\n<p>O m\u00fasico bebe da fonte do Velho Chico para compor suas modas. Amante da pesca esportiva, Delage diz que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o v\u00ea peixe grande.<\/p>\n<p>No norte de Minas, outro afluente do S\u00e3o Francisco guarda riquezas e belezas naturais. O Rio Pandeiros tem o seu encontro com S\u00e3o Francisco no munic\u00edpio de Janu\u00e1ria. A poucos quil\u00f4metros da foz est\u00e1 um lugar surpreendente chamado de Pantanal Mineiro. Com \u00e1guas calmas e quentes, cobertas por um tapete de plantas, o Pantanal abriga grande diversidade de peixes e outros animais. Hoje, o pantanal \u00e9 uma Unidade Estadual de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente.<\/p>\n<p>Todo entorno do Rio Pandeiros tamb\u00e9m foi transformado em \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental \u2013 APA, onde atividades como agricultura e pecu\u00e1ria s\u00e3o permitidas desde que respeitem rigorosamente a Lei Ambiental. Mas n\u00e3o \u00e9 o que acontece na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O exemplo mais impressionante de desrespeito ao rio est\u00e1 justamente na \u00e1rea da nascente, entre os munic\u00edpios de Janu\u00e1ria e Chapada Ga\u00facha.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada atr\u00e1s, o Rio Pandeiros nascia na parte mais baixa de um terreno. Mas, por conta de uma s\u00e9rie de agress\u00f5es ambientais, formou-se no lugar uma gigantesca vo\u00e7oroca, que aterrou a nascente e que aflora muitos quil\u00f4metros abaixo.<\/p>\n<p>A \u00e1rea foi desmatada para um plantio de eucalipto que nunca aconteceu. A terra ficou descoberta por anos. A vegeta\u00e7\u00e3o estava se recuperando, mas em 2015 foi feito outro desmatamento. Em um dia de chuva, a enxurrada corre livre por cima da terra e come\u00e7a a formar novas eros\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Belo Horizonte, o diretor de Fiscaliza\u00e7\u00e3o dos Recursos Florestais da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Bruno Zuffo, conta que essa e outras \u00e1reas j\u00e1 foram localizadas e multadas. \u201cA gente autuou cerca de cinco mil hectares, que gerou em torno de R$ 8 milh\u00f5es de multas\u201d, diz.<\/p>\n<p>As agress\u00f5es Rio Pandeiros colocam em risco o patrim\u00f4nio que \u00e9 de toda a sociedade. O bi\u00f3logo Rafael Melo estuda os peixes do S\u00e3o Francisco. Durante dois anos, ele mergulhou em v\u00e1rios pontos do rio coordenando um grupo pesquisa e produziu um document\u00e1rio com imagens coletadas embaixo d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo registrou muitas esp\u00e9cies no pantanal do Pandeiros. Em toda a parte mineira da bacia do S\u00e3o Francisco ele encontrou mais de 70 esp\u00e9cies diferentes de peixes e diz que o assoreamento de \u00e1reas como o pantanal e a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas compromete a vida dos animais, como essa simp\u00e1tica lontra. J\u00e1 h\u00e1 esp\u00e9cies de peixes como o pir\u00e1 e o pacam\u00e3 que est\u00e3o na lista dos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o vivem em conflito por toda a bacia do S\u00e3o Francisco, onde est\u00e3o alguns dos maiores projetos de irriga\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que consomem 70% das \u00e1guas retiradas de seu leito. Um deles \u00e9 o Ja\u00edba, no norte de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Hoje, o Ja\u00edba tem infraestrutura instalada pra irrigar 40 mil hectares de terra, cm 27 mil produzindo. S\u00e3o mais de 2,6 mil propriedades que geram 16 mil empregos.<\/p>\n<p>Das propriedades do Ja\u00edba saem principalmente frutas, como os lim\u00f5es, bananas e maracuj\u00e1s produzidos por A\u00edlson Ramos e Jo\u00e3o de Souza, que chegaram ao lugar na d\u00e9cada de 1990, vindos de regi\u00f5es semi\u00e1ridas do norte de Minas Gerais, onde s\u00f3 tinha \u00e1gua quando chovia. Juntos eles t\u00eam 40 hectares e trabalham em sociedade. Hoje, os dois t\u00eam casa boa e carro gra\u00e7as \u00e0s \u00e1guas do Velho Chico, que garantem colheita o ano todo.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio de Manga, o S\u00e3o Francisco deixa o estado de Minas Gerais e segue seu curso rumo \u00e0 Bahia. A torcida \u00e9 para que algum dia o Velho Chico receba um tratamento compat\u00edvel com sua import\u00e2ncia e que o poder p\u00fablico, a sociedade civil e os usu\u00e1rios aprendam a conviver com o rio de forma mais harmoniosa e sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Minas Gerais est\u00e3o os principais afluentes do S\u00e3o Francisco. 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