{"id":39181,"date":"2016-03-20T06:38:39","date_gmt":"2016-03-20T09:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39181"},"modified":"2016-03-20T11:39:21","modified_gmt":"2016-03-20T14:39:21","slug":"mulheres-do-campo-mudam-forma-de-trabalhar-pela-saude-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mulheres-do-campo-mudam-forma-de-trabalhar-pela-saude-da-familia\/","title":{"rendered":"Mulheres do campo mudam forma de trabalhar pela sa\u00fade da fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheres_campo.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39182\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-39182\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheres_campo.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheres_campo.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mulheres_campo-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a><\/strong>Plantar, cuidar, colher, vender. E come\u00e7ar tudo de novo dia ap\u00f3s dia. Assim \u00e9 a vida de Nelinha Conradt e Selene Tesch, duas agricultores da comunidade de Alto Santa Maria, em Santa Maria do Jetib\u00e1, na regi\u00e3o Serrana do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/espirito-santo\">Esp\u00edrito Santo<\/a>.<\/p>\n<p>Essas mulheres n\u00e3o t\u00eam s\u00f3 a rotina em comum, elas fizeram uma mesma escolha: plantar, cuidar, colher e vender produtos sem nenhum tipo de veneno. Mas para chegarem at\u00e9 a\u00ed, percorreram caminhos dif\u00edceis e diferentes entre si. Caminhos abertos por Selene Tesch.<\/p>\n<p>H\u00e1 vinte e quatro anos, Selene era orientadora de jovens na igreja. Um dia ela refletiu de maneira especial em uma li\u00e7\u00e3o: &#8220;mata ou promove a vida&#8221;.<\/p>\n<p>Isso se juntou com a preocupa\u00e7\u00e3o que a agricultora tinha com sua fam\u00edlia. \u201cNa \u00e9poca eu tinha seis filhos e vira e volta tinha algu\u00e9m doente na fam\u00edlia. Diarreia, dor de cabe\u00e7a, v\u00f4mito. Assim, v\u00e1rios tipos de doen\u00e7a\u201d, contou.<\/p>\n<p><strong>Novo caminho<\/strong><br \/>\n\u201cTem alguns momentos na vida da gente que temos que tomar uma decis\u00e3o. Na \u00e9poca era uma coisa totalmente inovadora, todo mundo chamava de loucura\u201d, relembra Selene.<\/p>\n<p>Foi assim, aos poucos, que ela come\u00e7ou a desbravar este caminho e se tornou uma das precursoras do movimento da agricultura org\u00e2nica no estado. Em 2001, criou a Associa\u00e7\u00e3o Amparo Familiar. No in\u00edcio era um grupo de nove pessoas, a maior parte da fam\u00edlia dela.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia foi crescendo, um foi levando para o outro a ideia de um cultivo diferente do tradicional e hoje s\u00e3o 90 pessoas que plantam sem nenhum tipo de agrot\u00f3xico. S\u00e3o 48 propriedades certificadas e mais 20 se convertendo para o sistema org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Selene e sua fam\u00edlia cuidam de uma propriedade de 15 hectares. Metade de mata nativa, o que proporciona controle biol\u00f3gico das pragas.<\/p>\n<p>A agricultora produz de 65 a 80 variedades por ano, colhe 1500 caixas por m\u00eas, em m\u00e9dia. O carro chefe da propriedade \u00e9 o alface, mas tem outros tipos de verduras. A maior parte da produ\u00e7\u00e3o vai para Feiras de Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Este caminho aberto por Selene, permitiu que a cultura da regi\u00e3o fosse alterada.<\/p>\n<p>Permitiu que Nelinha tamb\u00e9m pudesse encarar esse desafio. A agricultora, que n\u00e3o teve vida f\u00e1cil, se viu sozinha quando jovem com um beb\u00ea no colo e gr\u00e1vida do seu segundo filho, sem nenhuma ajuda do pai dos meninos.<\/p>\n<p>Ela se desdobrava para manter a fam\u00edlia e foi procurar o sustento fora da ro\u00e7a, trabalhando como funcion\u00e1ria p\u00fablica. \u201cNo come\u00e7o foi mais dif\u00edcil, n\u00e9?! Porque eles eram pequenos, eu tinha que batalhar mais sozinha\u201d, relembra Nelinha.<\/p>\n<p>Os meninos foram crescendo, crescendo at\u00e9 que veio a vontade de iniciar uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Estudantes de Escola Agr\u00edcola, eles j\u00e1 tinham experi\u00eancia de campo do que aprendiam na sala de aula e do trabalho que faziam em outras propriedades rurais. Foram eles, Gustavo Conradt, 17 anos, e Alex Conradt, de 16 anos, que deram o empurr\u00e3o necess\u00e1rio para Nelinha encarar essa nova empreitada. Aos poucos ela foi aprendendo o que era necess\u00e1rio e tomando gosto.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Selene Hammer Tesch, mulheres org\u00e2nicos (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ TV Gazeta)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/LPNwRPDrIGK5JikCHe8btlpI37s=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/03\/19\/selene_hammer_tesch.jpeg\" alt=\"Selene Hammer Tesch, mulheres org\u00e2nicos (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ TV Gazeta)\" width=\"639\" height=\"480\" \/><strong>Selene Hammer Tesch trabalha com alimentos org\u00e2nicos (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ TV Gazeta)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cQuem puxou ela mesmo foi eu e meu irm\u00e3o. A gente puxou ela, literalmente, para a ro\u00e7a. A gente falou pra ela largar o emprego porque a gente queria trabalhar assim. Al\u00e9m da qualidade de vida ser melhor, a renda tamb\u00e9m \u00e9 mais alta\u201d, diz Gustavo Conradt, 17.<\/p>\n<p>Com o cultivo de produtos org\u00e2nicos, eles conseguiram aumentar a renda da fam\u00edlia em sete vezes.<\/p>\n<p>Hoje eles produzem folhagens, batata, ab\u00f3bora, gengibre e muito mais. Colhem cem caixas por m\u00eas, nas melhores \u00e9poca. E a produ\u00e7\u00e3o desse a serra e \u00e9 vendida na Feira Org\u00e2nica de Jardim Camburi em Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Selene, Nelinha e mais tantas outras mulheres que ajudam a fazer de <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/es\/espirito-santo\/cidade\/santa-maria-de-jetiba.html\">Santa Maria de Jetib\u00e1<\/a> o munic\u00edpio com maior produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade de todos<\/strong><br \/>\nMulheres que t\u00eam uma preocupa\u00e7\u00e3o em comum: a sa\u00fade da fam\u00edlia e das pessoas que consomem seus produtos. 22% das propriedades org\u00e2nicas certificadas do estado est\u00e3o l\u00e1. \u00c9 uma \u00e1rea de cerca de 1.000 hectares, 25% (300 ton.\/m\u00eas) da produ\u00e7\u00e3o total de org\u00e2nicos capixabas.<\/p>\n<p>A renda n\u00e3o \u00e9 o melhor presente que elas ganham vivendo da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e tamb\u00e9m incentivando esta cultura. A for\u00e7a d\u00e3o para o movimento, que as agricultoras dizem ser fundamental, tem o alicerce em suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>No caso de Nelinha, por exemplo, esta mudan\u00e7a uniu ainda mais a agricultora e seus filhos.<\/p>\n<p>Agora, diferentemente de antes, a fam\u00edlia est\u00e1 junta o dia inteiro. Juntos semeiam a terra, cuidam do crescimento das plantas, colhem, vendem. Uma m\u00e3o ajudando a outra.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de ter criado a gente sozinho, sem o pai, ela conseguiu realizar a maioria dos nossos sonhos at\u00e9 agora. E est\u00e1 sendo uma guerreira, batalhadora, para a gente ter o melhor. Ela \u00e9 um exemplo\u201d, se orgulha o filho Gustavo.<\/p>\n<p>Se depender de Nelinha, o orgulho dos filhos s\u00f3 vai continuar crescendo, \u201cvaleu a pena e eu vou continuar batalhando pra fazer o melhor para eles, para mim\u201d, disse.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"mulheres org\u00e2nicos pan\u00f4ramica (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ TV Gazeta)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/-TJVfuHFmDstvBQNwdyzQ5sBo50=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/03\/19\/opcao.jpeg\" alt=\"mulheres org\u00e2nicos pan\u00f4ramica (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ TV Gazeta)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><strong>mulheres org\u00e2nicos pan\u00f4ramica (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ TV Gazeta)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Plantar, cuidar, colher, vender. E come\u00e7ar tudo de novo dia ap\u00f3s dia. 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