{"id":39102,"date":"2016-03-19T12:59:28","date_gmt":"2016-03-19T15:59:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=39102"},"modified":"2016-03-19T12:59:28","modified_gmt":"2016-03-19T15:59:28","slug":"brasil-e-o-terceiro-maior-celeiro-de-diversidade-de-repteis-de-acordo-com-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-e-o-terceiro-maior-celeiro-de-diversidade-de-repteis-de-acordo-com-pesquisa\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 o terceiro maior celeiro de diversidade de r\u00e9pteis, de acordo com pesquisa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg\" rel=\"attachment wp-att-39103\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-39103\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na primeira vez em que a Sociedade Brasileira de Herpetologia publicou uma lista das esp\u00e9cies de r\u00e9pteis do Brasil, em 2005, o pa\u00eds era o lar de 633 esp\u00e9cies. Em 2015, na listagem mais recente, essa diversidade pulou para 773 esp\u00e9cies de r\u00e9pteis\u00a0\u2013\u00a0um salto de 22%. O Brasil \u00e9 o terceiro maior celeiro de diversidade de r\u00e9pteis, atr\u00e1s da Austr\u00e1lia e do M\u00e9xico. Essa riqueza biol\u00f3gica insubstitu\u00edvel est\u00e1 repartida entre 36 esp\u00e9cies de tartarugas, c\u00e1gados e jabutis (Testudines), 6 esp\u00e9cies de jacar\u00e9s (Crocodylia) e 731 esp\u00e9cies de Squamata (73 anfisb\u00eanias, 392 serpentes e 266 lagartos).<\/p>\n<p>Mas novas descri\u00e7\u00f5es n\u00e3o param de surgir. E n\u00e3o s\u00f3 de esp\u00e9cies, como tamb\u00e9m de g\u00eaneros. \u00c9 o caso de duas novas esp\u00e9cies de lagartos, pertencentes a um novo g\u00eanero, <i>Rondonops<\/i>, uma homenagem ao marechal C\u00e2ndido Rondon, explorador da Amaz\u00f4nia no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. A pesquisa foi realizada pelos herpet\u00f3logos Miguel Trefaut Rodrigues, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo, e Guarino Colli, da Universidade de Bras\u00edlia, entre outros.<\/p>\n<p>O trabalho, <a href=\"http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4000.4.1\" target=\"_blank\"><b>publicado<\/b><\/a> no peri\u00f3dico <i>Zootaxa<\/i>, em agosto de 2015, apresenta as esp\u00e9cies <i>Rondonops biscutatus<\/i>, de Rond\u00f4nia e Mato Grosso, e <i>R. xanthomystax<\/i>, do Amazonas. O estudo conta com o apoio da FAPESP, no \u00e2mbito do projeto tem\u00e1tico \u201c<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/en\/auxilios\/35240\/comparative-phylogeography-phylogeny-paleoclimate-modeling-and-taxonomy-of-neotropical-reptiles-a\/\" target=\"_blank\"><b>Comparative phylogeography, phylogeny, paleoclimate modeling, and taxonomy of neotropical reptiles and amphibians<\/b><\/a>\u201d, no \u00e2mbito do programa BIOTA-FAPESP.<\/p>\n<p>O lagarto do g\u00eanero <i>Rondonops<\/i> \u00e9 um animal pequeno. Seu comprimento, da ponta do focinho at\u00e9 a base da cauda, \u00e9 de 6,5 cm, sendo que a cauda pode ser at\u00e9 tr\u00eas vezes maior que o seu corpo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um bicho fossorial, que vive fu\u00e7ando. Tem uma cauda longa e uns bracinhos pequenos, que ficam colados ao corpo. Ele se locomove como se fosse uma cobra, quase que nadando entre as folhas ca\u00eddas, num movimento serpentiforme\u201d, explica Guarino Colli, referindo-se ao\u00a0<i>R. biscutatus<\/i>. \u201cEles vivem no meio da mata seca ou alagada. Quando vem a chuva, o bicho sobe num tronco ou num cupinzeiro. Entra nos buracos da madeira podre, onde pode comer cupins, aranhas, tudo o que conseguir pegar.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Miguel Trefaut Rodrigues, \u201cas principais caracter\u00edsticas do g\u00eanero <i>Rondonops<\/i> s\u00e3o a forma e a contagem de escamas e sua colora\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica.\u201d Para quem n\u00e3o sabe, o tamanho das escamas, seu ordenamento e quantidade t\u00eam import\u00e2ncia fundamental para sinalizar a exist\u00eancia de uma esp\u00e9cie de lagarto. As escamas n\u00e3o cobrem simplesmente o corpo do bicho. Elas recobrem o bicho de acordo com um padr\u00e3o espec\u00edfico e particular, que muda de um g\u00eanero para outro, e de uma fam\u00edlia para a outra. \u201cAs escamas t\u00eam nomes espec\u00edficos, quase como se fossem ossos. Cada uma tem um nome\u201d, diz Colli.<\/p>\n<p>No caso de Rondonops, o g\u00eanero tem duas fileiras longitudinais de escamas que come\u00e7am na nuca e, da quinta fileira para baixo, se dividem em diversas outras fileiras. J\u00e1 a barriga apresenta apenas duas fileiras de escamas, caracter\u00edstica que <i>Rondonops<\/i> compartilha com o g\u00eanero <i>Iphisa<\/i>. A singularidade do novo g\u00eanero tamb\u00e9m foi comprovada por meio do exame de DNA.<\/p>\n<p>Os exemplares de <i>R. biscutatus<\/i> foram coletados em dois locais de Rond\u00f4nia, perto de Pimenta Bueno e de Guajar\u00e1-Mirim, e tamb\u00e9m no Mato Grosso, no Parque Estadual do Cristalino e na Serra do Cachimbo. E j\u00e1 correm risco de extin\u00e7\u00e3o. Na regi\u00e3o de Pimenta Bueno, por exemplo, a floresta est\u00e1 muito fragmentada. Fica no chamado \u201carco de desflorestamento\u201d do sul da Amaz\u00f4nia, onde a mata est\u00e1 sendo rapidamente substitu\u00edda pelo gado e pela soja.<\/p>\n<p>\u201c\u00c1reas onde estivemos em 2000 n\u00e3o existem mais. Viraram lavoura de soja\u201d, diz Colli. \u201cColeta-se em Rond\u00f4nia desde o s\u00e9culo 19, mas nunca se acharam estes bichos antes. N\u00e3o constavam de cole\u00e7\u00e3o nenhuma. Devem existir muitas outras esp\u00e9cies desconhecidas naquela regi\u00e3o, e que est\u00e3o virando fuma\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>E quanto \u00e0 outra esp\u00e9cie do g\u00eanero <i>Rondonops<\/i>? \u201cMiguel havia coletado um material parecido \u00e0quele que eu estava descrevendo. Da\u00ed resolvemos escrever juntos e definir o novo g\u00eanero\u201d, diz Colli. A nova esp\u00e9cie achada por Rodrigues foi R. xanthomystax, coletada no sudeste do Amazonas, no rio Abacaxis. A cidade mais pr\u00f3xima \u00e9 Nova Olinda do Norte, no rio Madeira.<\/p>\n<p>\u201cA esp\u00e9cie de <i>Rondonops<\/i> do Amazonas possui dedos bem mais longos que os dedos da esp\u00e9cie de Rond\u00f4nia\u201d, explica Rodrigues. \u201cIsso sugere que ele tenha h\u00e1bitos mais arb\u00f3reos que seu cong\u00eanere de Rond\u00f4nia, que tem dedos mais curtos e \u00e9 terr\u00edcola. Um dos bichos que n\u00f3s pegamos, ali\u00e1s, estava a uns 3 metros de altura, numa \u00e1rvore, sinal de que ele pode escalar.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Rodrigues, a regi\u00e3o onde esta esp\u00e9cie foi achada se encontra muito melhor preservada do que o devastado Estado de Rond\u00f4nia. \u201cAinda existem muitas comunidades ind\u00edgenas no leste do Amazonas. Mas a regi\u00e3o j\u00e1 come\u00e7a a ser explorada.\u201d<\/p>\n<p>Miguel Trefaut Rodrigues tem dado grande contribui\u00e7\u00e3o para a expans\u00e3o do conhecimento da nossa diversidade de r\u00e9pteis. Com 40 anos de carreira cient\u00edfica, ele participou da descri\u00e7\u00e3o de 71 das 773 esp\u00e9cies de r\u00e9pteis brasileiros (sem falar em 12 esp\u00e9cies de anf\u00edbios). Especificamente do lagartos, ele participou da descri\u00e7\u00e3o de 58 das 266 esp\u00e9cies conhecidas.<\/p>\n<p>Em 2010, foi <a href=\"http:\/\/www.mapress.com\/zootaxa\/2010\/f\/zt02334p068.pdf\" target=\"_blank\"><b>publicada<\/b><\/a> no Zootaxa uma lista dos 40 zo\u00f3logos que mais descreveram esp\u00e9cies de r\u00e9pteis desde Lineu, o pai da taxonomia, no s\u00e9culo 18. A lista \u00e9 formada principalmente por naturalistas do s\u00e9culo 19. Do s\u00e9culo 20 s\u00f3 constam 11 nomes, entre eles, o de Rodrigues.<\/p>\n<p>Aos 62 anos, ele continua em plena atividade e faz um alerta para o estado de preserva\u00e7\u00e3o dos r\u00e9pteis brasileiros. Em rela\u00e7\u00e3o aos lagartos, o herpet\u00f3logo classifica a situa\u00e7\u00e3o como sendo bastante cr\u00edtica. J\u00e1 no caso das cobras a coisa \u00e9 muito pior. \u201cNo Brasil ainda vale o ditado que diz que cobra boa \u00e9 cobra morta. Basta o mateiro ver uma cobra que j\u00e1 trata de pegar um pau para mat\u00e1-la. \u00c9 preciso um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o muito grande para alterar esse padr\u00e3o de comportamento.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEstamos ainda numa fase muito prec\u00e1ria do conhecimento da nossa fauna. Um sinal disso \u00e9 que, mesmo agora no s\u00e9culo 21, ainda \u00e9 poss\u00edvel descrever novos g\u00eaneros. Mas est\u00e1 indo tudo embora. A Mata Atl\u00e2ntica, onde a derrubada \u00e9 proibida, vai sendo sub-repticiamente detonada. O Cerrado e a Caatinga est\u00e3o sendo destru\u00eddos numa velocidade impressionante\u201d, diz Rodrigues. \u201cE desde 2003, o governo federal n\u00e3o cria nenhum novo parque nacional, nenhuma nova reserva biol\u00f3gica.\u201d<\/p>\n<p>O artigo <i>Description and phylogenetic relationships of a new genus and two new species of lizards from Brazilian Amazonia, with nomenclatural comments on the taxonomy of Gymnophthalmidae (Reptilia: Squamata)<\/i>, de Guarino R. Colli e outros, publicado em <i>Zootaxa<\/i>, pode ser lido no endere\u00e7o <a href=\"http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4000.4.1\" target=\"_blank\"><b>http:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4000.4.1<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira vez em que a Sociedade Brasileira de Herpetologia publicou uma lista das esp\u00e9cies<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":39103,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/repteis.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Na primeira vez em que a Sociedade Brasileira de Herpetologia publicou uma lista das esp\u00e9cies","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39102"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39102\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}