{"id":38727,"date":"2016-03-12T13:43:35","date_gmt":"2016-03-12T16:43:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=38727"},"modified":"2016-03-12T13:43:35","modified_gmt":"2016-03-12T16:43:35","slug":"praticas-predatorias-e-desrespeito-ao-manejo-vem-reduzindo-especies-nobres-de-peixe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/praticas-predatorias-e-desrespeito-ao-manejo-vem-reduzindo-especies-nobres-de-peixe\/","title":{"rendered":"Pr\u00e1ticas predat\u00f3rias e desrespeito ao manejo v\u00eam reduzindo esp\u00e9cies nobres de peixe"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/crise_pesca.jpg\" rel=\"attachment wp-att-38728\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-38728\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/crise_pesca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/crise_pesca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/crise_pesca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os oceanos est\u00e3o em apuros. Do extremo norte do mar da Groenl\u00e2ndia aos vagalh\u00f5es gelados do c\u00edrculo ant\u00e1rtico, estamos limpando os peixes de nossos mares. De 1900 at\u00e9 hoje, pode ter havido um decl\u00ednio de quase 90% em muitas esp\u00e9cies, e o problema s\u00f3 se agrava. Super-redes de arrasto varrem os recifes. Pa\u00edses violam as leis. Cotas de pesca n\u00e3o s\u00e3o respeitadas.<\/p>\n<p>A crise anuncia-se na mesa vazia de uma fam\u00edlia no Senegal, na queda do n\u00famero de alunos em uma escola elementar de um povoado costeiro, no card\u00e1pio dos restaurantes e na esteira de pescado inaproveitado e lan\u00e7ado \u00e0 deriva. Nas tr\u00eas hist\u00f3rias a seguir, comparamos os preju\u00edzos l\u00edquidos com os magros lucros. Primeiro, a magnitude do problema, refletida no massacre do majestoso atum-azul. Depois, para compensar, o caso de uma reserva marinha na Nova Zel\u00e2ndia obstinadamente mantida por um bi\u00f3logo que prega a necessidade de nova \u00e9tica para o oceano: que ele seja visto n\u00e3o como um recurso natural a ser explorado, mas como uma comunidade pertencente a todos n\u00f3s. Finalmente, a situa\u00e7\u00e3o da pesca na extensa costa brasileira, em comunidades onde o decl\u00ednio de esp\u00e9cies marinhas, como a lagosta, priva o povo de seu sustento e arrasa um modo de vida transmitido de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nos mares deste planeta nenhum peixe mais magn\u00edfico que o atum-azul. Ele pode atingir 3,65 metros de comprimento, pesar at\u00e9 680 quilos e viver por 30 anos. Apesar de todo esse tamanho, ele \u00e9 um primor da hidrodin\u00e2mica, capaz de nadar a 40 quil\u00f4metros por hora e mergulhar a quase 1 quil\u00f4metro de profundidade.<\/p>\n<p>Ele destoa da maioria dos outros peixes no sistema circulat\u00f3rio de sangue quente, que lhe permite viajar do \u00c1rtico aos tr\u00f3picos. No passado, milh\u00f5es de atuns-azuis migravam por toda a bacia do Atl\u00e2ntico e mar Mediterr\u00e2neo, e sua carne era important\u00edssima para os povos do mundo antigo, que pintavam sua imagem em cavernas e a cunhavam em moedas.<\/p>\n<p>O atum-azul, tamb\u00e9m chamado de albacoraazul, tem outra qualidade extraordin\u00e1ria, e essa pode selar seu destino: a carne amanteigada de sua barriga, com generosas camadas de gordura, \u00e9 considerada o mais fino sushi do mundo. Na d\u00e9cada passada, uma frota pesqueira high-tech, guiada por avi\u00f5es localizadores, perseguiu atunsazuis de uma ponta a outra do Mediterr\u00e2neo e capturou,muitas vezes ilegalmente, dezenas de milhares por ano.Os atuns-azuis s\u00e3o engordados em alto-mar em gaiolas, depois abatidos a tiros e cortados para os mercados de sushi e fil\u00e9 de atum do Jap\u00e3o, das Am\u00e9ricas e da Europa. Tantos atuns-azuis s\u00e3o extra\u00eddos do Mediterr\u00e2neo que sua popula\u00e7\u00e3o corre o risco de extin\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, as autoridades europ\u00e9ias e norte-africanas pouco fazem para impedir a matan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cMeu grande medo \u00e9 que possa ser tarde demais\u201d, diz o espanhol Sergi Tudela, bi\u00f3logo marinho do WWF-Fundo Mundial para a Natureza \u00e0 frente na luta para conter a pesca do atumazul.\u201c Tenho uma imagem muito v\u00edvida na mente: a migra\u00e7\u00e3o de incont\u00e1veis bis\u00f5es-americanos pelo oeste dos Estados Unidos no come\u00e7o do s\u00e9culo19. Era assim tamb\u00e9m com os atuns-azuis no Mediterr\u00e2neo: uma colossal migra\u00e7\u00e3o de animais. E agora estamos vendo com o atum-azul o mesmo fen\u00f4meno ocorrido com o bis\u00e3o-americano.\u201d<\/p>\n<p>O exterm\u00ednio do atum-azul reflete todos os problemas hoje encontrados na pesca: a capacidade de abate multiplicada pela tecnologia, a suspeita rede de empresas internacionais que t\u00eam lucros estratosf\u00e9ricos, a neglig\u00eancia no manejo da pesca e na aplica\u00e7\u00e3o das leis e a indiferen\u00e7a dos consumidores \u00e0 sorte do peixe que compram.<\/p>\n<p>Os oceanos do mundo s\u00e3o uma sombra do que j\u00e1 foram. Com poucas e not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es, como a pesca bem administrada do Alasca, da Isl\u00e2ndia e da Nova Zel\u00e2ndia, o n\u00famero de peixes nos mares \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o do que era h\u00e1 um s\u00e9culo.Os bi\u00f3logos marinhos divergem quanto ao grau desse decl\u00ednio.Alguns afirmam que os estoques de muitos peixes marinhos grandes diminu\u00edram de 80% a 90%; outros apontam uma queda menor.Mas todos concordam que, em quase toda parte, h\u00e1 barcos demais atr\u00e1s de peixes de menos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os oceanos est\u00e3o em apuros. 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