{"id":38722,"date":"2016-03-12T11:50:55","date_gmt":"2016-03-12T14:50:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=38722"},"modified":"2016-03-12T11:52:43","modified_gmt":"2016-03-12T14:52:43","slug":"socotra-a-ilha-da-bio-estranheza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/socotra-a-ilha-da-bio-estranheza\/","title":{"rendered":"Socotra: a ilha da bio-estranheza"},"content":{"rendered":"<h2><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" S\u00edmbolo bot\u00e2nico de Socotra, a dragoeira tem os galhos voltados para cima a fim de captar a umidade da neblina em terras altas \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/01-socotra-icon-dragons-blood-tree.jpg?1343316106\" alt=\" S\u00edmbolo bot\u00e2nico de Socotra, a dragoeira tem os galhos voltados para cima a fim de captar a umidade da neblina em terras altas \" width=\"638\" height=\"423\" \/>A isolada Socotra, a 350 quil\u00f4metros ao largo do I\u00eamen, abriga uma imensa variedade de plantas e animais inusitados, perfeitamente adaptados a um ambiente agreste, muito quente e fustigado por ventanias<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" A lua cheia se ergue sobre o plat\u00f4 de Diksam, onde os dragoeiros crescem em aglomera\u00e7\u00f5es espalhadas \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/02-dragons-blood-tree-diksam-plateau.jpg?1343316106\" alt=\" A lua cheia se ergue sobre o plat\u00f4 de Diksam, onde os dragoeiros crescem em aglomera\u00e7\u00f5es espalhadas \" width=\"638\" height=\"423\" \/>\u00c9 quase meia-noite na ampla colina conhecida como Firmihin, onde cresce uma floresta de dragoeiros. A lua, uma noite depois do plenil\u00fanio, inunda a paisagem recortada de um prateado refrescante. Dentro dos muros de pedra do lugar onde vive um pastor, as chamas iluminam os rostos de quatro pessoas descal\u00e7as que, sentadas ao redor da fogueira, compartilham ch\u00e1 quente com leite fresco de cabra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Antigos per\u00edodos de atividade vulc\u00e2nica originaram os montes Hajhir, onde recortados picos de granito elevam-se a quase 1500 metros \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/03-hajhir-mountain-clouds.jpg?1343316106\" alt=\" Antigos per\u00edodos de atividade vulc\u00e2nica originaram os montes Hajhir, onde recortados picos de granito elevam-se a quase 1500 metros \" width=\"640\" height=\"424\" \/>Neehah Maalha veste uma esp\u00e9cie de sarongue conhecido como <em>fouta<\/em>; a sua mulher, Metagal, est\u00e1 com um vestido comprido e, na cabe\u00e7a, um len\u00e7o de tom roxo v\u00edvido. Eles contam da vida que levam na ilha de Socotra, usando uma l\u00edngua de origem imemorial \u2013 inalterada h\u00e1 s\u00e9culos e hoje falada por menos de 50 mil pessoas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" O Chamaeleo monachus s\u00f3 existe em Socotra, assim como 90% dos outros r\u00e9pteis na ilha \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/04-chamaeleo-monachus.jpg?1343316106\" alt=\" O Chamaeleo monachus s\u00f3 existe em Socotra, assim como 90% dos outros r\u00e9pteis na ilha \" width=\"638\" height=\"423\" \/>Embora o casal seja analfabeto, ambos sabem que a nova placa ao p\u00e9 da colina informa que Firmihin foi declarada reserva natural protegida. Forasteiros costumam visitar o seu povoado, contam eles, para fotografar os dragoeiros, as plantas conhecidas como rosas-do-deserto e as flores asclepiad\u00e1ceas <em>mishhahir<\/em>. Tamb\u00e9m aparecem por l\u00e1 cientistas, que reviram as pedras, dizendo que est\u00e3o coletando insetos e lagartos. Mas, na verdade, o que ser\u00e1 mesmo que est\u00e3o procurando?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Nos bosques de dragoeiros quase n\u00e3o se encontram brotos e \u00e1rvores jovens \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/06-dragons-blood-forest-devoid-of-seeds.jpg?1374664890\" alt=\" Nos bosques de dragoeiros quase n\u00e3o se encontram brotos e \u00e1rvores jovens \" width=\"638\" height=\"423\" \/>Localizada no mar da Ar\u00e1bia, a 350 quil\u00f4metros da costa do turbulento I\u00eamen, do qual faz parte, Socotra foi no passado um local lend\u00e1rio que ficava no extremo dos mapas do mundo ent\u00e3o conhecido. Para os marinheiros, era um lugar tem\u00edvel, com baixios trai\u00e7oeiros, tempestades ferozes e moradores que tinham a fama de controlar os ventos e de conduzir os barcos \u00e0s suas praias para que fossem capturados e saqueados. Atualmente, por\u00e9m, \u00e9 a rica diversidade biol\u00f3gica de Socotra que atrai novos exploradores, os quais esperam desvendar os segredos locais antes que a ilha seja para sempre alterada pelo mundo moderno.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Um wadi, ou riacho sazonal, serpenteia para o sul entre cristas das montanhas Hajhir \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/07-wadi-meanders-seaward-hajhir-mountains.jpg?1343316106\" alt=\" Um wadi, ou riacho sazonal, serpenteia para o sul entre cristas das montanhas Hajhir \" width=\"638\" height=\"423\" \/>De um instante para outro, a preocupa\u00e7\u00e3o estampada no rosto de Metagal d\u00e1 lugar a um sorriso absorto. Ela desaparece na escurid\u00e3o e, ao voltar, me oferece um pequeno pacote embrulhado em papel. N\u00e3o estaria interessado em comprar um pouco de incenso? Neehah apanha um peda\u00e7o min\u00fasculo e o coloca sobre uma brasa na fogueira. A fuma\u00e7a se eleva rodopiando e aspiramos o rico aroma que perfumou os funerais dos fara\u00f3s e os templos dos deuses gregos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" O caranguejo de \u00e1gua-doce Socotrapotamon socotrensis \u00e9 end\u00eamico na ilha \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/08-endemic-freshwater-crab.jpg?1343316106\" alt=\" O caranguejo de \u00e1gua-doce Socotrapotamon socotrensis \u00e9 end\u00eamico na ilha \" width=\"640\" height=\"424\" \/>Os antigos eg\u00edpcios, gregos e romanos aproveitaram todos os tesouros do mundo natural de Socotra: resinas arom\u00e1ticas como o ol\u00edbano, o extrato medicinal de alo\u00e9 e o sangue-de-drago, a seiva rubra do dragoeiro, usada tanto na medicina como corante. As riquezas da ilha eram retiradas por aventureiros, a despeito dos relatos de que era protegida por serpentes gigantes que viviam em suas cavernas. A rainha de Sab\u00e1, Alexandre Magno e Marco Polo estavam entre os que cobi\u00e7aram as riquezas de Socotra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Conhecida como mishhahir em Socotra, essa planta suculenta serviu, em \u00e9pocas de fome, de alimento de emerg\u00eancia para os moradores locais \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/09-mishhahir-succulent-emergency-food.jpg?1343316106\" alt=\" Conhecida como mishhahir em Socotra, essa planta suculenta serviu, em \u00e9pocas de fome, de alimento de emerg\u00eancia para os moradores locais \" width=\"640\" height=\"424\" \/>O valor do ol\u00edbano e do sangue-de-drago alcan\u00e7ou o auge na \u00e9poca do Imp\u00e9rio Romano. Depois disso, a ilha serviu sobretudo de escala para mercadores, atravessando s\u00e9culos em relativo isolamento cultural. Os habitantes de Socotra continuaram a viver, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, tal como os seus antepassados: nas montanhas, os bedu\u00ednos cuidavam dos rebanhos de cabras; no litoral, vivia-se da pesca; e todos colhiam os frutos das tamareiras. A hist\u00f3ria da ilha era transmitida por meio da poesia, recitada na l\u00edngua socotri.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" A rosa do deserto ganhou este nome devido a seus bot\u00f5es, apesar de a planta n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o com rosas cultivadas \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/10-desert-rose.jpg?1411064437\" alt=\" A rosa do deserto ganhou este nome devido a seus bot\u00f5es, apesar de a planta n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o com rosas cultivadas \" width=\"640\" height=\"424\" \/>Al\u00e9m de sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica diante do Chifre da \u00c1frica, simplesmente n\u00e3o havia nada mais em Socotra que despertasse o interesse do resto do mundo. Mas isto mudou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Ofuscantes dunas de areia branca estendem-se por quil\u00f4metros em \u00e1reas como o litoral sul de Socotra, entre as quais esta praia, a Aomak \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/11-aomak-beach-sand-dunes.jpg?1343316546\" alt=\" Ofuscantes dunas de areia branca estendem-se por quil\u00f4metros em \u00e1reas como o litoral sul de Socotra, entre as quais esta praia, a Aomak \" width=\"638\" height=\"423\" \/>Estudos realizados no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 comprovaram que essa ilha tropical, apesar de ter uma \u00e1rea de apenas 134 por 43 quil\u00f4metros, est\u00e1 entre os principais centros de biodiversidade do mundo, mesclando elementos da \u00c1frica, \u00c1sia e Europa de maneira que ainda deixa perplexos os bi\u00f3logos. A quantidade de esp\u00e9cies vegetais end\u00eamicas (que n\u00e3o existem em nenhuma outra parte) por quil\u00f4metro quadrado em Socotra e nas tr\u00eas pequenas ilhas adjacentes \u00e9 a quarta maior entre todos os arquip\u00e9lagos do planeta \u2013 depois das Seychelles, Nova Caled\u00f4nia e Hava\u00ed. Os montes Hajhir, agrestes picos gran\u00edticos cuja altitude chega a quase 1500 metros no centro da ilha, abrigam provavelmente a maior densidade de plantas end\u00eamicas em todo o sudoeste da \u00c1sia. Todas as paisagens de Socotra, desde as plan\u00edcies quentes e secas at\u00e9 os picos encobertos por neblina, exibem maravilhas que n\u00e3o se encontram em nenhum outro lugar do planeta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Um atob\u00e1-pardo pousa na costa ocidental. Pelo menos dez tipos de aves marinhas se reproduzem em Socotra e nas tr\u00eas ilhotas adjacentes \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/12-brown-booby-lands.jpg?1343316546\" alt=\" Um atob\u00e1-pardo pousa na costa ocidental. Pelo menos dez tipos de aves marinhas se reproduzem em Socotra e nas tr\u00eas ilhotas adjacentes \" width=\"640\" height=\"424\" \/>Em uma tarde abafada fiz uma caminhada perto do empoeirado povoado de Hadibu com a bot\u00e2nica Lisa Banfield, uma especialista em Socotra que na \u00e9poca trabalhava para o Real Jardim Bot\u00e2nico de Edinburgh. Escalamos uma encosta rochosa e topamos com uma planta que n\u00e3o estaria deslocada em um quadro do pintor surrealista Salvador Dal\u00ed \u2013 uma coisa achatada que mais parecia uma \u00e1rvore alta que tivesse simplesmente derretido com o calor. As suas flores, parecidas com f\u00facsias, acabaram recebendo o nome comum de \u201crosas do deserto\u201d, embora tenham tanto a ver com rosas quanto eu com as toninhas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" O litoral variado de Socotra inclui praia de areia, pedregulhos, plan\u00edcies enlameadas e recifes de corais f\u00f3sseis e vivos \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/13-socotra-varied-coastline.jpg?1374664977\" alt=\" O litoral variado de Socotra inclui praia de areia, pedregulhos, plan\u00edcies enlameadas e recifes de corais f\u00f3sseis e vivos \" width=\"640\" height=\"424\" \/>\u201cEsse \u00e9 um exemplo famoso da estrat\u00e9gia evolutiva adotada pelas plantas de Socotra a fim de suportar as condi\u00e7\u00f5es extremamente \u00e1ridas da ilha\u201d, comentou Banfield. \u201cEla recebeu o nome de <em>Adenium obesum sokotranum<\/em>. Tamb\u00e9m d\u00e1 no continente, na pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e na \u00c1frica, mas l\u00e1 \u00e9 bem menor. O seu tronco armazena \u00e1gua, e ela assume essas formas estranhas e maravilhosas para se firmar nas rochas. H\u00e1 gente que a considera grotesca, mas na verdade acho que \u00e9 uma \u00e1rvore bem interessante.\u201d Isto foi dito com o genu\u00edno alento de um cientista. Um viajante do s\u00e9culo 19 afirmou que a rosa-do-deserto era \u201ca \u00e1rvore mais medonha em toda a Cria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Uma \u00e1rvore de incenso cresce em Homhil, uma \u00e1rea protegida na extremidade oeste da ilha \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/14-frankincense-tree-homhil.jpg?1343316546\" alt=\" Uma \u00e1rvore de incenso cresce em Homhil, uma \u00e1rea protegida na extremidade oeste da ilha \" width=\"638\" height=\"423\" \/>Seguimos adiante mais alguns metros e avistamos uma planta que, sem a menor d\u00favida, ganharia qualquer concurso de estranheza em outro local que n\u00e3o fosse Socotra \u2013 e uma planta cuja esp\u00e9cie tamb\u00e9m merecia ser chamada de obesum. O seu tronco inchado erguia-se acima de nossas cabe\u00e7as, encimado por uma massa pendente de ramos folhosos brotando confusamente como as tran\u00e7as de um rastaf\u00e1ri.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Arbustos de cr\u00f3ton como estes costumam ser altos, mas no alto deste penhasco do litoral sudoeste de Socotra \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/15-crotons-grow-as-tall-shrubs.jpg?1343316546\" alt=\" Arbustos de cr\u00f3ton como estes costumam ser altos, mas no alto deste penhasco do litoral sudoeste de Socotra \" width=\"640\" height=\"424\" \/>\u201cEm seu h\u00e1bito de desenvolvimento ela \u00e9 muito parecida com a <em>Adenium<\/em>\u201d, explicou Banfield, \u201cmas na verdade \u00e9 uma <em>Dendrosicyos socotrana<\/em> \u2013 um pepineiro.\u201d<\/p>\n<p>Pepineiro?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Uma falc\u00e3o f\u00eamea leva alimento para os filhotes em um penhasco no litoral sul de Socotra \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/16-female-kestrel-brings-food-to-nestlings.jpg?1343316546\" alt=\" Uma falc\u00e3o f\u00eamea leva alimento para os filhotes em um penhasco no litoral sul de Socotra \" width=\"639\" height=\"424\" \/>\u201cIsso mesmo, essa \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie arbor\u00edcola das cucurbit\u00e1ceas, uma fam\u00edlia mais conhecida pelo crescimento como ervas rastejantes ou trepadeiras. Mas aqui a gente encontra algumas bem grandes, com troncos enormes. Parecem de outro mundo.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Uma rosa-do-deserto se agarra ao penhasco Maalah, juntamente com mais de 300 outras esp\u00e9cies vegetais raras que se encontram em Socotra \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1225\/6IivB\/17-maalah-cliffs-desert-rose.jpg?1343316546\" alt=\" Uma rosa-do-deserto se agarra ao penhasco Maalah, juntamente com mais de 300 outras esp\u00e9cies vegetais raras que se encontram em Socotra \" width=\"640\" height=\"424\" \/>Uma outra \u00e1rvore end\u00eamica, contudo, a dragoeira, tornou-se o s\u00edmbolo de Socotra \u2013 e sua forma caracter\u00edstica aparece at\u00e9 mesmo na moeda i\u00eamenita de 20 rials. Parente das plantas dom\u00e9sticas do g\u00eanero <em>Dracaena<\/em>, ela prospera nos planaltos e montanhas em quase toda a ilha. Os maiores bosques de dragoeiras s\u00e3o encontrados em Firmihin, onde passei a noite com Neehah e Metagal. No dia seguinte, sob um sol inclemente, Lisa Banfield e seu colega socotrano, Ahmed Adeeb, me levaram para conhecer a regi\u00e3o circundante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Caramujos sobem nas \u00e1rvores da plan\u00edcie \u00e1rida de Zahr em Socotra para fugir do calor e tamb\u00e9m dos besouros carn\u00edvoros, mas ficam expostos a p\u00e1ssaros famintos \" src=\"http:\/\/msalx.viajeaqui.abril.com.br\/2012\/07\/26\/1211\/6IivB\/05-land-snails-climb-trees-zahr-plain.jpg?1343316106\" alt=\" Caramujos sobem nas \u00e1rvores da plan\u00edcie \u00e1rida de Zahr em Socotra para fugir do calor e tamb\u00e9m dos besouros carn\u00edvoros, mas ficam expostos a p\u00e1ssaros famintos \" width=\"640\" height=\"424\" \/>A paisagem era uma confus\u00e3o de blocos de calc\u00e1rio com arestas t\u00e3o afiadas quanto l\u00e2minas devido \u00e0 eros\u00e3o. A desola\u00e7\u00e3o da tonalidade pardacenta queimada era interrompida aqui e ali pelas v\u00edvidas flores carmim da <em>mishhahir<\/em>, uma planta suculenta t\u00e3o an\u00f4mala quanto uma bandeira tremulando na superf\u00edcie lunar. Ao nosso redor, as dragoeiras elevavam os seus galhos para o c\u00e9u, com uma apar\u00eancia, j\u00e1 notada por muitos, de guarda-chuvas invertidos pela ventania. Mesmo em um bosque, as dragoeiras se dispersam, afastadas umas das outras, como se fossem convidados t\u00edmidos em uma festa.<\/p>\n<p>Centenas e centenas de dragoeiras eram vis\u00edveis em todas as dire\u00e7\u00f5es, mas Banfield me chamou a aten\u00e7\u00e3o para algo perturbador: quase n\u00e3o havia \u00e1rvores jovens brotando aos p\u00e9s dos esp\u00e9cimes maduros.<\/p>\n<p>Muitas plantas ali sobrevivem gra\u00e7as \u00e0 umidade contida na n\u00e9voa. Algumas das esp\u00e9cies end\u00eamicas mais raras de Socotra crescem em escarpas montanhosas e em todo o per\u00edmetro da ilha, onde se impregnam da umidade acumulada quando a neblina se condensa nas rochas. Aqueles galhos de dragoeira voltados para o alto s\u00e3o, na verdade, uma adapta\u00e7\u00e3o evolutiva para melhor recolher no ar a preciosa umidade \u2013 a qual est\u00e1 se tornando cada vez mais escassa. Se as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o respons\u00e1veis pela prec\u00e1ria regenera\u00e7\u00e3o das dragoeiras e de outras plantas raras, talvez n\u00e3o haja solu\u00e7\u00e3o a curto prazo. Enquanto isso, Banfield e outros conservacionistas est\u00e3o igualmente preocupados com outras amea\u00e7as, agora de origem humana, \u00e0 biodiversidade da ilha.<\/p>\n<p>At\u00e9 1999, n\u00e3o havia em Socotra aeroporto de grande porte nem estradas pavimentadas. Desde ent\u00e3o, por\u00e9m, o ritmo de desenvolvimento foi acelerado. Mudan\u00e7as que em outros locais levaram d\u00e9cadas foram ali concentradas em poucos anos. Com isso, uma quantidade cada vez maior de ve\u00edculos circula pelo sistema vi\u00e1rio em constante amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo externo chegou a Socotra tanto de maneira figurada, por meio da televis\u00e3o, dos celulares e da internet, como literalmente, sob a forma de turistas. Embora a recente turbul\u00eancia pol\u00edtica no I\u00eamen tenha limitado temporariamente as visitas de forasteiros, ao longo da d\u00e9cada anterior as belas praias, montanhas agrestes, biodiversidade \u00fanica e cultura antiga da ilha atra\u00edram uma quantidade crescente de visitantes de outros pa\u00edses \u2013 de 140 em 2000 para quase 4 mil em 2010. Alguns dos admiradores de Socotra temem que o empenho do governo iemenita em trazer a ilha para o s\u00e9culo 21 j\u00e1 esteja prejudicando de maneira irrevers\u00edvel exatamente aquilo que constitui a maior atra\u00e7\u00e3o local, al\u00e9m de estar provavelmente levando ao desaparecimento um modo de vida que se manteve inalterado por s\u00e9culos.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo belga Kay Van Damme desembarcou pela primeira vez na ilha em 1999, como membro de uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que l\u00e1 chegou a bordo de um avi\u00e3o cargueiro Antonov alugado pelos militares iemenitas. O especialista em crust\u00e1ceos de \u00e1gua doce ainda se recorda de como ele e seus colegas descobriam esp\u00e9cies novas simplesmente percorrendo trilhas ou vadeando c\u00f3rregos, onde coletavam lagartos, carac\u00f3is, insetos, plantas e outras formas de vida \u2013 \u00e0s vezes coletando v\u00e1rias esp\u00e9cies desconhecidas num \u00fanico dia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando passou a retornar \u00e0 ilha ano ap\u00f3s ano, o enfoque estritamente cient\u00edfico do bi\u00f3logo deu lugar a um interesse mais amplo pelo local e sua cultura. \u201cFomos convidados para a casa das pessoas, e constatei que os habitantes de Socotra t\u00eam um v\u00ednculo muito forte com o ambiente\u201d, conta ele. \u201cPercebi que o fato de todas essas esp\u00e9cies terem conseguido sobrevivido por tanto tempo tinha a ver com os costumes tradicionais preservados pelos moradores da ilha.\u201d<\/p>\n<p>Mais de 600 vilarejos, em sua maioria agrupamentos de casas que abrigam fam\u00edlias extensas, est\u00e3o distribu\u00eddos por toda a ilha, e cada um desses n\u00facleos t\u00eam o seu <em>muqaddam<\/em>, um anci\u00e3o acatado por todos. No decorrer dos s\u00e9culos, os socotranos aperfei\u00e7oaram m\u00e9todos pr\u00e1ticos de lidar com as \u00e1reas de pastagem, a retirada de madeira, as disputas de terra entre os cl\u00e3s, o uso da \u00e1gua e outras quest\u00f5es similares. Ao contr\u00e1rio de seus conterr\u00e2neos no I\u00eamen continental, onde s\u00e3o corriqueiras as rixas violentas e as disputas tribais, e onde os homens costumam andar armados e carregando a <em>jambiya<\/em> (uma adaga cerimonial), os socotranos t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o de resolver pacificamente as disputas entre vilarejos vizinhos. Somente gra\u00e7as \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o dos recursos, podem sobreviver no ambiente agreste da ilha, e um dos efeitos colaterais disso foi justamente a preserva\u00e7\u00e3o da extraordin\u00e1ria biodiversidade local.<\/p>\n<p>Van Damme vem acompanhando com aten\u00e7\u00e3o, e preocupa\u00e7\u00e3o, as consequ\u00eancias do desenvolvimento em outras ilhas. \u201cO que mais se v\u00ea \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitats, a prolifera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras e a redu\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, diz ele. \u201cDe todas as extin\u00e7\u00f5es de r\u00e9pteis, 86% ocorreram em ilhas. Veja o que houve em Guam, na ilha de P\u00e1scoa e at\u00e9 mesmo na Nova Zel\u00e2ndia.\u201d<\/p>\n<p>As amea\u00e7as ao ambiente de Socotra s\u00e3o in\u00fameras, tanto no n\u00edvel macro como no micro, embora muitas tenham sido, pelo menos temporariamente, evitadas por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Uma praia lind\u00edssima estava destinada a virar um grande porto, a despeito do fato de que ningu\u00e9m era capaz de explicar a necessidade de tal instala\u00e7\u00e3o. (Quando estive na ilha, uma placa que anunciava as obras fora derrubada pelos moradores, em protesto pela perda de um local tradicional de pesca e recrea\u00e7\u00e3o.) Nos caf\u00e9s, os boatos iam desde aqueles aparentemente fundamentados (um iemenita com bons relacionamentos pol\u00edticos havia adquirido terrenos pr\u00f3ximos a uma importante reserva marinha a fim de construir um complexo hoteleiro) at\u00e9 os pouco confi\u00e1veis (a constru\u00e7\u00e3o de uma base militar americana no litoral sudoeste).<\/p>\n<p>Um dia, Lisa Banfield e eu escalamos as escarpas junto ao vilarejo de Qulansiyah, na extremidade ocidental de Socotra. Ali, nos rochedos avermelhados, ela me mostrou a bizarra Dorstenia gigas, uma figueira com formato bulboso que lembra, bem, nada que eu consiga imaginar, e tamb\u00e9m esp\u00e9cies raras de mirra e alo\u00e9, assim como uma profus\u00e3o de outras esp\u00e9cies s\u00f3 existentes na ilha. Segundo a bi\u00f3loga, os penhascos de Maalah e o planalto adjacente constituem a segunda \u00e1rea de maior biodiversidade em Socotra, atr\u00e1s apenas dos montes Hajhir \u2013 contando n\u00e3o s\u00f3 com plantas e invertebrados, mas tamb\u00e9m com r\u00e9pteis, dos quais at\u00e9 90% s\u00e3o exclusivos da ilha.<\/p>\n<p>Todavia, logo abaixo de onde est\u00e1vamos, e tamb\u00e9m mais acima, fora do nosso campo de vis\u00e3o, estavam as curvas abertas por tratores de uma estrada inacabada que teria passado diretamente pelo meio desse tesouro biol\u00f3gico. O projeto da estrada foi levado adiante apesar dos protestos dos conservacionistas; os penhascos foram poupados pelo \u00fanico motivo de que a construtora n\u00e3o dispunha dos conhecimentos t\u00e9cnicos necess\u00e1rios para seguir adiante. Um planejamento melhor teria protegido a biodiversidade e conferido um tra\u00e7ado mais razo\u00e1vel \u00e0 obra. Em outro local na plan\u00edcie, conhecido como Iryosh, petroglifos gravados em pedras planas podem conter pistas sobre os primitivos ocupantes de Socotra. No entanto, em 2003, pelo menos um d\u00e9cimo deles foi destru\u00eddo quando as autoridades decidiram fazer passar por ali uma nova estrada.<\/p>\n<p>Essas obras vi\u00e1rias criam novas \u00e1reas de urbaniza\u00e7\u00e3o e, se o turismo recuperar o seu \u00edmpeto, s\u00f3 vai aumentar a press\u00e3o em favor da venda de terras para investidores estrangeiros. Em uma ilha onde a propriedade comunit\u00e1ria \u00e9 tradicional, as disputas por terras e a possibilidade de enriquecimento r\u00e1pido j\u00e1 come\u00e7am a dividir vilarejos e at\u00e9 fam\u00edlias, assim como est\u00e1 abalando o antigo respeito pelos recursos naturais. Estradas rec\u00e9m constru\u00eddas serpenteiam pelo litoral de Socotra, e novos hoteis e lojas est\u00e3o sendo erguidos em Hadibu, quase todos de propriedade de gente que n\u00e3o vive na ilha.<\/p>\n<p>No entanto, nos montes Hajhir, os velhos costumes parecem t\u00e3o duradouros quanto os picos de granito. Nos vilarejos rurais, os <em>muqaddams<\/em> est\u00e3o de p\u00e9 ao amanhecer e cantam para as suas cabras, e os moradores continuam frequentando os curandeiros tradicionais, que os queimam para afastar as doen\u00e7as. A n\u00e9voa noturna se dissipa com os primeiros raios de sol, os estorninhos-de-socotra disparam por entre os dragoeiros, as pequenas pombas arrulham um gutural rococo, e flores misteriosas desabrocham em encostas que jamais recebem visitas.<\/p>\n<p>Perto do fim da minha estada, fui com Kay Van Damme, Lisa Banfield e nossos guias at\u00e9 o planalto Momi, uma \u00e1rea de ondeantes cristas calc\u00e1rias e arbustos dispersos que encobrem imensas cavernas, repletas de raros e end\u00eamicos camar\u00f5es de \u00e1gua doce e outros invertebrados. Ao iniciarmos a caminhada, um anci\u00e3o com fiapos de barba branca aproximou-se correndo e gritando: \u201cO que est\u00e3o fazendo em minha terra? Saiam j\u00e1 daqui!\u201d Em seguida, disse que, se permitisse que fic\u00e1ssemos ali, outros turistas acabariam vindo para envenenar os escorpi\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando lhe oferecemos dez d\u00f3lares, ele se disp\u00f4s a nos guiar pela encosta at\u00e9 uma escarpa mais adiante. Ele caminhava descal\u00e7o por entre as pedras com arestas agu\u00e7adas, empunhando um bast\u00e3o que usava para enfatizar os seus argumentos. Subimos at\u00e9 os penhascos que se erguem quase 600 metros acima do azul cintilante do mar da Ar\u00e1bia e, quando voltamos, o velho usou o seu xale verde para recolher um grande feixe de galhos, levando a pesada carga no ombro at\u00e9 a sua cabana.<\/p>\n<p>De volta no vilarejo, ele nos disse que tinha algo para nos mostrar: um objeto estranho e misterioso que havia encontrado nas redondezas. Ele achava que devia pertencer \u00e0s serpentes m\u00e1gicas que tomavam conta das cavernas, mas queria ouvir a opini\u00e3o dos forasteiros. Tirou ent\u00e3o um pacotinho de pano branco das dobras de sua fouta e o desembrulhou. No interior havia uma bola de gude \u2013 uma bola de vidro com uma mancha marrom em espiral que poderia muito bem ser o tesouro de uma crian\u00e7a, mas que no mundo do velho era um objeto maravilhoso.<\/p>\n<p>\u201cSocotra ainda est\u00e1 relativamente intocada\u201d, comenta Van Damme. \u201cMas isto tamb\u00e9m significa que a \u00e9poca atual, com toda essa onda civilizat\u00f3ria e desenvolvimentista, \u00e9 a maior amea\u00e7a que j\u00e1 surgiu para a biodiversidade da ilha. O povo de Socotra vem promovendo a conserva\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de suas tradi\u00e7\u00f5es, mas agora cabe a todos n\u00f3s preservar isso no futuro, e assegurar que resista \u00e0s amea\u00e7as. Socotra \u00e9 um dos \u00faltimos lugares do planeta onde ainda h\u00e1 de fato a possibilidade de se proteger um ambiente insular excepcional, onde ainda se pode fazer algo antes que seja tarde demais.\u201d<\/p>\n<p>Quando o I\u00eamen recuperar a estabilidade pol\u00edtica, e as estradas, os complexos hoteleiros e os \u00e1vidos turistas tomarem conta de Socotra, conseguir\u00e3o os moradores da ilha manter os seus pac\u00edficos meios de resolver os conflitos? Continuar\u00e3o as pessoas a se reunir nos vilarejos montanhosos a fim de recitar poemas em seu idioma pr\u00f3prio, e preservar tradi\u00e7\u00f5es seculares? Se isto ocorrer, talvez aqueles que chegarem ao topo das colinas de calc\u00e1rio, ainda v\u00e3o poder ouvir o canto do tentilh\u00e3o-de-socotra, outra das maravilhosas e estranhas formas de vida s\u00f3 encontradas nessa ilha.<\/p>\n<p>Fonte: National Geographic Brasil &#8211;\u00a0 Mel White<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A isolada Socotra, a 350 quil\u00f4metros ao largo do I\u00eamen, abriga uma imensa variedade de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A isolada Socotra, a 350 quil\u00f4metros ao largo do I\u00eamen, abriga uma imensa variedade de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38722"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38722\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}