{"id":38717,"date":"2016-03-12T11:19:26","date_gmt":"2016-03-12T14:19:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=38717"},"modified":"2016-03-12T11:19:26","modified_gmt":"2016-03-12T14:19:26","slug":"deslizamentos-e-enchentes-culpar-as-chuvas-mais-uma-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/deslizamentos-e-enchentes-culpar-as-chuvas-mais-uma-vez\/","title":{"rendered":"Deslizamentos e enchentes: culpar as chuvas mais uma vez?"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo-materia colunas-e-blogs\">\n<div>\n<h3 class=\"chamada\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg\" rel=\"attachment wp-att-38718\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-38718\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As trag\u00e9dias s\u00e3o recorrentes e anunciadas, resultado do descompromisso do poder p\u00fablico na quest\u00e3o, defende ge\u00f3logo em artigo<\/h3>\n<div class=\"data-materia\">\n<div class=\"autor\">\u00c1LVARO RODRIGUES DOS SANTOS*<\/div>\n<\/div>\n<p>A cada novo per\u00edodo chuvoso voltam \u00e0s manchetes as mortes e sinistros associados a deslizamentos de encostas e enchentes. Trag\u00e9dias insistentemente anunciadas, mas anualmente recorrentes dado ao descompromisso com que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica em seus tr\u00eas n\u00edveis tem lidado com a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos est\u00e3o cansados de saber que esses fen\u00f4menos decorrem diretamente das formas equivocadas com que se expandem nossas cidades, impermeabilizando seus territ\u00f3rios, canalizando e retificando seus rios, ocupando terrenos como encostas de alta declividade e margens de c\u00f3rrego que n\u00e3o poderiam nunca ser ocupados dada sua j\u00e1 alt\u00edssima suscetibilidade natural a riscos, mas tamb\u00e9m ocupando terrenos de m\u00e9dia declividade, onde a ocupa\u00e7\u00e3o urbana seria aceit\u00e1vel, com a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas construtivas e urban\u00edsticas totalmente inadequadas, que acabam transformando mesmo essas \u00e1reas em um verdadeiro canteiro de situa\u00e7\u00f5es de risco.<\/p>\n<p>E com toda essa realidade, escancarada anualmente pelo meio t\u00e9cnico e repercutida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a pungente verdade \u00e9 que nossas autoridades sequer tomaram a provid\u00eancia m\u00ednima e cristalina de parar de errar, ou seja, parar de cometer os erros que est\u00e3o na exata origem causal dessas trag\u00e9dias de cunho geol\u00f3gico, geot\u00e9cnico e hidrol\u00f3gico. Por consequ\u00eancia, o que se v\u00ea \u00e9,em vez da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de \u00e1reas de risco, a sua cont\u00ednua multiplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como resultado, uma perspectiva de futuro assustadora: as trag\u00e9dias em \u00e1reas de risco tendem a crescer em frequ\u00eancia e letalidade, na exata propor\u00e7\u00e3o do crescimento de nossas cidades.<\/p>\n<p>Dentro desse panorama \u00e9 preciso que se compreenda que do ponto de vista t\u00e9cnico n\u00e3o h\u00e1 lacuna alguma nos conhecimentos b\u00e1sicos de geologia, geotecnia e hidrologia necess\u00e1rios para a boa solu\u00e7\u00e3o desses problemas. Os fen\u00f4menos de enchentes e deslizamentos nos mais variados contextos geol\u00f3gicos do pa\u00eds s\u00e3o j\u00e1 bastante estudados e conhecidos. Os instrumentos que permitir\u00e3o um correto planejamento do uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo urbano s\u00e3o dominados, como a essencial Carta Geot\u00e9cnica, um mapa municipal que informa sobre os locais que n\u00e3o poder\u00e3o nunca ser ocupados e as \u00e1reas que poder\u00e3o ser ocupadas caso sejam utilizadas as t\u00e9cnicas adequadas para tanto. Por paradoxal que possa parecer, o Brasil \u00e9 lideran\u00e7a internacional nesse campo tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Vale registrar apenas que n\u00e3o possu\u00edmos no pa\u00eds uma cultura t\u00e9cnica arquitet\u00f4nica e urban\u00edstica especialmente adequada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de terrenos com maior declividade. Isso se verifica tanto nas formas espont\u00e2neas utilizadas pela pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o de baixa renda na auto-constru\u00e7\u00e3o de suas moradias, como tamb\u00e9m em projetos privados ou p\u00fablicos\u00a0 de maior porte que contam com o suporte t\u00e9cnico de arquitetos e urbanistas e t\u00eam, apesar do erro b\u00e1sico e grave de concep\u00e7\u00e3o, sua implanta\u00e7\u00e3o autorizada pelos \u00f3rg\u00e3os municipais respons\u00e1veis para tanto.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, ou seja, no empirismo popular e nos projetos mais elaborados, prevalece infelizmente a cultura t\u00e9cnica da \u00e1rea plana. Isto \u00e9, atrav\u00e9s de cortes e aterros obtidos por opera\u00e7\u00f5es de terraplenagem nas encostas obsessivamente se procura produzir plat\u00f4s planos sobre os quais ir\u00e1 ser edificado o empreendimento. Um fatal erro t\u00e9cnico de concep\u00e7\u00e3o. Esse tem sido o cacoete t\u00e9cnico que est\u00e1 invariavelmente presente na maci\u00e7a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de risco nas cidades brasileiras que, de alguma forma, crescem sobre relevos mais acidentados.<\/p>\n<p>Vale insistir, no entanto, a maior dificuldade para a boa solu\u00e7\u00e3o desses problemas continua a residir na falta de vontade\u00a0 e no descompromisso das administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em finalmente decidir ordenar corretamente a expans\u00e3o urbana de suas cidades. Nesse mister \u00e9 fundamental perceber que as popula\u00e7\u00f5es mais pobres somente deixar\u00e3o de optar por \u00e1reas de risco para instalar suas moradias quando o poder p\u00fablico, atrav\u00e9s de ousados Programas Habitacionais, lhes oferecer alternativas dignas e seguras de moradia na mesma faixa de custos que ela hoje s\u00f3 encontra na ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de risco. Essa \u00e9 a verdade nua e crua da quest\u00e3o. Ou essa equa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 resolvida ou a instala\u00e7\u00e3o de novas situa\u00e7\u00f5es de risco sempre superar\u00e3o em muito o esfor\u00e7o em desarmar as j\u00e1 instaladas.<\/p>\n<p>Em resumo, \u00e9 preciso que as autoridades p\u00fablicas deixem de irresponsavelmente ver a quest\u00e3o das \u00e1reas de risco como um problema de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, por mais her\u00f3icas que sejam essas corpora\u00e7\u00f5es, e passem a entend\u00ea-la como um elemento pr\u00f3prio do campo das Pol\u00edticas Habitacionais e de Planejamento Urbano. Somente sob essa \u00f3tica a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica passar\u00e1 ao comando ativo da situa\u00e7\u00e3o, deixando de agir apenas a reboque das trag\u00e9dias, situa\u00e7\u00e3o em que lhes sobra apenas a descompostura esperta de, como sempre, culpar as chuvas pelos infort\u00fanios.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"O ge\u00f3logo \u00c1lvaro Rodrigues dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/qOYOCm2LOq5A9ydqU_KYEVSQYgk=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/03\/11\/alvaro-r-santos.jpg\" alt=\"O ge\u00f3logo \u00c1lvaro Rodrigues dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal)\" width=\"640\" height=\"400\" \/><label class=\"foto-legenda\">O ge\u00f3logo \u00c1lvaro Rodrigues dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal)<\/label><\/div>\n<p><em>*\u00c1lvaro Rodrigues dos Santos \u00e9 ge\u00f3logo, ex-diretor de Planejamento e Gest\u00e3o do IPT\u00a0 &#8211; Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas e autor do livro \u201cEnchentes e Deslizamentos: Causas e Solu\u00e7\u00f5es\u201d, entre outros. E-mail de contato: santosalvaro@uol.com.br<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As trag\u00e9dias s\u00e3o recorrentes e anunciadas, resultado do descompromisso do poder p\u00fablico na quest\u00e3o, defende<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":38718,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/enchentes.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As trag\u00e9dias s\u00e3o recorrentes e anunciadas, resultado do descompromisso do poder p\u00fablico na quest\u00e3o, defende","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38717"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38717\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}