{"id":38551,"date":"2016-03-10T07:00:18","date_gmt":"2016-03-10T10:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=38551"},"modified":"2016-03-09T21:26:51","modified_gmt":"2016-03-10T00:26:51","slug":"china-pode-ja-ter-passado-pico-de-emissao-de-gases-de-efeito-estufa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/china-pode-ja-ter-passado-pico-de-emissao-de-gases-de-efeito-estufa\/","title":{"rendered":"China pode j\u00e1 ter passado pico de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg\" rel=\"attachment wp-att-38552\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-38552\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Crescimento a \u201ctaxas chinesas\u201d ficou no passado e foco agora \u00e9 qualidade, dizem pesquisadores brit\u00e2nicos; emiss\u00e3o anual de gases de efeito estufa pode n\u00e3o subir mais acima dos n\u00edveis de 2014<\/em><\/p>\n<p>A locomotiva do planeta est\u00e1 mudando de rumo, com consequ\u00eancias profundas para a economia e o clima global. A China parece ter entrado numa nova fase de seu desenvolvimento, e pode ter passado j\u00e1 em 2014 o pico de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa que seu governo se comprometeu a atingir at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>A aposta \u00e9 de uma an\u00e1lise publicada nesta segunda-feira (7\/3) pelo Instituto Grantham, vinculado \u00e0 London School of Economics e dirigido por Nicholas Stern, ex-economista-chefe do governo brit\u00e2nico. Nela, Stern e seu colega Fergus Green argumentam que dificilmente a China ver\u00e1 novamente o tal crescimento \u201ca taxas chinesas\u201d como o do per\u00edodo 2000-2013. Naquela fase, o consumo de carv\u00e3o mineral triplicou gra\u00e7as ao investimento em ind\u00fastrias pesadas e altamente intensivas em energia, como siderurgia e cimento, \u00e0 explos\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil e \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a com foco em exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Green e Stern, o gigante asi\u00e1tico entrou em um \u201cnovo normal\u201d, ora voltado a crescer com qualidade \u2013 e n\u00e3o mais em quantidade. A nova pol\u00edtica, refletida no Plano Quinquenal publicado pelo governo chin\u00eas neste fim de semana, est\u00e1 orientada em torno de quatro eixos: servi\u00e7os, inova\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e sustentabilidade ambiental. Todos os quatro s\u00e3o boas not\u00edcias para o clima.<\/p>\n<p>Em pouco mais de uma d\u00e9cada, o modelo econ\u00f4mico anterior transformou a China no maior emissor global de carbono, no maior usu\u00e1rio de petr\u00f3leo e no consumidor de metade do carv\u00e3o produzido no planeta. O crescimento do PIB foi vertiginoso, na casa dos dois d\u00edgitos ao ano. O consumo prim\u00e1rio de energia para bancar essa decolagem foi igualmente brutal: cresceu 8% ao ano no per\u00edodo, o que deu origem \u00e0 contabilidade quase mitol\u00f3gica de uma usina a carv\u00e3o inaugurada por semana.<\/p>\n<p>Isso levou a China a ultrapassar os EUA em 2006 como maior poluidor do planeta (embora as emiss\u00f5es per capita da China ainda sejam muito inferiores \u00e0s americanas) e jogou as emiss\u00f5es chinesas de CO2 para 10,5 bilh\u00f5es de toneladas em 2014, segundo a Ag\u00eancia Holandesa de Avalia\u00e7\u00e3o Ambiental.<\/p>\n<p><strong>Polui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A conta dessa farra foi passada em parte para os 7 bilh\u00f5es de terr\u00e1queos, que nos pr\u00f3ximos anos pagar\u00e3o a externalidade do crescimento chin\u00eas na forma de impactos do aquecimento global. Mas a primeira parcela desse d\u00e9bito coube \u00e0 pr\u00f3pria China: aumento da desigualdade, divis\u00f5es internas numa sociedade que sempre tentou se mostrar monol\u00edtica ao mundo e uma d\u00edvida na economia que quadruplicou apenas entre 2007 e 2014, de US$ 7 trilh\u00f5es para US$ 28 trilh\u00f5es (sim, voc\u00ea leu certo: trilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Mas, o pior de tudo, o novo modelo legou aos chineses uma trag\u00e9dia de sa\u00fade p\u00fablica causada pela polui\u00e7\u00e3o do ar. Segundo Green e Stern, somente as emiss\u00f5es de material particulado fino causam 1,6 milh\u00e3o de mortes precoces por ano \u2013 4.000 por dia \u2013 no pa\u00eds. O preju\u00edzo total decorrente disso equivale a 10% do PIB chin\u00eas. Ou seja, a insustentabilidade ambiental tamb\u00e9m \u00e9 econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Analisando dados econ\u00f4micos e energ\u00e9ticos da China, os brit\u00e2nicos teorizam que o novo modelo j\u00e1 est\u00e1 em curso. Ele come\u00e7a com a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento, de 10,5% ao ano para os atuais 6% ao ano, e prossegue no setor de energia. O crescimento das energias n\u00e3o-f\u00f3sseis entre 2010 e 2014 foi de 73% \u2013 somente em 2014 foram instalados 21 gigawatts em energia e\u00f3lica e 11 em solar (algo como tr\u00eas vezes a capacidade nominal da usina de Belo Monte). As mudan\u00e7as na matriz energ\u00e9tica respondem a tr\u00eas imperativos: controlar a polui\u00e7\u00e3o, reduzir a depend\u00eancia do petr\u00f3leo importado e produzir tecnologias de zero carbono e de alto valor agregado.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 que o consumo prim\u00e1rio de energia despencou de 8% ao ano na m\u00e9dia do per\u00edodo anterior para 2,2% em 2014 e menos de 1% em 2015. Da\u00ed a decis\u00e3o do governo, <a href=\"http:\/\/blog.observatoriodoclima.eco.br\/?p=2650#sthash.tgqHaltu.dpbs\" target=\"_blank\">anunciada na semana passada<\/a>, de fechar usinas termel\u00e9tricas a carv\u00e3o e sider\u00fargicas, demitir 1,8 milh\u00e3o de trabalhadores e banc\u00e1-los para n\u00e3o trabalhar.<\/p>\n<p>O impacto do \u201cnovo normal\u201d sobre as emiss\u00f5es do planeta foi direto: em 2014, segundo o <a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/tarde-demais-para-o-acordo-do-clima\/\" target=\"_blank\">Global Carbon Project<\/a>, as emiss\u00f5es globais ficaram quase estagnadas, com crescimento de 0,6%. E a previs\u00e3o para 2015 \u00e9 de nova estagna\u00e7\u00e3o ou mesmo um ligeiro decl\u00ednio.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s provavelmente vamos continuar a ver a continua\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de 2014-2015 no decl\u00ednio da intensidade energ\u00e9tica [da China]\u201d, afirmam Green e Stern.<\/p>\n<p>Dados os sinais da economia pol\u00edtica do gigante asi\u00e1tico, os economistas brit\u00e2nicos preveem que a China provavelmente nunca mais voltar\u00e1 a crescer no ritmo anterior. A aposta da dupla \u00e9 num aumento do PIB de 6% a 7% ao ano nesta d\u00e9cada e de 3% a 6% a partir de 2020.<\/p>\n<p>Nesse contexto, pa\u00edses que dependem da compra de produtos prim\u00e1rios como a\u00e7o, min\u00e9rios e petr\u00f3leo pela China (como por exemplo aquele que fica entre o Uruguai e a Venezuela) podem esperar sentados por um outro boom de commodities.<\/p>\n<p>Se por um lado a desacelera\u00e7\u00e3o da China dever\u00e1 quebrar o Brasil, por outro ela tamb\u00e9m poder\u00e1 salvar a implementa\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris. \u201c\u00c9 bem poss\u00edvel que as emiss\u00f5es caiam modestamente, implicando que 2014 foi o pico\u201d, escrevem os brit\u00e2nicos, afirmando que a meta anunciada pela China antes do Acordo de Paris \u2013 atingir pico de emiss\u00f5es at\u00e9 2030 \u2013 foi provavelmente muito conservadora.<\/p>\n<p>Melhor ainda: aparentemente, prosseguem, a China est\u00e1 num curso quase irremedi\u00e1vel de decl\u00ednio de emiss\u00f5es: para crescer 6% ao ano na pr\u00f3xima d\u00e9cada, o pa\u00eds precisar\u00e1 fazer reformas que implicam em mais inova\u00e7\u00e3o e mais energia limpa; se crescer 3%, as emiss\u00f5es naturalmente cair\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa surreal do come\u00e7o deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Menos carv\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O novo Plano Quinquenal da China, cuja primeira vers\u00e3o foi apresentada ao parlamento chin\u00eas no s\u00e1bado (5\/3), aparentemente corrobora a an\u00e1lise dos brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>A China prop\u00f5e limitar o consumo de energia em 5 bilh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o em 2020, al\u00e9m de reduzir o uso de energia em 15% e a intensidade de carbono em 18%, de acordo com a ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters. O governo chin\u00eas considera uma taxa de crescimento de 6,5% a 7% ao ano no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro chin\u00eas, Li Keqiang, afirmou que, em 2020, 60% do crescimento econ\u00f4mico da China vir\u00e1 de melhorias em ci\u00eancia e tecnologia. \u201cPrecisamos nos mover mais r\u00e1pido para transformar a China em um fabricante de produtos avan\u00e7ados e de qualidade\u201d, disse. Em 2015, j\u00e1 houve uma queda de 3,7% no uso de carv\u00e3o na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, com ascens\u00e3o das renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>O plano para os pr\u00f3ximos cinco anos cita uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, por meio de um sistema de energia \u201cmoderno, limpo, de baixo carbono e eficiente\u201d, segundo a imprensa estatal chinesa. Tamb\u00e9m h\u00e1 destaque para o mercado de ve\u00edculos el\u00e9tricos. As medidas dependem de aprova\u00e7\u00e3o do Parlamento.<\/p>\n<p>As metas incluem ainda \u201caplicar o mais estrito sistema de prote\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, com esfor\u00e7os do governo, das empresas e do p\u00fablico, honrar os compromissos clim\u00e1ticos e participar profundamente na gest\u00e3o global do clima. A China apresentou \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas o compromisso de reduzir em at\u00e9 65% suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa por unidade do PIB at\u00e9 2030 em rela\u00e7\u00e3o a 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crescimento a \u201ctaxas chinesas\u201d ficou no passado e foco agora \u00e9 qualidade, dizem pesquisadores brit\u00e2nicos;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":38552,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/poluicao_china.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Crescimento a \u201ctaxas chinesas\u201d ficou no passado e foco agora \u00e9 qualidade, dizem pesquisadores brit\u00e2nicos;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38551"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38551\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}