{"id":38355,"date":"2016-03-06T14:00:14","date_gmt":"2016-03-06T17:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=38355"},"modified":"2016-03-05T21:35:54","modified_gmt":"2016-03-06T00:35:54","slug":"do-lixo-a-mesa-grupo-faz-refeicao-gourmet-sem-gastar-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/do-lixo-a-mesa-grupo-faz-refeicao-gourmet-sem-gastar-dinheiro\/","title":{"rendered":"Do lixo \u00e0 mesa: grupo de moradores faz refei\u00e7\u00e3o &#8220;gourmet&#8221; sem gastar dinheiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg\" rel=\"attachment wp-att-38356\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-38356\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nada de pratinhos coloridos, arranjos de frutas, o pastel convidativo ao lado da banca de peixe. \u00c9 fim de feira. Tem fruta amassada no ch\u00e3o, correria para desmontar as barracas e rua quase vazia, cheirando a peixe, esperando a limpeza passar. Para um grupo de moradores do bairro de Perdizes, zona oeste de S\u00e3o Paulo, \u00e9 a hora que a feira come\u00e7a.<\/p>\n<p>Toda quinta, depois do meio-dia, eles chegam na rua Caiubi para ziguezaguear entre arma\u00e7\u00f5es de ferro e madeira amontoadas no ch\u00e3o. Folhas misturadas em um saco aqui, v\u00e1rios mam\u00f5es com as pontinhas amassadas num caixote ali, um abacaxi abandonado na sarjeta, e o carrinho vai enchendo.<\/p>\n<p>Uns chamam de xepa, outros falam em catar comida, quem est\u00e1 na moda da sustentabilidade conceitua como &#8220;reaproveitar&#8221;. A turma aqui chama de &#8220;freeganismo&#8221; &#8212; n\u00e3o \u00e9 mero vegetarianismo e nem alguma religi\u00e3o, \u00e9 comer sem pagar (free, em ingl\u00eas) vegetais\u00a0(vegan, de alimenta\u00e7\u00e3o vegana, sem origem animal)\u00a0que estavam indo para o lixo . &#8220;Ao coletar o que \u00e9 descartado, damos sobrevida ao alimento, podemos reinserir ele na economia&#8221;, diz a cozinheira Raquel Blaque, 37 anos, que participa da xepa.<\/p>\n<p>O carrinho voltou cheio para a casa, onde s\u00e3o nove bocas para alimentar. &#8220;A comida coletada d\u00e1 para a semana toda e ainda sobra&#8221;, dizem. Em cerca de uma hora de coleta feita por dois integrantes do grupo, foi poss\u00edvel encher sete caixas de frutas, verduras e legumes. Havia 15 mam\u00f5es formosa em bom estado, cerca de 60 tomates fechados em saquinhos e diversas laranjas, caquis, maracuj\u00e1s, carambolas, berinjelas e verduras. Tamb\u00e9m tinha as cascas dispensadas da ab\u00f3bora vendida em bandejinha e os aspargos dados pelo feirante. E quanto foi gasto em tudo isso? Nada. Tudo foi adquirido de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo os temperos, como o melado com mostarda feito com rapadura que seria usado em um prato, foram obtidos sem custos. &#8220;Achamos meia saca de rapadura de 50 kg na zona cerealista [\u00e1rea de com\u00e9rcio de cereais em S\u00e3o Paulo], jogada fora s\u00f3 porque estava quebrada&#8221;, conta Sherlon Assis, de 35 anos.<\/p>\n<p>S\u00e3o os ingredientes coletados que dizem como ser\u00e1 o prato. A receita \u00e9 n\u00e3o seguir receita. Neste dia, o card\u00e1pio trazia um prato alem\u00e3o que podemos chamar de <strong><a href=\"http:\/\/tvuol.uol.com.br\/video\/alimento-que-ia-para-o-lixo-vira-salada-concreta-e-panqueca-veja-receita-04024D1A3468DCB95326\">panqueca de batata e mandioquinha<\/a><\/strong>, acompanhado de uma &#8220;<strong><a href=\"http:\/\/tvuol.uol.com.br\/video\/alimento-que-ia-para-o-lixo-vira-salada-concreta-e-panqueca-veja-receita-04024D1A3468DCB95326\">salada concreta<\/a><\/strong>&#8220;, assim chamada por suas folhas e legumes virem do asfalto em que foram encontrados.<\/p>\n<p>Para Raquel, &#8220;cozinhar \u00e9 saber cortar de certa maneira, combinar temperos de tal jeito, usar o que se tem&#8221;. E, claro, saber selecionar o que n\u00e3o est\u00e1 estragado e limpar os alimentos.<\/p>\n<p>Os moradores da casa usam tintura de iodo a 2% &#8212; que pode ser adquirido em farm\u00e1cias &#8212; dilu\u00eddo em \u00e1gua para retirar res\u00edduos e agrot\u00f3xicos. As partes amassadas dos frutos e as bordas pretas das folhas s\u00e3o cortadas e jogadas na composteira que possuem no quintal.<\/p>\n<h3>&#8220;Pegar comida do ch\u00e3o \u00e9 feio?&#8221;<\/h3>\n<p>Ruas, feiras e geladeiras, quando bem compreendidas, podem prover alimenta\u00e7\u00e3o completa e saud\u00e1vel, acreditam os integrantes da turma da xepa. &#8220;Nossa ideia \u00e9 mostrar que qualquer um pode fazer um &#8216;x-geladeira&#8217; de qualidade. Queremos que as pessoas possam entender os alimentos que t\u00eam ao redor e escolher o que comem&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Raquel Blaque, a Nega, como \u00e9 mais conhecida, \u00e9 chef e representa uma gastronomia criativa. N\u00e3o gosta muito dos termos. &#8220;Quem cozinha \u00e9 cozinheiro. E gastronomia \u00e9 comida&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Na inf\u00e2ncia em Cariacica (ES), Raquel acompanhava o pai pegar caranguejo e sururu no mangue. Conhecia iguarias e pratos &#8220;finos&#8221; que a m\u00e3e trazia da casa dos patr\u00f5es, onde trabalhava como faxineira. S\u00f3 n\u00e3o entendia porque os pais sofriam por n\u00e3o conseguir comprar o suficiente na feira, enquanto via alguns amigos pegando comida que caia no ch\u00e3o. &#8220;Por que do patr\u00e3o voc\u00ea pode receber e da rua n\u00e3o? Por que \u00e9 feio?&#8221;<\/p>\n<p>Quando a reportagem do <strong>UOL<\/strong> acompanhou o grupo na feira, tamb\u00e9m fazia sua xepa da semana uma fam\u00edlia, com tr\u00eas crian\u00e7as, da Brasil\u00e2ndia, bairro da zona norte paulistana. Uma das crian\u00e7as, uma menina, levava um abacaxi debaixo do bra\u00e7o e se escondia da c\u00e2mera da reportagem. &#8220;Voc\u00ea acha feio pegar comida da feira?&#8221;, perguntou Raquel para a crian\u00e7a. &#8220;Feio \u00e9 desperdi\u00e7ar, jogar comida fora. Voc\u00ea \u00e9 linda, o que voc\u00ea faz tamb\u00e9m&#8221;, completou.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><span class=\"credito\">Fernando Cymbaluk\/UOL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/74\/2016\/02\/29\/a-cozinheira-raquel-blaque-de-37-anos-1456772444634_615x300.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Raquel Blaque, a Nega, cozinhando na cal\u00e7ada<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada de pratinhos coloridos, arranjos de frutas, o pastel convidativo ao lado da banca de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":38356,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/mamao_lixo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nada de pratinhos coloridos, arranjos de frutas, o pastel convidativo ao lado da banca de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38355\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}