{"id":38235,"date":"2016-03-05T00:00:41","date_gmt":"2016-03-05T03:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=38235"},"modified":"2016-03-04T16:28:32","modified_gmt":"2016-03-04T19:28:32","slug":"acesso-a-educacao-e-renda-sao-determinantes-na-definicao-do-habito-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/acesso-a-educacao-e-renda-sao-determinantes-na-definicao-do-habito-alimentar\/","title":{"rendered":"Acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e renda s\u00e3o determinantes na defini\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito alimentar"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Juliana Masami Morimoto<\/p>\n<p><strong>\u201cUma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o tem uma escolaridade baixa, o que acaba refletindo em um menor conhecimento nas escolhas alimentares e faz com que as estas se pautem pelo apelo do marketing ou mesmo pelo pre\u00e7o\u201d, ressalta a nutricionista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i66.tinypic.com\/20paezd.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Imagem:\u00a0bemnutri.com.br<a href=\"http:\/\/mulheresperta.com.br\/\"><\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Recentemente um estudo realizado pela <strong>Escola de Administra\u00e7\u00e3o de empresas &#8211; EAE Business School<\/strong>, da <strong>Espanha<\/strong>, revelou que <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551801-brasileiros-estao-entre-os-maiores-consumidores-de-fast-food-do-mundo\" target=\"_blank\">o <strong>Brasil<\/strong> est\u00e1 no topo da lista<\/a> dos pa\u00edses que mais consomem <em><strong>fast food<\/strong><\/em> na Am\u00e9rica Latina. De acordo com a pesquisa, os brasileiros s\u00f3 perdem para os norte-americanos, os japoneses e os chineses no consumo desse tipo de alimento.<\/p>\n<p>Conforme ressalta, em entrevista por telefone \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>, a nutricionista e professora <strong>Juliana Masami Morimoto<\/strong>, esse h\u00e1bito acarreta um severo desequil\u00edbrio na dieta alimentar, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade m\u00e1xima de calorias que devem ser consumidas em um dia, quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade dos nutrientes ingeridos.<\/p>\n<p>\u201cNa maioria das ocasi\u00f5es, uma refei\u00e7\u00e3o simples de<strong> fast food<\/strong> &#8211; um lanche com refrigerante e uma batata frita, que \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica &#8211; pode fornecer, em termos de calorias, o que dever\u00edamos consumir ao longo da metade do dia, entretanto esse montante \u00e9 consumido em apenas uma refei\u00e7\u00e3o\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Outra classe de alimentos que t\u00eam sido consumidos com cada vez mais frequ\u00eancia s\u00e3o os <strong>industrializados<\/strong>, que tamb\u00e9m podem causar uma s\u00e9rie de doen\u00e7as, mas s\u00e3o a op\u00e7\u00e3o de muitas fam\u00edlias, em fun\u00e7\u00e3o da praticidade ou do menor custo. Desse modo, fatores como a renda familiar e o acesso ao conhecimento sobre como determinados alimentos interagem com o corpo se cruzam na defini\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos alimentares da popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, de acordo com <strong>Juliana<\/strong>, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a principal ferramenta para amparar a composi\u00e7\u00e3o de uma dieta saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o influencia, por exemplo, na interpreta\u00e7\u00e3o dos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/rotulos-confundem-o-consumidor-e-pouco-informam-sobre-quantidade-de-adocante-nos-alimentos-entrevista-especial-com-ana-paula-bortoletto-martins\/542601-rotulos-confundem-o-consumidor-e-pouco-informam-sobre-quantidade-de-adocante-nos-alimentos-entrevista-especial-com-ana-paula-bortoletto-martins\" target=\"_blank\"><strong>r\u00f3tulos dos produtos<\/strong><\/a>, que s\u00e3o fundamentais para auxiliar em uma escolha mais saud\u00e1vel. \u201cPrecisamos pensar em termos de preven\u00e7\u00e3o. Portanto, o que precisa mesmo \u00e9 uma divulga\u00e7\u00e3o maior de como as pessoas deveriam ler essas informa\u00e7\u00f5es. Existem cartilhas e folders por parte da <strong>Anvisa<\/strong> explicando a rotulagem, mas isso n\u00e3o chega \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m s\u00e3o elaboradas formas de educar a popula\u00e7\u00e3o, mas essas iniciativas n\u00e3o atingem a maioria. Temos a\u00ed um longo caminho a percorrer\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto<\/strong> \u00e9 graduada em Nutri\u00e7\u00e3o, mestre em Sa\u00fade P\u00fablica e doutora em Ci\u00eancias, pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP. Atualmente \u00e9 docente e pesquisadora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i64.tinypic.com\/a3l3jr.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto:\u00a0media.licdn.com<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line \u2013 O que revela a respeito dos h\u00e1bitos alimentares dos brasileiros a marca de primeiro lugar no ranking de consumo de fast food na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> Isso demonstra que o brasileiro est\u00e1 se alimentando mais fora de casa, at\u00e9 porque passa mais tempo fora. As pessoas n\u00e3o estudam e nem trabalham perto de suas resid\u00eancias e por isso precisam consumir alimentos de alguma forma, muitas vezes mais de uma refei\u00e7\u00e3o, fora do domic\u00edlio. O que acontece \u00e9 que, com frequ\u00eancia, as pessoas procuram refei\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas por conta do tempo, da dist\u00e2ncia, do tr\u00e2nsito etc.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes essas refei\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas, que seriam os <em><strong>fast foods<\/strong><\/em>, t\u00eam um teor maior de gordura, gordura saturada, e, consequentemente, calorias e at\u00e9 uma quantidade muito grande de carboidratos, o que traz grandes inadequa\u00e7\u00f5es alimentares.<\/p>\n<p>Na maioria das ocasi\u00f5es, uma refei\u00e7\u00e3o simples de <em><strong>fast food<\/strong><\/em> &#8211; um lanche com refrigerante e uma batata frita, que \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica &#8211; pode fornecer, em termos de calorias, o que dever\u00edamos consumir ao longo da metade do dia, entretanto esse montante \u00e9 consumido em apenas uma refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; E sobre a quest\u00e3o social e educacional, o que essa posi\u00e7\u00e3o evidencia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> Existem os dois lados. Em minha pesquisa de mestrado, em 2005, avaliando a qualidade da dieta de uma amostra representativa da<strong> Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo<\/strong>, conseguimos observar que quanto maior a <strong>escolaridade<\/strong> do chefe da fam\u00edlia, melhor \u00e9 a qualidade da dieta. Sabemos que temos uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o que ainda tem uma escolaridade baixa, o que acaba refletindo em um menor conhecimento nas escolhas alimentares e faz com que, em muitas circunst\u00e2ncias, as escolhas se pautem pelo <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530015-alimentos-0-km-alem-do-marketing-artigo-de-esther-vivas\" target=\"_blank\">apelo do marketing<\/a> ou mesmo pelo pre\u00e7o. Portanto, isso faz com que as pessoas, em algumas oportunidades, n\u00e3o saibam que est\u00e3o fazendo as escolhas erradas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que tipos de doen\u00e7as mais s\u00e9rias podem acometer a popula\u00e7\u00e3o que consome com frequ\u00eancia esse tipo de alimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> A primeira delas \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/546202-brasil-pode-se-tornar-pais-mais-obeso-do-mundo-em-15-anos\" target=\"_blank\"><strong>obesidade<\/strong><\/a>, tanto que temos visto um aumento na popula\u00e7\u00e3o brasileira do n\u00famero de pessoas com excesso de peso e obesas. Al\u00e9m disso, temos doen\u00e7as que podem vir sozinhas ou estar associadas a esse excesso de peso, que seriam as dislipidemias, como <strong>colesterol<\/strong> alto, <strong>triglicer\u00eddeos<\/strong> alto, podendo desenvolver <strong>hipertens\u00e3o<\/strong> &#8211; j\u00e1 que o fast food tem tamb\u00e9m um alto teor de s\u00f3dio, se pensarmos em uma batata frita com bastante sal, ou mesmo um lanche, como o hamb\u00farguer, que tem um alto teor de s\u00f3dio no queijo e no bacon, por exemplo \u2013 e tamb\u00e9m o <strong>diabetes<\/strong> <strong>mellitus<\/strong>, se pensarmos em um alto consumo de carboidratos, principalmente nas bebidas, que acabam sendo aquelas a\u00e7ucaradas, como os refrigerantes ou n\u00e9ctares, que s\u00e3o sucos com alto teor de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cUma refei\u00e7\u00e3o simples de fast food pode fornecer, em termos de calorias, o que dever\u00edamos consumir ao longo da metade do dia\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que implica, em termos de sa\u00fade p\u00fablica, esse consumo exagerado de fast food?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> Isso faz com que tenhamos pessoas com as doen\u00e7as anteriormente mencionadas, que seriam as <strong>doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis<\/strong>, cada vez mais cedo. Ent\u00e3o, com frequ\u00eancia, estamos vendo crian\u00e7as e adolescentes j\u00e1 com altera\u00e7\u00f5es em exames, mostrando uma hipercolesterolemia, uma hipertrigliceridemia. Isso significa uma demanda maior para o sistema de sa\u00fade, principalmente para o <strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade \u2013 SUS<\/strong>.<\/p>\n<p>Sabemos que grande parcela da popula\u00e7\u00e3o depende do <strong>SUS<\/strong>, e sabemos que o nosso sistema de sa\u00fade \u00e9 prec\u00e1rio em termos de atendimento, ou seja, as pessoas demoram muito para conseguir marcar consultas e isso traz uma defici\u00eancia no atendimento adequado de sa\u00fade dessas pessoas e no tratamento dessas doen\u00e7as. Assim, acaba realmente inflando nosso sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Pesquisas tamb\u00e9m apontam o consumo exagerado de alimentos industrializados. Por que cada vez mais se consome esses alimentos e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias para a sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> O aumento do consumo de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540993-alimentos-ultraprocessados-sao-ruins-para-as-pessoas-e-para-o-ambiente-diz-professor-da-fsp-usp\" target=\"_blank\"><strong>alimentos industrializados<\/strong><\/a> se comprova ao observarmos os dados de pesquisas realizadas ao longo de v\u00e1rios anos, como a <strong>Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares &#8211; POF<\/strong>, realizada pelo<strong> Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica \u2013 IBGE<\/strong>. Entendo que uma das principais raz\u00f5es desse acr\u00e9scimo \u00e9 a praticidade e o custo. Se pensarmos no consumo de <strong>refrigerantes<\/strong> h\u00e1 uns 20 ou 30 anos, por exemplo, era algo que nas fam\u00edlias acontecia esporadicamente, aos finais de semana, at\u00e9 por conta da menor disponibilidade \u2013 havia menos marcas \u2013 e o custo era alto, diferente de hoje, quando temos muitas marcas e algumas muito baratas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, <strong>fam\u00edlias de baixa renda<\/strong>, como eu disse, em geral t\u00eam menos acesso ao conhecimento necess\u00e1rio para saber se \u00e9 melhor consumir um suco de frutas industrializado ou comprar uma fruta e fazer um suco em casa; ou ent\u00e3o comprar um leite para fam\u00edlia, ao inv\u00e9s de comprar um refrigerante, que tem embalagens com dois litros a um pre\u00e7o bem baixo. Portanto, tem a quest\u00e3o do <strong>custo<\/strong> desses produtos que acabou sendo bastante reduzido.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 alguns trabalhos que constataram que a quest\u00e3o do consumo desse tipo de alimento poderia estar relacionada \u00e0 busca de aquisi\u00e7\u00e3o de status. Como h\u00e1 alguns anos as fam\u00edlias n\u00e3o conseguiam comprar industrializados como refrigerantes, iogurtes, bebidas l\u00e1cteas, congelados etc. e hoje em dia o custo se reduziu bastante, h\u00e1 o desejo de consumir esses produtos. Ent\u00e3o, tem uma rela\u00e7\u00e3o com a melhora do poder aquisitivo.<\/p>\n<p>O problema no aumento do consumo dos <strong>produtos industrializados<\/strong> varia conforme o tipo de alimento, pois existem produtos que t\u00eam a concentra\u00e7\u00e3o de alguns nutrientes que seriam prejudiciais \u00e0 sa\u00fade, por exemplo: se aumentamos o consumo de refrigerantes e bebidas do tipo n\u00e9ctar, que t\u00eam alto teor de a\u00e7\u00facar, estamos falando de um risco para um diabetes; se pensarmos em produtos prontos, como massas congeladas, e produtos semiprontos, o teor de s\u00f3dio \u00e9 bastante alto e estamos falando de um risco para uma hipertens\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>Outra categoria de produtos que tamb\u00e9m teve bastante aumento no consumo s\u00e3o os biscoitos e bolachas recheadas e a\u00ed estamos falando de um alto de teor de gordura e a\u00e7\u00facar. Tem uma quest\u00e3o da praticidade, mas tem tamb\u00e9m a quest\u00e3o do aumento do poder aquisitivo e da redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os desses produtos, que acabam influenciando as fam\u00edlias a inserir esses alimentos no dia a dia do carrinho de compras.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O aumento do poder aquisitivo n\u00e3o significou o aumento da op\u00e7\u00e3o por uma dieta mais equilibrada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> Na verdade, se observarmos teoricamente, quando os <strong>produtos industrializados<\/strong> come\u00e7aram a aumentar no mercado, o custo deles ainda era alto e quem come\u00e7ou a consumir primeiro foram as fam\u00edlias de alta renda, com melhor poder socioecon\u00f4mico. Com o passar do tempo, essas fam\u00edlias viram que as doen\u00e7as come\u00e7aram a chegar e, com a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos, por conta do grau de escolaridade, entenderam que n\u00e3o eram os alimentos mais adequados.<\/p>\n<p>Assim, pessoas com melhor <strong>n\u00edvel socioecon\u00f4mico<\/strong>, que s\u00e3o as pessoas com maior escolaridade, escolher\u00e3o os melhores alimentos. Elas comer\u00e3o produtos industrializados? Sim, mas como t\u00eam mais consci\u00eancia sobre tudo, inclusive sobre alimenta\u00e7\u00e3o, o consumo de frutas, verduras e legumes, que s\u00e3o itens caros de alimenta\u00e7\u00e3o, continua mantido.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma tentativa, no caso das bebidas, de comprar frutas para fazer sucos, ou polpas ou sucos concentrados, que possuem maior concentra\u00e7\u00e3o de frutas e n\u00e3o de a\u00e7\u00facares. Mas temos de observar que a popula\u00e7\u00e3o brasileira, a grande maioria, se pensarmos da classe m\u00e9dia para baixo, tem um percentual muito maior de pessoas com um menor n\u00edvel socioecon\u00f4mico e por isso este <strong>consumo dos industrializados<\/strong> \u00e9 maior.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; De que maneira a senhora avalia o sistema de legisla\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o que regulamenta a produ\u00e7\u00e3o dos alimentos industrializados e dos fast foods?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> Temos o <strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong> e dentro dele a <strong>Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria \u2013 Anvisa<\/strong>, que faz toda a legisla\u00e7\u00e3o relacionada a alimentos. N\u00f3s n\u00e3o temos nenhuma legisla\u00e7\u00e3o que pro\u00edba produtos com determinado teor de nutrientes; isso n\u00e3o existe e, at\u00e9 em termos de nutri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o adequado. O adequado seria que a popula\u00e7\u00e3o tivesse conhecimento para entender e saber escolher melhor os alimentos.<\/p>\n<p>Em termos de regulamenta\u00e7\u00e3o, os produtos em geral est\u00e3o normatizados; desde que tenham as informa\u00e7\u00f5es na rotulagem, como dados corretos sobre a validade, e a composi\u00e7\u00e3o do produto esteja atendendo as legisla\u00e7\u00f5es que regulamentam os padr\u00f5es de identidade e de qualidade, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ferida.<\/p>\n<p>A respeito da parte educativa de fazer com que a popula\u00e7\u00e3o saiba o que consumir, n\u00f3s temos algumas a\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. Por exemplo, o<strong> Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong> lan\u00e7ou, no ano passado, a revis\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542027-crescimento-dos-alimentos-ultraprocessados-o-fim-da-comida-caseira\" target=\"_blank\"><strong>guia alimentar brasileiro<\/strong><\/a>, que seria para mostrar como as pessoas devem compor seus pratos, como deve ser o consumo; tem uma parte bem interessante sobre a clacifica\u00e7\u00e3o dos produtos industrializados, mas talvez ainda precise de um esfor\u00e7o maior para que este tipo de informa\u00e7\u00e3o atinja toda a popula\u00e7\u00e3o. Muitas vezes vemos que isto fica no n\u00edvel acad\u00eamico, entre os alunos e os professores que t\u00eam acesso aos materiais, e em alguns momentos educativos em locais isolados, mas uma campanha grande n\u00f3s ainda n\u00e3o vemos, talvez at\u00e9 por falta de recursos.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cA escolha do alimento \u00e9 uma quest\u00e3o educacional para a popula\u00e7\u00e3o\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; De que maneira a senhora avalia a rotulagem nutricional dos fast foods e produtos industrializados, tanto em termos de quantidade e qualidade das informa\u00e7\u00f5es, quanto em rela\u00e7\u00e3o ao tipo de linguagem utilizada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> O que tem de informa\u00e7\u00e3o hoje em dia na <strong>rotulagem nutricional<\/strong> atende a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es suficientes, e mesmo em algumas lojas de<em><strong> fast food<\/strong> <\/em>\u00e9 poss\u00edvel consultar a tabela nutricional.<\/p>\n<p>H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es e de alguma forma consta o nome dos nutrientes, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel simplificar muito. Fala-se em caloria, energia, carboidrato, mas s\u00e3o termos que de alguma forma v\u00eam sendo divulgados na m\u00eddia e as pessoas acabam procurando o significado.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria alterar a <strong>informa\u00e7\u00e3o nutriciona<\/strong>l, pois ela est\u00e1 ali em percentual, quantidade, mas sim buscar promover formas de educar o consumidor a conseguir ler isso de maneira adequada.<\/p>\n<p>A pessoa at\u00e9 se familiariza com os termos, mas \u00e0s vezes n\u00e3o sabe que se h\u00e1 s\u00f3dio no alimento e ela \u00e9 hipertensa, realmente precisa observar esse elemento e o percentual que equivale \u00e0 sua quantidade m\u00e1xima de consumo em um dia; \u00e9 preciso ter aten\u00e7\u00e3o para isso. Portanto, ainda \u00e9 uma quest\u00e3o educacional para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que papel de fato a rotulagem desses alimentos cumpre na rela\u00e7\u00e3o com o consumidor? Que uso o consumidor faz dessa informa\u00e7\u00e3o oferecida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juliana Masami Morimoto \u2013<\/strong> O papel da rotulagem \u00e9 educativo, \u00e9 para fazer com que as pessoas saibam como escolher os produtos. Quando a <strong>rotulagem nutricional<\/strong> come\u00e7ou a se tornar obrigat\u00f3ria, aproximadamente entre os anos 1995 e 1996, pois antes disso n\u00e3o era uma regra, o objetivo era informar o consumidor sobre a composi\u00e7\u00e3o dos produtos, para ele conseguir escolher melhor. O que ainda falta para o consumidor entender \u00e9 o que significa aquela quantidade ou percentual de determinado elemento. Falta um pouco mais de conhecimento.<\/p>\n<p>As pessoas que j\u00e1 t\u00eam uma doen\u00e7a espec\u00edfica talvez j\u00e1 tenham mais orienta\u00e7\u00e3o para evitar os produtos que possuem uma quantidade grande de determinado nutriente, por exemplo: quem \u00e9 hipertenso recebeu a orienta\u00e7\u00e3o de um profissional de sa\u00fade de que ele deve olhar na embalagem do produto a <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541025-o-perigo-do-sal-a-maioria-de-nos-nem-sequer-sabe-o-quanto-de-sodio-consome\" target=\"_blank\">quantidade de s\u00f3dio<\/a><\/strong> e, quanto maior for a quantidade, mais ele deve tentar evitar aquele produto. Ent\u00e3o, quando se tem a doen\u00e7a j\u00e1 se est\u00e1 educado, mas a\u00ed \u00e9 tarde demais, a pessoa j\u00e1 est\u00e1 doente; precisamos pensar em termos de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, o que precisa mesmo \u00e9 uma divulga\u00e7\u00e3o maior de como as pessoas deveriam ler essas informa\u00e7\u00f5es. Existem cartilhas e folders por parte da <strong>Anvisa<\/strong> explicando a rotulagem, mas isso n\u00e3o chega \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m s\u00e3o elaboradas formas de educar a popula\u00e7\u00e3o, mas essas iniciativas n\u00e3o atingem a maioria. Temos a\u00ed um longo caminho a percorrer.<\/p>\n<p><em>Por Leslie Chaves<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Juliana Masami Morimoto \u201cUma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o tem uma escolaridade baixa,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Juliana Masami Morimoto \u201cUma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o tem uma escolaridade baixa,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38235"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38235\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}