{"id":37986,"date":"2016-02-29T15:43:13","date_gmt":"2016-02-29T18:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37986"},"modified":"2016-02-29T15:46:19","modified_gmt":"2016-02-29T18:46:19","slug":"geracao-de-conhecimento-aliada-da-conservacao-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/geracao-de-conhecimento-aliada-da-conservacao-ambiental-no-brasil\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o de conhecimento: aliada da conserva\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37987\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37987\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/em>Se o mapa-m\u00fandi fosse baseado na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de cada pa\u00eds, o nosso gigante Brasil teria seu territ\u00f3rio bastante reduzido, assim como nossos vizinhos latinos. De modo geral, todo o hemisf\u00e9rio sul seria comprimido, frente \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do norte, com destaque para Estados Unidos e pa\u00edses europeus, l\u00edderes globais em produ\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos.<\/p>\n<p><strong><em>Por Marcia Hirota*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-206453 alignnone\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mapa-conhecimento.png\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mapa-conhecimento-300x153.png 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mapa-conhecimento.png 609w\" alt=\"mapa-conhecimento\" width=\"720\" height=\"368\" \/><\/p>\n<p>O mapa acima pode causar estranhamento, mas \u00e9 ilustrativo para entendermos os desequil\u00edbrios na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento global e o papel que o Brasil ocupa nessa categoria.<\/p>\n<p>Em termos quantitativos, o pa\u00eds est\u00e1 em 13\u00ba lugar no ranking da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, de acordo com estudo da empresa Thomson Reuters, que re\u00fane a maior base de dados mundial sobre o tema. J\u00e1 na l<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/quatro_brasileiros_estao_entre_os_3126_mais_influentes_cientistas_do_mundo\/22553\/\" target=\"_blank\">ista dos 3.126 \u201cmais influentes<\/a>\u201d cientistas do mundo, em <a href=\"http:\/\/stateofinnovation.thomsonreuters.com\/worlds-most-influential-scientific-minds-report-2015\" target=\"_blank\">relat\u00f3rio publicado<\/a> pela mesma empresa, apenas quatro brasileiros s\u00e3o citados, com destaque para o doutor <a href=\"http:\/\/ciencia.estadao.com.br\/blogs\/herton-escobar\/visao-de-futuro-persistencia-e-muito-trabalho-a-receita-do-sucesso-de-paulo-artaxo\/\" target=\"_blank\">Paulo Artaxo<\/a>, que atua nas quest\u00f5es de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, meio ambiente e polui\u00e7\u00e3o urbana, entre outros temas.<\/p>\n<p>A qualidade da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil tem crescido e nas universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do pa\u00eds n\u00e3o faltam bons profissionais e pesquisadores. A aus\u00eancia \u00e9 de estrutura, recursos financeiros e mais investimentos para essa atividade.<\/p>\n<p>Em 2015, a crise econ\u00f4mica chegou tamb\u00e9m \u00e0 ci\u00eancia brasileira. N\u00e3o bastasse o ajuste fiscal que atingiu o or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), tivemos tamb\u00e9m redu\u00e7\u00e3o de recursos de programas como o Ci\u00eancias Sem Fronteiras e de funda\u00e7\u00f5es de amparo \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea ambiental, a pesquisa cient\u00edfica \u00e9 uma importante aliada para a qualifica\u00e7\u00e3o de iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e recursos naturais, restaura\u00e7\u00e3o florestal e recupera\u00e7\u00e3o de ecossistemas degradados. Apesar do cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel, felizmente podemos contar com cientistas e pesquisadores que t\u00eam gerado conhecimento e inova\u00e7\u00e3o de ponta nessa \u00e1rea, fundamentais tamb\u00e9m para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Muito se fala, por exemplo, do papel das florestas em minimizar as causas do aquecimento global, j\u00e1 que as \u00e1rvores t\u00eam a capacidade de retirar CO2 da atmosfera. Agora, voc\u00ea sabia que se a mata em quest\u00e3o for uma \u201cfloresta vazia\u201d, apesar de aparentemente intacta, essa capacidade \u00e9 drasticamente reduzida?<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2016\/01\/1725136-bichos-grandes-espalham-sementes-de-arvores-campeas-em-minimizar-efeito-estufa.shtml\" target=\"_blank\">estudo realizado por especialistas brasileiros<\/a>, liderado pelo professor Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, que aponta \u201cflorestas vazias\u201d como aquelas que perderam popula\u00e7\u00f5es de animais, entre eles os herb\u00edvoros de grande porte, como as antas e os muriquis. O motivo \u00e9 que esses animais s\u00e3o os \u00fanicos capazes de comer os frutos de maior propor\u00e7\u00e3o e dispersar essas sementes pela mata por meio do sistema digestivo. E h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os frutos e sementes grandes com as \u00e1rvores tamb\u00e9m de grande porte. S\u00e3o elas, justamente, as com maior capacidade de sequestrar o g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera.<\/p>\n<p>Essa perda progressiva de animais nos ambientes naturais \u00e9 um fen\u00f4meno mundial, mas no Brasil atinge principalmente as \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica, bioma historicamente mais impactado pela press\u00e3o humana. A boa not\u00edcia \u00e9 que estudos sobre esse tema j\u00e1 geraram projetos de reintrodu\u00e7\u00e3o de animais nativos, como um realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza.<\/p>\n<p>Outro exemplo de resist\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nacional \u00e9 o trabalho desenvolvido pela Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (SISBIOTA-Mar), que contou com apoio da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica e possui 3 frentes \u2013 ecologia, conectividade gen\u00e9tica e prospec\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas de organismos marinhos \u2013 e promove a integra\u00e7\u00e3o de pesquisas sobre recifes de corais para gerar aplica\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o marinha no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os recifes s\u00e3o considerados, juntamente com as florestas tropicais, um dos ambientes mais ricos e diversos do planeta, por abrigarem uma extraordin\u00e1ria variedade de plantas e animais. Uma em cada quatro esp\u00e9cies marinhas vive nos recifes, incluindo 65% dos peixes.<\/p>\n<p>No Brasil, os recifes de corais se distribuem por aproximadamente 3 mil km de costa, do Maranh\u00e3o ao Sul da Bahia e ilhas oce\u00e2nicas. Nessas \u00e1reas existem Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) que protegem uma parcela significativa desses ambientes e onde essas pesquisas s\u00e3o tamb\u00e9m desenvolvidas, sendo que algumas delas s\u00e3o ou j\u00e1 foram apoiadas pela Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, como a Reserva Biol\u00f3gica do Atol das Rocas (Rio Grande do Norte), a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Costa dos Corais (Pernambuco e Alagoas) e o Parque Nacional Marinho de Abrolhos (Bahia).<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica tem apoiado pesquisas cient\u00edficas ao longo de sua trajet\u00f3ria. Na \u00e1rea marinha, os editais do Fundo Costa Atl\u00e2ntica e os fundos pr\u00f3-Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o Marinha beneficiam, gra\u00e7as ao apoio de patrocinadores, diversos projetos de pesquisa nas \u00e1reas protegidas. No Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atl\u00e2ntica \u2013 Brasil Kirin, localizado na cidade de Itu, no interior de S\u00e3o Paulo, pesquisadores de v\u00e1rias universidades contribuem com estudos relacionados \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o florestal e esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica j\u00e1 foi em grande parte devastada sem sequer ser estudada. A cada ano, novas esp\u00e9cies s\u00e3o descobertas, mas h\u00e1 ainda muitas lacunas do conhecimento. Por isso, a SOS Mata Atl\u00e2ntica acredita que a pesquisa cient\u00edfica \u00e9 fundamental para os esfor\u00e7os e engajamento da sociedade para a conserva\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Temos um caminho longo, e com muitos percal\u00e7os, pela frente, mas as pesquisas n\u00e3o podem parar. Nossos pesquisadores, especialmente os grandes aliados da causa ambiental, j\u00e1 demonstraram que t\u00eam capacidade e est\u00e3o preparados para o desafio. Profissionais dedicados que devem ser ouvidos, valorizados e reconhecidos pelas autoridades e pela sociedade.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Marcia Hirota<\/strong> \u00e9 diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades. Saiba como apoiar as a\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o em www.sosma.org.br\/apoie.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o mapa-m\u00fandi fosse baseado na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de cada pa\u00eds, o nosso gigante Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37987,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/producao_cientifica.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Se o mapa-m\u00fandi fosse baseado na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de cada pa\u00eds, o nosso gigante Brasil","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37986"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37986\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}