{"id":37941,"date":"2016-02-29T07:00:45","date_gmt":"2016-02-29T10:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37941"},"modified":"2016-02-28T22:00:36","modified_gmt":"2016-02-29T01:00:36","slug":"por-que-terminamos-usando-gasolina-se-ja-tinhamos-carros-eletricos-e-a-vapor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-terminamos-usando-gasolina-se-ja-tinhamos-carros-eletricos-e-a-vapor\/","title":{"rendered":"Por que terminamos usando gasolina se j\u00e1 t\u00ednhamos carros el\u00e9tricos e a vapor?"},"content":{"rendered":"<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content clearfix\">\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37942\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37942\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os ve\u00edculos el\u00e9tricos est\u00e3o hoje na linha de frente da batalha do s\u00e9culo 21 para decidir como ser\u00e3o movidos os carros do futuro.<\/p>\n<p>E ainda que os rivais tenham pilhas de combust\u00edvel, energia solar, biocombust\u00edveis e g\u00e1s liquefeito, os el\u00e9tricos t\u00eam boa chance de ganhar.<\/p>\n<p>S\u00e3o suaves, silenciosos, limpos, modernos&#8230; modernos? Voltemos uns 100 anos.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um carro el\u00e9trico de 1915, um dos cerca de 40 mil produzidos em Detroit (EUA) pela empresa americana Anderson Electric Car Company, entre 1906 e 1940.<\/p>\n<p>Alcan\u00e7ava velocidade m\u00e1xima de 40 km\/h e andava por at\u00e9 80 km antes de demandar recarga de suas baterias de chumbo.<\/p>\n<p><strong>Nunca satisfeito<\/strong><br \/>\nMuitos acreditam que ve\u00edculos el\u00e9tricos sejam produto do mundo tecnol\u00f3gico atual, mas esses ve\u00edculos j\u00e1 eram a op\u00e7\u00e3o de muita gente nos EUA no come\u00e7o do s\u00e9culo passado. E n\u00e3o apenas nos EUA.<\/p>\n<p>Na verdade, o primeiro homem que superou os 100 km\/h realizou a fa\u00e7anha em Acheres, perto de Paris, em um ve\u00edculo el\u00e9trico de desenho pr\u00f3prio. O nome do motorista era Camille Jenatzy e o carro era o &#8220;Jamais Contente&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, como hoje, n\u00e3o estava claro naquela \u00e9poca qual m\u00e9todo de propuls\u00e3o impulsionaria o carro do futuro. O carro el\u00e9trico estava sob press\u00e3o nessa competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A todo vapor<\/strong><br \/>\nOs autom\u00f3veis de vapor funcionavam de forma similar a qualquer outra m\u00e1quina a vapor.<\/p>\n<p>A \u00e1gua fervia ao calor de bicos de querosene e o vapor era for\u00e7ado a entrar em cilindros onde empurrava pist\u00f5es, que faziam girar um eixo que movia as rodas. Isso era tudo o que quer\u00edamos de qualquer fonte de pot\u00eancia: um eixo girat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Explos\u00f5es eram uma preocupa\u00e7\u00e3o. A ilustra\u00e7\u00e3o mostra o primeiro acidente autombil\u00edstco fatal da hist\u00f3ria: o carro a vapor de John Scott Russell explodiu na Esc\u00f3cia em 1834, matando quatro pessoas.<\/p>\n<p>A possibilidade de explos\u00f5es preocupava, mas a energia do vapor era uma velha conhecida, em quem as pessoas confiavam.<\/p>\n<p>Havia acompanhado a industrializa\u00e7\u00e3o desde o s\u00e9culo 18 e havia tornado poss\u00edvel o &#8220;milagre&#8221; dos trens.<\/p>\n<p>O vapor era algo que as pessoas entendiam. Al\u00e9m disso, uma m\u00e1quina a vapor funcionava com quase qualquer coisa que queimasse.<\/p>\n<p>Esse recurso parecia n\u00e3o apenas o passado, mas tamb\u00e9m o futuro.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as no horizonte<\/strong><br \/>\nOs carros a vapor come\u00e7aram ent\u00e3o a superar os el\u00e9tricos em vendas nos EUA.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 se via em seus retrovisores, aproximando-se em alta velocidade, o rival que estava destinado a dominar o mundo.<\/p>\n<p>O Motorwagen, considerado por alguns como o &#8220;verdadeiro primeiro carro do mundo&#8221;, funcionava com gasolina.<\/p>\n<p>Em 1885, quando Karl Benz ligou o motor de seu Motorwagen pela primeira vez, descreveu o som que fazia como &#8220;m\u00fasica do futuro&#8221;.<\/p>\n<p>E ele tinha raz\u00e3o: se a m\u00fasica do s\u00e9culo 20 tem uma nota dominante, \u00e9 a do motor de combust\u00e3o interna. E isso \u00e9 curioso, porque esse tipo de motor \u00e9 muito exigente.<\/p>\n<p>O motor a gasolina requer eletr\u00f4nica sofisticada, bomba de \u00f3leo, lubrifica\u00e7\u00e3o, v\u00e1lvulas que sobem e descem, molas, caixa de c\u00e2mbio, etc.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o por que terminamos dependendo tanto dele se um motor el\u00e9trico \u00e9 t\u00e3o simples?<\/p>\n<p>A resposta n\u00e3o est\u00e1 na parte dianteira dos carros, com o motor, mas no tanque de gasolina.<\/p>\n<p>Pode-se encher um tanque com cerca de 85 litros de combust\u00edvel, o que n\u00e3o \u00e9 muito em termos de volume, mas permite andar bastante.<\/p>\n<p>Combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o energeticamente densos e isso foi como um presente da natureza.<\/p>\n<p>Se quisessem viajar a mesma dist\u00e2ncia com um carro el\u00e9trico, seria preciso uma bateria tr\u00eas ou quatro vezes maior do que o pr\u00f3prio carro.<\/p>\n<p><strong>Predom\u00ednio f\u00f3ssil<\/strong><br \/>\nOs postos de combust\u00edveis apareceram rapidamente por todos os cantos.<\/p>\n<p>Por outro lado, redes el\u00e9tricas nacionais simplesmente n\u00e3o existiam, o que acabou restringindo os carros el\u00e9tricos \u00e0s cidades. Mas o que ocorreu com o vapor?<\/p>\n<p>Os trens haviam conquistado o mundo, ent\u00e3o por que n\u00e3o os carros a vapor?<\/p>\n<p>Eram mais simples mecanicamente do que o &#8220;novo&#8221; motor de combust\u00e3o interna, e produziam energia cont\u00ednua gra\u00e7as \u00e0 press\u00e3o do vapor, portanto n\u00e3o demandavam transmiss\u00e3o, embreagem ou engrenagens de um motor de combust\u00e3o.<\/p>\n<p>Com poucas pe\u00e7as m\u00f3veis, funcionavam silenciosamente e podiam conter sua pot\u00eancia em qualquer momento para reduzir a velocidade mais rapidamente que os freios pouco eficientes da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Contudo, j\u00e1 no come\u00e7o do s\u00e9culo 20 esses autom\u00f3veis estavam condenados, por v\u00e1rios fatores.<\/p>\n<p>Uma das chaves foi a linha m\u00f3vel de produ\u00e7\u00e3o da Ford que baixou constantemente o pre\u00e7o do modelo T, o ve\u00edculo popular da montadora.<\/p>\n<p>Quando o Ford T saiu \u00e0 venda, ter um carro passou a n\u00e3o ser mais um luxo, e o motor de combust\u00e3o se consolidou como a op\u00e7\u00e3o a ser seguida.<\/p>\n<p>Deste modo, a infraestrutura, os pre\u00e7os e os m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o em massa acabaram fazendo a diferen\u00e7a na balan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos anos 1920, a batalha estava ganha. A era do petr\u00f3leo havia come\u00e7ado e seu deus era o motor alternativo ou de pist\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>De volta ao futuro<\/strong><br \/>\nO Hyundai ix35 \u00e9 o primeiro carro com um pilha de combust\u00edvel de hidrog\u00eanio dispon\u00edvel de fato em escala comercial.<\/p>\n<p>Custa cerca de US$ 74 mil (R$ 292 mil), mas produtos novos s\u00e3o sempre caros. Logo, alguns ricos os compram, a ideia gera entusiasmo, o pre\u00e7o acaba baixando e o produto fica mais acess\u00edvel.<\/p>\n<p>O interessante dos autom\u00f3veis com pilhas de combust\u00edvel \u00e9 que realmente s\u00e3o el\u00e9tricos: o que move suas rodas \u00e9 um motor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>Mas em vez de funcionar com uma bateria que precisa de recarga, usa uma c\u00e9lula de combust\u00edvel que \u00e9 como ter uma mini central el\u00e9trica a bordo.<\/p>\n<p>E uma central muito boa: a do Hyundai ix35, por exemplo, produz 100 KV, energia suficiente para abastecer uma casa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, encher o tanque com hidrog\u00eanio leva tr\u00eas minutos, e se dirigir com cautela a autonomia chega a 560 km. E tudo o que sai pelo escapamento \u00e9 \u00e1gua &#8211; nada de gases t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um problema comum aos primeiros carros el\u00e9tricos: h\u00e1 poucos postos de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>E apesar disso ainda parecer hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, podemos voltar mais uma vez ao futuro que t\u00ednhamos no passado: duas de suas tecnologias precedem o Motorwagen de Benz. Uma delas \u00e9 o motor el\u00e9trico, e a outra \u00e9 a pr\u00f3pria pilha de combus\u00edvel. Os princ\u00edpios b\u00e1sicos do que hoje parece t\u00e3o futurista datam do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>William Robert Grove, jurista de profiss\u00e3o e f\u00edsico de voca\u00e7\u00e3o, fez um experimento em 1839 que demonstrava a possibilidade de gerar corrente el\u00e9trica a partir de uma rea\u00e7\u00e3o eletroqu\u00edmica entre hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Nada de novo sob o Sol?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ve\u00edculos el\u00e9tricos est\u00e3o hoje na linha de frente da batalha do s\u00e9culo 21 para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37942,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/carro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os ve\u00edculos el\u00e9tricos est\u00e3o hoje na linha de frente da batalha do s\u00e9culo 21 para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37941"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37941\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}