{"id":37848,"date":"2016-02-26T12:00:43","date_gmt":"2016-02-26T15:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37848"},"modified":"2016-02-26T14:26:03","modified_gmt":"2016-02-26T17:26:03","slug":"soda-caustica-restaura-coral-vitima-de-co2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/soda-caustica-restaura-coral-vitima-de-co2\/","title":{"rendered":"Experimento na Austr\u00e1lia mostra que soda c\u00e1ustica restaura coral v\u00edtima de CO2"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37849\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37849\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores simularam condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas da \u00e1gua do mar no per\u00edodo pr\u00e9-industrial e viram recife crescer; estudo sugere que acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos j\u00e1 impacta esses ecossistemas.<\/em><\/p>\n<p>Despejar uma mistura de soda c\u00e1ustica e corante sobre um recife de coral numa regi\u00e3o que \u00e9 patrim\u00f4nio da humanidade parece uma p\u00e9ssima ideia. Mas um grupo internacional de cientistas acaba de anunciar que realizou esse experimento na Austr\u00e1lia, com o objetivo de tentar entender como os gases de efeito estufa afetam a vida marinha. Os corais, aparentemente, aprovaram o teste.<\/p>\n<p>O trabalho foi liderado por Rebecca Albright, da Institui\u00e7\u00e3o Carnegie, nos EUA, e seu orientador, Ken Caldeira, um pioneiro do estudo da chamada acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos. A ideia dos dois era mexer na qu\u00edmica da \u00e1gua de uma lagoa na Grande Barreira de Coral australiana, de forma a simular as condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9-industriais. Ent\u00e3o eles mediriam a rea\u00e7\u00e3o do recife.<\/p>\n<p>Os cientistas sabem que os oceanos est\u00e3o mais \u00e1cidos no mundo inteiro. Isso \u00e9 um efeito colateral das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. Grande parte das emiss\u00f5es humanas de CO2 \u00e9 absorvida pelo mar, onde o g\u00e1s carb\u00f4nico reage com a \u00e1gua (H2O) e forma \u00e1cido carb\u00f4nico (H2CO3). Isso reduz o pH da \u00e1gua do mar, ou seja, ela fica mais \u00e1cida.<\/p>\n<p>Para organismos que formam carapa\u00e7as de calc\u00e1rio, como moluscos, corais e v\u00e1rias esp\u00e9cies de pl\u00e2ncton, isso \u00e9 mortal. A \u00e1gua mais \u00e1cida dissolve lentamente essas estruturas, num fen\u00f4meno que j\u00e1 foi comparado a uma grande osteoporose oce\u00e2nica.<\/p>\n<p>Mas existe um efeito adicional da acidifica\u00e7\u00e3o, igualmente perverso para os corais e outras criaturas: esses animais formam suas carapa\u00e7as ao absorver \u00edons de carbonato (CO3\u2013) da \u00e1gua e combin\u00e1-los com c\u00e1lcio para formar um mineral chamado aragonita. A rea\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico com a \u00e1gua do mar tamb\u00e9m captura os \u00edons de carbonato para formar duas mol\u00e9culas de bicarbonato (2HCO3\u2013), essencialmente tirando o carbonato de circula\u00e7\u00e3o. O bicarbonato \u00e9 imprest\u00e1vel para fazer aragonita. Sem a mat\u00e9ria-prima, os corais n\u00e3o conseguem formar sua carapa\u00e7a \u2013 portanto, n\u00e3o crescem.<\/p>\n<p>Como os recifes de coral s\u00e3o fundamentais para a teia alimentar marinha e para a alimenta\u00e7\u00e3o e os empregos de milh\u00f5es de pessoas no mundo inteiro, entender como a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos impacta esses ecossistemas \u00e9 importante. Mas isso tem sido dif\u00edcil de quantificar, j\u00e1 que o fen\u00f4meno da acidifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi descoberto na d\u00e9cada passada, quando a qu\u00edmica do oceano j\u00e1 diferia muito da da era pr\u00e9-industrial. Para saber quanto a \u201costeoporose marinha\u201d j\u00e1 havia afetado a taxa de crescimento dos recifes seria preciso usar uma m\u00e1quina do tempo.<\/p>\n<p>Foi exatamente o que fizeram Albright, Caldeira e colegas, num experimento descrito na edi\u00e7\u00e3o de hoje do peri\u00f3dico Nature.<\/p>\n<p>O grupo descobriu um recife na Grande Barreira de Coral que poderia ser devolvido ao passado, por assim dizer. Formado por tr\u00eas lagoas, o recife fica isolado do resto do oceano algumas horas por dia, durante a mar\u00e9 baixa. Por acaso, a lagoa maior \u00e9 tamb\u00e9m mais alta que a menor, e a \u00e1gua escorre daquela para esta durante a mar\u00e9 baixa, por cima de um pequeno banco de corais.<\/p>\n<p>Os bi\u00f3logos da Carnegie tiveram uma sacada: j\u00e1 havia estimativas de quanto o pH da \u00e1gua da regi\u00e3o havia ca\u00eddo desde o per\u00edodo pr\u00e9-industrial. O que eles precisavam fazer era corrigir esse pH. Para isso, lan\u00e7aram m\u00e3o de um recurso velho conhecido de donos de aqu\u00e1rio no mundo todo: o hidr\u00f3xido de s\u00f3dio \u2013 a popular soda c\u00e1ustica.<\/p>\n<p>Num tanque de 15 mil litros instalado na lagoa maior, os cientistas misturaram \u00e1gua do mar, um corante cor-de-rosa e 600 gramas de soda c\u00e1ustica. Durante uma hora por dia, na mar\u00e9 baixa, essa mistura flu\u00eda por cima do recife at\u00e9 a lagoa menor, em cuja borda os pesquisadores coletavam amostras de \u00e1gua. Medindo a propor\u00e7\u00e3o entre corante e soda c\u00e1ustica na mistura entre uma lagoa e outra no come\u00e7o e no final do experimento, durante 22 dias, eles conseguiriam estimar quanto da alcalinidade adicional fora absorvida pelo recife.<\/p>\n<p>Ao final do experimento, o grupo descobriu que a taxa de crescimento dos corais cresceu 7% no per\u00edodo com soda c\u00e1ustica. A implica\u00e7\u00e3o disso \u00e9 que, se os mares n\u00e3o estivessem mais \u00e1cidos, os corais estariam crescendo mais \u2013 pelo menos naquela parte do mundo. \u00c9 a primeira vez que se consegue estimar de maneira experimental o efeito isolado da acidifica\u00e7\u00e3o sobre esse ecossistema.<\/p>\n<p>\u201cA acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos j\u00e1 est\u00e1 cobrando seu pre\u00e7o nas comunidades de recife de coral\u201d, disse Albright em comunicado do centro de pesquisas. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 mais um temor para o futuro; \u00e9 a realidade hoje.\u201d<\/p>\n<p>Essa corre\u00e7\u00e3o de pH j\u00e1 foi cogitada por alguns como um esquema de engenharia planet\u00e1ria para reverter a acidifica\u00e7\u00e3o em \u00e1reas-chave dos oceanos. Caldeira descarta a ideia. \u201cA \u00fanica maneira real e duradoura de proteger os recifes \u00e9 fazer cortes profundos nas nossas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono.\u201d<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores simularam condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas da \u00e1gua do mar no per\u00edodo pr\u00e9-industrial e viram recife crescer;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37849,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/corais_co2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores simularam condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas da \u00e1gua do mar no per\u00edodo pr\u00e9-industrial e viram recife crescer;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37848"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37848\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}