{"id":37778,"date":"2016-02-25T13:00:20","date_gmt":"2016-02-25T16:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37778"},"modified":"2016-02-24T13:20:25","modified_gmt":"2016-02-24T16:20:25","slug":"cientistas-desvendam-segredo-da-resistencia-das-superbacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-desvendam-segredo-da-resistencia-das-superbacterias\/","title":{"rendered":"No Reino Unido, cientistas desvendam segredo da resist\u00eancia das superbact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37779\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37779\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A guerra contra as superbact\u00e9rias ganhou um cap\u00edtulo importante ontem, com a publica\u00e7\u00e3o na revista \u201cNature\u201d de uma pesquisa que revela o m\u00e9todo usado por esses micro-organismos para resistir aos antibi\u00f3ticos que temos hoje no mercado. O estudo explica que as superbact\u00e9rias s\u00e3o refor\u00e7adas por uma esp\u00e9cie de barreira que fica do lado de fora da c\u00e9lula, como uma membrana externa, impedindo que medicamentos entrem e fa\u00e7am efeito. O grande achado dos pesquisadores foi descobrir o ponto fraco dessa barreira: a tal membrana \u00e9 formada por uma engrenagem de prote\u00ednas, que para de funcionar quando uma de suas pe\u00e7as \u00e9 deslocada.<\/p>\n<p>Desenvolvido pela Universidade de East Anglia, no Reino Unido, o estudo analisa a Escherichia coli, da classe das bact\u00e9rias gram-negativas \u2014 aquelas com membrana interna e externa, enquanto as gram-positivas t\u00eam somente uma interna. Com esse refor\u00e7o na parede celular, as bact\u00e9rias gram-negativas s\u00e3o muito mais dif\u00edceis de serem tratadas e podem causar doen\u00e7as como meningite e c\u00f3lera. Nem todas se transformam em superbact\u00e9rias, mas elas s\u00e3o as que mais causam infec\u00e7\u00f5es hospitalares, sendo, por isso, as mais preocupantes para os m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>A E. coli, especificamente, \u00e9 capaz de provocar pneumonia, doen\u00e7as respirat\u00f3rias e infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria \u2014 cerca de 80% dos casos desse tipo de infec\u00e7\u00e3o, por exemplo, s\u00e3o causados por E. coli. Ela \u00e9 fundamental para a nossa sobreviv\u00eancia, sendo uma das bact\u00e9rias mais importantes do sistema gastrointestinal, mas justamente por ser t\u00e3o prevalente no nosso organismo, pode adquirir resist\u00eancia com mais facilidade.<\/p>\n<p>Na membrana externa dessa bact\u00e9ria, os pesquisadores encontraram o que chamaram de complexo BAM, sigla em ingl\u00eas para mecanismo de montagem barril beta, nome que se refere \u00e0 forma adotada pelas prote\u00ednas. Esse complexo \u00e9 o respons\u00e1vel por abrir ou fechar \u201cport\u00f5es\u201d na membrana, permitindo ou n\u00e3o que mol\u00e9culas entrem na c\u00e9lula. Os cientistas brit\u00e2nicos foram os primeiros a descrever como esse complexo \u00e9 dividido em cinco partes \u2014 chamadas de BamA, BamB, BamC, BamD e BamE \u2014 e como essas subunidades trabalham juntas para controlar o que a bact\u00e9ria absorve.<\/p>\n<p>\u2014 Nossa pesquisa mostra o complexo BAM inteiro, nos est\u00e1gios inicial e final \u2014 destaca o principal autor do estudo, Changjiang Dong, da Faculdade de Medicina da Universidade de East Anglia. \u2014 Descobrimos que as cinco subunidades formam uma estrutura em forma de anel que trabalha em conjunto para inserir prote\u00ednas na membrana externa por meio de um mecanismo de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ele, a descoberta abre caminho para a cria\u00e7\u00e3o de uma nova classe de antibi\u00f3ticos, capazes de burlar essa engrenagem.<\/p>\n<p>\u2014 O complexo BAM \u00e9 absolutamente essencial para as bact\u00e9rias gram-negativas sobreviverem. Interromper esse mecanismo de defesa faz com que o antibi\u00f3tico penetre na c\u00e9lula e a mate. Agora, temos que fazer testes para descobrir antibi\u00f3ticos que possam fazer isso \u2014 afirma ele.<\/p>\n<p>Existem no mundo aproximadamente 40 classes de antibi\u00f3ticos, a \u00faltima delas registrada em 1987. De l\u00e1 para c\u00e1, o corpo humano vem desenvolvendo resist\u00eancia a muitas delas, especialmente por conta do uso indiscriminado desses medicamentos, sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica adequada.<\/p>\n<p>\u2014 Este \u00e9 um desafio de sa\u00fade global. Muitos antibi\u00f3ticos atuais est\u00e3o se tornando in\u00fateis, o que causa centenas de milhares de mortes a cada ano. O n\u00famero de superbact\u00e9rias aumenta a um ritmo inesperado \u2014 avalia Dong.<\/p>\n<p>Surtos de infec\u00e7\u00f5es hospitalares por superbact\u00e9rias t\u00eam ocorrido com certa frequ\u00eancia no Brasil pelo menos desde o in\u00edcio desta d\u00e9cada. O primeiro caso a chamar aten\u00e7\u00e3o foi no Distrito Federal, em 2010, quando 163 pacientes foram contaminados em hospitais diferentes e 18 deles morreram. Todos por causa da superbact\u00e9ria KPC, que tamb\u00e9m \u00e9 gram-negativa.<\/p>\n<p>Os olhos da comunidade m\u00e9dica internacional est\u00e3o cada vez mais voltados para este problema, que, de acordo com um relat\u00f3rio encomendado pelo governo brit\u00e2nico e divulgado em meados do ano passado, deve custar a vida de 10 milh\u00f5es de pessoas por ano a partir de 2050, caso as pesquisas n\u00e3o consigam avan\u00e7ar na produ\u00e7\u00e3o de novas drogas. Segundo o documento, as perdas econ\u00f4micas totalizariam US$ 100 trilh\u00f5es, de 2014 a 2050.<\/p>\n<p>Para Carlos Kiffer, pesquisador do Laborat\u00f3rio Especial de Microbiologia Cl\u00ednica da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), a estrutura da membrana externa de outras bact\u00e9rias gram-negativas que tendem a ser resistentes, como a KPC, deve ser parecida com a descrita pelo estudo. Sendo assim, a pesquisa ajuda a entender melhor a \u201carquitetura\u201d de todas essas bact\u00e9rias, um importante passo para combat\u00ea-las.<\/p>\n<p>Pode parecer contradit\u00f3rio que superbact\u00e9rias formadas a partir do uso excessivo de antibi\u00f3ticos sejam atacadas com mais antibi\u00f3ticos. No entanto, segundo o professor, s\u00e3o necess\u00e1rias novas drogas \u2014 ou novas formula\u00e7\u00f5es para as que existem \u2014 para tratar os tipos de resist\u00eancia que j\u00e1 temos e, em paralelo, passar a consumir esses medicamentos com cuidado, na dose certa e seguindo o tratamento at\u00e9 o fim. Isso tornaria nosso corpo menos prop\u00edcio a criar resist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u2014 De certa forma, existe um c\u00edrculo vicioso, mas necess\u00e1rio. A Humanidade ainda precisa de antibi\u00f3ticos, a quest\u00e3o \u00e9 o uso racional deles \u2014 pontua Kiffer. \u2014 Al\u00e9m dos rem\u00e9dios que ingerimos, um grande problema \u00e9 que muitos alimentos tamb\u00e9m s\u00e3o repletos de antibi\u00f3ticos. Para que os vegetais n\u00e3o tenham determinado tipo de fungo ou para que os frangos cres\u00e7am rapidamente, pagamos com nossa pr\u00f3pria sa\u00fade. Seria preciso uma legisla\u00e7\u00e3o que proibisse isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra contra as superbact\u00e9rias ganhou um cap\u00edtulo importante ontem, com a publica\u00e7\u00e3o na revista<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37779,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/super_bacteria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A guerra contra as superbact\u00e9rias ganhou um cap\u00edtulo importante ontem, com a publica\u00e7\u00e3o na revista","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37778"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37778\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}