{"id":37554,"date":"2016-02-21T17:00:11","date_gmt":"2016-02-21T20:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37554"},"modified":"2016-02-20T21:47:56","modified_gmt":"2016-02-21T00:47:56","slug":"abelhas-alem-da-importancia-que-tem-para-a-biodiversidade-eles-sao-responsaveis-pela-polinizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/abelhas-alem-da-importancia-que-tem-para-a-biodiversidade-eles-sao-responsaveis-pela-polinizacao\/","title":{"rendered":"Abelhas: al\u00e9m da import\u00e2ncia que t\u00eam para a biodiversidade, \u00e9 respons\u00e1vel pela poliniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37555\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37555\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As picadas dolorosas e o zunido insistente no ouvido fazem com que, geralmente, as abelhas n\u00e3o sejam lembradas de maneira amistosa &#8211; a despeito das del\u00edcias do mel. E com uma ressalva fundamental: o mel est\u00e1 longe de ser a grande contribui\u00e7\u00e3o das abelhas para a humanidade. Sem elas, metade das g\u00f4ndolas de alimentos dos supermercados estaria vazia. Por meio da poliniza\u00e7\u00e3o, esses insetos promovem o seu maior impacto na biodiversidade e na produ\u00e7\u00e3o dos alimentos: 35% das lavouras e 94% das plantas silvestres dependem dessa atividade. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que esse, por assim dizer, &#8220;servi\u00e7o ecol\u00f3gico&#8221; est\u00e1 em risco diante de um fen\u00f4meno batizado de desordem do colapso das col\u00f4nias. De 1940 at\u00e9 hoje, o n\u00famero de abelhas diminuiu de forma dr\u00e1stica no mundo &#8211; nos Estados Unidos, o pa\u00eds mais afetado pelo problema, caiu pela metade (veja o quadro na p\u00e1g. 86). Ainda \u00e9 misteriosa a raz\u00e3o por tr\u00e1s desse sumi\u00e7o, apesar de existirem fortes hip\u00f3teses. Na segunda-feira 22, a ONU planeja chamar aten\u00e7\u00e3o para o assunto com a divulga\u00e7\u00e3o, em evento na Mal\u00e1sia, do relat\u00f3rio Polinizadores, Poliniza\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o de Alimentos. O documento, o primeiro fruto do \u00f3rg\u00e3o internacional Plataforma Intergovernamental para Pol\u00edticas Cient\u00edficas sobre Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (IPBES), procura identificar, entre outros pontos, os motivos que levaram \u00e0 desordem que faz sumir as col\u00f4nias e as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 resultado do esfor\u00e7o conjunto de 75 pesquisadores, de diversas na\u00e7\u00f5es. VEJA teve acesso a informa\u00e7\u00f5es presentes no documento. Ele combina o conhecimento acad\u00eamico que se tem sobre as abelhas e os demais animais polinizadores (como outros insetos, aves e morcegos) e suas contribui\u00e7\u00f5es, traz exemplos de boas pr\u00e1ticas para a prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es para a situa\u00e7\u00e3o adversa &#8211; como a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ambientalistas. &#8220;\u00c9 um t\u00f3pico de enorme import\u00e2ncia pol\u00edtica, visto que o desaparecimento das col\u00f4nias pode afetar negativamente a economia, al\u00e9m da dieta de cidad\u00e3os, de um pa\u00eds&#8221;, ressalta a bi\u00f3loga Vera L\u00facia Fonseca, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e diretora do IPBES, o \u00f3rg\u00e3o da ONU. &#8220;Antes de tudo, o relat\u00f3rio procura conscientizar a todos da import\u00e2ncia dos polinizadores, al\u00e9m de promover a uni\u00e3o de governos para proteg\u00ea-los&#8221;, completa Vera.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a pesquisadora faz refer\u00eancia aos danos econ\u00f4micos potenciais da desordem. Estima-se que um mercado de 218 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais depende do servi\u00e7o de poliniza\u00e7\u00e3o prestado pelas abelhas. Os Estados Unidos, o maior exportador agr\u00edcola do mundo, perderiam 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano com a intensifica\u00e7\u00e3o do problema &#8211; no Brasil, o preju\u00edzo seria de 12 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Isso explica por que, em junho de 2014, o presidente americano Barack Obama transformou o alarme em quest\u00e3o de Estado, ao anunciar a cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a-tarefa, composta de cientistas e pol\u00edticos, para ir atr\u00e1s de respostas.<\/p>\n<p>Os estudiosos ainda investigam qual seria a raiz do problema. Acredita-se que sejam dois os principais fatores: a dissemina\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas, que enfraquecem as col\u00f4nias, e a a\u00e7\u00e3o de parasitas, como o varroa, \u00e1caro que ataca o organismo do animal, e o Acarapis woodi, que afeta o sistema respirat\u00f3rio. Entretanto, h\u00e1 consenso de que n\u00e3o existe apenas uma raz\u00e3o (ou duas), e sim um somat\u00f3rio que acabou por construir um cen\u00e1rio cruel para os insetos. As abelhas est\u00e3o perdendo seu h\u00e1bitat quando florestas e jardins d\u00e3o lugar a constru\u00e7\u00f5es ou mesmo a planta\u00e7\u00f5es de uma \u00fanica cultura &#8211; a esp\u00e9cie necessita de alimenta\u00e7\u00e3o variada para sobreviver. As intensas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas pelas quais passa a Terra, em consequ\u00eancia do aumento da emiss\u00e3o de gases do efeito estufa pelo homem, tamb\u00e9m colaboram para o desaparecimento dos insetos. As esta\u00e7\u00f5es menos definidas, al\u00e9m das eleva\u00e7\u00f5es e quedas bruscas na temperatura e na umidade, acabam por bagun\u00e7ar o ciclo de florescimento das flores, das quais as abelhas s\u00e3o dependentes.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o tidos como o pa\u00eds que mais vem se movimentando para combater o ritmo da desordem. O comit\u00ea criado por Obama apresentou no ano passado o documento Estrat\u00e9gia Nacional para Promover a Sa\u00fade das Abelhas e Outros Polinizadores. Nele, estabeleceu-se como meta reduzir a baixa de abelhas durante o inverno a no m\u00e1ximo 15% em dez anos &#8211; hoje, a taxa \u00e9 de 23%. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ap\u00f3s o inverno, as col\u00f4nias n\u00e3o t\u00eam conseguido recuperar-se desses per\u00edodos de perda. Caso a diminui\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias seja menor nas esta\u00e7\u00f5es de frio, o efeito esperado \u00e9 que elas consigam se restabelecer na primavera e no ver\u00e3o. Tamb\u00e9m se planeja aumentar a presen\u00e7a de outros polinizadores, como a borboleta-monarca. O governo americano calcula que haja atualmente 30 milh\u00f5es de exemplares dessa esp\u00e9cie colorida na Am\u00e9rica do Norte, diante dos 970 milh\u00f5es que existiam em 1996. O que se espera \u00e9 reverter a queda, alcan\u00e7ando ao menos o n\u00famero de 225 milh\u00f5es. Entre as estrat\u00e9gias para proteger os polinizadores est\u00e1, por exemplo, a restaura\u00e7\u00e3o de 28 000 quil\u00f4metros quadrados (o equivalente ao territ\u00f3rio do Hava\u00ed) de seus h\u00e1bitats nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>Por que o lado ocidental do Hemisf\u00e9rio Norte tem sido mais prejudicado que o restante do planeta? O motivo \u00e9 a depend\u00eancia das planta\u00e7\u00f5es americanas e europeias de apenas um tipo de abelha, a Apis mellifera. Importada da \u00c1frica e da \u00c1sia para a poliniza\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es comerciais, a esp\u00e9cie ganhou a prefer\u00eancia de apicultores por n\u00e3o ser agressiva e manter col\u00f4nias enormes e resistentes. Agora, por\u00e9m, ela \u00e9 a maior v\u00edtima da amedrontadora desordem.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, por exemplo, 100 000 col\u00f4nias de Apis mellifera foram perdidas desde 1995, e a taxa de mortalidade das abelhas triplicou. Diante disso, Paris \u00e9 uma das cidades que mais t\u00eam adotado medidas conservacionistas. Em junho do ano passado, o munic\u00edpio assinou o protocolo Abelha: a Sentinela do Meio Ambiente. Nele, a capital francesa se comprometeu a proibir a venda de uma s\u00e9rie de pesticidas, al\u00e9m de ampliar o apoio \u00e0 apicultura. At\u00e9 2020, planeja-se o plantio de 20 000 \u00e1rvores em jardins parisienses, al\u00e9m de 300 000 novos metros quadrados de espa\u00e7os verdes &#8211; em torno de um quinto da dimens\u00e3o do Parque do Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo. Paris ainda \u00e9 o centro urbano com a maior presen\u00e7a de criadouros de abelhas da Europa, com um total de 600, ocupando uma \u00e1rea de 4,6 quil\u00f4metros quadrados &#8211; parte deles instalada em tetos de edif\u00edcios e casas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ind\u00edcios de que a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de abelhas esteja se repetindo, em ritmo acelerado, em outros locais, incluindo pa\u00edses pobres. No entanto, muitas vezes os dados coletados n\u00e3o s\u00e3o suficientes para corroborar a tese. \u00c9 o caso do Brasil, que n\u00e3o conta com um hist\u00f3rico do n\u00famero de abelhas em territ\u00f3rio nacional, de forma que os pesquisadores n\u00e3o t\u00eam como comparar o n\u00famero atual com os anteriores. Assim, ficam sem saber se a redu\u00e7\u00e3o \u00e9 alarmante por aqui. &#8220;Mas h\u00e1 sinais de que tamb\u00e9m sofremos do mesmo mal&#8221;, afirma a bi\u00f3loga Tereza Cristina Giannini, do Instituto Tecnol\u00f3gico Vale Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. &#8220;Em pesquisas de campo, descobrimos que existem regi\u00f5es nas quais as planta\u00e7\u00f5es apresentam d\u00e9ficit de poliniza\u00e7\u00e3o, refletido na baixa produ\u00e7\u00e3o de frutas, flores e alimentos&#8221;, relata Tereza.<\/p>\n<p>A favor do Brasil, contudo, pesa um ponto que nos deixa em posi\u00e7\u00e3o de vantagem ante a desordem. O pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 dependente de apenas uma esp\u00e9cie, como ocorre com os Estados Unidos e a Europa. Uma pesquisa da revista cient\u00edfica Apidologie, especializada em apicultura, estima a exist\u00eancia de pelo menos 250 tipos de polinizadores em todo o territ\u00f3rio brasileiro, dos quais 87% s\u00e3o de abelhas.<\/p>\n<p>Por que, ent\u00e3o, mundo afora, apesar da essencialidade desses insetos para o equil\u00edbrio do meio ambiente, as campanhas de prote\u00e7\u00e3o a eles n\u00e3o recebem tanta aten\u00e7\u00e3o quanto as destinadas aos ursos-polares ou aos elefantes-africanos, por exemplo? Explicou a VEJA a bi\u00f3loga americana Heather Mattila, do Wellesley College: &#8220;O modo de funcionar do nosso sentimento de empatia est\u00e1 no centro desse dilema. Sentimo-nos pr\u00f3ximos de animais parecidos conosco, grandes mam\u00edferos que vivem em grupos e interagem socialmente. Dev\u00edamos, por\u00e9m, olhar direito para as abelhas. Elas trabalham duro para alimentar suas crias, organizam-se em col\u00f4nias e at\u00e9 se preocupam com a higiene e a seguran\u00e7a de suas casas. N\u00e3o devia ser t\u00e3o dif\u00edcil para o homem identificar-se com esses elementos&#8221;. O.k., se o fator da empatia n\u00e3o funcionar com as abelhas, lembre-se ent\u00e3o de quanto elas s\u00e3o fundamentais para garantir a exist\u00eancia de grande parte dos alimentos que chegam \u00e0 nossa mesa. Perto disso, um zumbido chato n\u00e3o \u00e9 nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As picadas dolorosas e o zunido insistente no ouvido fazem com que, geralmente, as abelhas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37555,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/abelha.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As picadas dolorosas e o zunido insistente no ouvido fazem com que, geralmente, as abelhas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37554"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}