{"id":37432,"date":"2016-02-20T13:00:59","date_gmt":"2016-02-20T16:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37432"},"modified":"2016-02-19T18:22:41","modified_gmt":"2016-02-19T21:22:41","slug":"de-buracos-negros-a-mudanca-de-epoca-da-terra-2016-promete-ser-um-ano-intenso-para-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/de-buracos-negros-a-mudanca-de-epoca-da-terra-2016-promete-ser-um-ano-intenso-para-a-humanidade\/","title":{"rendered":"De buracos negros \u00e0 mudan\u00e7a de \u00e9poca da Terra, 2016 promete ser um ano intenso"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buraco_negro.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37433\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37433\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buraco_negro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buraco_negro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buraco_negro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>2016 promete ser intenso para a Humanidade. O Carnaval nem bem acabara no Brasil e a ci\u00eancia mundial j\u00e1 anunciava sinais do mais remoto passado do Universo. Ainda este ano, a comunidade promete mais emo\u00e7\u00f5es, desta vez sobre o nosso presente e para onde ele est\u00e1 nos levando. Do <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/vida\/noticia\/2016\/02\/colisao-de-buracos-negros-gera-ondas-de-gravidade-por-que-isso-importa.html\">buraco negro<\/a> ao <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2015\/12\/o-que-e-o-antropoceno-epoca-em-que-os-humanos-tomam-controle-do-planeta.html\">Antropoceno<\/a>, nada ser\u00e1 como antes.<\/p>\n<p>Ambos os temas geram zum-zum-zum na ci\u00eancia. Para astrof\u00edsicos, f\u00e3s de Einstein e curiosos em geral, a confirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia das ondas gravitacionais, detectadas 100 anos ap\u00f3s o f\u00edsico mais pop das gal\u00e1xias as ter detalhado em sua Teoria Geral da Relatividade, j\u00e1 \u00e9 a not\u00edcia do ano. Gra\u00e7as ao esfor\u00e7o do Observat\u00f3rio de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser, vulgo LIGO, que desde 2002 re\u00fane pesquisadores, entre eles, brasileiros, em busca desta confirma\u00e7\u00e3o, desde o dia 11 de Janeiro sabemos que ondas gravitacionais s\u00e3o reais e que, com elas, podemos \u201cescutar\u201d o universo em seus primeiros instantes de exist\u00eancia. Nenhuma onda, salvo esta, seria capaz de prover tais evid\u00eancias.<\/p>\n<p>O an\u00fancio da detec\u00e7\u00e3o das ondas confirma tamb\u00e9m outras apostas, algumas alvo de controv\u00e9rsias: a de que buracos negros existem \u2013 foi gra\u00e7as a eles que as ondas foram detectadas, a de que dominamos hoje tecnologia capaz de nos aproximar cada vez mais da origem de tudo. E, claro, de que Einstein \u00e9, sem d\u00favida nenhuma, o cara.<\/p>\n<p>Ainda este ano est\u00e1 prometida outra confirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica digna dos anais. A data \u00e9 agosto, quando estar\u00e3o reunidos em Cape Town, na \u00c1frica do Sul, ge\u00f3logos de todo o mundo no 35o Congresso Internacional de Geologia, principal evento da Uni\u00e3o Internacional de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas (IUGS, da sigla em ingl\u00eas). Deste encontro pode sair uma defini\u00e7\u00e3o oficial que ir\u00e1 alterar para sempre os livros escolares e, quem sabe, a forma como entendemos o mundo em que vivemos hoje.<\/p>\n<p><strong>Ano novo, era nova<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 12 mil anos estamos no Holoceno,\u00a0 per\u00edodo geol\u00f3gico que d\u00e1 <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/blog-do-planeta\/noticia\/2016\/01\/acabamos-de-adiar-proxima-era-do-gelo-diz-novo-estudo-na-nature.html\">sequ\u00eancia \u00e0 \u00faltima Era do Gelo<\/a>. O nome desta era reflete uma padroniza\u00e7\u00e3o, acordada em escala mundial, pesquisada pela estratigrafia (ci\u00eancia que estuda as camadas das rochas) e aben\u00e7oadas pela IUGS. Por\u00e9m, na paralela, uma nova defini\u00e7\u00e3o de era vem ganhando adeptos desde que foi cunhada pelo bi\u00f3logo e ecologista Eugene Stoermer em 1980 e popularizada pelo Pr\u00eamio Nobel e qu\u00edmico atmosf\u00e9rico Paul Crutzen: o <strong>Antropoceno, ou a \u201cEra do Homem\u201d<\/strong>.\u00a0 Este ano, promete a alta c\u00fapula da estratigrafia, o Antropoceno pode oficialmente substituir o Holoceno como era geol\u00f3gica. Se isto acontecer, anthropos, do grego, \u201chomem\u201d, ficar\u00e1 marcado no rol das grandes for\u00e7as identificadas pela ci\u00eancia como modificadoras do planeta.<\/p>\n<p>\u201cAfirma\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias exigem evid\u00eancias extraordin\u00e1rias\u201d, diria outro muso da astrof\u00edsica, Carl Sagan. A defini\u00e7\u00e3o do Antropoceno, defendem alguns, carece de evid\u00eancia. E evid\u00eancias s\u00e3o disputadas a tapas na ci\u00eancia. Do buraco negro \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, sempre foi assim. Para outros, n\u00e3o faltam provas. Os vest\u00edgios da a\u00e7\u00e3o humana na Terra, dizem, poder\u00e3o ser identificados nas camadas mais profundas do solo daqui a milh\u00f5es de anos, crit\u00e9rio essencial para que a estratigrafia mundial reconhe\u00e7a a nova era. Recente estudo publicado na revista <a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/351\/6269\/aad2622\" target=\"_blank\"><em>Science <\/em><\/a>corrobora a tese ao comprovar a assinatura humana na Terra do ponto de vista clim\u00e1tico, biol\u00f3gico e geoqu\u00edmico. Segundo os pesquisadores que assinam o estudo, em algum momento da metade do s\u00e9culo XX o homem j\u00e1 havia deixado marcas profundas no ambiente terrestre apenas comparadas com a influ\u00eancia de asteroides e glacia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre as provas est\u00e3o novos tipos de min\u00e9rios e rochas, marcados pela presen\u00e7a de alum\u00ednio, concreto e pl\u00e1stico \u2013 inequivocamente humanos. A queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e sua fuligem, polui\u00e7\u00e3o e emiss\u00e3o de carbono tamb\u00e9m contam como prova, assim como as consequ\u00eancias da eros\u00e3o do solo, causadas por desmatamento e constru\u00e7\u00e3o de estradas. Est\u00e1 dif\u00edcil de esconder at\u00e9 mesmo daqueles que s\u00f3 acreditam no que as camadas mais profundas da terra revelam.<\/p>\n<p>O debate est\u00e1 em sua fase de min\u00facias. Teria o Antropoceno tido in\u00edcio j\u00e1 na fase em que o Homo Sapiens desenvolve a agricultura e, com ela, inicia o desmatamento, a altera\u00e7\u00e3o da biodiversidade? A culpa \u00e9 de Colombo, que misturou as esp\u00e9cies quando chegou ao Novo Mundo? Ou vamos considerar a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial como a grande vil\u00e3 e n\u00e3o se fala mais nisso? Detalhes. Quando e onde come\u00e7ou, a Hist\u00f3ria \u00e9 quem dir\u00e1. Muito al\u00e9m desta discuss\u00e3o, o que est\u00e1 prometido para este ano \u00e9 um passo importante no processo de cura do paciente-homem: A aceita\u00e7\u00e3o. Com ela podemos, quem sabe, rever antigos conceitos, repensar pr\u00e1ticas. Caminhar para uma nova era.<\/p>\n<p>Ondas gravitacionais e o Antropoceno guardam em comum certa dimens\u00e3o filos\u00f3fica do alcance do homem em seu espa\u00e7o e tempo. A mais long\u00ednqua, demorou 100 anos para ser comprovada e aceita. A outra, t\u00e3o pr\u00f3xima, j\u00e1 passa da hora de entrar para os livros. 2016 \u00e9 o ano.<\/p>\n<p><em><strong>Juliana Tinoco \u00e9<\/strong>\u00a0jornalista e mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela London School of Economics (LSE)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2016 promete ser intenso para a Humanidade. 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