{"id":37366,"date":"2016-02-19T12:00:00","date_gmt":"2016-02-19T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37366"},"modified":"2016-02-18T20:43:03","modified_gmt":"2016-02-18T23:43:03","slug":"brasil-tem-2-biomas-na-lista-negra-do-clima-segundo-mapa-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-tem-2-biomas-na-lista-negra-do-clima-segundo-mapa-global\/","title":{"rendered":"Brasil tem dois biomas na lista negra do clima, segundo mapa global"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37367\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37367\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Caatinga e Amaz\u00f4nia est\u00e3o entre os ecossistemas mais sens\u00edveis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, segundo mapa global; al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es naturais, pobreza aumenta riscos no Semi\u00e1rido<\/em><\/p>\n<p>A Caatinga e a Amaz\u00f4nia est\u00e3o entre os biomas mais vulner\u00e1veis a varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no mundo, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (17). A pesquisa pode ajudar a prever o tamanho do impacto que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica dever\u00e1 ter sobre ecossistemas no mundo inteiro e entender quais regi\u00f5es podem sofrer extin\u00e7\u00f5es em massa e quais resistir\u00e3o ao aquecimento. Tamb\u00e9m est\u00e3o na lista dos vulner\u00e1veis a tundra, a floresta boreal, outras florestas tropicais e os campos temperados.<\/p>\n<p>O mapa da vulnerabilidade dos ecossistemas \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica foi realizado por um grupo de pesquisadores da Noruega e do Reino Unido e publicado no peri\u00f3dico Nature. Seus autores criaram um \u00edndice de sensibilidade da vegeta\u00e7\u00e3o, baseado em s\u00e9ries de dados de sat\u00e9lites sobre cobertura vegetal durante 14 anos (de 2000 a 2013) e vari\u00e1veis clim\u00e1ticas que influenciam na capacidade da vegeta\u00e7\u00e3o de fazer fotoss\u00edntese: temperatura atmosf\u00e9rica, disponibilidade de \u00e1gua e cobertura de nuvens.<\/p>\n<p>No per\u00edodo estudado, a Caatinga e a Amaz\u00f4nia responderam com maior sensibilidade \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica em compara\u00e7\u00e3o com outras partes do mundo, apresentando, por exemplo, mudan\u00e7as no aspecto da vegeta\u00e7\u00e3o \u2013 menos verde, menos folhas novas e menos absor\u00e7\u00e3o de carbono do ar. \u00c9 como se os dois biomas entrassem em depress\u00e3o e suas plantas deixassem de funcionar direito.<\/p>\n<p>O fator mais cr\u00edtico para a Caatinga \u00e9 a disponibilidade de \u00e1gua: apesar de ser adaptada \u00e0 seca, a vegeta\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido parece exagerar na resposta a crises h\u00eddricas prolongadas. A resposta pode ser consistente com a desertifica\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Nordeste num cen\u00e1rio de mudan\u00e7a clim\u00e1tica e alto desmatamento, ou pode ser simplesmente a maneira como o bioma lida naturalmente com falta d\u2019\u00e1gua. \u201cPode ser que as plantas na Caatinga sejam adaptadas \u00e0 variabilidade do clima e tenham uma resposta grande, amplificada, que \u00e9 pr\u00f3pria da maneira daquele ecossistema de lidar com variabilidade\u201d, disse ao OC Alistair Seddon, da Universidade de Bergen, Noruega, principal autor do estudo.<\/p>\n<p>Seddon diz que o trabalho pode ser usado para orientar futuras pesquisas sobre as causas dessa sensibilidade, mas principalmente para melhorar futuras previs\u00f5es dos efeitos da variabilidade nos ecossistemas, que impactam diretamente em biodiversidade, seguran\u00e7a alimentar e bem-estar da popula\u00e7\u00e3o que vive na regi\u00e3o. Ele tamb\u00e9m afirma que \u00e9 importante usar os resultados deste per\u00edodo para aprofundar estudos baseados em modelos clim\u00e1ticos, que d\u00e3o a pista de como ser\u00e1 o clima em m\u00e9dio e longo prazo. \u201cTrata-se do pr\u00f3ximo passo para compreender os mecanismos por tr\u00e1s desses padr\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Cada ecossistema responde \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de forma diferente. Por exemplo, as florestas tropicais, como a Amaz\u00f4nia, apresentaram sensibilidade \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de nebulosidade e varia\u00e7\u00f5es na temperatura, que juntas influenciam na taxa de crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o, provavelmente por causa de redu\u00e7\u00f5es de trocas gasosas sob temperaturas mais quentes \u2013 a floresta sufoca, mais ou menos literalmente. Os pesquisadores ressaltam que, apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel associar os dados de pouco mais de uma d\u00e9cada diretamente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, causadas pela emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, as descobertas podem ter implica\u00e7\u00f5es para o futuro dos ecossistemas.<\/p>\n<p>\u201cDada a import\u00e2ncia da identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ecologicamente sens\u00edveis para os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e redu\u00e7\u00e3o da pobreza, h\u00e1 uma lacuna fundamental de conhecimento para identificar e, em seguida, priorizar as regi\u00f5es que s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica\u201d, dizem os autores do estudo.<\/p>\n<div id=\"attachment_206005\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-206005\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mapa-1.png\" alt=\"Mapa mostra vulnerabilidade dos ecossistemas pelo mundo, de acordo com \u00edndice desenvolvido pelos autores do estudo. Em amarelo e vermelho, os mais sens\u00edveis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica.\" width=\"300\" height=\"125\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Mapa mostra vulnerabilidade dos ecossistemas pelo mundo, de acordo com \u00edndice desenvolvido pelos autores do estudo. Em amarelo e vermelho, os mais sens\u00edveis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica.<\/p>\n<\/div>\n<p>Para o bi\u00f3logo Fabio Scarano, diretor-executivo da Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, o estudo revela a necessidade de mais projetos de restaura\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o especial ao cumprimento do C\u00f3digo Florestal e efetividade do CAR (Cadastro Ambiental Rural) na regi\u00e3o coberta pela Caatinga. \u201cA aplica\u00e7\u00e3o da lei e a restaura\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o devem ser priorit\u00e1rias.\u201d Um estudo de 2015 liderado pelo pesquisador do Inpe Gilberto C\u00e2mara mostra que, mesmo com o C\u00f3digo Florestal, o desmatamento na Caatinga pode continuar at\u00e9 depois de 2050 \u2013 seria o \u00fanico bioma do Brasil no qual a devasta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se estabilizaria. Segundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, a Caatinga j\u00e1 perdeu 46% de sua cobertura florestal original.<\/p>\n<p>Scarano acredita que o plano clim\u00e1tico apresentado pelo Brasil \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas para o acordo do clima pode contribuir para pol\u00edticas mais eficientes na regi\u00e3o, embora s\u00f3 existam metas para restaura\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. O planejamento de restaura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o deve ser simples, uma vez que ainda n\u00e3o existem dados de monitoramento de desmatamento no bioma \u2013 que ocupa 11% do territ\u00f3rio nacional, mas s\u00f3 tem 7,5% de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, sendo que pouco mais de 1% delas s\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral, de acordo com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Tamb\u00e9m de acordo com informa\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio, as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental t\u00eam baixo grau de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>C\u00e2mara mostra-se preocupado com o mal que a conflu\u00eancia entre desmatamento, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e s\u00e9culos de agricultura insustent\u00e1vel podem fazer com a sociedade no Semi\u00e1rido. Ele menciona uma s\u00e9rie de dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que mostra quebras de safra expressivas no Cear\u00e1 ap\u00f3s 2010: \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de 2011, todos os anos at\u00e9 2014 tiveram quebras maiores que um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>\u201cNum clima mais ameno do que o atual a situa\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido j\u00e1 era cr\u00edtica. Qualquer mudan\u00e7a, mesmo moderada, no clima e na precipita\u00e7\u00e3o ir\u00e1 inviabilizar a agricultura da Caatinga.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caatinga e Amaz\u00f4nia est\u00e3o entre os ecossistemas mais sens\u00edveis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, segundo mapa global;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37367,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bioma_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Caatinga e Amaz\u00f4nia est\u00e3o entre os ecossistemas mais sens\u00edveis \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, segundo mapa global;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37366"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37366"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37366\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}