{"id":37201,"date":"2016-02-16T13:00:25","date_gmt":"2016-02-16T16:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37201"},"modified":"2016-02-16T15:42:21","modified_gmt":"2016-02-16T18:42:21","slug":"abrolhos-e-santuario-da-grazina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/abrolhos-e-santuario-da-grazina\/","title":{"rendered":"Abrolhos \u00e9 santu\u00e1rio da Grazina, ave amea\u00e7ada pelos comedores dos seus ovos"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37204\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37204\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ave est\u00e1 amea\u00e7ada devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de comedores dos seus ovos nas ilhas do arquip\u00e9lago baiano e em Fernando de Noronha. Em 22 de fevereiro, expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica testar\u00e1 estrat\u00e9gia para capturar predadores.<\/em><\/p>\n<div>\n<p>Uma r\u00e1pida sucess\u00e3o de keck, keck, keck ecoa pelos ares das cinco ilhas do Arquip\u00e9lago de Abrolhos e tamb\u00e9m em Fernando de Noronha, nesta \u00e9poca do ano. Se for caso de namoro, a grazina (<em>Phaethon aethereus<\/em> Linnaeus, 1758) faz a corte no ar, emitindo kreeee, kreeee, kreeee agudos e prolongados para impressionar o parceiro. Esta ave brilhante, de bico vermelho, que est\u00e1 sempre voando sobre o mar, enfeita os c\u00e9us dessas ilhas do litoral brasileiro para o acasalamento, postura e cria\u00e7\u00e3o do filhote, entre os meses de outubro e maio.<\/p>\n<p>De penas muito alvas, rajadas de negro no dorso e pontas das asas, a grazina est\u00e1 com sua exist\u00eancia futura em perigo devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de predadores de seus ovos, em terra. Nas ilhas do Arquip\u00e9lago de Abrolhos, principal ber\u00e7o reprodutivo da grazina, a maior amea\u00e7a s\u00e3o ratos comedores de ovos. Eles chegaram \u00e0s ilhas nas embarca\u00e7\u00f5es que por ali aportam, sendo que o maior problema est\u00e1 na ilha Santa B\u00e1rbara, com prolifera\u00e7\u00e3o favorecida, tamb\u00e9m, pelo ac\u00famulo de lixo.<\/p>\n<p><strong>DESEQUIL\u00cdBRIO<\/strong><\/p>\n<p>Outros predadores comuns, j\u00e1 no Arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha, s\u00e3o os c\u00e3es, gatos e o tei\u00fa, um lagarto grande, que tem fama de assaltar galinheiros para comer ovos e pintinhos, encontrado desde a Amaz\u00f4nia at\u00e9 a Argentina. Por estas raz\u00f5es, existem, no pa\u00eds, menos de mil grazinas na natureza. \u201c\u00c9 importante proteger esse animal porque todo ser vivo faz parte de uma teia de processos biol\u00f3gicos que se relacionam e qualquer interfer\u00eancia nesse elo acarreta em desequil\u00edbrio ao meio ambiente\u201d, explica o analista ambiental Diego Mendes, do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Aves Silvestres (Cemave), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n<p>Diego Mendes destaca que \u201ctais aves funcionam como reguladores de peixes e lulas na cadeia tr\u00f3fica (alimentar), dando equil\u00edbrio ao sistema ecol\u00f3gico\u201d. Ele adianta que a esp\u00e9cie ser\u00e1 contemplada no Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para Conserva\u00e7\u00e3o de Aves Marinhas e Costeiras, a ser elaborado pelos especialistas do ICMBio.<\/p>\n<p><strong>FILHO \u00daNICO<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que cada casal, por temporada, bota e choca apenas um ovo, manchado de vermelho, marrom ou amarelo. E quando esse \u00fanico ovo escapa aos predadores, os pais se revezam no ninho por at\u00e9 44 dias. Ao nascer, o filhote, coberto de penugem, tem bico amarelo e cauda curta, ao contr\u00e1rio dos pais, cujo rabo pode superar os 40 cent\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n<p>O animal jovem fica no ninho por 80 a 90 dias. E, quando conquista autonomia, alimenta-se de peixes e lulas, mas, sobretudo, de peixes-voadores, apanhando-os em pleno ar, quando estes planam sobre as ondas. Muitas vezes, atacam as presas voando sobre elas.<\/p>\n<p><strong>PREVEN\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>De olho nos predadores e com a finalidade de estabelecer um manejo adequado para reduzir a quantidade de ratos nas ilhas, pesquisadores da Associa\u00e7\u00e3o Vila-velhense de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Avidepa), entidade civil sem fins lucrativos que estuda aves marinhas h\u00e1 mais de 30 anos, est\u00e3o buscando formas de capturar esses animais invasores no Parque Nacional de Abrolhos, estabelecendo protocolos de controle. A entidade, com apoio do Cemave, desenvolve pesquisas sobre biologia reprodutiva, poss\u00edveis movimenta\u00e7\u00f5es e longevidade da <em>P. aethereus<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cRealizaremos uma expedi\u00e7\u00e3o ao arquip\u00e9lago entre os dias 22 e 29 de fevereiro, com quatro pesquisadores, para colocar ratoeiras e armadilhas numa parte da ilha Santa B\u00e1rbara para verificar a efic\u00e1cia dessa estrat\u00e9gia\u201d, conta o diretor-executivo da Avidepa, o m\u00e9dico C\u00e9sar Meyer Musso.\u00a0 Ele explica que h\u00e1 uma destrui\u00e7\u00e3o significativa de ovos: \u201cAo longo dos \u00faltimos anos, essa perda est\u00e1 aumentando, como constatamos pelas informa\u00e7\u00f5es coletadas em campo. E \u00e9 prov\u00e1vel que o rato seja o respons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><strong>DECL\u00cdNIO<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2011 e 2015, durante a retomada do monitoramento do s\u00edtio reprodutivo da grazina, a equipe da Avidepa identificou fatores que estariam interferindo no sucesso reprodutivo das aves, em especial a Rabo-de-palha-de-bico-vermelho, esp\u00e9cie considerada amea\u00e7ada. Nesse processo de observa\u00e7\u00e3o, foram cadastrados nas ilhas do Arquip\u00e9lago 578 ninhos de grazina, sendo 346 na Ilha Santa B\u00e1rbara, 128 na Ilha Redonda, 62 na Ilha Sueste, e 49 na Ilha Siriba.<\/p>\n<p>Nas verifica\u00e7\u00f5es feitas pela equipe da Avidepa, no segundo semestre de 2013, dos 122 ninhos acompanhados no Setor 1 da Ilha Santa B\u00e1rbara, pelo menos 50% dos ovos foram predados. Na Ilha Siriba, dos 28 ninhos verificados no Setor 1, nesse mesmo per\u00edodo, ao menos 35% dos ovos foram devorados. Entre 2011 e 2015, dos ninhos observados no m\u00eas de setembro, constatou-se que a destrui\u00e7\u00e3o de ovos na Ilha Santa B\u00e1rbara aumentou cinco vezes. \u201cPodemos considerar que o \u00edndice de preda\u00e7\u00e3o dos ovos do Rabo-de-palha-de-bico-vermelho cresceu de forma alarmante, nos \u00faltimos quatro anos, e isso \u00e9 preocupante\u201d, alerta C\u00e9sar Musso.<\/p>\n<p><strong>VULNERABILIDADE<\/strong><\/p>\n<p>A grazina \u00e9 uma ave de m\u00e9dio porte, medindo de 90 a 105 cent\u00edmetros de envergadura, de uma ponta \u00e0 outra das asas. Passa a maior parte do tempo em mar aberto e descansa boiando sobre as \u00e1guas do oceano. Por isso mesmo, torna-se vulner\u00e1vel aos grandes predadores, que, por causa deste comportamento, arrancam suas patas vermelhas, formadas por membranas natat\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u201cEsta ave faz voos de observa\u00e7\u00e3o a cerca de 20 metros de altura e mergulha a at\u00e9 4 metros de profundidade em busca de alimento\u201d, conta a monitora do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a paraense Maria Bernadete Silva Barbosa, a \u201cBerna\u201d, 52 anos, que passa mais tempo no arquip\u00e9lago do que no continente. H\u00e1 27 anos atuando como guarda parque terceirizada, Berna \u00e9 a funcion\u00e1ria mais antiga de Abrolhos e refor\u00e7a: \u201cA grazina \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada, que faz ninho em lugares escarpados ou na areia\u201d, facilitando a a\u00e7\u00e3o dos comedores de ovos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/96AF70dsCR0\" width=\"638\" height=\"638\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><br \/>\nEm outras partes do planeta, parentes da grazina \u201cbrasileira\u201d s\u00e3o encontradas em todas as regi\u00f5es tropicais do Pac\u00edfico Oriental, Mar do Caribe, Atl\u00e2ntico, Mar Vermelho, Golfo P\u00e9rsico e Oceano \u00cdndico, al\u00e9m do Atl\u00e2ntico Sul, na ilha Ascension. Os observadores a descrevem como sendo graciosa ao voar e desajeitada quando no solo. No mar, geralmente, \u00e9 vista sozinha e, mais raramente, em grupo de dois ou tr\u00eas indiv\u00edduos, podendo viver por cerca de 16 anos.<\/p>\n<p><strong>LIVRO VERMELHO<\/strong><\/p>\n<p>A equipe do Cemave e seus colaboradores fizeram, em 2015, uma atualiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre a grazina, resultado da avalia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Esses dados ser\u00e3o publicados pelo ICMBio, institui\u00e7\u00e3o vinculada ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) na nova edi\u00e7\u00e3o do Livro Vermelho da Fauna Brasileira.<\/p>\n<p>Colaboraram com dados sobre o Rabo-de-palha-de-bico-vermelho os pesquisadores M\u00e1rcio Efe, Patr\u00edcia Pereira Serafini e Guilherme Tavares Nunes. De acordo com eles, a esp\u00e9cie sofre com o decl\u00ednio continuado na qualidade do habitat. Modelagens (simula\u00e7\u00f5es) indicam risco de extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie em 57,5%, nos pr\u00f3ximos 75 anos. Estudos revelaram que n\u00e3o houve altera\u00e7\u00e3o de categoria no ajuste regional e, dessa forma, a <em>P. aethereus<\/em> foi avaliada como<em> Em Perigo (EN)<\/em>.<\/p>\n<p>Em termos globais, estima-se que existam menos de 10 mil casais, sendo que no Atl\u00e2ntico Sul h\u00e1 menos de tr\u00eas mil deles. A popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 reduzida a n\u00fameros muito baixos (Orta 1992a), sendo certamente menor que 1 mil indiv\u00edduos maduros (Oficina de Avalia\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Alethea Muniz<br \/>\nAssessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social (Ascom\/MMA): (61) 2028-1165<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ave est\u00e1 amea\u00e7ada devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de comedores dos seus ovos nas ilhas do arquip\u00e9lago<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/passaro_grazina.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ave est\u00e1 amea\u00e7ada devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de comedores dos seus ovos nas ilhas do arquip\u00e9lago","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37201\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}