{"id":37048,"date":"2016-02-14T12:00:52","date_gmt":"2016-02-14T15:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37048"},"modified":"2016-02-14T11:45:23","modified_gmt":"2016-02-14T14:45:23","slug":"em-limbo-regulatorio-mosquito-transgenico-avanca-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/em-limbo-regulatorio-mosquito-transgenico-avanca-no-brasil\/","title":{"rendered":"Em limbo regulat\u00f3rio, mosquito transg\u00eanico avan\u00e7a campo de testes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37051\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37051\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O uso de mosquitos transg\u00eanicos pode mudar a forma como o Brasil vem combatendo o <i>Aedes aegypti<\/i>. Mas, apesar das taxas de sucesso alardeadas por autoridades e pela empresa que inventou o novo inseto, o mosquito OX513A, como foi batizado, \u00e9 pol\u00eamico.<\/p>\n<p>Produzida pela empresa brit\u00e2nica Oxitec, a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do <i>Aedes aegypti<\/i> poder\u00e1 ser o primeiro inseto do tipo a ser comercializado no mundo, mais provavelmente, no Brasil, onde vem encontrando seu mais amplo campo de testes.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio) aprovou testes em 2011 e uso comercial em 2014, mas a falta de um parecer da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) trava a entrada do mosquito em um mercado que poder\u00e1 representar milh\u00f5es em receita para a Oxitec.<\/p>\n<p>Um porta-voz da Anvisa disse \u00e0 BBC Brasil que a ag\u00eancia j\u00e1 informou que &#8220;a empresa n\u00e3o poder\u00e1 comercializar o produto at\u00e9 que conclua essa discuss\u00e3o sobre o enquadramento do mosquito transg\u00eanico (em uma categoria que possa ser fiscalizada de acordo com atribui\u00e7\u00f5es da ag\u00eancia)&#8221;.<\/p>\n<p>Diante do limbo regulat\u00f3rio, a Oxitec reparte com a prefeitura de Piracicaba os custos dos testes feitos com o mosquito em um bairro da cidade paulista. Piracicaba poder\u00e1 se tornar a primeira cidade no pa\u00eds a receber a esp\u00e9cie em larga escala. A prefeitura decidiu ampliar os testes, liberando o OX513A tamb\u00e9m no centro da cidade, onde vivem 60 mil pessoas &#8211; contra 5,5 mil no bairro onde o inseto vinha sendo testado anteriormente.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Conflito<\/h2>\n<p>Segundo a prefeitura e a Oxitec, o <i>Aedes aegypti<\/i> modificado geneticamente tem apresentado altas taxas de performance nos testes, supostamente reduzindo em muito a ocorr\u00eancia de dengue, mas os resultados s\u00e3o alvos de cr\u00edticas por parte da comunidade cient\u00edfica que demonstra preocupa\u00e7\u00e3o com a amplia\u00e7\u00e3o dos experimentos.<\/p>\n<p>Esta semana, ativistas e cientistas de Piracicaba levaram \u00e0 promotora de Justi\u00e7a de Direitos Humanos e Sa\u00fade P\u00fablica na cidade, Maria Christina Marton Corr\u00eaa Seifarth de Freitas, representa\u00e7\u00e3o em que, al\u00e9m de voltar a questionar o uso do mosquito, pedem acesso a dados oficiais e detalhados sobre os testes realizados no projeto da Prefeitura batizado de <i>Aedes aegypti<\/i> do Bem.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/07\/23\/150723152911_piracicaba_oxitec_624x351_credit.jpg\" alt=\"Foto: Oxitec\" width=\"636\" height=\"358\" \/>\u00a0<\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> No ano passado, mais de 150 mil pessoas assinaram uma peti\u00e7\u00e3o que tentava evitar os testes do OX513A na Fl\u00f3rida <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>O grupo queria ainda que o Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo barre a amplia\u00e7\u00e3o do projeto para o Centro. Mas, ao contr\u00e1rio dos ativistas, a promotora n\u00e3o v\u00ea conflito de interesses no fato de a Oxitec ter sido, segundo o grupo, a \u00fanica a fornecer os dados que atestam a efici\u00eancia do OX513A.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vejo conflito de interesse. Os dados da empresa podem ser acompanhados por qualquer cientista, como definido pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) de abril de 2015&#8221;, diz ela. &#8220;E, no bairro em que o transg\u00eanico foi testado, o n\u00famero de casos confirmados de dengue passou de 133 em 2014 para 1 em 2015&#8221;.<\/p>\n<p>O TAC obrigava o munic\u00edpio e a empresa a liberarem dados mensalmente sobre os testes em Piracicaba, o que vem sendo feito. Mas cientistas questionam o a imparcialidade dos dados apresentados nos documentos liberados at\u00e9 agora e pedem dados oficiais, n\u00e3o gerados pela empresa.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos saber a efic\u00e1cia antes de a prefeitura ampliar o programa. O mosquito \u00e9 uma nova esp\u00e9cie. A transgenia est\u00e1 fazendo em laborat\u00f3rio o que a natureza levou milhares de anos para fazer. E o desenvolvimento \u00e9 de uma empresa privada, que tem interesse em vender. Mas, se der errado, n\u00e3o tem volta&#8221;, alerta Eloah Margoni, vice-presidente da Sociedade para a Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba, uma das signat\u00e1rias da representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os questionamentos sobre o mosquito transg\u00eanico &#8211; testado na Mal\u00e1sia, no Panam\u00e1 e nas Ilhas Cayman &#8211; n\u00e3o se restringem ao Brasil. No ano passado, mais de 150 mil pessoas assinaram uma peti\u00e7\u00e3o que tentava evitar os testes do OX513A na Fl\u00f3rida. Como no Brasil, tamb\u00e9m nos Estados Unidos a tecnologia ainda n\u00e3o tem aprova\u00e7\u00e3o para comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em janeiro, a Federal Drugs Administration (FDA), o equivalente americano \u00e0 Anvisa, informou que colocar\u00e1 o pedido da Oxitec para testes na Fl\u00f3rida sob consulta p\u00fablica, antes de avaliar o impacto ambiental do uso do mosquito transg\u00eanico no local, o que, segundo a FDA, n\u00e3o tem data para ocorrer.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Cobaia&#8217;<\/h2>\n<p>O mosquito transg\u00eanico \u00e9 modificado geneticamente para, solto no meio ambiente, levar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da popula\u00e7\u00e3o local do inseto. Depois de fecundar f\u00eameas <i>Aedes aegypti<\/i> selvagens, a maior parte das suas crias morre &#8211; no m\u00e1ximo 4% das larvas chegam \u00e0 vida adulta. De acordo com a empresa que desenvolveu o inseto, ao se reduzir a popula\u00e7\u00e3o do mosquito, caem incid\u00eancias das doen\u00e7as transmitidas por ele, como dengue, chikungunya e zika.<\/p>\n<p>Mas diversos cientistas, brasileiros e estrangeiros, afirmam que os estudos feitos pela Oxitec &#8211; e aceitos pela CTNBio &#8211; n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir a efici\u00eancia no combate \u00e0s doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser cobaia&#8221;, critica o bi\u00f3logo Jos\u00e9 Maria Ferraz, conselheiro da CTNBio \u00e0 \u00e9poca em que o \u00f3rg\u00e3o inicialmente examinou o OX513A. &#8220;N\u00e3o somos contra modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Somos contra a forma apressada como a libera\u00e7\u00e3o foi feita&#8221;, diz ele, que tamb\u00e9m assinou a peti\u00e7\u00e3o enviada ao Minist\u00e9rio P\u00fablico em Piracicaba.<\/p>\n<p>Dezoito conselheiros votaram na sess\u00e3o de 10 de abril de 2014 da CTNBio que liberou o mosquito transg\u00eanico &#8211; 16 a favor, um contra e uma absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisador convidado do Laborat\u00f3rio de Engenharia Ecol\u00f3gica da Unicamp, Ferraz diz que a libera\u00e7\u00e3o do uso comercial do OX513A pelo \u00f3rg\u00e3o foi &#8220;obscura&#8221; e, segundo ele, levou a metade dos 5 anos pelos quais normalmente pedidos como este tramitam.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um processo totalmente avesso \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da CTNBio. O uso do mosquito foi liberado antes de testes conclusivos, de campo e de estat\u00edstica&#8221;, diz ele, que n\u00e3o participou da vota\u00e7\u00e3o final, porque seu mandato j\u00e1 estava encerrado.<\/p>\n<p>Em nota emitida em fevereiro de 2015, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco), que congrega institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, tamb\u00e9m questionou &#8211; com base nos argumentos de Ferraz e outros cientistas &#8211; a tramita\u00e7\u00e3o do processo na CTNBio, que classificou de &#8220;excepcional&#8221;.<\/p>\n<p>A Abrasco questiona o &#8220;fato de representantes do proponente da tecnologia (Oxitec) terem sido convidados a participar de reuni\u00e3o onde ela estaria sendo avaliada e, mais do que isso, a realizar exposi\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito que poderia ser confundida com marketing institucional com possibilidade de induzir os membros da CTNBio \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Um voto<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/02\/05\/160205184947_mosquito_transgenico_ox513a_640x360_oxitec.jpg\" alt=\"Foto: Oxitec\" width=\"638\" height=\"359\" \/><\/span>\u00a0<\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Larvas do mosquito transg\u00eanico: dispositivo faz inseto morrer antes que possa transmitir doen\u00e7as <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>O conselheiro Ant\u00f4nio In\u00e1cio Andrioli, \u00fanico voto contr\u00e1rio ao mosquito transg\u00eanico na Comiss\u00e3o, afirma que houve press\u00f5es e &#8220;lobby da empresa&#8221;. &#8220;Na noite anterior recebemos um e-mail pedindo voto. E a pesquisa do mosquito transg\u00eanico envolveu a USP. V\u00e1rios integrantes da CTNBio eram da USP, inclusive o presidente da comiss\u00e3o na \u00e9poca, que tinha liga\u00e7\u00f5es inclusive com a ind\u00fastria farmac\u00eautica&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>A CTNBio nega que tenha apressado o processo ou qualquer influ\u00eancia externa. Em nota enviada \u00e0 BBC Brasil, afirma que &#8220;acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem fundamento em fatos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As libera\u00e7\u00f5es planejadas foram conduzidas com autoriza\u00e7\u00e3o da CTNBio e os dados do processo foram deliberados dentro dos prazos regimentais. N\u00e3o houve falhas no exame da mat\u00e9ria pela CTNBio e as manifesta\u00e7\u00f5es da empresa durante a reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o foram feitas a pedido da Coordena\u00e7\u00e3o da mesa com anu\u00eancia dos membros presentes sobre a mat\u00e9ria espec\u00edfica objeto da delibera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>&#8220;As pesquisas conduzidas pela equipe do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP foram examinadas e votadas como todos os processos da comiss\u00e3o, nenhuma quest\u00e3o \u00e9tica foi apontada como relevante aos procedimentos executados. O pedido de libera\u00e7\u00e3o comercial do mosquito GM foi protocolado pela empresa Oxitec e n\u00e3o pela USP, assim n\u00e3o procede a acusa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>Presidente da CTNBio durante a tramita\u00e7\u00e3o do processo do OX513A, o professor da USP Flavio Finardi diz que o grupo que questiona &#8220;\u00e9 sempre o mesmo, seja o mosquito transg\u00eanico ou uma vacina transg\u00eanica para uso veterin\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A pessoa (Andrioli) que fez o parecer contra o mosquito transg\u00eanico foi tamb\u00e9m a \u00fanica que votou contra. Perdeu na democracia, mas tamb\u00e9m na ci\u00eancia&#8221;, diz Finardi, que votou pela libera\u00e7\u00e3o do OX513A.<\/p>\n<p>Finardi foi substitu\u00eddo no comando da CTNBio por Edivaldo Domingues Velini, que assinou a libera\u00e7\u00e3o do OX513A.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Temores<\/h2>\n<p>Jos\u00e9 Maria Ferraz e outros pesquisadores insistiram junto ao MP de S\u00e3o Paulo nos argumentos que j\u00e1 haviam apresentado \u00e0 CTNBio, mencionados no parecer t\u00e9cnico 3964\/2014, que liberou a aplica\u00e7\u00e3o do mosquito.<\/p>\n<p>Alertam para a possibilidade de prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito OX513A, caso as larvas entre em contato com o antibi\u00f3tico tetraciclina presente no meio ambiente, que &#8220;desliga&#8221; o dispositivo gen\u00e9tico que impede os insetos de chegarem \u00e0 vida adulta.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil baniu a tetraciclina em ra\u00e7\u00e3o animal em 2009&#8221;, rebate Hadyn Parry, chefe-executivo da Oxitec. &#8220;A despeito da especula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia devido \u00e0 press\u00e3o de grupos, a presen\u00e7a da tetraciclina no meio ambiente \u00e9 m\u00ednima e, quando ocorre, degrada rapidamente se exposta \u00e0 luz do sol&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/01\/30\/160130025501_brazil_leaflet_mosquito_640x360_epa_nocredit.jpg\" alt=\"Foto: EPA\" width=\"636\" height=\"358\" \/><\/span>\u00a0<\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Avan\u00e7o de doen\u00e7as transmitidas pelo &#8216;Aedes aegypti&#8217; aumentou a press\u00e3o sobre autoridades para solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas o bi\u00f3logo brasileiro chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de haver uso veterin\u00e1rio da tetraciclina, e tamb\u00e9m em humanos. &#8220;Antes de soltar o mosquito, teria sido importante avaliar a presen\u00e7a da tetraciclina e de antibi\u00f3ticos semelhantes no meio ambiente, principalmente no esgoto&#8221;.<\/p>\n<p>Sem o tal &#8220;desligamento&#8221;, crias do mosquito gen\u00e9tico poderiam chegar \u00e0 idade adulta.<\/p>\n<p>Em resposta, a Oxitec afirma que estudos em Jacobina, na Bahia, nas Ilhas Cayman e no Panam\u00e1 n\u00e3o sugerem qualquer perda de efic\u00e1cia (e percentual superior de sobreviv\u00eancia) do OX513A. E que, se houvesse presen\u00e7a da tetraciclina, a empresa teria identificado em seus monitoramentos.<\/p>\n<p>A empresa brit\u00e2nica menciona, ainda, estudo conduzido em 2013 por pesquisadores da Unicamp e do Imperial College London mostrando que os n\u00edveis de tetraciclina nos locais em que o mosquito seria liberado eram insuficientes para &#8220;desligar&#8221; o dispositivo gen\u00e9tico que mata os insetos transg\u00eanicos antes da vida adulta.<\/p>\n<p>De acordo com a Oxitec, as primeiras libera\u00e7\u00f5es do mosquito no meio ambiente foram feitas antes de tais estudos, em 2011 e 2012, em Juazeiro, Bahia, onde foram conduzidos testes de campo autorizados pela CTNBio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Efeito colateral<\/h2>\n<p>O maior temor dos cientistas cr\u00edticos ao mosquito \u00e9 uma esp\u00e9cie de efeito colateral da redu\u00e7\u00e3o do <i>Aedes aegypti<\/i> selvagem. Cientistas temem isso que abra caminho para o mosquito <i>Aedes albopictus<\/i>, mais eficiente na transmiss\u00e3o de doen\u00e7as como a chikungunya, mal\u00e1ria e febre amarela.<\/p>\n<p>&#8220;O <i>albopictus<\/i> j\u00e1 foi o principal fator de transmiss\u00e3o da dengue. E pode voltar. E a natureza ensina que n\u00e3o h\u00e1 vazio. Se um mosquito sai, entra outro&#8221;, diz o ex-conselheiro da CTNBio Leonardo Melgarejo, professor do mestrado profissional em agroecossistemas da Universidade Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<p>&#8220;E, o que aconteceria? A empresa criaria um transg\u00eanico de outro mosquito para as prefeituras comprarem novamente, num ciclo sem fim?&#8221;, questiona ele, que tamb\u00e9m se manifestou contra a libera\u00e7\u00e3o do inseto transg\u00eanico para comercializa\u00e7\u00e3o durante seu mandato de conselheiro na CTNBio.<\/p>\n<p>A Oxitec afirma n\u00e3o ter identificado entrada do <i>albopictus<\/i> no lugar do <i>aegypti<\/i>. &#8220;Isso foi estudado recentemente no Panam\u00e1 e n\u00e3o houve evid\u00eancias de substitui\u00e7\u00e3o. Resultados obtidos em um estudo em andamento em Piracicaba, onde o <i>Aedes albopictus<\/i> est\u00e1 presente, mostram evid\u00eancias insuficientes de que o <i>Aedes aegypti<\/i> ser\u00e1 substitu\u00eddo&#8221;, disse Hadyn Parry, chefe-executivo da Oxitec.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"> <span class=\"story-image-copyright\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2016\/01\/20\/160120211138_zika_aedes_640x360_afp_nocredit.jpg\" alt=\"Foto: AFP\" width=\"636\" height=\"358\" \/><\/span>\u00a0<\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span> <span class=\"media-caption__text\"> Cientistas e ativistas querem mais testes envolvendo o mosquito transg\u00eanico e sua rela\u00e7\u00e3o com natureza <\/span> <\/figcaption><\/figure>\n<p>Ferraz diz que &#8220;o problema \u00e9 justamente este, que a empresa est\u00e1 fazendo uma experi\u00eancia que enriquece a base de dados deles&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Fizeram testes no semi\u00e1rido e agora vieram para a regi\u00e3o de Mata Atl\u00e2ntica. O \u00f4nus da prova n\u00e3o pode ser invertido. A empresa tem que provar que n\u00e3o haver\u00e1 problemas, e n\u00e3o dizer que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia dos problemas&#8221;, diz Ferraz.<\/p>\n<p>Em meio ao debate, governos justificam a amplia\u00e7\u00e3o de seus programas de uso do inseto transg\u00eanico diante da emerg\u00eancia que a dengue e agora o zika impuseram.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Alto desempenho<\/h2>\n<p>A secretaria de Sa\u00fade do Estado da Bahia e a Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Piracicaba afirmam que, diante da urg\u00eancia imposta pelos n\u00fameros alarmantes de dengue, aceitaram adotar em car\u00e1ter experimental o uso do mosquito transg\u00eanico.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio baiano de Jacobina, a ideia \u00e9 estender os programas iniciais com o OX513A para mais bairros.<\/p>\n<p>A superintendente de Vigil\u00e2ncia e Prote\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade da Bahia, Ita de C\u00e1cia Aguiar, afirmou que a aplica\u00e7\u00e3o teste do inseto transg\u00eanico em dois bairros custou ao governo R$ 1,2 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela diz n\u00e3o &#8220;ter certeza sobre a efic\u00e1cia do mosquito transg\u00eanico na redu\u00e7\u00e3o da dengue&#8221;. Mas houve redu\u00e7\u00e3o do <i>Aedes aegypti<\/i>, ela garante. &#8220;N\u00e3o temos not\u00edcias de adoecimentos graves em Jacobina&#8221;.<\/p>\n<p>Em Piracicaba, o uso do mosquito transg\u00eanico foi um &#8220;projeto de parceria em car\u00e1ter de pesquisa, com custos compartilhados entre o munic\u00edpio e a empresa (Oxitec). Nesse primeiro ano do projeto, que se encerra em 29 de fevereiro, foram investidos R$ 150 mil pelo munic\u00edpio&#8221;, informou a Secretaria Municipal de Sa\u00fade da cidade, em nota \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com a prefeitura, os resultados de testes apresentados no dia 19 de janeiro apresentam redu\u00e7\u00e3o de 82% nas larvas selvagens do <i>Aedes aegypti<\/i>, &#8220;e mostram que a alternativa funciona e pode ser aplicada de forma mais ampla para tratar um importante problema de sa\u00fade p\u00fablica, que se agrava com a chegada do zika v\u00edrus em nosso pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s examinar a peti\u00e7\u00e3o de ativistas, a promotora Maria Christina Marton Corr\u00eaa Seifarth de Freitas afirmou que pedir\u00e1 \u00e0 Prefeitura de Piracicaba e \u00e0 Oxitec que se manifestem. Mas Maria Cristina n\u00e3o d\u00e1 muitas esperan\u00e7as aos ativistas.<\/p>\n<p>&#8220;Houve agravamento da situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, diz ela. &#8220;E, no bairro onde o mosquito transg\u00eanico foi aplicado, o n\u00famero de casos confirmados da dengue caiu de 133, em 2014, para 1 em 2015&#8221;, complementou, citando, segundo ela, dados da Prefeitura.<\/p>\n<p>&#8220;A empresa est\u00e1 construindo o <i>case<\/i> dela, com estes testes em larga escala em Piracicaba&#8221;, diz o ex-conselheiro da CTNBio Leonardo Melgarejo. &#8220;N\u00e3o sabemos qual o impacto ecol\u00f3gico desse mosquito&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Oxitec repele as desconfian\u00e7as justamente com o fato de ter sido muito criticada: &#8220;Suspeito que nossa tecnologia tenha sido examinada em muito mais detalhe e rigor do que a maioria das outras&#8221;, diz o chefe-executivo, Hadyn Parry.<\/p>\n<p>Por ora, ao que tudo indica, o mosquito transg\u00eanico veio para ficar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O uso de mosquitos transg\u00eanicos pode mudar a forma como o Brasil vem combatendo o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mosquito_trans.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O uso de mosquitos transg\u00eanicos pode mudar a forma como o Brasil vem combatendo o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37048"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37048\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}