{"id":37016,"date":"2016-02-13T16:54:22","date_gmt":"2016-02-13T19:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=37016"},"modified":"2016-02-13T16:54:22","modified_gmt":"2016-02-13T19:54:22","slug":"madeireira-da-amazonia-comeca-a-vender-mogno-com-selo-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/madeireira-da-amazonia-comeca-a-vender-mogno-com-selo-verde\/","title":{"rendered":"Madeireira da Amaz\u00f4nia come\u00e7a a vender mogno com selo verde"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mogno.jpg\" rel=\"attachment wp-att-37017\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-37017\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mogno-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mogno-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/mogno.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O mogno, a madeira mais famosa da <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/palavrachave\/amazonia\/\">Amaz\u00f4nia <\/a>est\u00e1 de volta ao mercado. Uma madeireira do Acre, a Agrocortex, conseguiu a primeira certifica\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de mogno do pa\u00eds. \u00c9 um marco para uma esp\u00e9cie que ganhou fama mundial nos anos 1980 por sua beleza e por alimentar a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Agora, o mogno passa a ser vendido de novo, com garantias de que o a produ\u00e7\u00e3o segue cuidados sociais e ambientais. A \u00e1rea da Agrocortex fica nos munic\u00edpios de Manoel Urbano, no Acre e Pauini e Boca do Acre, no Amazonas. O primeiro lote de toras de mogno sair\u00e3o da floresta nos pr\u00f3ximos dias para exporta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma das esp\u00e9cies mais valorizadas do mundo. Chega a US$ 3 mil o metro c\u00fabico no mercado.<\/p>\n<p>\u201cA Agrocortex viu uma grande oportunidade de entrar no mercado com uma madeira muito nobre, fornecendo um produto de florestas bem manejadas, certificadas e para garantir a diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o predat\u00f3ria sobre essas \u00e1reas\u201d, diz o engenheiro florestal Rui Ribeiro, diretor executivo da empresa.<\/p>\n<p>O retorno do mogno \u00e9 uma vit\u00f3ria para quem acredita que a produ\u00e7\u00e3o de madeira com responsabilidade pode gerar riqueza e empregos perenes na Amaz\u00f4nia. O mogno da Agrocortex \u00e9 certificado pelo selo do Conselho de Manejo Florestal (mais conhecido pela sigla FSC), o mais respeitado do mundo. O selo \u00e9 concedido por uma auditoria independente feita pela certificadora Imaflora, a maior do Brasil. A certifica\u00e7\u00e3o garante que a madeira \u00e9 extra\u00edda segundo um plano de manejo que segue a lei e ainda incorpora v\u00e1rios cuidados. O plano de manejo garante que a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o esgota a floresta. Seu princ\u00edpio \u00e9 simples. A madeireira divide a \u00e1rea em lotes. A cada ano, ela explora apenas um lote. Tira desse lote s\u00f3 as \u00e1rvores de valor comercial, que j\u00e1 est\u00e3o grandes o bastante para o corte. Elas s\u00e3o poucas. Cerca de uma ou duas na \u00e1rea de um campo de futebol. Quem passa de avi\u00e3o sobre uma floresta explorada assim nem percebe que h\u00e1 atividade madeireira l\u00e1 embaixo. A explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica somente ocorre em 3% da \u00e1rea. E mesmo nessa \u00e1rea menos de 5% das \u00e1rvores s\u00e3o exploradas. Depois a \u00e1rea \u00e9 deixada protegida por 30 anos. Nesse per\u00edodo a floresta se recupera. Esse uso sustent\u00e1vel da floresta garante uma produ\u00e7\u00e3o eterna e mant\u00e9m o ecossistema saud\u00e1vel, preservando o clima, a prote\u00e7\u00e3o dos mananciais e diversidade de animais.<\/p>\n<p>Por sua cor avermelhada e as caracter\u00edsticas f\u00edsicas de resist\u00eancia ao tempo e facilidade para a movelaria, o mogno conquistou o mundo nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990. A Amaz\u00f4nia brasileira foi atacada por madeireiras piratas. Grileiros invadiam terras p\u00fablicas, roubavam madeira, levavam para serrarias semi-clandestinas, contratavam pistoleiros para tirar quem os incomodava do caminho. Gra\u00e7as ao mogno, o munic\u00edpio de Paragominas, no sul do Par\u00e1, virou nos anos 1990 o maior polo de produ\u00e7\u00e3o de madeira tropical do mundo. Assim como o campe\u00e3o de desmatamento ilegal e de mortes por conflito de terras. (<a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Revista\/Epoca\/0,,EMI127930-15228,00.html\">Hoje, depois do apogeu e da queda dessa explora\u00e7\u00e3o voraz, o munic\u00edpio vem encontrando um novo caminho<\/a>.) A explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do mogno no Brasil fez o Ibama proibir qualquer venda do produto no pa\u00eds. Em 2003, o mogno entrou para a lista de esp\u00e9cies proibidas na Conven\u00e7\u00e3o sobre o Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies Silvestres da Fauna e Flora Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o (CITES). Sua venda foi banida do com\u00e9rcio internacional junto com outros produtos ambientalmente danosos como chifre de rinoceronte branco.<\/p>\n<p>Agora, o mogno volta em grande estilo. \u201cPara regular a explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do mogno, o governo criou em 2006 orienta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre a forma de catalogar as \u00e1rvores na floresta, organizar o corte e rastrear a produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Leonardo Martins Sobral, gerente de certifica\u00e7\u00e3o florestal da Imaflora. Ele explica que, para o produto chegar certificado at\u00e9 o consumidor, ser\u00e1 preciso que alguma empresa que faz produtos finais certificados compre a madeira. Grandes fabricantes e redes de lojas de m\u00f3veis, material de constru\u00e7\u00e3o e at\u00e9 talheres trabalham com madeira certificada. Qualquer um deles pode adotar uma linha de mogno certificado.<\/p>\n<p>O mogno \u00e9 valorizado na fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis, pela textura e pela cor. Tamb\u00e9m orna decora\u00e7\u00f5es de escrit\u00f3rios e outros ambientes de alto padr\u00e3o. Ainda \u00e9 usado em pe\u00e7as de luxo, como acabamento de avi\u00f5es privados, iates e carros sofisticados. Guitarras de mogno s\u00e3o admiradas pela resist\u00eancia e pela sonoridade. Desde que o Brasil foi proibido de vender a madeira, o Panam\u00e1 e o Peru virarm os dois \u00fanicos fornecedores internacionais. Com a certifica\u00e7\u00e3o, o mercado volta a se abrir para as \u00e1rvores brasileiras. Segundo Rui Ribeiro, a Agrocortex pretende explorar mogno com certifica\u00e7\u00e3o verde em outras \u00e1reas da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mogno, a madeira mais famosa da Amaz\u00f4nia est\u00e1 de volta ao mercado. 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