{"id":36918,"date":"2016-02-12T08:00:17","date_gmt":"2016-02-12T11:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36918"},"modified":"2016-02-12T10:15:43","modified_gmt":"2016-02-12T13:15:43","slug":"estudos-reforcam-relacao-entre-bem-estar-fisico-e-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudos-reforcam-relacao-entre-bem-estar-fisico-e-mental\/","title":{"rendered":"Novos estudos refor\u00e7am rela\u00e7\u00e3o entre bem-estar f\u00edsico e mental"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natacao.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36919\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36919\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/natacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mente s\u00e3 num corpo s\u00e3o. O antigo ditado de origem latina que associa o bem-estar f\u00edsico com o mental tem se mostrado cada vez mais verdadeiro \u00e0 luz da ci\u00eancia moderna. Em novo estudo publicado, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, EUA, encontraram indica\u00e7\u00f5es de que o sedentarismo na meia-idade pode levar a uma diminui\u00e7\u00e3o do volume cerebral mais tarde na vida. J\u00e1 outra avalia\u00e7\u00e3o de cientistas da mesma institui\u00e7\u00e3o americana e da Universidade de Bordeaux, Fran\u00e7a, tamb\u00e9m divulgada ontem, detectou uma queda na incid\u00eancia de dem\u00eancias nos \u00faltimos 40 anos, em especial as associadas a problemas vasculares, em paralelo ao decl\u00ednio na preval\u00eancia de fatores de risco card\u00edaco como tabagismo e hipertens\u00e3o n\u00e3o diagnosticada ou sem controle, apesar da tend\u00eancia de alta de dois deles \u2014 obesidade e diabetes.<\/p>\n<p>Ambas as pesquisas tiveram como base dados do Estudo do Cora\u00e7\u00e3o de Framingham (FHS, na sigla em ingl\u00eas), que desde os anos 1940 acompanha a sa\u00fade cardiovascular de moradores dessa cidade no estado americano de Massachusetts. Na primeira, os filhos do grupo original de volunt\u00e1rios inclu\u00eddos no estudo junto com seus c\u00f4njuges passaram por uma avalia\u00e7\u00e3o de seu condicionamento f\u00edsico, com testes de esfor\u00e7o em esteiras, entre 1979 e 1983, quando tinham em m\u00e9dia 40 anos. Cerca de 20 anos depois, entre 1998 e 2001, sua sa\u00fade cardiovascular voltou a ser avaliada, junto com exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p><strong>Pistas a partir de testes de esfor\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Comparando os resultados nos testes de esfor\u00e7o com os exames de volumetria cerebral, os pesquisadores encontraram uma correla\u00e7\u00e3o entre seu condicionamento f\u00edsico e o tamanho do c\u00e9rebro, com os que tiveram pior desempenho na esteira apresentando tamb\u00e9m sinais de envelhecimento precoce do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u2014 Achamos uma correla\u00e7\u00e3o direta entre o mau condicionamento f\u00edsico e o volume do c\u00e9rebro d\u00e9cadas depois, o que indica um envelhecimento cerebral acelerado \u2014 resume Nicole Spartano, pesquisadora da Escola de Medicina da Universidade de Boston e primeira autora de artigo sobre este estudo, publicado ontem na revista \u201cNeurology\u201d, editada pela Academia Americana de Neurologia.<\/p>\n<p>Nesta avalia\u00e7\u00e3o, os pesquisadores dividiram os volunt\u00e1rios em dois grupos para controlar os resultados pela presen\u00e7a ou aus\u00eancia de problemas cardiovasculares. No primeiro, 1.583 indiv\u00edduos estavam livres dessas condi\u00e7\u00f5es quando do segundo teste de esfor\u00e7o. J\u00e1 no outro grupo, totalizando 1.094 pessoas, todas j\u00e1 tinham desenvolvido alguma doen\u00e7a card\u00edaca ou tomavam rem\u00e9dios para controlar a press\u00e3o na segunda passagem pela esteira.<\/p>\n<p>Medindo seu desempenho a partir de um indicador conhecido como VO2 M\u00e1ximo, que mostra a quantidade m\u00e1xima de oxig\u00eanio que o corpo pode usar em um minuto durante um exerc\u00edcio f\u00edsico cada vez mais demandante, eles verificaram que, na m\u00e9dia dos dois grupos, a cada oito unidades a menos no resultado do teste de esfor\u00e7o, o volume do c\u00e9rebro duas d\u00e9cadas depois era menor no equivalente a dois anos de envelhecimento. J\u00e1 excluindo o grupo que apresentava problemas card\u00edacos ou tomava rem\u00e9dios quando do segundo teste, essas mesmas oito unidades a menos no desempenho foram associadas \u00e0 perda de volume cerebral equivalente a um ano de envelhecimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o estudo mostrou que as pessoas cuja press\u00e3o sangu\u00ednea e frequ\u00eancia card\u00edaca subiam de forma mais acelerada no teste de esfor\u00e7o tamb\u00e9m tinham maior risco de ter c\u00e9rebros menores duas d\u00e9cadas depois. Segundo Spartano, esses sinais de mau condicionamento f\u00edsico podem ser reveladores de problemas cardiovasculares latentes que, novamente, seriam capazes de fazer o c\u00e9rebro envelhecer mais r\u00e1pido. Apesar disso, a pesquisadora destaca que seu estudo foi apenas observacional e n\u00e3o prova de forma alguma que o sedentarismo faz o c\u00e9rebro encolher, mostrando apenas uma associa\u00e7\u00e3o entre os dois fatores.<\/p>\n<p>\u2014 Enquanto isso n\u00e3o for estudado em grande escala, nossos resultados sugerem que um bom condicionamento f\u00edsico na meia-idade pode ser particularmente importante para milh\u00f5es de pessoas ao redor do mundo que j\u00e1 apresentam sinais de problemas card\u00edacos \u2014 conclui.<\/p>\n<p><strong>Incid\u00eancia de dem\u00eancias recua<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 o segundo estudo, publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico \u201cNew England Journal of Medicine\u201d, buscou nos dados do FHS indica\u00e7\u00f5es de uma varia\u00e7\u00e3o na incid\u00eancia de diversos tipos de dem\u00eancia, como o mal de Alzheimer ou as provocadas por problemas vasculares nessa mesma popula\u00e7\u00e3o desde os anos 1970. No caso, a preocupa\u00e7\u00e3o central dos cientistas estava no fato de que, com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o global, estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) apontam que a quantidade de v\u00edtimas desses males dever\u00e1 disparar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, saindo de um total de 47,5 milh\u00f5es atualmente para 75,6 milh\u00f5es em 2030 e 135,5 milh\u00f5es, ou quase o triplo de hoje, at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Apesar disso, os pesquisadores liderados por Sudha Seshadri, professora de neurologia da Universidade de Boston, encontraram sinais de uma redu\u00e7\u00e3o relativa na incid\u00eancia de defici\u00eancias cognitivas nesta popula\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. Segundo os c\u00e1lculos dos cientistas, os riscos de desenvolver algum tipo de dem\u00eancia num prazo de cinco anos a partir dos 60 anos eram de 3,6 para cada cem participantes do estudo entre 1977 e 1983, e ca\u00edram para 2,8 a cada cem de 1986 a 1991, reduzindo novamente para 2,2 por cem volunt\u00e1rios no per\u00edodo de 1992 a 1998 e atingiram 2 por cem, ou 44% menos que a incid\u00eancia original, entre 2004 e 2008.<\/p>\n<p>Estes ganhos se concentraram em duas vari\u00e1veis de controle principais. A primeira \u00e9 a escolaridade, com a diminui\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia focada essencialmente na popula\u00e7\u00e3o com diplomas do ensino m\u00e9dio ou superior. A segunda, contudo, \u00e9 a que traz a maior promessa de preven\u00e7\u00e3o, pois embora quase n\u00e3o tenha havido queda na incid\u00eancia do mal de Alzheimer e outras doen\u00e7as neurodegenerativas, houve uma forte redu\u00e7\u00e3o nos casos de dem\u00eancia por problemas vasculares, o que inclui, por exemplo, perdas cognitivas causadas por derrames cerebrais. De acordo com os pesquisadores, essa queda acompanhou a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o de fatores de risco como tabagismo e hipertens\u00e3o descontrolada, mesmo que tenha sido identificada eleva\u00e7\u00e3o na preval\u00eancia de outros perigos, como obesidade e diabetes.<\/p>\n<p>\u2014 Atualmente, n\u00e3o h\u00e1 tratamentos efetivos para curar dem\u00eancias, mas nosso estudo d\u00e1 a esperan\u00e7a de que alguns casos possam ser evitados, ou pelo menos adiados, por estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1rias (que impedem a doen\u00e7a de come\u00e7ar) ou secund\u00e1rias (que interrompem seu progresso ap\u00f3s diagnosticada) \u2014 destaca Seshadri. \u2014 Uma preven\u00e7\u00e3o efetiva poderia diminuir em algum grau a explos\u00e3o projetada no n\u00famero de pessoas que ser\u00e3o afetadas por essas doen\u00e7as nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mente s\u00e3 num corpo s\u00e3o. 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