{"id":36781,"date":"2016-02-09T13:00:58","date_gmt":"2016-02-09T16:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36781"},"modified":"2016-02-08T20:55:43","modified_gmt":"2016-02-08T23:55:43","slug":"lagartos-teius-sao-capazes-de-produzir-calor-corporal-para-ajuste-de-temperatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/lagartos-teius-sao-capazes-de-produzir-calor-corporal-para-ajuste-de-temperatura\/","title":{"rendered":"Lagartos tei\u00fas s\u00e3o capazes de produzir calor corporal para ajuste de temperatura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/teiu.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36782\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36782\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/teiu-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/teiu-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/teiu.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cMam\u00edferos e aves t\u00eam sangue quente, r\u00e9pteis e peixes t\u00eam sangue frio\u201d. N\u00e3o \u00e9 bem como os bi\u00f3logos gostam de descrever, mas a maioria dos leitores deve trazer essas lembran\u00e7as das aulas de ci\u00eancias na inf\u00e2ncia, e talvez se espante com a novidade: lagartos tei\u00fas t\u00eam a capacidade de aumentar a temperatura do corpo com o pr\u00f3prio metabolismo, pelo menos durante o per\u00edodo reprodutivo. Foi a conclus\u00e3o a que chegaram pesquisadores brasileiros e canadenses ap\u00f3s observar a esp\u00e9cie Salvator merianae, conhecida como tei\u00fa-gigante.<\/p>\n<p>A equipe realizava um estudo de acompanhamento dos par\u00e2metros fisiol\u00f3gicos do lagarto \u2013 frequ\u00eancia card\u00edaca, ventila\u00e7\u00e3o e temperatura \u2013 em um ambiente pr\u00f3ximo ao natural. Por ser um animal ectot\u00e9rmico, isto \u00e9, que depende de uma fonte externa de calor para aumentar a temperatura corporal, os tei\u00fas costumavam apresentar temperaturas mais altas durante o dia, quando ficavam expostos ao sol, e mais baixas durante a noite, quando descansavam em suas tocas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, durante a observa\u00e7\u00e3o, que durou um ano, os cientistas notaram que, no per\u00edodo reprodutivo, a temperatura noturna dos lagartos nunca baixava \u00e0 temperatura das tocas \u2013 cerca de 17 graus Celsius: ficava sempre um pouco acima, em torno dos 24 graus cent\u00edgrados. O dado surpreendeu os pesquisadores. \u201cCome\u00e7amos a nos perguntar se eles estavam conseguindo, de alguma forma, reter o calor, ou se estavam mesmo aumentando ativamente sua temperatura interna\u201d, contou \u00e0 CH Online o bi\u00f3logo Cleo Leite, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, que participou da pesquisa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2016\/01\/imagens\/Vemquentequeeuestoufervendo02.jpg\/image_large\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"424\" \/><\/p>\n<p>As quest\u00f5es motivaram novos experimentos, voltados especificamente para o controle de temperatura durante o per\u00edodo reprodutivo dos tei\u00fas. Nesta etapa, 11 lagartos tiveram sua temperatura corporal interna monitorada continuamente por implantes e a externa, com a ajuda imagens t\u00e9rmicas registradas por uma c\u00e2mera com sensor de radia\u00e7\u00e3o na faixa do infravermelho. Assim, foi monitorado o calor produzido e perdido pelo corpo. Os animais foram acompanhados por algumas semanas em ambiente seminatural e dentro de uma grande c\u00e2mara t\u00e9rmica mantida fria (18oC). Ficou demonstrado que os animais conseguem manter sua temperatura corporal \u00e0s custas da produ\u00e7\u00e3o interna de calor. Os resultados foram publicados na revista Science Advances (22\/1).<\/p>\n<p>A principal conclus\u00e3o do estudo foi que, ap\u00f3s um per\u00edodo de dorm\u00eancia \u2013 cerca de quatro meses em que mant\u00eam sua temperatura corporal baixa como a de suas tocas \u2013, os tei\u00fas progressivamente aumentam seu metabolismo para se engajar em fun\u00e7\u00f5es como a produ\u00e7\u00e3o de gametas, a procura de parceiros, a postura de ovos e prepara\u00e7\u00e3o dos ninhos. Nesse per\u00edodo, a temperatura corporal mant\u00e9m-se sempre um pouco acima da temperatura ambiente. O efeito \u00e9 ligeiramente mais intenso nas f\u00eameas, que dispendem mais energia nas atividades reprodutivas que os machos. \u201cEsse processo nunca foi flagrado em nenhuma outra esp\u00e9cie ectot\u00e9rmica\u201d, enfatiza Leite.<\/p>\n<p>Para a bi\u00f3loga Renata Brandt, da Universidade de S\u00e3o Paulo em Ribeir\u00e3o Preto, o trabalho muda a maneira como vemos a termorregula\u00e7\u00e3o em r\u00e9pteis e outros animais. \u201cOs autores refutam a ideia tradicional de que animais pequenos e que n\u00e3o possuem revestimentos de isolamento t\u00e9rmico, como penas e pelos, n\u00e3o poderiam aumentar a temperatura do corpo de forma significativa usando apenas o metabolismo\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Termog\u00eanese e evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Al\u00e9m de aumentar o conhecimento existente sobre a fisiologia dos tei\u00fas, o estudo rec\u00e9m-publicado tem implica\u00e7\u00f5es para nossa compreens\u00e3o sobre a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. \u201cO in\u00edcio da termog\u00eanese [gera\u00e7\u00e3o interna de calor] para a termorregula\u00e7\u00e3o [controle da temperatura corporal] \u00e9 at\u00e9 hoje um mist\u00e9rio nos estudos evolutivos\u201d, pontua o pesquisador. Ele explica que ainda n\u00e3o temos uma teoria satisfat\u00f3ria para explicar como essa capacidade surgiu nos mam\u00edferos e nas aves.<\/p>\n<p>Os dois grupos s\u00e3o filogeneticamente muito distantes, isto \u00e9, v\u00eam evoluindo separadamente h\u00e1 muitos milh\u00f5es de anos. Sabemos, portanto, que a termorregula\u00e7\u00e3o surgiu nos mam\u00edferos e nas aves de maneira independente, o que quer dizer que o ancestral comum dos dois grupos ainda n\u00e3o apresentava essa capacidade. Mas os cientistas j\u00e1 formularam algumas hip\u00f3teses para explicar como isso aconteceu.<\/p>\n<p>\u201cUma dessas hip\u00f3teses \u00e9 a do aumento metab\u00f3lico voltado ao per\u00edodo reprodutivo ou cuidado parental\u201d, conta Leite. \u201cOs dados obtidos na pesquisa com os tei\u00fas sugerem que esta \u00e9 uma teoria poss\u00edvel\u201d. Comprov\u00e1-la, por\u00e9m, n\u00e3o vai ser nada f\u00e1cil, j\u00e1 que os pioneiros da termorregula\u00e7\u00e3o entre aves e mam\u00edferos est\u00e3o extintos h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>A partir de agora, Leite e seus colegas devem se aprofundar no estudo com os lagartos para, quem sabe, contribuir nesse quebra-cabe\u00e7as evolutivo. Qual o papel adaptativo do aumento da temperatura corporal no per\u00edodo reprodutivo? Ser\u00e1 que ele aumenta a produ\u00e7\u00e3o de gametas? De que mecanismos os tei\u00fas se valem para aumentar o metabolismo? Por que s\u00f3 fazem isso no per\u00edodo reprodutivo? S\u00e3o quest\u00f5es que pretendem responder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMam\u00edferos e aves t\u00eam sangue quente, r\u00e9pteis e peixes t\u00eam sangue frio\u201d. 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