{"id":36722,"date":"2016-02-08T12:00:53","date_gmt":"2016-02-08T15:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36722"},"modified":"2016-02-07T21:41:56","modified_gmt":"2016-02-08T00:41:56","slug":"obesidade-supera-a-fome-no-brasil-e-na-franca-lei-obriga-a-doar-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/obesidade-supera-a-fome-no-brasil-e-na-franca-lei-obriga-a-doar-alimentos\/","title":{"rendered":"Obesidade supera a fome no Brasil e, na Fran\u00e7a, lei obriga a doar alimentos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36723\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36723\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cCerca de 1,5 bilh\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as, de todos os lugares do mundo, exibem sobrepeso hoje; mais de 500 milh\u00f5es s\u00e3o obesos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDos 42 milh\u00f5es de menores de cinco anos que apresentam sobrepeso no mundo, 35 milh\u00f5es (83%) vivem em pa\u00edses com esse perfil, explica a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUm brasileiro hoje, segundo o IBGE, consome em m\u00e9dia mais que o dobro dos 5 gramas de sal recomendados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, 56,9% das pessoas com mais de 18 anos est\u00e3o com excesso de peso e 20,8% s\u00e3o classificadas como obesas, segundo a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica\u201d.<\/p>\n<p>Os dados acima eu retirei do artigo publicado na \u00faltima semana no jornal \u201cValor Econ\u00f4mico\u201d pelo diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), Jos\u00e9 Graziano. Assustado, legitimamente, com o aumento crescente da obesidade no mundo, Graziano escreve sobre seu assombro: um pa\u00eds que j\u00e1 conseguiu sair do mapa mundial da fome, agora trava uma batalha com outra dimens\u00e3o importante da seguran\u00e7a alimentar e nutricional: o aumento de peso.<\/p>\n<p>\u201cA dieta saud\u00e1vel como pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 a nova fronteira da seguran\u00e7a alimentar no mundo. N\u00e3o se pode mais falar em direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada sem incluir dimens\u00e3o fundamental do bin\u00f4mio sa\u00fade e nutri\u00e7\u00e3o. Como refer\u00eancia mundial no combate \u00e0 fome, o Brasil n\u00e3o s\u00f3 re\u00fane condi\u00e7\u00f5es de incorporar esse novo horizonte, como tamb\u00e9m de inspira\u201d, escreve Graziano.<\/p>\n<p>Faz sentido a provid\u00eancia que est\u00e1 sendo tomada: uma tentativa de trazer o setor privado de alimentos para a mesa de debates e a primeira coisa est\u00e1 sendo o pedido de diminui\u00e7\u00e3o do sal nos processados. H\u00e1 tamb\u00e9m, como se sabe, muito a\u00e7\u00facar e muitos outros elementos que n\u00e3o significam sa\u00fade, mas pode parecer que sim aos olhares desavisados.<\/p>\n<p>No mesmo dia 4, o brit\u00e2nico \u201cThe Guardian\u201d publicou reportagem (<a class=\"gui-color-primary-link\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/:%20http:\/www.theguardian.com\/world\/2016\/feb\/04\/french-law-forbids-food-waste-by-supermarkets%29\" target=\"_top\">leia aqui) <\/a>mostrando que a Fran\u00e7a \u00e9 o primeiro pa\u00eds a proibir que supermercados joguem fora ou destruam alimentos n\u00e3o vendidos. O Senado daquele pa\u00eds aprovou com unanimidade essa lei que vai fazer chegar milh\u00f5es de refei\u00e7\u00f5es aos mais pobres. O vereador que iniciou a campanha, em cima de um projeto de lei aprovado em dezembro pela Assembleia chama-se Arash Derambarsh e aparece na sua rede social segurando, com ar vitorioso, uma esp\u00e9cie de cartilha com o \u201cManual contra o Desperd\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se considerando vitoriosos, os ativistas de causas socioambientais est\u00e3o agora, mais do que nunca, ansiosos para que a legisla\u00e7\u00e3o seja adotada por todos os estados membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A outra parte dessa not\u00edcia revela a assustadora pr\u00e1tica de supermercados franceses (ser\u00e1 que s\u00f3 l\u00e1?) de estragarem deliberadamente alimentos que est\u00e3o no prazo de validade para evitar que um n\u00famero crescente de fam\u00edlias, estudantes e sem-teto fa\u00e7am uso deles. N\u00e3o me perguntem por que os vendedores de alimentos agem dessa maneira, eu n\u00e3o sei. Mas tenho a impress\u00e3o de que argumentariam, caso fossem interpelados, que jogam fora para evitar que, ao comer, uma pessoa seja intoxicada com o produto velho.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, agora a comida extra, velha ou n\u00e3o, vai toda para institui\u00e7\u00f5es de caridade. A Fran\u00e7a, segundo apurou a reportagem do jornal brit\u00e2nico, sofre com d\u00e9ficit de carne, frutas e legumes para os mais pobres. E, desde que o Senado tornou a doa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, os bancos de alimentos j\u00e1 receberam cem mil toneladas de bens, dos quais 35 mil vieram dos supermercados. A ideia \u00e9 promover que essa doa\u00e7\u00e3o seja feita homem a homem para provocar o contato humano.<\/p>\n<p>Duas not\u00edcias que falam sobre a pobreza, sobre a indig\u00eancia e priva\u00e7\u00f5es em lugares t\u00e3o diferenciados do planeta me levam a refletir, como n\u00e3o podia deixar de ser. O ge\u00f3grafo Milton Santos, que pautou grande parte de seu trabalho em estudos sobre pa\u00edses em desenvolvimento (ele morreu em 2001), no \u00faltimo livro que escreveu, \u201cPor uma outra globaliza\u00e7\u00e3o\u201d (Ed. Record) ajuda a destrinchar o fen\u00f4meno que me chamou a aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1, hoje, uma pobreza que n\u00e3o \u00e9 acidental, residual ou sazonal, mas estrutural. Na vis\u00e3o dele, se equivale a uma d\u00edvida social.<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 estrutural e n\u00e3o mais local, nem mesmo nacional: torna-se globalizada, presente em toda parte no mundo. H\u00e1 uma dissemina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria e uma produ\u00e7\u00e3o globalizada da pobreza, anda que esteja mais presente nos pa\u00edses j\u00e1 pobres\u201d, escreve ele.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma doen\u00e7a da civiliza\u00e7\u00e3o, cuja produ\u00e7\u00e3o acompanha o pr\u00f3prio processo econ\u00f4mico. Agora, segundo Santos, o consumo se imp\u00f5e como um dado importante, pois \u201cconstitui o centro da explica\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e da percep\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAmpliam-se, de um lado, as possibilidades de circula\u00e7\u00e3o, e de outro, gra\u00e7as \u00e0s formas modernas de difus\u00e3o das inova\u00e7\u00f5es, a informa\u00e7\u00e3o constitui um dado revolucion\u00e1rio nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Al\u00e9m da pobreza absoluta, cria-se e recria-se incessantemente uma pobreza relativa, que leva a classificar os indiv\u00edduos pela sua capacidade de consumir, e pela forma como o fazem\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p>E toca a buscar solu\u00e7\u00f5es.O aumento de cr\u00e9dito \u00e9 uma delas, que por sua vez vai possibilitar o aumento de consumo, acelerar o sistema econ\u00f4mico, estabilizar a infla\u00e7\u00e3o. Tudo isso, no entanto, no caso dos alimentos, pode levar tamb\u00e9m ao abuso de processados. Consequ\u00eancia direta? A obesidade.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio \u201cMuito al\u00e9m do peso\u201d (<a class=\"gui-color-primary-link\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8UGe5GiHCT4\" target=\"_top\">assista aqui) <\/a>trata do fen\u00f4meno de forma definitiva. Assistiali a uma das cenas que mais me impactou no cinema. Em meio \u00e0 Floresta Amaz\u00f4nica, num dos afluentes do Amazonas, um imenso barco de uma grande rede de alimentos aporta e \u00e9 ansiosamente esperado pelos ribeirinhos, a maioria m\u00e3es que saem do barco com in\u00fameros pacotes de p\u00e3es, bolos, biscoitos e chocolates, sortimento para um m\u00eas inteiro. A pre\u00e7os acess\u00edveis, levam para casa, de forma industrializada, tudo o que t\u00eam em volta, in natura. A diferen\u00e7a \u00e9 que os primeiros acrescentam muito sal, muito a\u00e7\u00facar, farinha e alguns quilos a mais na balan\u00e7a.<\/p>\n<p>A generaliza\u00e7\u00e3o da ideia do subdesenvolvimento leva a teorias destinadas a combat\u00ea-lo, diz Santos. Torna-se ent\u00e3o, tamb\u00e9m generalizada, a preocupa\u00e7\u00e3o dos governos e das \u201csociedades nacionais, por meio de suas elites intelectuais e pol\u00edticas\u201d, que se lan\u00e7am a buscar sa\u00eddas para a crise, de prefer\u00eancia que n\u00e3o subverta a ordem e n\u00e3o onere. Encaixa-se perfeitamente a\u00ed a ideia de doar alimentos que iriam para o lixo.<\/p>\n<p>\u201cA pobreza atual resulta da converg\u00eancia de causas que se d\u00e3o em diversos n\u00edveis, existindo como vasos comunicantes e como algo racional&#8230; Alcan\u00e7amos uma esp\u00e9cie de naturaliza\u00e7\u00e3o da pobreza, que seria politicamente produzida pelos atores globais com a colabora\u00e7\u00e3o consciente dos governos nacionais. Os pobres n\u00e3o s\u00e3o mais inclu\u00eddos ou marginais, eles s\u00e3o exclu\u00eddos. Deixa-se de ser pobre em um lugar para ser pobre em outro. Uma pobreza quase sem rem\u00e9dio, trazida n\u00e3o apenas pela expans\u00e3o do desemprego, como tamb\u00e9m pela redu\u00e7\u00e3o do valor do trabalho\u201d, escreve ele.<\/p>\n<p>Para te\u00f3ricos do subdesenvolvimento atuais, que viveram d\u00e9cada e meia \u00e0 frente de Santos e por isso j\u00e1 tiveram chance de perceber melhor causas e consequ\u00eancias, \u00e9 preciso desenvolver localmente as pessoas para que elas possam reduzir a depend\u00eancia do macro sistema. Sabe-se, por\u00e9m, que isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de conseguir, como bem mostra o conceito do Bem Viver (<a class=\"gui-color-primary-link\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/%20http:\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/bem-viver-o-conceito-que-imagina-outros-mundos-possiveis-ja-se-espalha-pelas-nacoes.html%29\" target=\"_top\">leia aqui) <\/a>. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 v\u00e1rias. E \u00e9 bom poder refletir a respeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCerca de 1,5 bilh\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as, de todos os lugares do mundo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36723,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/obesidade.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cCerca de 1,5 bilh\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as, de todos os lugares do mundo,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36722"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36722\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}