{"id":36534,"date":"2016-02-06T11:00:40","date_gmt":"2016-02-06T14:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36534"},"modified":"2016-02-05T21:11:54","modified_gmt":"2016-02-06T00:11:54","slug":"oceano-mais-quente-muito-mais-degradado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/oceano-mais-quente-muito-mais-degradado\/","title":{"rendered":"Oceano mais quente, muito mais degradado"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36535\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36535\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Washington Novaes*<\/em><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, o World Ocean Assessment divulgou\u00a0 texto do estudo que j\u00e1 fora aprovado pela ONU em dezembro \u00faltimo, preparado em 55 cap\u00edtulos por 600 cientistas da \u00e1rea para orientar decis\u00f5es que ter\u00e3o de ser tomadas no mundo, de modo a enfrentar graves problemas na degrada\u00e7\u00e3o dos oceanos \u2013 com os altos custos ambientais, sociais e econ\u00f4micos da\u00ed decorrentes. Isso exigir\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o das propostas para todos os setores de atividades humanas que afetam os oceanos. Os impactos aumentaram \u201cdramaticamente\u201d nas \u00faltimas d\u00e9cadas e levaram a capacidade de resist\u00eancia das \u00e1guas mar\u00edtimas \u00e0 \u201cproximidade do esgotamento\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Observat\u00f3rio do Clima (25\/1), a temperatura dos oceanos aumentou muito nos \u00faltimos 50 anos, na faixa dos 700 metros mais rasos. O aumento anual foi mais de duas vezes superior ao que era h\u00e1 18 anos, diz o Laborat\u00f3rio Lawrence Livermore, dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>De acordo com esse documento, a temperatura na Terra \u201csobe hoje mais (um ter\u00e7o) em camadas mais profundas, abaixo da superf\u00edcie\u201d. E foi a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo 21 que esse aumento de temperatura passou a ser mais forte. J\u00e1 de 1997 em diante \u201cos oceanos passaram a esquentar duas vezes mais e as camadas abaixo de 700 metros passaram a responder por uma parte cada vez mais significativa da absor\u00e7\u00e3o de calor\u201d (em 1988 come\u00e7ara o \u201chiato de aquecimento\u201d, com a temperatura global se acelerando em ritmo menor, apesar do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono no ar); 14 dos 15 anos mais quentes da Hist\u00f3ria do planeta aconteceram neste in\u00edcio de s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>Hoje, acreditam os cientistas do Met Office, \u00f3rg\u00e3o meteorol\u00f3gico oficial da Gr\u00e3o Bretanha, que o calor pode chegar (O Globo, 1.\u00ba\/2) a recordes at\u00e9 2020. No ano passado, a temperatura elevou-se 0,44 grau Celsius e poder\u00e1 continuar alta este ano, com El Ni\u00f1o. Canad\u00e1, Estados Unidos e Groenl\u00e2ndia assinaram acordo para enfrentar juntos a quest\u00e3o do degelo no Oceano \u00c1rtico (New Scientist, 21\/11\/15).Teme-se que o derretimento dos glaciares possa drenar parte da vasta camada de gelo da Groenl\u00e2ndia \u2013 o que poderia resultar em 50 cent\u00edmetros mais no n\u00edvel do mar. At\u00e9 o final do s\u00e9culo poderia acontecer at\u00e9 uma eleva\u00e7\u00e3o de mais de um metro no n\u00edvel do mar \u2013 com consequ\u00eancias graves em muitas \u00e1reas, muitos lugares no mundo.<\/p>\n<p>Os problemas nos oceanos continuam cada vez mais preocupantes, com essas e outras quest\u00f5es relacionadas \u2013 clima, frequ\u00eancia de tempestades, acidifica\u00e7\u00e3o de \u00e1guas oce\u00e2nicas, pesca insustent\u00e1vel, navega\u00e7\u00e3o poluidora afetando a biodiversidade, invas\u00e3o de esp\u00e9cies, res\u00edduos e emiss\u00f5es de ind\u00fastrias offshore, deposi\u00e7\u00e3o de lixo, segundo o estudo do World Ocean Assessment apresentado \u00e0 ONU.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas pela Universidade de Vermont (EUA) chega a dizer que a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do oceano na Ba\u00eda de Chesapeake (na regi\u00e3o de Washington), em velocidade maior que a m\u00e9dia global, em cem anos pode atingir cem cent\u00edmetros ou mais \u2013 um problema de dimens\u00f5es inimagin\u00e1veis. Por aqui, entende um comit\u00ea Brasil-Inglaterra-Estados Unidos (Folha de S.Paulo, 4\/12\/15) que j\u00e1 \u00e9 preciso recuperar trechos da orla mar\u00edtima de Santos \u2013 inclusive porque at\u00e9 2050 o n\u00edvel do mar pode subir mais de 30 cent\u00edmetros na regi\u00e3o e chegar a 45 cent\u00edmetros at\u00e9 2100 (a taxa global que prev\u00ea \u00e9 de 28 a 89 cent\u00edmetros at\u00e9 o fim do s\u00e9culo). Ser\u00e1 indispens\u00e1vel recuperar mangues (problema tamb\u00e9m em muitas outras partes do Pa\u00eds), \u201cengordar\u201d praias e recifes (incluindo Pernambuco e Rio Grande do Norte), providenciar defesas para muitas \u00e1reas urbanas de Santos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Nasa, a Ag\u00eancia Espacial dos Estados Unidos, afirma que o n\u00edvel do mar, em m\u00e9dia, subiu quase oito cent\u00edmetros no mundo desde 1992 e que essa mesma tend\u00eancia dever\u00e1 manter-se nos pr\u00f3ximos anos (Eco-Finan\u00e7as, 28\/8\/15). At\u00e9 aqui, as costas da \u00c1sia e da Oceania, no Pac\u00edfico, assim como as do Mediterr\u00e2neo Oriental e da Am\u00e9rica foram as mais atingidas. E a atividade humana \u00e9 a principal causa da modifica\u00e7\u00e3o nos oceanos e mares, assim como nos gelos da Ant\u00e1rtida, no aumento da temperatura da \u00e1gua. \u201cPode piorar\u201d, tem dito o geof\u00edsico Steve Neren, da Universidade do Colorado.<\/p>\n<p>H\u00e1 regi\u00f5es com problemas grav\u00edssimos j\u00e1 hoje, como Kiribati, a Rep\u00fablica insular do Pac\u00edfico, com 100 mil habitantes, que poder\u00e1 desaparecer. Que fazer com a popula\u00e7\u00e3o? Com que recursos? E com as amea\u00e7as a terras pr\u00f3ximas? A Rep\u00fablica de Fiji tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 realocando parte de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nem a pesca excessiva e insuport\u00e1vel no mundo se consegue enfrentar. Tampouco no Brasil. Segundo a FAO-ONU, de 20% a 30% da popula\u00e7\u00e3o mundial de peixes est\u00e1 sobre-explorada ou esgotada; em 30 anos a amea\u00e7a pesar\u00e1 sobre 80% das esp\u00e9cies. Nada menos que 12% da popula\u00e7\u00e3o mundial depende da pesca (158 milh\u00f5es de toneladas em 2012) e da aquicultura. \u00c9 indispens\u00e1vel e urgente, segundo o \u00f3rg\u00e3o da ONU, uma mudan\u00e7a radical nas formas de gest\u00e3o dos recursos marinhos, para salvar \u201ca seguran\u00e7a alimentar mundial\u201d \u2013 sem falar nos custos atuais de US$50 bilh\u00f5es anuais com a gera\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p>Precisamos pelo menos, e com urg\u00eancia, diagnosticar no Brasil com exatid\u00e3o as quest\u00f5es da sobrepesca, da vida de mais de 1 milh\u00e3o de pessoas que trabalham nessa atividade. E os danos j\u00e1 provocados nas \u00e1reas costeiras, principalmente o desaparecimento de mangues \u2013 ber\u00e7o da vida marinha. N\u00e3o se pode \u201cdeixar como est\u00e1 para ver como \u00e9 que fica\u201d, diante se um minist\u00e9rio da Pesca inexpressivo \u2013 num pa\u00eds com o privil\u00e9gio da costa extensa de que dispomos, na qual poder\u00edamos centrar formatos decisivos para as \u00e1reas econ\u00f4mica, cultural e ambiental. Enquanto \u00e9 tempo. <em>(O Estado de S. Paulo\/ #Envolverde)<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* H\u00e1 poucos dias, o World Ocean Assessment divulgou\u00a0 texto do estudo que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36535,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/oceano.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* H\u00e1 poucos dias, o World Ocean Assessment divulgou\u00a0 texto do estudo que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36534"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36534"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36534\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}