{"id":36494,"date":"2016-02-05T11:00:20","date_gmt":"2016-02-05T14:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36494"},"modified":"2016-02-04T21:12:01","modified_gmt":"2016-02-05T00:12:01","slug":"floresta-regenerada-e-esponja-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/floresta-regenerada-e-esponja-de-carbono\/","title":{"rendered":"Floresta regenerada \u00e9 esponja de carbono"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36495\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36495\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estudo de cons\u00f3rcio internacional que inclui cientistas brasileiros mostra que vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina absorve 11 vezes mais CO2 do ar que matas amaz\u00f4nicas maduras.<\/em><\/p>\n<p>As florestas secund\u00e1rias, que rebrotam ap\u00f3s o desmatamento de uma \u00e1rea, s\u00e3o conhecidas pelo nome algo pejorativo de capoeiras. A palavra vem do tupi e significa, literalmente, \u201cmato que n\u00e3o \u00e9 mais\u201d. Vistas como pobres em biodiversidade e jamais t\u00e3o ricas em estoque de carbono quanto uma floresta prim\u00e1ria \u2013 a tal \u201cmata virgem\u201d\u2013, as capoeiras s\u00e3o frequentemente desprezadas e outra vez desmatadas. Um estudo lan\u00e7ado hoje, por\u00e9m, deve ajudar a reduzir esse preconceito.<\/p>\n<p>Um cons\u00f3rcio internacional de cientistas, que inclui gente de diversas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do Brasil, acaba de publicar no peri\u00f3dico Nature a maior an\u00e1lise j\u00e1 feita sobre o padr\u00e3o de crescimento das florestas secund\u00e1rias na chamada regi\u00e3o neotropical, que vai do M\u00e9xico ao Estado de S\u00e3o Paulo. Eles conclu\u00edram que as capoeiras demoram, em m\u00e9dia, apenas 66 anos para repor 90% da biomassa (portanto, do estoque de carbono) que possu\u00edam antes do desmatamento. E mais: uma floresta em regenera\u00e7\u00e3o sequestra 11 vezes mais carbono do que uma mata virgem na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 a primeira estimativa da resili\u00eancia das florestas secund\u00e1rias. Sempre houve muita d\u00favida sobre a taxa de crescimento e a resili\u00eancia dessas florestas\u201d, disse ao OC o engenheiro florestal Daniel Piotto, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia. Ele \u00e9 coautor do trabalho, coordenado pelo holand\u00eas Lourens Poorter, da Universidade de Wageningen.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia das capoeiras da Am\u00e9rica Latina para o ciclo do carbono e, portanto, para o clima, \u00e9 evidente. Somente na Amaz\u00f4nia, 22% de toda a \u00e1rea desmatada \u00e9 ocupada por matas em regenera\u00e7\u00e3o, segundo dados do <a href=\"http:\/\/www.inpe.br\/cra\/projetos_pesquisas\/sumario_terraclass_2010.pdf\" target=\"_blank\">Terraclass<\/a>, do Inpe. Esse n\u00famero \u00e9 provavelmente ainda maior na Mata Atl\u00e2ntica, que tem menos de 10% de sua cobertura florestal original.<\/p>\n<p>No entanto, essa import\u00e2ncia nunca havia sido traduzida em n\u00fameros antes. Estudos pontuais mostravam ora que as florestas poderiam entrar em colapso a partir de um certo grau de desmatamento, ora que o crescimento de uma floresta secund\u00e1ria era lento demais para fazer alguma diferen\u00e7a no clima no curto prazo.<\/p>\n<p>\u201cMeus estudos na Zona Bragantina, no leste do Par\u00e1, mostravam um tempo de recupera\u00e7\u00e3o de 150 anos. Estudos feitos na Venezuela chegavam a 250 anos. A meta-an\u00e1lise [o novo estudo] aponta 66 anos\u201d, diz Ima Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi e uma das maiores especialistas em florestas secund\u00e1rias do pa\u00eds. Ela tamb\u00e9m \u00e9 coautora do trabalho, realizado pelo cons\u00f3rcio autointitulado Amantes da Floresta Secund\u00e1ria \u2013 ou \u201c2ndFOR\u201d (\u201cSecondFor\u201d, em ingl\u00eas), para os menos \u00edntimos.<\/p>\n<p>Os dados anteriores n\u00e3o est\u00e3o necessariamente errados. O que acontece \u00e9 que h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o gigantesca de tempo de regenera\u00e7\u00e3o dentro da zona neotropical, com capoeiras crescendo mais r\u00e1pido em regi\u00f5es onde chove mais e onde h\u00e1 mais florestas intactas em volta.<\/p>\n<p>\u201cDe posse dessa taxa de crescimento, ser\u00e1 poss\u00edvel fazer previs\u00f5es sobre o potencial de mitiga\u00e7\u00e3o [de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa] das florestas secund\u00e1rias\u201d, afirma Piotto. O 2ndFOR j\u00e1 est\u00e1 fazendo essas contas.<\/p>\n<p><strong>Mapa<\/strong><\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio integrou tanto dados coletados pelos pesquisadores em campo quanto resultados de an\u00e1lises anteriores, e produziu um mapa mostrando em que regi\u00f5es as capoeiras absorvem mais carbono e onde absorvem menos. O mapa poder\u00e1 ser usado pelos formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas para priorizar a conserva\u00e7\u00e3o em florestas de baixa resili\u00eancia e incentivar a regenera\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es de crescimento r\u00e1pido da capoeira.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio a not\u00edcia \u00e9 ruim para a Mata Atl\u00e2ntica, j\u00e1 que sua reposi\u00e7\u00e3o de biomassa \u00e9 at\u00e9 70% mais lenta que na Amaz\u00f4nia \u2013 e \u00e9 justamente ali que h\u00e1 mais florestas precisando de regenera\u00e7\u00e3o. Piotto diz que isso seria olhar apenas metade do quadro. \u201cH\u00e1 muito mais \u00e1reas dispon\u00edveis para recuperar na Mata Atl\u00e2ntica do que na Amaz\u00f4nia\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O estudo dever\u00e1 ter tamb\u00e9m implica\u00e7\u00f5es para o cumprimento da meta do Brasil para o Acordo de Paris. A chamada INDC aposta na recupera\u00e7\u00e3o de florestas como forma de sequestrar carbono e compensar o que se emite pelo desmatamento legal na Amaz\u00f4nia. O leste do Par\u00e1 \u00e9 uma das regi\u00f5es onde mais vale a pena deixar o mato crescer.<\/p>\n<p>Mas isso s\u00f3 se deixarem mesmo o mato crescer. \u201cSe essas florestas v\u00e3o resistir no campo depende de quest\u00f5es pol\u00edticas e institucionais que v\u00e3o al\u00e9m da nossa pesquisa\u201d, afirma Ima Vieira. \u201cNo que depender dos produtores rurais, n\u00e3o v\u00e3o, porque eles as veem como empecilho.\u201d<\/p>\n<p>O Par\u00e1 \u00e9 o \u00fanico Estado da Amaz\u00f4nia que tem uma lei que protege as capoeiras, definindo est\u00e1gios de sucess\u00e3o (crescimento) e vedando o desmatamento em capoeiras de crescimento avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Mesmo no Par\u00e1, Vieira estima que 50% das capoeiras sejam recentes \u2013 portanto, pass\u00edveis de desmatamento legal.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, preservar as florestas secund\u00e1rias \u00e9 importante, mas fundamental mesmo \u00e9 n\u00e3o desmatar as prim\u00e1rias. \u201cA capoeira n\u00e3o vai recuperar a biodiversidade\u201d, diz. \u201cElas levam 66 anos em m\u00e9dia para recuperar 90% da biomassa, mas 70 anos para recuperar 35% das esp\u00e9cies de \u00e1rvores nativas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo de cons\u00f3rcio internacional que inclui cientistas brasileiros mostra que vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36495,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/floresta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo de cons\u00f3rcio internacional que inclui cientistas brasileiros mostra que vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria na Am\u00e9rica Latina","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36494"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36494\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}