{"id":36425,"date":"2016-02-04T12:00:21","date_gmt":"2016-02-04T15:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36425"},"modified":"2016-02-03T21:11:07","modified_gmt":"2016-02-04T00:11:07","slug":"criancas-nascidas-de-cesarea-ja-podem-receber-bacterias-vaginais-da-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/criancas-nascidas-de-cesarea-ja-podem-receber-bacterias-vaginais-da-mae\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as nascidas de ces\u00e1rea j\u00e1 podem receber bact\u00e9rias vaginais da m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36426\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36426\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A grande diferen\u00e7a entre as crian\u00e7as nascidas de <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/parto\/a\/\">parto<\/a> normal e as nascidas via ces\u00e1rea s\u00e3o as suas bact\u00e9rias. As primeiras se banham, literalmente, na flora vaginal da m\u00e3e. No <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bacteriologia\/a\/\">microbioma<\/a> das segundas, no entanto, predominam os micr\u00f3bios da pele materna. Sabendo-se que as col\u00f4nias bacterianas s\u00e3o vitais para os sistemas digestivo, metab\u00f3lico e imunol\u00f3gico do beb\u00ea, come\u00e7ariam a vida em desvantagem aqueles que saem pela barriga?<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores bolou uma maneira original para averiguar isso e, se for o caso, restaurar a microbiota das crian\u00e7as. Introduziram algumas gazes esterilizadas na vagina de v\u00e1rias m\u00e3es que dariam \u00e0 luz por via cesariana. Assim que os beb\u00eas nasceram, eles passaram essas gazes em suas bocas, rostos e no corpo todo. Depois de analisar a sua flora bacteriana e compar\u00e1-la com a de suas m\u00e3es, eles comprovaram que o microbioma dos beb\u00eas nascidos por parto abdominal e banhados pelas bact\u00e9rias de suas m\u00e3es se parecia mais com o dos rec\u00e9m-nascidos por parto vaginal do que com o dos nascidos via ces\u00e1rea que n\u00e3o passaram pela aplica\u00e7\u00e3o dessas gazes.<\/p>\n<p class=\"sumario__interior\">\u201cAntes de nascer, os beb\u00eas se desenvolvem em um ambiente livre de bact\u00e9rias. \u00c9 ao passar pelo trato vaginal que eles recebem um banho delas\u201d, afirma Jos\u00e9 Clemente, professor da Escola Icahn de Medicina do Hospital Monte Sinai de Nova York e coautor dessa primeira restaura\u00e7\u00e3o, ao menos em seres humanos, do microbioma em rec\u00e9m-nascidos por via cesariana.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">O bi\u00f3logo lembra que as bact\u00e9rias vaginais desempenham uma fun\u00e7\u00e3o essencial para a mulher, que \u00e9 a de formar uma barreira contra infec\u00e7\u00f5es. \u201cOs lactobacilos, a esp\u00e9cie mais presente na flora vaginal, podem inibir o crescimento de outras bact\u00e9rias\u201d, comenta. As bact\u00e9rias do \u00e1cido l\u00e1cteo alteram o pH evitando a coloniza\u00e7\u00e3o por potenciais pat\u00f3genos. Mas muitos cientistas, dentre eles Clemente, est\u00e3o convencidos de que as bact\u00e9rias vaginais da m\u00e3e cumprem tamb\u00e9m uma outra fun\u00e7\u00e3o, t\u00e3o vital como a primeira, mas, no caso, para os seus filhos.<\/section>\n<p>\u201cEsta microbiota vaginal constitui a primeira inocula\u00e7\u00e3o bacteriana sofrida pelo beb\u00ea ao passar pelo canal do parto, e a nossa hip\u00f3tese \u00e9 de que ela \u00e9 fundamental para um desenvolvimento adequado do sistema imunol\u00f3gico. Esta primeira exposi\u00e7\u00e3o poderia ter consequ\u00eancias de longo prazo, como sugerem muitos estudos que associam o parto por ces\u00e1rea ao risco de doen\u00e7as autoimunes\u201d, coloca Clemente.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem ocorrido dois fen\u00f4menos que se desenvolvem paralelamente, mas com evid\u00eancias que relacionam um ao outro cada vez mais. Por um lado, n\u00e3o para de crescer o n\u00famero de partos via cesariana, embora segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), em somente entre 10% e 15% dos nascimentos \u00e9 necess\u00e1ria essa interven\u00e7\u00e3o para proteger a sa\u00fade da m\u00e3e ou do beb\u00ea. No entanto, a propor\u00e7\u00e3o de partos envolvendo a cirurgia \u00e9 bem maior em v\u00e1rias partes do mundo. <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/07\/15\/politica\/1436962606_175263.html\">O Brasil \u00e9 o caso mais destacado em toda a Am\u00e9rica<\/a>, onde 55,6% dos partos s\u00e3o programados e via ces\u00e1rea.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a incid\u00eancia de doen\u00e7as relacionadas ao sistema imunol\u00f3gico, como a asma, a artrite juvenil e diversas inflama\u00e7\u00f5es intestinais, tem aumentado. Entre as causas disso estariam as mudan\u00e7as na dieta e o <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/04\/30\/sociedad\/1398861333_720398.html\">uso excessivo de antibi\u00f3ticos<\/a>. Mas v\u00e1rios estudos epidemiol\u00f3gicos com crian\u00e7as acompanhadas ao longo de alguns anos tamb\u00e9m mostraram que esse tipo de enfermidade encontra presen\u00e7a maior naquelas nascidas por via cesariana. Por\u00e9m, com exce\u00e7\u00e3o de alguns estudos feitos com ratos, ainda n\u00e3o foi demonstrada uma rela\u00e7\u00e3o causal entre a forma do nascimento, as bact\u00e9rias e as doen\u00e7as de que s\u00e3o acometidas as crian\u00e7as.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">V\u00e1rios estudos mostraram que os nascidos de ces\u00e1rea contraem mais doen\u00e7as autoimunes<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>\u201cSe o microbioma prim\u00e1rio \u00e9 importante para definir aquilo que se sucede ao parto, ent\u00e3o, carecer dessas bact\u00e9rias s\u00f3 pode afetar o desenvolvimento do microbioma\u201d, afirma a pesquisadora Mar\u00eda Dom\u00ednguez-Bello, da Universidade de Nova York. A microbi\u00f3loga foi quem teve a ideia de transferir as bact\u00e9rias vaginais das m\u00e3es para os filhos nascidos de ces\u00e1reas.<\/p>\n<p>Dom\u00ednguez-Bello j\u00e1 havia demonstrado, em 2010, que o tipo de parto determina o perfil bacteriano dos filhos. Os beb\u00eas nascidos por ces\u00e1rea n\u00e3o entram em contato com a flora vaginal, da\u00ed que n\u00e3o se encontrem entre os seus primeiros colonizadores, a n\u00e3o ser em por\u00e7\u00f5es muito limitadas, os <em>bacteroides<\/em> e <em>lactobacillus<\/em>, g\u00eaneros que, uma vez instalados no intestino, produzem a maior parte da digest\u00e3o no beb\u00ea. Al\u00e9m de decomporem o leite, as col\u00f4nias intestinais produzem uma s\u00e9rie de vitaminas que o corpo humano n\u00e3o \u00e9 capaz de gerar por conta pr\u00f3pria. Mais do que isso, acumulam-se provas de que essas primeiras col\u00f4nias funcionam como treinadores do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cEmbora ainda n\u00e3o tenhamos comprovado isso, a nossa suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de que essa restaura\u00e7\u00e3o deveria se refletir em uma diminui\u00e7\u00e3o do risco de enfermidades que afetam mais os beb\u00eas que nascem de ces\u00e1rea\u201d, comenta a cientista porto-riquenha. Na revista <a href=\"http:\/\/nature.com\/articles\/doi:10.1038\/nm.4039\"><em>Nature Medicine<\/em><\/a>, Dom\u00ednguez-Bello e Clemente explicam como deram os primeiros passos no sentido de provar essa suposi\u00e7\u00e3o. Depois de selecionar 18 m\u00e3es gr\u00e1vidas, recolheram amostras de sua flora bacteriana vaginal, da regi\u00e3o anal, da boca e da pele.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cNossa hip\u00f3tese \u00e9 de que a microbiota vaginal \u00e9 fundamental para um desenvolvimento adequado do sistema imunol\u00f3gico\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Sete mulheres iam dar \u00e0 luz pela vagina; as outras 11, por ces\u00e1rea. Para comprovar a pertin\u00eancia da sua ideia, em quatro delas foram introduzidas a gaze por uma hora, pouco antes do in\u00edcio da cirurgia. Nos dois primeiros minutos posteriores ao parto, aplicou-se a gaze em v\u00e1rias partes dos beb\u00eas. Em seguida, durante um m\u00eas e a cada determinado intervalo de tempo, os m\u00e9dicos recolheram amostras da flora das m\u00e3es e dos filhos. Dessa forma, puderam comprovar que os nascidos de ces\u00e1rea e banhados com a gaze exibiam um microbioma mais vaginal do que os que n\u00e3o passaram pelo banho bacteriano.<\/p>\n<p>Mas um m\u00eas \u00e9 pouco tempo para comprovar que \u00e9 poss\u00edvel restaurar o microbioma e que essa restaura\u00e7\u00e3o possui um impacto positivo para a sa\u00fade das crian\u00e7as. Por isso, os cientistas j\u00e1 deram in\u00edcio a uma segunda fase de sua pesquisa, que inclui mais m\u00e3es e crian\u00e7as, por mais tempo. Como afirma Dom\u00ednguez-Bello, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio um estudo amplo e longo (pelo menos 3 anos de acompanhamento) para avaliar a sa\u00fade das crian\u00e7as\u201d.,<\/p>\n<p>J\u00e1 Clemente lembra que somente um estudo mais amplo e prolongado permitir\u00e1 que se responda a tr\u00eas importantes perguntas: \u201cQuanto tempo duram as altera\u00e7\u00f5es que observamos durante o primeiro m\u00eas? Existem efeitos ben\u00e9ficos para a sa\u00fade do beb\u00ea decorrentes desse procedimento? Quais bact\u00e9rias, precisamente, s\u00e3o respons\u00e1veis por esses benef\u00edcios?\u201d. Embora essas respondas ainda estejam longe de ser formuladas, esse trabalho estabeleceu as bases para se entender como o microbioma, na inf\u00e2ncia, protege contra ou favorece o desenvolvimento de doen\u00e7as autoimunes e como a forma de nascer determina a sa\u00fade no futuro.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande diferen\u00e7a entre as crian\u00e7as nascidas de parto normal e as nascidas via ces\u00e1rea<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36426,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/bebe_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A grande diferen\u00e7a entre as crian\u00e7as nascidas de parto normal e as nascidas via ces\u00e1rea","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36425"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36425\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}