{"id":36409,"date":"2016-02-04T08:00:21","date_gmt":"2016-02-04T11:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36409"},"modified":"2016-02-03T20:47:46","modified_gmt":"2016-02-03T23:47:46","slug":"altos-indices-de-carbono-14-ajudam-a-entender-declinio-das-tartarugas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/altos-indices-de-carbono-14-ajudam-a-entender-declinio-das-tartarugas\/","title":{"rendered":"Altos \u00edndices de carbono 14 ajudam a entender decl\u00ednio das tartarugas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg\" rel=\"attachment wp-att-36410\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36410\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As tartarugas marinhas acompanham correntes misteriosas nos oceanos. Por quanto tempo vivem? A que ritmo crescem? Quando chegam \u00e0 maturidade sexual? Os pesquisadores ainda n\u00e3o encontraram respostas para essas e outras perguntas b\u00e1sicas, o que levou a uma s\u00e9rie de iniciativas para compreender melhor e proteger as sete esp\u00e9cies de tartarugas marinhas que existem no mundo, das quais seis correm risco de extin\u00e7\u00e3o. Agora, cientistas do Hava\u00ed podem ter resolvido parte do problema depois de recorrer a um marcador ambiental pouco prov\u00e1vel: a precipita\u00e7\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>Conforme descrito na revista cient\u00edfica \u201cProceedings of the Royal Society B\u201d, os pesquisadores utilizaram o r\u00e1dio-carbono da bomba at\u00f4mica, que vai parar no casco das tartarugas por meio da dieta, para estimar a data de nascimento, o \u00edndice de crescimento e a idade de maturidade sexual da tartaruga-de-pente, que corre s\u00e9rios riscos de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao fazer isso, a equipe tamb\u00e9m encontrou pistas sobre dois fatores que colocam em risco as tartarugas: maturidade tardia e escassez de alimentos.<\/p>\n<p>\u2014 Ao chegar nesse ponto, n\u00e3o esper\u00e1vamos levantar todas essas quest\u00f5es e problemas, mas estou feliz com o fato de que se trata de mais do que apenas crescimento e envelhecimento \u2014 afirmou Kyle Van Houtan, ecologista da Universidade Duke e da Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica Nacional.<\/p>\n<p>As tartarugas-de-pente t\u00eam bicos longos, parecidos com o de p\u00e1ssaros, mas sua caracter\u00edstica mais marcante tamb\u00e9m \u00e9 a raz\u00e3o de seu nome: os cascos com bel\u00edssimos padr\u00f5es em tons de mel, chocolate e mogno que h\u00e1 muito tempo chamam a aten\u00e7\u00e3o dos ca\u00e7adores. Apenas no s\u00e9culo XX, milh\u00f5es de tartarugas foram mortas para que seus cascos fossem transformados em pentes, pulseiras, caixas de joias e outras bobagens.<\/p>\n<p>As tartarugas-de-pente entraram para a lista de esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o em 1970, e o com\u00e9rcio internacional da esp\u00e9cie foi proibido anos depois. Ainda assim, em muitas partes do mundo, incluindo nos EUA, suas popula\u00e7\u00f5es continuaram a diminuir. No Hava\u00ed, o n\u00famero continua terrivelmente baixo, apesar dos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>CARBONO SE ACUMULA NOS TECIDOS DOS ANIMAIS<\/p>\n<p>Cerca de cem esp\u00e9cimes adultos vivem na ilha, com menos de 20 f\u00eameas botando ovos a cada ano, o que torna a popula\u00e7\u00e3o de tartarugas-de-pente do Hava\u00ed a menor do mundo. Os pesquisadores acreditam que a falta de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 uma das principais raz\u00f5es por tr\u00e1s da falta de sucesso.<\/p>\n<p>\u2014 Sabemos muito pouco sobre as tartarugas-de-pente, mesmo em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s tartarugas-de-couro, \u00e0s tartarugas-comuns e \u00e0s tartarugas-verdes. Quer\u00edamos responder algumas quest\u00f5es biol\u00f3gicas b\u00e1sicas sobre essa popula\u00e7\u00e3o no Hava\u00ed \u2014 afirmou Van Houtan.<\/p>\n<p>O r\u00e1dio-carbono da bomba at\u00f4mica talvez seja a resposta para esse problema. Em meados do s\u00e9culo XX, os EUA e muitos outros pa\u00edses come\u00e7aram a realizar testes que aumentaram consideravelmente as concentra\u00e7\u00f5es de carbono 14, um is\u00f3topo radioativo, na atmosfera terrestre. O r\u00e1dio-carbono da bomba at\u00f4mica s\u00f3 come\u00e7ou a ceder nos anos 70, com o fim dos testes nucleares.<\/p>\n<p>O carbono 14 n\u00e3o afeta plantas e animais, mas se acumula em seus tecidos. Os pesquisadores s\u00e3o capazes de determinar a quantidade de carbono 14 existente em um momento espec\u00edfico por meio do uso de esp\u00e9cimes de refer\u00eancia. Um coral coletado em determinado recife do Hava\u00ed em 1975, por exemplo, serve como marcador dos n\u00edveis de carbono 14 naquele local e ano.<\/p>\n<p>Uma vez que o r\u00e1dio-carbono perde for\u00e7a a um ritmo fixo, comparar os n\u00edveis de um material de refer\u00eancia com os encontrados em um casco ou osso com idade indefinida permite que os pesquisadores determinem quando ele se formou \u2013 um m\u00e9todo que os cientistas geralmente utilizam para estimar a idade de tubar\u00f5es e outros peixes de vida longa. At\u00e9 o momento, contudo, o m\u00e9todo n\u00e3o havia sido testado em tartarugas marinhas.<\/p>\n<p>Van Houtan e seus colegas foram a museus e arquivos oficiais para encontrar amostras de cascos de 36 tartarugas-de-pente \u2014 23 do Hava\u00ed, o restante de localidades no Oceano Pac\u00edfico. A data de morte de todas as tartarugas era desconhecida, mas ia de 1962 a 2013.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os pesquisadores utilizaram amostras de coral para construir um modelo computacional dos n\u00edveis de r\u00e1dio-carbono do arquip\u00e9lago havaiano entre 1900 e 2012. Como as tartarugas acumulam tecido no casco ao longo da vida, as camadas mais recentes podem ser comparadas com os registros de carbono 14 dos corais no mesmo ano.<\/p>\n<p>Contudo, esses n\u00fameros n\u00e3o t\u00eam uma correspond\u00eancia exata, j\u00e1 que o coral recebe o carbono diretamente por meio da \u00e1gua, ao passo que as tartarugas o recebem pela dieta. A equipe foi capaz de levar em conta a diferen\u00e7a, de modo a estimar a data de nascimento de cada tartaruga.<\/p>\n<p>No est\u00e1gio final, os pesquisadores aplicaram os resultados de r\u00e1dio-carbono, al\u00e9m dos n\u00edveis registrados em tartarugas que vivem em cativeiro e que foram coletadas na natureza, para criar um modelo matem\u00e1tico capaz de estimar os \u00edndices de crescimento do animal. Os resultados deram a Van Houtan e seus colegas uma ideia da idade em que as tartarugas-de-pente chegam \u00e0 maturidade sexual.<\/p>\n<p>REPRODU\u00c7\u00c3O AFETADA<\/p>\n<p>A idade em que elas come\u00e7am a cruzar depende na verdade de sua alimenta\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores descobriram, portanto, que os animais criados em cativeiro eram os que cresciam mais rapidamente, chegando \u00e0 maturidade aos 12 anos de idade. J\u00e1 as tartarugas selvagens de lugares pr\u00f3ximos ao Hava\u00ed levam de 12 a 15 anos.<\/p>\n<p>Entretanto, as tartarugas que vivem na ilha s\u00e3o as que demoram mais tempo para chegar \u00e0 maturidade, esperando em m\u00e9dia 29 anos antes de come\u00e7arem a cruzar.<\/p>\n<p>\u2014 Isso significa que alguma coisa no ambiente havaiano realmente n\u00e3o est\u00e1 nada boa \u2014 afirmou Van Houtan.<\/p>\n<p>Para descobrir que \u201ccoisa\u201d \u00e9 essa, ele e seus colegas passaram a observar os n\u00edveis de r\u00e1dio-carbono em corais e tartarugas. A diferen\u00e7a deveria ser constante ao longo dos anos. Contudo, os pesquisadores revelaram que nas \u00faltimas d\u00e9cadas os n\u00edveis encontrados em corais e cascos se tornaram bastante similares, indicando uma mudan\u00e7a da dieta das tartarugas em favor de animais na base da cadeia alimentar.<\/p>\n<p>As tartarugas-de-pente geralmente s\u00e3o on\u00edvoras, comendo esponjas, crust\u00e1ceos, algas, etc. Entretanto, tudo indica que os esp\u00e9cimes havaianos sejam vegetarianos \u2013 uma mudan\u00e7a que os pesquisadores acreditam esteja ligada ao decl\u00ednio dos recifes de coral do Hava\u00ed no \u00faltimo s\u00e9culo. \u201cO decl\u00ednio dos recifes representa a perda de habitat de outras esp\u00e9cies do ecossistema que as tartarugas-de-pente utilizam para conseguir alimentos\u201d, afirmou Van Houtan.<\/p>\n<p>Brendan Godley, diretor do Centro de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o da Universidade de Exeter, na Inglaterra, e que n\u00e3o participou da pesquisa afirmou que \u201ca equipe reuniu dados impressionantes e que d\u00e3o um panorama importante de informa\u00e7\u00f5es sobre o hist\u00f3rico de uma esp\u00e9cie que carece tanto de conserva\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de dar sinais de mudan\u00e7as intensas nos ecossistemas das ilhas havaianas\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Se esse tipo de estudo pudesse ser replicado em todo o Pac\u00edfico e em outros oceanos, poder\u00edamos ter uma no\u00e7\u00e3o profunda da ecologia de longo prazo de cada tartaruga, de suas popula\u00e7\u00f5es e do ecossistema onde vivem \u2014 acrescentou Godley.<\/p>\n<p>Van Houtan acredita que o novo m\u00e9todo possa ser facilmente adaptado a outras popula\u00e7\u00f5es de tartarugas marinhas ao redor do planeta, embora seu foco continue a ser as tartarugas-de-pente.<\/p>\n<p>\u2014 Quero que esse trabalho ilumine os esfor\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o da tartaruga-de-pente. Meu objetivo \u00e9 demonstrar a urg\u00eancia de alguns dos problemas enfrentados pela popula\u00e7\u00e3o havaiana \u2014 afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tartarugas marinhas acompanham correntes misteriosas nos oceanos. Por quanto tempo vivem? A que ritmo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/tartaruga.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As tartarugas marinhas acompanham correntes misteriosas nos oceanos. Por quanto tempo vivem? A que ritmo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36409"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36409\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}