{"id":36137,"date":"2016-01-30T10:02:40","date_gmt":"2016-01-30T13:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=36137"},"modified":"2016-01-30T10:02:40","modified_gmt":"2016-01-30T13:02:40","slug":"o-pecado-do-excesso-desinformacao-e-mau-uso-reduzem-a-eficacia-dos-antibioticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-pecado-do-excesso-desinformacao-e-mau-uso-reduzem-a-eficacia-dos-antibioticos\/","title":{"rendered":"O pecado do excesso: desinforma\u00e7\u00e3o e mau uso reduzem a efic\u00e1cia dos antibi\u00f3ticos"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Luis Caetano Antunes<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cO acesso a informa\u00e7\u00f5es precisas poderia reduzir a prescri\u00e7\u00e3o inadequada de antibio\u00f3ticos pela comunidade m\u00e9dica. Campanhas publicit\u00e1rias na m\u00eddia, por sua vez, poderiam ajudar a conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do uso correto destas drogas e dos malef\u00edcios de seu uso abusivo\u201d, explica o pesquisador.<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i63.tinypic.com\/2eknayf.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto:\u00a0waldircardoso.wordpress.com<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O <strong>antibi\u00f3tico<\/strong> \u00e9 uma das descobertas que <strong>revolucionaram a medicina<\/strong> possibilitando sanar diversas doen\u00e7as, que hoje s\u00e3o consideradas simples e de f\u00e1cil tratamento, mas que antes do surgimento dessa classe de medicamentos n\u00e3o tinham cura. Entretanto, cientistas alertam que podemos estar a caminho da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542784-oms-busca-plano-global-contra-resistencia-crescente-a-antibioticos\" target=\"_blank\"><strong>\u201cera p\u00f3s-antibi\u00f3tico\u201d<\/strong><\/a>, em que essas drogas deixar\u00e3o de ter efeito em fun\u00e7\u00e3o do aparecimento das chamadas <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530176-superbacterias-os-riscos-de-uma-crise-global\" target=\"_blank\"><strong>superbact\u00e9rias<\/strong><\/a>. Ironicamente, esses microrganismos t\u00eam se originado a partir do<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/536154-pequenas-e-invenciveis\" target=\"_blank\"><strong> uso indiscriminado<\/strong><\/a> e <strong>incorreto<\/strong> de <strong>antibi\u00f3ticos<\/strong>.Conforme aponta em entrevista por e-mail \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>, o pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, <strong>Luis Caetano Antunes<\/strong>, o excesso e m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o desses medicamentos potencializam <strong>muta\u00e7\u00f5es nas bact\u00e9rias<\/strong> que as tornam mais capazes de sobreviver a adversidades.<\/p>\n<p>\u201cMuta\u00e7\u00f5es que geram <strong>resist\u00eancia<\/strong> est\u00e3o sempre surgindo, aleatoriamente, em popula\u00e7\u00f5es de microrganismos. Entretanto, na aus\u00eancia do antibi\u00f3tico essas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o favorecem em nada as bact\u00e9rias que as carregam, e logo desaparecem. Por\u00e9m, se um antibi\u00f3tico est\u00e1 presente, essa muta\u00e7\u00e3o trar\u00e1 um benef\u00edcio para a bact\u00e9ria que a possui. Caso o uso do antibi\u00f3tico n\u00e3o seja feito da maneira correta (tratamento interrompido, doses esquecidas, etc), as bact\u00e9rias mais sens\u00edveis, isto \u00e9, sem muta\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o eliminadas, mas as bact\u00e9rias contendo essas muta\u00e7\u00f5es <strong>sobreviver\u00e3o<\/strong> e se<strong> multiplicar\u00e3o<\/strong>\u201d, explica.<\/p>\n<p>O pesquisador adverte que essas muta\u00e7\u00f5es que conferem maior resist\u00eancia \u00e0s bact\u00e9rias se proliferam com facilidade e podem ser <strong>transmitidas<\/strong> para diferentes grupos de microrganismos no <strong>corpo humano<\/strong>, gerando uma s\u00e9rie de <strong>infec\u00e7\u00f5es intrat\u00e1veis<\/strong>. Ao longo da entrevista, <strong>Antunes<\/strong> fala ainda sobre a import\u00e2ncia dos antibi\u00f3ticos e das pesquisas em <strong>diferentes fontes<\/strong> para o descobrimento de <strong>novos medicamentos<\/strong>, e da <strong>urg\u00eancia de conscientizar<\/strong> a sociedade, os profissionais, estudantes e pesquisadores da \u00e1rea da sa\u00fade sobre o assunto. \u201cApesar de haver um certo consenso sobre a relev\u00e2ncia do tema, \u00e9 necess\u00e1rio que a <strong>comunidade m\u00e9dica e cient\u00edfica<\/strong> sensibilize os <strong>gestores<\/strong> e a <strong>popula\u00e7\u00e3o<\/strong> sobre a import\u00e2ncia deste assunto. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental que haja uma<strong> forma\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida<\/strong> dos estudantes de <strong>medicina<\/strong> quanto ao <strong>desafio<\/strong> representado pelo <strong>uso abusivo de antibi\u00f3ticos<\/strong> e a <strong>resist\u00eancia microbiana<\/strong> gerada por este fen\u00f4meno\u201d, frisa.<\/p>\n<p><strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> \u00e9 bacharel <em>Magna cum laude<\/em> em Microbiologia e Imunologia e mestre em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas &#8211; Microbiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro \u2013 UFRJ. \u00c9 doutor em Microbiologia pela University of Iowa, nos Estados Unidos, onde trabalhou no laborat\u00f3rio do membro da National Academy of Sciences, Dr. E. Peter Greenberg. Realizou seu p\u00f3s-doutorado na University of British Columbia, no Canad\u00e1, trabalhando no laborat\u00f3rio do ent\u00e3o estudioso do Howard Hughes Medical Institute International Research, Dr. B. Brett Finlay. Atualmente \u00e9 pesquisador em Sa\u00fade P\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i65.tinypic.com\/iom805.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Luiz Caetano Antunes<\/em><br \/>\n<em>Foto:\u00a0www.ensp.fiocruz.br<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; O uso de antibi\u00f3tico sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica j\u00e1 \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica no Brasil?<\/strong><br \/>\n<strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> &#8211; \u00c9 dif\u00edcil estimar o tamanho deste problema. Antes da implementa\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/cfo.org.br\/wp-content\/uploads\/2010\/02\/180809_rdc_44.pdf\"><strong>Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada &#8211; RDC 44\/2010<\/strong><\/a>, pela <strong>Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria &#8211; ANVISA<\/strong>, era senso comum que antibi\u00f3ticos podiam ser facilmente adquiridos em farm\u00e1cias de todo o Brasil sem a apresenta\u00e7\u00e3o de receita. Com a introdu\u00e7\u00e3o desta medida, espera-se que esse comportamento tenha sido alterado, tanto pela maior dificuldade imposta para a <strong>compra do rem\u00e9dio sem receita<\/strong>, como pela maior conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos profissionais envolvidos, como os farmac\u00eauticos e atendentes de farm\u00e1cias.Apesar de n\u00e3o se poder afirmar com convic\u00e7\u00e3o que a compra desses medicamentos sem receita ainda ocorra em n\u00edveis preocupantes, essa \u00e9 certamente uma possibilidade. Al\u00e9m disso, a compra com receita tamb\u00e9m pode ser <strong>prejudicial \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>, caso a <strong>prescri\u00e7\u00e3o<\/strong> tenha sido feita de forma incorreta, ou se a tomada do medicamento tamb\u00e9m for feita de maneira <strong>inadequada<\/strong>. Ou seja, o <strong>mau uso dos antibi\u00f3ticos<\/strong> n\u00e3o se limita \u00e0 sua compra sem a devida receita m\u00e9dica, mas envolve uma s\u00e9rie de outros fatores.<\/p>\n<p>I<strong>HU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel identificar por quais raz\u00f5es as pessoas consomem antibi\u00f3tico de modo abusivo? \u00c9 por conta da automedica\u00e7\u00e3o ou da prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> &#8211; Tanto a <strong>automedica\u00e7\u00e3o<\/strong> quanto a <strong>prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica incorreta<\/strong> contribuem para esse problema. Entretanto, \u00e9 importante notar que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o uso <strong>\u201cexcessivo\u201d<\/strong> de <strong>antibi\u00f3ticos<\/strong> que representa um problema. O <strong>uso incorreto<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 prejudicial. Se um paciente interrompe o tratamento antes do tempo, ou esquece doses com frequ\u00eancia isso tamb\u00e9m pode acarretar em problemas de <strong>resist\u00eancia bacteriana<\/strong> e<strong> falha terap\u00eautica<\/strong>.<\/p>\n<p>Acredito que a maior causa para que isso ainda ocorra seja a<strong> falta de informa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Isso vale tanto para a <strong>comunidade m\u00e9dica<\/strong> quanto para a <strong>popula\u00e7\u00e3o em geral<\/strong>. O acesso a informa\u00e7\u00f5es precisas poderia, por exemplo, reduzir a prescri\u00e7\u00e3o inadequada destes<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cO rem\u00e9dio \u00e9 sempre associado a algo positivo, que cura. Isso faz com que a popula\u00e7\u00e3o, na d\u00favida, tenha a tend\u00eancia de utilizar estas drogas mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 necessidade\u00a0\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>medicamentos pela comunidade m\u00e9dica. Campanhas publicit\u00e1rias na m\u00eddia, por sua vez, poderiam ajudar a conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do <strong>uso correto destas drogas<\/strong> e dos <strong>malef\u00edcios de seu uso abusivo<\/strong>. No momento atual, a popula\u00e7\u00e3o simplesmente n\u00e3o tem essas informa\u00e7\u00f5es. O rem\u00e9dio \u00e9 sempre associado a algo positivo, que cura. Isso faz com que a popula\u00e7\u00e3o, na d\u00favida, tenha a tend\u00eancia de utilizar estas drogas mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 necessidade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os efeitos colaterais do uso abusivo desse tipo de medica\u00e7\u00e3o? Fala-se que o uso abusivo de antibi\u00f3ticos geram bact\u00e9rias super-resistentes no organismo. Poderia nos explicar a rela\u00e7\u00e3o entre essas quest\u00f5es? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> &#8211; O maior problema associado ao <strong>uso abusivo de antibi\u00f3ticos<\/strong> \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de <strong>bact\u00e9rias resistentes<\/strong>. O antibi\u00f3tico \u00e9 uma droga feita para matar os microrganismos. Entretanto, em uma popula\u00e7\u00e3o de microrganismos, assim como em uma popula\u00e7\u00e3o de qualquer ser vivo, existem sempre muta\u00e7\u00f5es sendo produzidas. Esse \u00e9 um processo normal e respons\u00e1vel pela evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. <strong>Muta\u00e7\u00f5es<\/strong> s\u00e3o geradas aleatoriamente. A grande maioria destas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o gera nenhuma mudan\u00e7a importante no organismo, e por isso s\u00e3o perdidas ao longo das gera\u00e7\u00f5es. Entretanto, quando uma muta\u00e7\u00e3o gera um benef\u00edcio, ela acaba sendo selecionada. Em outras palavras, se uma muta\u00e7\u00e3o faz com que um organismo se torne mais forte e melhor capacitado para enfrentar as dificuldades impostas pelo ambiente onde vive, esse organismo ter\u00e1 uma maior chance de sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o, fazendo com que essa muta\u00e7\u00e3o seja mantida e propagada. Isso tamb\u00e9m ocorre com a <strong>resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos<\/strong>.<\/p>\n<p>Um microrganismo \u00e9 dito resistente a um antibi\u00f3tico quando aquela droga n\u00e3o tem mais a capacidade de <strong>inibir a sua sobreviv\u00eancia e crescimento<\/strong>. Muta\u00e7\u00f5es que geram resist\u00eancia est\u00e3o sempre surgindo, aleatoriamente, em popula\u00e7\u00f5es de microrganismos. Entretanto, na aus\u00eancia do antibi\u00f3tico essas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o favorecem em nada as bact\u00e9rias que as carregam, e logo desaparecem. Por\u00e9m, se um antibi\u00f3tico est\u00e1 presente, essa muta\u00e7\u00e3o trar\u00e1 um benef\u00edcio para a bact\u00e9ria que a possui. Caso o uso do antibi\u00f3tico n\u00e3o seja feito da maneira correta (tratamento interrompido, doses esquecidas, etc), as bact\u00e9rias mais sens\u00edveis, isto \u00e9, sem muta\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o eliminadas, mas as bact\u00e9rias contendo essas muta\u00e7\u00f5es <strong>sobreviver\u00e3o<\/strong> e se <strong>multiplicar\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Mesmo que no fim essa infec\u00e7\u00e3o seja curada, \u00e9 poss\u00edvel que o indiv\u00edduo esteja agora colonizado por <strong>bact\u00e9rias resistentes<\/strong> e, caso essas bact\u00e9rias venham a causar um outro processo infeccioso no futuro, o antibi\u00f3tico que foi usado para trata-lo da primeira vez n\u00e3o ser\u00e1 mais eficaz. Para piorar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, bact\u00e9rias possuem mecanismos bastante eficientes para <strong>transferir muta\u00e7\u00f5es<\/strong> entre si. Assim, estas bact\u00e9rias resistentes presente no organismo do indiv\u00edduo poder\u00e3o tamb\u00e9m transferir essa resist\u00eancia para outras bact\u00e9rias do <strong>corpo humano<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que seria uma alternativa ao uso de antibi\u00f3ticos hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> &#8211; Realisticamente falando, <strong>n\u00e3o existe alternativa concreta ao uso de antibi\u00f3ticos<\/strong>. Antibi\u00f3ticos ser\u00e3o sempre necess\u00e1rios, e por isso a import\u00e2ncia de seu uso correto e controlado. A alternativa que temos \u00e9 continuar a <strong>busca por novas drogas<\/strong>. Drogas para as quais os microrganismos ainda n\u00e3o tenham desenvolvido resist\u00eancia. Entretanto, isso tem sido dif\u00edcil, e cada vez menos antibi\u00f3ticos novos s\u00e3o descobertos e lan\u00e7ados no mercado.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cRealisticamente falando, n\u00e3o existe alternativa concreta ao uso de antibi\u00f3ticos, eles ser\u00e3o sempre necess\u00e1rios, e por isso a import\u00e2ncia de seu uso correto e controlado\u00a0\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Eu acredito que a solu\u00e7\u00e3o para esse problema ser\u00e1 a procura por estas drogas em <strong>fontes n\u00e3o\u00a0<\/strong><strong>convencionais<\/strong>. Por exemplo, o corpo humano \u00e9 colonizado por uma comunidade altamente complexa de bact\u00e9rias, que interagem com o nosso organismo pacificamente, sem causar doen\u00e7as e auxiliando-o em uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es. Estas comunidades evolu\u00edram com o organismo humano por centenas de milhares de anos, e sabemos que elas exercem uma <strong>fun\u00e7\u00e3o protetora<\/strong> contra bact\u00e9rias nocivas. Essa diversidade microbiana e as mol\u00e9culas que estas bact\u00e9rias produzem poder\u00e3o se tornar uma fonte importante de novas mol\u00e9culas a serem utilizadas no <strong>controle de infec\u00e7\u00f5es <\/strong>no futuro.<br \/>\n<strong>IHU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel estimar qual tem sido a efic\u00e1cia da Resolu\u00e7\u00e3o RDC 44 da Anvisa, que pro\u00edbe a venda de antibi\u00f3ticos sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> &#8211; \u00c9 dif\u00edcil saber na pr\u00e1tica se a <strong>RDC 44\/2010<\/strong> realmente teve um impacto na venda destes medicamentos sem receita. O que sabemos \u00e9 que a venda de antibi\u00f3ticos teve uma <strong>queda expressiva<\/strong> nos primeiros meses ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o desta medida. Entretanto, ap\u00f3s cerca de seis meses os n\u00fameros <strong>retornaram ao patamar anterior<\/strong>. Isso sugere que a maior raz\u00e3o do uso inadequado de antibi\u00f3ticos n\u00e3o \u00e9 na verdade a tomada de medica\u00e7\u00e3o sem receita pela popula\u00e7\u00e3o, mas sim a prescri\u00e7\u00e3o indiscriminada destas drogas, j\u00e1 que agora, mesmo com a exig\u00eancia da receita, os <strong>n\u00edveis de consumo continuam elevados<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como a discuss\u00e3o sobre o uso de antibi\u00f3ticos \u00e9 feita entre os especialistas da \u00e1rea da sa\u00fade? H\u00e1 consenso sobre como as pessoas devem consumir esse tipo de medicamento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Caetano Antunes<\/strong> &#8211; Em minha opini\u00e3o a discuss\u00e3o sobre esse assunto ainda \u00e9 feita muito em n\u00edvel cient\u00edfico. Apesar de haver um certo consenso sobre a relev\u00e2ncia do tema, \u00e9 necess\u00e1rio que a comunidade m\u00e9dica e cient\u00edfica <strong>sensibilize<\/strong> os gestores e a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia deste assunto. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental que haja uma forma\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida dos estudantes de medicina quanto ao <strong>desafio<\/strong> representado pelo <strong>uso abusivo de antibi\u00f3ticos<\/strong> e a <strong>resist\u00eancia microbiana<\/strong> gerada por este fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>(Por Patr\u00edcia Fachin e Leslie Chaves)<\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Luis Caetano Antunes \u201cO acesso a informa\u00e7\u00f5es precisas poderia reduzir a prescri\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Luis Caetano Antunes \u201cO acesso a informa\u00e7\u00f5es precisas poderia reduzir a prescri\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36137"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36137"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36137\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}