{"id":35943,"date":"2016-01-27T12:00:35","date_gmt":"2016-01-27T15:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35943"},"modified":"2016-01-26T21:30:00","modified_gmt":"2016-01-27T00:30:00","slug":"virologista-questiona-se-o-zika-tem-a-ver-com-a-mudanca-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/virologista-questiona-se-o-zika-tem-a-ver-com-a-mudanca-do-clima\/","title":{"rendered":"Virologista questiona se o zika tem a ver com a mudan\u00e7a do clima"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35945\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35945\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Aumento de temperaturas, das cidades a da popula\u00e7\u00e3o fizeram mosquito se espalhar e \u00e1rea de dengue triplicar no Brasil em uma d\u00e9cada; v\u00edrus da microcefalia tamb\u00e9m pode se tornar comum.<\/em><\/p>\n<p>A incid\u00eancia do zika v\u00edrus pode ficar t\u00e3o comum quanto os casos de dengue no Brasil. E os pr\u00f3ximos anos podem trazer novas doen\u00e7as do tipo, por um fator muito simples: o Brasil est\u00e1 um lugar melhor de viver para o mosquito <em>Aedes aegypti<\/em>. A associa\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, ilhas de calor urbanas, aumento da popula\u00e7\u00e3o e m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de saneamento forma o combo perfeito para a prolifera\u00e7\u00e3o da praga.<\/p>\n<p>\u201cO Aedes tomou conta do mundo\u201d, diz o virologista \u00c1tila Iamarino, do Instituto de Bioci\u00eancias da USP. Ele explica que o inseto que ficou conhecido como \u201cmosquito da dengue\u201d pode portar diversos outros v\u00edrus aparentados com a dengue \u2013 os chamados flaviv\u00edrus, que precisam de vetores como mosquitos e carrapatos. \u201cSe o mosquito tem cada vez mais espa\u00e7os para circular e est\u00e1 adaptado \u00e0s cidades, o surgimento de outras doen\u00e7as \u00e9 quest\u00e3o de tempo\u201d, alerta Iamarino.<\/p>\n<p>O zika tem esse nome por causa de uma floresta hom\u00f4nima em Uganda, onde foi descoberto na d\u00e9cada de 1940. Sua forma de chegada ao Brasil ainda n\u00e3o \u00e9 consenso entre os pesquisadores. A hip\u00f3tese mais aceita \u00e9 que o v\u00edrus tenha aportado por aqui durante a Copa do Mundo, quando ocorreu grande circula\u00e7\u00e3o de estrangeiros no Brasil. A Copa aconteceu no inverno, per\u00edodo em que, em tese, a circula\u00e7\u00e3o de mosquitos no Centro-Sul do pa\u00eds cai devido ao frio. O v\u00edrus pode ter incubado na popula\u00e7\u00e3o de mosquitos nesse per\u00edodo, para come\u00e7ar a infectar humanos ap\u00f3s o fim da esta\u00e7\u00e3o seca.<\/p>\n<p>\u201cA dengue j\u00e1 est\u00e1 no pa\u00eds todo, e cresceu em grandes cidades onde antes era mais frio e agora as temperaturas s\u00e3o mais altas\u201d, diz Christovam Barcellos, pesquisador da Fiocruz. Ele afirma que, quanto mais calor, mais as doen\u00e7as v\u00e3o se espalhar. \u201cO mosquito se reproduz mais rapidamente em locais de clima quente.\u201d O pesquisador diz que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser controlada t\u00e3o cedo e que a tend\u00eancia do zika, assim como ocorreu com a dengue, \u00e9 se espalhar pelo centro do Brasil.<\/p>\n<p>O mapa abaixo ajuda a entender por qu\u00ea. Ele mostra que a \u00e1rea de transmiss\u00e3o de dengue no Brasil mais do que triplicou apenas entre 2001 e 2011, de 2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados para 7 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados. O n\u00famero de pessoas em risco dobrou, de 80 milh\u00f5es para 160 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Dados do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, por sua vez, ajudam a explicar o mapa. A maior parte do Brasil esquentou mais do que a m\u00e9dia mundial no \u00faltimo s\u00e9culo. O Nordeste, o centro do pa\u00eds e partes da Amaz\u00f4nia aqueceram de 1,2oC a 1,6oC desde 1960, em m\u00e9dia. O n\u00famero de noites quentes cresceu no pa\u00eds inteiro. Em alguns lugares, as temperaturas m\u00ednimas subiram 1,4oC por d\u00e9cada. Temperatura m\u00ednima \u00e9 um par\u00e2metro importante para o mosquito, porque o Aedes precisa de calor e \u00e1gua \u2013 e uma s\u00e9rie de noites frias pode ser a diferen\u00e7a entre uma nova gera\u00e7\u00e3o de insetos nascer ou n\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_205159\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-205159 size-full\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/mapa-1.jpg\" alt=\"As \u00e1reas em vermelho-claro e laranja mostram o a expans\u00e3o da dengue Brasil ap\u00f3s 2001. Fonte: \u201cExpans\u00e3o da \u00e1rea de transmiss\u00e3o da dengue no Brasil: o papel do clima e das cidades\u201d, estudo de Christovam Barcellos e Rachel Lowe\" width=\"300\" height=\"293\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">As \u00e1reas em vermelho-claro e laranja mostram o a expans\u00e3o da dengue Brasil ap\u00f3s 2001. Fonte: \u201cExpans\u00e3o da \u00e1rea de transmiss\u00e3o da dengue no Brasil: o papel do clima e das cidades\u201d, estudo de Christovam Barcellos e Rachel Lowe<\/p>\n<\/div>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, j\u00e1 h\u00e1 registros do v\u00edrus zika em 19 das 27 unidades federativas do pa\u00eds. Ainda n\u00e3o h\u00e1 confirma\u00e7\u00e3o do n\u00famero de casos. J\u00e1 a dengue teve 1,6 milh\u00e3o de registros em 2015, 62,2% deles na regi\u00e3o Sudeste. O aumento do n\u00famero de casos em rela\u00e7\u00e3o a 2014 \u00e9 de 178%. A febre chikungunya teve, em 2015, 20.661 registros, contra 3.657 no ano anterior.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e pa\u00edses europeus j\u00e1 emitiram alerta, aconselhando seus cidad\u00e3os a evitar viagens ao Brasil e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, al\u00e9m da Am\u00e9rica Central, pelo risco de cont\u00e1gio. J\u00e1 h\u00e1 ocorr\u00eancia de casos no Reino Unido \u2013 importados da Am\u00e9rica do Sul, de acordo com a imprensa local \u2013, Estados Unidos, Espanha, It\u00e1lia, M\u00e9xico, entre outros.<\/p>\n<p>Um estudo publicado no <a href=\"http:\/\/www.thelancet.com\/pdfs\/journals\/lancet\/PIIS0140-6736%2816%2900080-5.pdf\" target=\"_blank\">peri\u00f3dico de sa\u00fade The Lancet<\/a> alerta para o potencial de exporta\u00e7\u00e3o da epidemia a partir do Brasil. A pesquisa mapeou os destinos finais dos 9,9 milh\u00f5es de turistas estrangeiros que passaram por \u00e1reas de risco no pa\u00eds: 65% deles tinham como destino as Am\u00e9ricas, 27% para a Europa e 5% para a \u00c1sia. Os dados s\u00e3o alarmantes: cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o dos EUA, It\u00e1lia e Argentina \u2013 alguns dos pa\u00edses com maior fluxo de turistas para o Brasil \u2013 vivem em \u00e1reas vulner\u00e1veis \u00e0 transmiss\u00e3o sazonal da doen\u00e7a, considerando condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais favor\u00e1veis \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o do Aedes.<\/p>\n<p>At\u00e9 2007, menos de 20 casos de zika eram conhecidos em todo o mundo, na \u00c1frica e na \u00c1sia. De acordo com a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, a transmiss\u00e3o local do v\u00edrus, os chamados casos aut\u00f3ctones, foi detectada em 14 novos pa\u00edses e territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Iamarino diz que mesmo que haja menos casos em pa\u00edses mais frios, o Aedes albopictus, outro tipo do mosquito, \u00e9 mais resistente a essas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O virologista fala sobre as viagens do Aedes pelo mundo neste v\u00eddeo did\u00e1tico em seu canal no YouTube, o Nerdologia:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pm3do0nEuuM\" width=\"639\" height=\"639\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Controle do mosquito<\/strong><\/p>\n<p>O consenso entre os pesquisadores ouvidos pelo Observat\u00f3rio do Clima \u00e9 que a \u00fanica forma de evitar epidemias \u00e9 eliminar o mosquito. \u201cO mosquito sempre foi portador dessas doen\u00e7as. O problema \u00e9 que ele se espalhou\u201d, diz Margareth Capurro, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em locais quentes e com condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias ruins \u2013 cidades secas em que h\u00e1 reservat\u00f3rios dom\u00e9sticos de \u00e1gua para consumo, por exemplo \u2013, o mosquito encontra o ambiente ideal para se reproduzir. Foi provavelmente o que aconteceu em S\u00e3o Paulo em 2014 e 2015, anos em que o n\u00famero de casos de dengue foi alto mesmo com um ver\u00e3o muito seco, no qual a popula\u00e7\u00e3o estocou \u00e1gua. Mas a pesquisadora afirma que a adapta\u00e7\u00e3o do Aedes ao meio urbano tem facilitado a sua prolifera\u00e7\u00e3o. \u201cEu j\u00e1 encontrei larva do mosquito em papel de bala em Porto Velho\u201d, conta.<\/p>\n<p>Capurro diz que o controle do Aedes no Brasil deve considerar todas as alternativas \u2013 campanhas educativas, elimina\u00e7\u00e3o de focos, controle biol\u00f3gico, fumac\u00ea, armadilhas simples para o mosquito, mosquitos transg\u00eanicos \u2013, mas que n\u00e3o adianta come\u00e7ar no ver\u00e3o, quando o mosquito j\u00e1 est\u00e1 em grande quantidade. \u201cTem que pensar no combate ao Aedes como uma guerra e usar todo o arsenal.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aumento de temperaturas, das cidades a da popula\u00e7\u00e3o fizeram mosquito se espalhar e \u00e1rea de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35945,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/zica-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Aumento de temperaturas, das cidades a da popula\u00e7\u00e3o fizeram mosquito se espalhar e \u00e1rea de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35943"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}