{"id":35938,"date":"2016-01-27T11:00:30","date_gmt":"2016-01-27T14:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35938"},"modified":"2016-01-26T21:19:35","modified_gmt":"2016-01-27T00:19:35","slug":"banana-a-fruta-mais-popular-do-mundo-corre-riscos-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/banana-a-fruta-mais-popular-do-mundo-corre-riscos-de-extincao\/","title":{"rendered":"Banana: a fruta mais popular do mundo corre riscos de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banana.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35939\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35939\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/banana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A banana \u00e9 a fruta mais popular do mundo. E al\u00e9m dos seus predicados gastron\u00f4micos, ela j\u00e1 foi usada tanto para designar governos corruptos em pa\u00edses tropicais &#8211; as Rep\u00fablicas das Bananas &#8211; quanto para sinalizar algum comportamento estranho &#8211; no ingl\u00eas &#8220;going bananas&#8221;. Tamb\u00e9m tem se mostrado \u00fatil a atletas, como repositora de nutrientes. Quem n\u00e3o lembra do tenista Gustavo Kuerten comendo bananas no intervalos de jogos?<\/p>\n<p>Atualmente, mais de 100 bilh\u00f5es de bananas s\u00e3o consumidas anualmente no planeta.<\/p>\n<p>Mas agora o mundo enfrenta uma nova amea\u00e7a que pode provocar, segundo especialistas, a extin\u00e7\u00e3o da variedade mais comum da banana, a Cavendish (no Brasil, banana d&#8217;\u00e1gua e\/ou nanica). E talvez da fruta em todas as suas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Tal possibilidade tem a ver com uma propriedade rural no condado de Derbyshire, Inglaterra. Ali, h\u00e1 180 anos, foi desenvolvida a varia\u00e7\u00e3o da fruta que se tornaria a mais consumida no mundo.<\/p>\n<p>O jardineiro da propriedade de Chatsworth, Joseph Paxton, recebeu, em 1830, um cacho de bananas importadas das Ilhas Maur\u00edcio. Paxton havia visto bananas em um papel de paredes de um dos 175 quartos da propriedade. Na esperan\u00e7a de cultivar o fruto, o jardineiro plantou o que seria a primeira bananeira daquela propriedade.<\/p>\n<p>&#8220;Paxton sempre esteve atento a novas plantas ex\u00f3ticas e era bem relacionado, o que lhe permitiu saber que bananas haviam chegado \u00e0 Inglaterra&#8221;, comenta o atual jardineiro-chefe da propriedade, Steve Porter.<\/p>\n<p>Em novembro de 1835 a bananeira de Paxton finalmente deu frutos. Mais de 100, o que rendeu ao jardineiro a medalha durante a exposi\u00e7\u00e3o da Sociedade Horticultural brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>A banana acabou batizada pelos empregados da propriedade de Cavendishii, j\u00e1 que Cavendish era o nome de fam\u00edlia dos donos do local, a duquesa e o duque de Devonshire.<\/p>\n<p>&#8220;Naquela \u00e9poca, era muito interessante para uma fam\u00edlia inglesa plantar bananas e servir a fruta a seus visitantes&#8221;, diz Porter. &#8220;E ainda \u00e9&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Mission\u00e1rios acabaram levando as bananas Cavendish para o Pac\u00edfico e Ilhas Can\u00e1rias. Com a epidemia da Doen\u00e7a do Panam\u00e1, que dizimou as planta\u00e7\u00f5es de outros tipos de bananas a partir de 1950, mas n\u00e3o afetou a Cavendish, esta varia\u00e7\u00e3o da fruta passou a ser a preferida de agricultores mundo afora.<\/p>\n<p>A Cavendish era imune ao fungo assassino. E acabou sendo o tipo-exporta\u00e7\u00e3o. A fruta rendeu, em 2014, US$ 11 bilh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es da fruta, sendo o Equador o principal vendedor. O Brasil \u00e9 o sexto maior produtor, com mais de 7 milh\u00f5es de toneladas produzidas, mas consome quase toda a banana que produz.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, enquanto produtores aperfei\u00e7oavam a banana Cavendish, encontrada em supermercados do Ocidente quase sempre com o mesmo tamanho e sem manchas, o fungo da Doen\u00e7a do Panam\u00e1 tamb\u00e9m evoluiu. E, agora, amea\u00e7a seriamente as Cavendish.<\/p>\n<p>O novo fungo \u00e9 ainda mais poderoso do que o que atacou o tipo mais popular de banana antes dos anos 50, a Gros Michel, e agora afeta planta\u00e7\u00f5es em diversos lugares no mundo. Mais de 10 mil hectares de planta\u00e7\u00f5es foram destru\u00eddos.<\/p>\n<p>Como o todas as Cavendish produzidas atualmente s\u00e3o clones daquela plantada pelo jardineiro Joseph Paxton h\u00e1 quase dois s\u00e9culos, se uma for atingida, as demais tamb\u00e9m ser\u00e3o.<\/p>\n<h3>Perigo<\/h3>\n<p>O fungo foi redescoberto em 1992, no Panam\u00e1, e detectado desde ent\u00e3o na China, Indon\u00e9sia, Malasia e Filipinas. E, de acordo com a Panama Disease.org, &#8211; entidade formada por pesquisadores holandeses para alertar sobre o perigo da doen\u00e7a- afetar\u00e1 logo, e em larga escala, planta\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul e \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que n\u00e3o temos outra varia\u00e7\u00e3o da banana que seja imune \u00e0 doen\u00e7a e que possa substituir a Cavendish&#8221;, diz Gert Kema, especialista e produ\u00e7\u00e3o da planta na Wageningen University and Research Centre, na Holanda, e um dos membros do Panama Didease.org.<\/p>\n<p>Pesquisadores trabalham com duas linhas de a\u00e7\u00e3o para salvar a banana. Primeiro, conter o avan\u00e7o da doen\u00e7a atrav\u00e9s de campanhas.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 mais f\u00e1cil falar do que fazer, alerta Alistair Smith, coordenador internacional da organiza\u00e7\u00e3o Banana Link, que re\u00fane cooperativas de agricultores ao redor do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 mais ou menos poss\u00edvel conter (o fungo) com medidas severas, mas isso n\u00e3o significa que a doen\u00e7a n\u00e3o ser\u00e1 transmitida&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Temos tecnologias mais avan\u00e7adas agora do que t\u00ednhamos quando perdemos a Gros Michel&#8221;, complementa Kema. &#8220;Podemos detectar e rastrear o fungo muito melhor do que antes, mas o problema persiste, pelo fato de que a Cavendish \u00e9 muito vulner\u00e1vel \u00e0 doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<h3>Outra banana<\/h3>\n<p>Da\u00ed surge a segunda linha de atua\u00e7\u00e3o: achar uma banana n\u00e3o vulner\u00e1vel ao fungo.<\/p>\n<p>&#8220;Continuar plantando a mesma banana \u00e9 burrice&#8221;, alerta Kema. &#8220;Podemos tentar aperfei\u00e7oar a Cavendish geneticamente. Mas, em paralelo, precisamos aumentar a diversidade&#8221;.<\/p>\n<p>A eventual extin\u00e7\u00e3o da banana traria impacto severo para a economia e a dieta de v\u00e1rios pa\u00edses, lembram os pesquisadores.<\/p>\n<p>Enquanto isso, ainda distante da crise, a planta\u00e7\u00e3o de bananas iniciada por Joseph Paxton em 1830 segue firme em Chatsworth, na Inglaterra, onde s\u00e3o colhidos de 30 a 100 cachos por ano.<\/p>\n<p>&#8220;Elas parecem mais com pl\u00e2ntano, mais densas e n\u00e3o t\u00e3o doces&#8221;, comenta o atual jardineiro, Steve Porter. &#8220;Mas ficam bonitas na decora\u00e7\u00e3o e s\u00e3o usadas tamb\u00e9m em alguns pratos da casa. Equanto pudermos, vamos manter nossa planta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A banana \u00e9 a fruta mais popular do mundo. 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