{"id":35912,"date":"2016-01-26T17:00:34","date_gmt":"2016-01-26T20:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35912"},"modified":"2016-01-25T22:07:45","modified_gmt":"2016-01-26T01:07:45","slug":"brasil-e-um-dos-maiores-responsaveis-por-emissoes-de-nitrogenio-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-e-um-dos-maiores-responsaveis-por-emissoes-de-nitrogenio-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 um dos maiores respons\u00e1veis por emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio do mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nitrogenio.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35913\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35913\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nitrogenio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nitrogenio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/nitrogenio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando se pensa em efeito estufa, o grande vil\u00e3o \u00e9 quase sempre o carbono. Por tr\u00e1s dele, por\u00e9m, h\u00e1 uma amplo leque de elementos qu\u00edmicos altamente danosos \u00e0 atmosfera. Um dos principais \u00e9 o nitrog\u00eanio reativo, cuja libera\u00e7\u00e3o na atmosfera foi dissecada pela primeira vez em um estudo capitaneado por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austr\u00e1lia, com dados de 188 pa\u00edses. O mapa dessa pegada de nitrog\u00eanio traz uma disparidade marcante entre na\u00e7\u00f5es. Quatro pa\u00edses \u2014 EUA, China, \u00cdndia e Brasil \u2014 s\u00e3o respons\u00e1veis por 46% das emiss\u00f5es desse g\u00e1s no mundo.<\/p>\n<p>O nitrog\u00eanio simples (N2) comp\u00f5e 78% do ar na atmosfera e \u00e9 extremamente est\u00e1vel, sendo absorvido apenas pelas plantas por meio de bact\u00e9rias. A quantidade n\u00e3o aproveitada pelo ecossistema volta, em um ciclo natural, para a atmosfera. No entanto, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o homem vem liberando nitrog\u00eanio reativo a partir da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Nos \u00faltimos 150 anos, para desenvolver a agricultura, o elemento tem sido usado na forma de fertilizantes. Grandes quantidades deixam o campo e v\u00e3o para o ar, onde o g\u00e1s reage com vapor d\u2019\u00e1gua e d\u00e1 origem a chuva \u00e1cida ou ao \u00f3xido nitroso (N2O), um g\u00e1s de efeito estufa 300 vezes mais poluente do que o pr\u00f3prio carbono e que contribui, por exemplo, para a acidifica\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>De acordo com os autores do levantamento, a polui\u00e7\u00e3o do nitrog\u00eanio a partir da atividade humana cresceu em seis vezes desde a d\u00e9cada de 1930 \u2014 e em dez vezes nos \u00faltimos 150 anos. Hoje, o consumo de commodities da agricultura \u00e9 o grande respons\u00e1vel pelo aumento das emiss\u00f5es desse g\u00e1s.<\/p>\n<p>POLUI\u00c7\u00c3O FORA DAS FRONTEIRAS<\/p>\n<p>Os pa\u00edses desenvolvidos geralmente importam muitos produtos que levam \u00e0 emiss\u00e3o de nitrog\u00eanio em na\u00e7\u00f5es mais apoiadas no setor agr\u00e1rio, diz a pesquisa. Assim, economias como Jap\u00e3o, Alemanha, Reino Unido e os EUA t\u00eam emiss\u00f5es per capita do g\u00e1s duas vezes maiores do que a quantidade produzida localmente. Em m\u00e9dia, por exemplo, cada pessoa na Lib\u00e9ria seria respons\u00e1vel por menos de sete quilos da libera\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio reativo por ano. No mesmo per\u00edodo, um habitante de Hong Kong responderia por mais de 100 quilos de polui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a regi\u00e3o \u00e9 grande importadora de produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u2014 Quer\u00edamos saber quem estava fabricando os produtos que s\u00e3o postos nas prateleiras de outros pa\u00edses, e quem \u00e9 afetado durante este processo \u2014 explica Arunima Malik, autor chefe do estudo, publicado na revista \u201cNature Geoscience\u201d, que afirmou que os problemas ambientais causados pelo excesso de nitrog\u00eanio ainda v\u00e3o custar muito caro.<\/p>\n<p>Publicidade<\/p>\n<p>Principalmente devido \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas, as na\u00e7\u00f5es de alta renda s\u00e3o respons\u00e1veis por emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio dez vezes maiores que a observada em pa\u00edses em desenvolvimento. Esta diferen\u00e7a refletiria, tamb\u00e9m, o aumento do consumo de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, entre outros itens que demandam uso intensivo de energia.<\/p>\n<p>\u2014 As emiss\u00f5es est\u00e3o fortemente relacionadas ao consumo e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o \u2014 acrescenta Andrea Santos, gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. \u2014 O Jap\u00e3o e demais na\u00e7\u00f5es desenvolvidas importam roupas e outros produtos cuja fabrica\u00e7\u00e3o levou a emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio. Hong Kong n\u00e3o tem terra para culturas agr\u00edcolas. Ent\u00e3o, precisa comprar suprimentos de diferentes pa\u00edses. O cultivo desses itens levou \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio.<\/p>\n<p>De acordo com Andrea, a avalia\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de nitrog\u00eanio exemplifica um impasse das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas:<\/p>\n<p>\u2014 Os pa\u00edses desenvolvidos s\u00e3o historicamente os maiores poluidores da atmosfera, j\u00e1 que financiam o cultivo agr\u00edcola e importam commodities de outros locais. No entanto, as na\u00e7\u00f5es pobres \u00e0s vezes s\u00e3o consideradas \u201ccorrespons\u00e1veis\u201d pela polui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que conduzem em seus territ\u00f3rios as atividades econ\u00f4micas que v\u00e3o liberar nitrog\u00eanio.<\/p>\n<p>A pesquisadora do Fundo Verde avalia que o Brasil, durante seu desenvolvimento econ\u00f4mico, n\u00e3o investiu em sustentabilidade. Por isso, acredita que \u201cn\u00e3o \u00e9 surpresa\u201d ver o pa\u00eds entre os principais produtores de nitrog\u00eanio.<\/p>\n<p>\u2014 Precisamos adotar no campo pr\u00e1ticas como o manejo do solo e a mudan\u00e7a de cultivos agr\u00edcolas \u2014 destaca ela, antes de acrescentar: \u2014 N\u00e3o cuidamos dos problemas no campo, tampouco investimos apropriadamente em fontes de energia renov\u00e1veis nas cidades. O setor energ\u00e9tico e o de transporte est\u00e3o entre os mais poluentes de nossa economia, e isso ocorre porque ainda abusamos dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>A equipe de Malik alerta que, com a expans\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial, a emiss\u00e3o de nitrog\u00eanio aumentar\u00e1 significativamente. Por isto, \u00e9 necess\u00e1rio fazer proje\u00e7\u00f5es sobre como aumentar\u00e3o e ser\u00e3o distribu\u00eddos a riqueza e o consumo nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, assim como indicar os setores nos quais o combate \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o da atmosfera por gases-estufa devem ser priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>O cientista que liderou a elabora\u00e7\u00e3o do mapa das emiss\u00f5es de nitrog\u00eanio prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o internacional para o controle da libera\u00e7\u00e3o desse g\u00e1s. Para o pesquisador, esta medida inibiria as emiss\u00f5es. Outra proposta \u00e9 a impress\u00e3o, nos r\u00f3tulos dos produtos, da quantidade de nitrog\u00eanio necess\u00e1ria para a sua fabrica\u00e7\u00e3o, o que contribuiria para a conscientiza\u00e7\u00e3o dos consumidores. Ele tamb\u00e9m sugere a taxa\u00e7\u00e3o dos itens mais poluentes e de f\u00e1cil acesso no mercado, como os fertilizantes nitrogenados.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o incentivadas por Andr\u00e9 Nahur, coordenador do Programa de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Energia do WWF-Brasil:<\/p>\n<p>\u2014 A demanda por nitrog\u00eanio pode ser reduzida se tomarmos decis\u00f5es mais conscientes dos produtos associados com a libera\u00e7\u00e3o do g\u00e1s em diversos setores, como alimenta\u00e7\u00e3o, transporte e ind\u00fastria t\u00eaxtil \u2014 ressalta. \u2014 \u00c9 importante que cada pa\u00eds considere alternativas para reduzir o uso deste elemento qu\u00edmico. (Colaborou Clarissa Pains)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se pensa em efeito estufa, o grande vil\u00e3o \u00e9 quase sempre o carbono. 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