{"id":35883,"date":"2016-01-26T10:00:27","date_gmt":"2016-01-26T13:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35883"},"modified":"2016-01-25T21:42:12","modified_gmt":"2016-01-26T00:42:12","slug":"flores-raras-do-cerrado-de-minas-ganham-ajuda-para-sobreviver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/flores-raras-do-cerrado-de-minas-ganham-ajuda-para-sobreviver\/","title":{"rendered":"Flores raras do Cerrado de Minas ganham ajuda para sobreviver"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35884\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35884\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem muita sorte tiver e pelas montanhas de Minas se aventurar, pode encontrar por esses dias o buqu\u00ea da foto do alto desta p\u00e1gina ao vivo e em alguns dos mais intensos tons de rosa e lil\u00e1s que a natureza \u00e9 capaz de inventar. De t\u00e3o rara, a esp\u00e9cie n\u00e3o tem nome popular. Pouca gente teve o privil\u00e9gio de v\u00ea-la. Batizada por bot\u00e2nicos de Lavoisiera sampaioana, ela integra um pequeno guia que re\u00fane algumas das maiores joias da flora do Brasil. Ao todo, s\u00e3o 82 esp\u00e9cies. Lan\u00e7ado pelo Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, o livro de bolso tem como meta motivar e ajudar a popula\u00e7\u00e3o encontrar algumas dessas plantas e, assim, contribuir para sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Queremos que os moradores e frequentadores dessa regi\u00e3o possam avisar, caso localizem exemplares. S\u00e3o preciosos para a biodiodiversidade do Brasil \u2014 afirma uma das organizadoras do guia, a pesquisadora do Jardim do Bot\u00e2nico Eline Martins.<\/p>\n<p>CAMPOS ALTOS DE MUITOS SEGREDOS<\/p>\n<p>A Lavoisiera sampaioana, por exemplo, sequer integra a lista da extin\u00e7\u00e3o. Sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desconhecida porque h\u00e1 muitos anos praticamente ningu\u00e9m a encontra no \u00fanico lugar do planeta em que existe: os campos de altitude do Cerrado mineiro, nas vizinhan\u00e7as dos munic\u00edpios de Ouro Preto, Jaboticatubas, Santa Luzia, Santana do Riacho e Santo Ant\u00f4nio do Itamb\u00e9. Fotografadas pelo pesquisador Marcio Verdi, as flores dessa p\u00e1gina podem estar entre as \u00faltimas da esp\u00e9cie. Tudo sobre elas \u00e9 incerto. Sabe-se apenas que desabrocham em campos acima dos 1.300 metros de altitude, de apar\u00eancia selvagem, com vegeta\u00e7\u00e3o rasteira e muitas, muitas pedras.<\/p>\n<p>Essas plantas s\u00e3o arbustos que n\u00e3o costumam ultrapassar o metro e meio de altura. Fora da \u00e9poca de flora\u00e7\u00e3o, que se prolonga at\u00e9 agosto, passam despercebidas com facilidade, quase da cor das rochas das montanhas. Talvez por isso, especulam pesquisadores, a bela esp\u00e9cie n\u00e3o seja avistada. Sua hist\u00f3ria pode ser tamb\u00e9m a de tantas outras esp\u00e9cies que j\u00e1 desapareceram ou correm o risco de extin\u00e7\u00e3o iminente. Altera\u00e7\u00f5es do h\u00e1bitat podem t\u00ea-las condenado, numa regi\u00e3o escolhida para estudo pela imensa riqueza e a igualmente grande fragilidade.<\/p>\n<p>O Cerrado \u00e9 uma das 35 regi\u00f5es com maior diversidade biol\u00f3gica da Terra. E o Cerrado mineiro \u00e9 o mais devastado de todos. S\u00e9culos de pecu\u00e1ria, minera\u00e7\u00e3o, planta\u00e7\u00f5es e ocupa\u00e7\u00e3o mudaram a face de campos e montanhas. Isso quando n\u00e3o levaram montanhas inteiras. O resultado s\u00e3o \u00edndices espantosos de extin\u00e7\u00e3o. Das 2.113 esp\u00e9cies da flora brasileira amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, 700 s\u00e3o do Cerrado.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/18538656-065-6e0\/FT1086A\/420\/orthophytum_humile_rafael_louzada.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"385\" \/>Orthophytum humile est\u00e1 registrada tamb\u00e9m no guia de bolso sobre as flores do Cerrado de Minas &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o\/Rafael Louzada<\/p>\n<p>O guia integra um projeto maior de Planos de A\u00e7\u00e3o Nacional (PAN) para a Conserva\u00e7\u00e3o da Flora Amea\u00e7ada de Extin\u00e7\u00e3o, coordenado pelo Jardim Bot\u00e2nico, com a participa\u00e7\u00e3o de numerosas institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, comunidades e representantes dos setores produtivos. A partir de uma esp\u00e9cie de planta, pode-se preservar todo um ecossistema. O que inclui proteger e recuperar nascentes e solos, flora e fauna.<\/p>\n<p>\u2014 Na natureza tudo est\u00e1 integrado. N\u00e3o se salva uma planta se n\u00e3o se preserva o seu habitat \u2014 destaca o coordenador do Centro Nacional de Conserva\u00e7\u00e3o da Flora, Gustavo Martinelli.<\/p>\n<p>E, ao proteger esse habitat, se conserva um ambiente importante para a pr\u00f3pria presen\u00e7a humana, que depende da \u00e1gua, do solo e dos servi\u00e7os ambientais prestados pela flora e a fauna, como a diversidade de sementes e a poliniza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de valor comercial.<\/p>\n<p>\u2014 Escolhemos para estudo regi\u00f5es que n\u00e3o s\u00f3 possuem import\u00e2ncia biol\u00f3gica, como s\u00e3o fact\u00edveis de salvar e de beneficiar a popula\u00e7\u00e3o de entorno \u2014 acrescenta Martinelli.<\/p>\n<p>Cada PAN \u00e9 resultado da combina\u00e7\u00e3o de pesquisa de ponta em campo e em bancos de dados no Brasil e no mundo. E tamb\u00e9m de reuni\u00f5es de especialistas com representantes de governos, da minera\u00e7\u00e3o, da agropecu\u00e1ria, de moradores, pequenos produtores e quaisquer outros grupos que tenham rela\u00e7\u00e3o com as \u00e1reas. Junto com o guia \u201cFlora amea\u00e7ada do Cerrado mineiro\u201d, o Jardim Bot\u00e2nico lan\u00e7ou tamb\u00e9m os PANs do Espinha\u00e7o Meridional e da regi\u00e3o de Gr\u00e3o Mogol-Francisco S\u00e1, ambos no Cerrado de Minas Gerais. S\u00f3 no Espinha\u00e7o Meridional h\u00e1 255 esp\u00e9cies de plantas em extin\u00e7\u00e3o. No Gr\u00e3o Mogol, existem 74.<\/p>\n<p>\u2014 A fun\u00e7\u00e3o do PAN \u00e9 orientar todos os envolvidos com essas \u00e1reas. Pode ser usado, por exemplo, para um agricultor averbar uma reserva legal para fazer o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Tamb\u00e9m \u00e9 \u00fatil para o Minist\u00e9rio P\u00fablico \u2014 observa Eline.<\/p>\n<p>REF\u00daGIO NA SERRA DO CIP\u00d3<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos locais priorit\u00e1rios foi realizada por uma equipe de especialistas liderada por Rafael Loyola, da Universidade Federal de Goi\u00e1s, que tamb\u00e9m organizou os dois PANs.<\/p>\n<p>Todos esses cientistas esperam que algu\u00e9m se depare e d\u00ea not\u00edcias sobre, por exemplo, as flores exuberantes da foto ao lado. Como a Lavoisiera, essa esp\u00e9cie tamb\u00e9m n\u00e3o recebeu nome popular. Para os bot\u00e2nicos, a esp\u00e9cie \u00e9 a Lychnophora humillima. \u00c9 outra reservada hoje aos olhos de poucos. Est\u00e1 na categoria \u201ccriticamente amea\u00e7ada\u201d. S\u00f3 existe na Serra do Cip\u00f3 e, ainda assim, somente perto dos munic\u00edpios de Santana do Riacho e de Santana de Pirapama. Outrora, podia ser achada at\u00e9 mesmo sobre cupinzeiros. Hoje, n\u00e3o mais.<\/p>\n<p>A Serra do Cip\u00f3, de fato, \u00e9 um dos maiores ref\u00fagios da biodiversidade do Cerrado. Esp\u00e9cies que j\u00e1 desapareceram de outras \u00e1reas ainda s\u00e3o encontradas por l\u00e1. A esperan\u00e7a dos cientistas \u00e9 que algu\u00e9m encontre exemplares. No guia, h\u00e1 instru\u00e7\u00f5es de como proceder, caso algu\u00e9m seja afortunado o suficiente para se deparar com uma das plantas mais raras do mundo.<\/p>\n<p>O guia e os dois PANs podem ser acessados gratuitamente no <a href=\"http:\/\/cncflora.jbrj.gov.br\/portal\" target=\"_blank\">site<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem muita sorte tiver e pelas montanhas de Minas se aventurar, pode encontrar por esses<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35884,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/flor_cerrado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quem muita sorte tiver e pelas montanhas de Minas se aventurar, pode encontrar por esses","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35883"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35883\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}