{"id":35846,"date":"2016-01-25T15:00:57","date_gmt":"2016-01-25T18:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35846"},"modified":"2016-01-25T21:05:27","modified_gmt":"2016-01-26T00:05:27","slug":"em-tamandare-amazonia-azul-e-preservada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/em-tamandare-amazonia-azul-e-preservada\/","title":{"rendered":"Em Tamandar\u00e9, Amaz\u00f4nia azul \u00e9 preservada pelo Instituto Recifes Costeiros"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35847\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35847\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Wilson tinha 22 anos quando conheceu um mundo novo. Ele e seus amigos de Tamandar\u00e9, cidade a 107 quil\u00f4metros da capital pernambucana, tiveram contato com as atividades do Instituto Recifes Costeiros (Ircos). A ONG, que ajuda a monitorar e preservar corais, teve a ideia de criar um curso para conscientizar jovens pescadores em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Todos tinham a viv\u00eancia pr\u00e1tica e experi\u00eancia em mar, mas a descoberta de que poderiam somar as experi\u00eancias de vida com conhecimentos cient\u00edficos serviu como um grande estimulante.<\/p>\n<p>Esses jovens, filhos de pescadores e de outros profissionais que vivem com or\u00e7amento familiar pequeno, tinham h\u00e1bitos muito agressivos com os delicados corais, como o uso de arp\u00f5es e grandes paus para empurrar as embarca\u00e7\u00f5es. As aulas promovidas pelo Ircos t\u00eam per\u00edodos te\u00f3ricos, mas tamb\u00e9m junto \u00e0s col\u00f4nias de corais. Al\u00e9m de apresentar os corais pelos nomes, os instrutores do Ircos explicam o funcionamento desses animais de formas inesperadas para os jovens que se inscreveram e corresponderam \u00e0s expectativas.<img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/images\/noticias_arquivos\/imagens\/2016\/costa%20dos%20corais_beatrice_padovani\/treinamento_foto_Beatrice_padovani.jpg\" alt=\"\" width=\"635\" height=\"476\" \/><\/p>\n<p><strong>MENINOS E CORAIS<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm dia, quero ser igual aos instrutores do Ircos\u201d, admira Wilson Jos\u00e9 da Silva, hoje com 27 anos, nosso personagem que abre esta mat\u00e9ria. \u201cEu quero me transformar num agente multiplicador\u201d, endossa Jonatas de Lima, que fez quest\u00e3o de repetir ensinamentos repassados nas aulas, como os cuidados para n\u00e3o mexer nos corais, n\u00e3o andar sobre os recifes, respeitar os per\u00edodos de desova e nunca pescar peixes que n\u00e3o estejam no tamanho e no peso corretos.<\/p>\n<p>O diretor-executivo do Ircos, Manoel Pedrosa, ressalta a import\u00e2ncia da manuten\u00e7\u00e3o do monitoramento da \u00e1rea marinha protegida de Tamandar\u00e9. \u201cSomos uma esp\u00e9cie de guarda-chuva que abra\u00e7a todos os projetos de gest\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o desse ecossistema. Trabalhamos a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos da comunidade local e tamb\u00e9m lutamos para que a sociedade tenha ci\u00eancia do poder que tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Costa dos Corais\u201d, resume Pedrosa.<\/p>\n<p><strong>PROJETO PILOTO<\/strong><\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o local do Ircos dialoga com o projeto Terramar, acordo firmado entre os governos do Brasil e da Alemanha que tem o objetivo de proteger e promover o uso sustent\u00e1vel da biodiversidade marinha e costeira. O or\u00e7amento, de 11 milh\u00f5es de euros (aproximadamente R$ 50 milh\u00f5es), at\u00e9 2020, ser\u00e1 empregado no monitoramento integrado e gest\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/images\/noticias_arquivos\/imagens\/2016\/costa%20dos%20corais_beatrice_padovani\/Coral_beatrice_padovani.jpg\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"477\" \/>A iniciativa \u00e9 resultado da parceria entre o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e o Minist\u00e9rio Federal do Meio Ambiente da Alemanha, por meio da Ag\u00eancia Alem\u00e3 de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica (GIZ, sigla em alem\u00e3o). O Terramar \u00e9 um projeto piloto e direciona as a\u00e7\u00f5es para duas regi\u00f5es, inicialmente. A primeira delas \u00e9 a APA Costa dos Corais, que abrange 14 munic\u00edpios do litoral sul de Pernambuco e norte de Alagoas.<\/p>\n<p>\u00c9 a maior unidade de conserva\u00e7\u00e3o federal marinha do Brasil, importante \u00e1rea de soltura e \u00fanico ponto de reintrodu\u00e7\u00e3o na natureza do peixe-boi marinho, uma das esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas de mam\u00edferos aqu\u00e1ticos. A outra \u00e1rea beneficiada pelo Terramar \u00e9 a regi\u00e3o do Banco dos Abrolhos, situado no litoral da Bahia e do Esp\u00edrito Santo, que abriga o mais importante sistema de recifes do Atl\u00e2ntico Sul. Al\u00e9m disso, as \u00e1guas rasas e quentes constituem um ber\u00e7\u00e1rio para baleias jubarte.<\/p>\n<p><strong>REGRAS PARA O TURISMO<\/strong><\/p>\n<p>Estrategicamente, o Ircos planejou e criou em Tamandar\u00e9 um n\u00facleo instru\u00eddo antes que o mercado tur\u00edstico fizesse as pr\u00f3prias regras, em geral depredadoras. Ao lado da praia de Tamandar\u00e9, est\u00e1 a praia de Carneiros, que tende a ser o pr\u00f3ximo endere\u00e7o a ser explorado pelas ind\u00fastrias tur\u00edstica e imobili\u00e1ria. Carneiros \u00e9 hoje o que Porto de Galinhas foi antes da explos\u00e3o tur\u00edstica que transformou o endere\u00e7o de pescadores em lugar de resorts de luxo e empreendimentos hoteleiros. Carneiros e Tamandar\u00e9 est\u00e3o a menos de 30 minutos de Porto de Galinhas.<\/p>\n<p>O diretor do Ircos explica ainda que o Instituto surgiu para dar continuidade aos experimentos iniciados pelo projeto Recifes Costeiros, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p><strong>APOIO DA UNIVERSIDADE<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/images\/noticias_arquivos\/imagens\/2016\/costa%20dos%20corais_beatrice_padovani\/coralmilepora.jpg\" alt=\"\" width=\"632\" height=\"474\" \/>Um dos principais apoios do Ircos vem do Departamento de Oceanografia da UFPE. O trabalho inclui um plano de manejo com experimentos para gest\u00e3o ambiental de recifes. O objetivo \u00e9 disciplinar o uso adequado do ecossistema. \u00a0O professor Mauro Maida, que tamb\u00e9m \u00e9 consultor do Ircos, lembra que nas d\u00e9cadas de 1980 e at\u00e9 boa parte de 1990 n\u00e3o havia leis de preserva\u00e7\u00e3o para os corais. \u201cTudo era permitido, inclusive explodir e cortar os corais para serem usados como ornamenta\u00e7\u00e3o em aqu\u00e1rios. Entendemos, ent\u00e3o, que para combater essa degrada\u00e7\u00e3o e manter o ecossistema produtivo t\u00ednhamos de ter uma legisla\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Foi com o apoio t\u00e9cnico e cient\u00edfico do Ircos que o Governo Federal decretou em outubro de 1997 a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Costa dos Corais, a maior do pa\u00eds. Ela come\u00e7a em Tamandar\u00e9 e segue cerca de 180 km at\u00e9 a praia de Paripueira, em Alagoas. S\u00e3o 413 mil hectares de uma APA que busca a prote\u00e7\u00e3o dos recifes. O Ircos foi al\u00e9m: dentro da APA, conseguiu a defini\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de 400 hectares totalmente fechada, onde s\u00f3 os pesquisadores podem entrar para acompanhar do meio ambiente. Esse espa\u00e7o j\u00e1 existe h\u00e1 17 anos.<\/p>\n<p><strong>AMAZ\u00d4NIA AZUL<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de a zona costeira marinha ocupar aproximadamente 4,5 milh\u00f5es de km2 e ser umas das maiores faixas costeiras do mundo, com mais de 7.400 km entre a foz dos rios Oiapoque e Chu\u00ed, o professor Maida alerta que os trabalhos de pesquisa e os planos de manejo sempre devem ter continuidade para a preserva\u00e7\u00e3o da natureza. \u201cSomos um pa\u00eds pouco mar\u00edtimo, mesmo com toda essa riqueza\u201d, finaliza. Outro setor que \u00e9 fonte de an\u00e1lises da Universidade Federal de Pernambuco \u00e9 a pesca.<\/p>\n<p>Beatrice Padovani, tamb\u00e9m professora no Departamento de Oceanografia da UFPE, lembra que a pesca garante uma fonte proteica de alta qualidade e de gra\u00e7a para as comunidades locais. Para perpetuar isso, h\u00e1 de se estudar e acompanhar o modo como os pescadores est\u00e3o agindo. \u201cTemos de levar em considera\u00e7\u00e3o que tipo de peixe \u00e9 melhor pescar em determinada \u00e9poca, quantas pessoas pescam e qual a quantidade, e que tipo de arte de pesca usam: linha, arp\u00e3o ou rede. Todas essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para manter o ecossistema e evitar um desequil\u00edbrio\u201d, explica.<\/p>\n<p>A professora, que tamb\u00e9m \u00e9 uma consultora do Ircos, afirma que o trabalho da UFPE junto \u00e0 ONG \u00e9 f\u00e1cil de entender quando se percebe que os recifes de corais s\u00e3o importantes para o bioma terrestre. \u201cOs dois mant\u00eam trocas e produzem seus equil\u00edbrios a partir delas\u201d, encerra Padovani.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/images\/noticias_arquivos\/imagens\/2016\/costa%20dos%20corais_beatrice_padovani\/01_apa_costadoscorais_PE_2011.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<p><em>Fotos: Beatrice Padovani\/ Ircos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wilson tinha 22 anos quando conheceu um mundo novo. Ele e seus amigos de Tamandar\u00e9,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35847,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/oceano-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Wilson tinha 22 anos quando conheceu um mundo novo. Ele e seus amigos de Tamandar\u00e9,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35846"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}