{"id":35759,"date":"2016-01-24T10:00:00","date_gmt":"2016-01-24T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35759"},"modified":"2016-01-23T21:42:52","modified_gmt":"2016-01-24T00:42:52","slug":"estudo-indica-que-abelhas-elevam-produtividade-agricola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-indica-que-abelhas-elevam-produtividade-agricola\/","title":{"rendered":"Estudo indica que abelhas elevam produtividade agr\u00edcola"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35763\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35763\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Embora estejam mais escassos no campo, por causa da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea das matas e do uso intensivo de fertilizantes qu\u00edmicos, as abelhas e outros insetos polinizadores respondem em m\u00e9dia por 24% do ganho em produtividade agr\u00edcola em pequenas propriedades rurais (at\u00e9 2 hectares). Os outros 76% est\u00e3o associados \u00e0 irriga\u00e7\u00e3o e a nutrientes e t\u00e9cnicas de cultivo, de acordo com estudo publicado na revista Science no dia 22 de janeiro. Segundo esse trabalho, quanto maior o n\u00famero de polinizadores, maior tende a ser a produtividade agr\u00edcola, principalmente nas pequenas propriedades.<\/p>\n<p>A pesquisa foi financiada pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), integra-se ao Projeto Polinizadores do Brasil, do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e foi coordenado por Lucas Garibaldi, da Universidade Nacional de Rio Negro e diretor do Instituto de Investigaciones en Recursos Naturales, Agroecolog\u00eda y Desarrollo Rural, da Argentina, com a participa\u00e7\u00e3o de 35 pesquisadores de 18 pa\u00edses, incluindo o Brasil, por meio de 12 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa de oito estados.<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 haviam ressaltado a import\u00e2ncia dos polinizadores para a agricultura (ver Pesquisa FAPESP n\u00ba 171) e fornecido uma estimativa dos ganhos de produtividade com poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas, equivalente a 10% do valor da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola mundial (ver Pesquisa FAPESP n\u00ba 218). N\u00e3o existiam, no entanto, an\u00e1lises num\u00e9ricas t\u00e3o detalhadas sobre os benef\u00edcios econ\u00f4micos dos polinizadores auferidas pelos mesmos crit\u00e9rios em escala mundial.<\/p>\n<p>Nesse trabalho, os pesquisadores analisaram o n\u00famero de polinizadores, a biodiversidade e o rendimento de 33 cultivos dependentes de polinizadores (ma\u00e7\u00e3, pepino, caju, caf\u00e9, feij\u00e3o, algod\u00e3o e canola, entre outras) em 334 propriedades pequenas e grandes da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica do Sul durante cinco anos (2010-2014), por meio de m\u00e9todos padronizados e uniformes. Nos 12 pa\u00edses analisados, o rendimento agr\u00edcola cresceu de acordo com a densidade de polinizadores, indicando que, inversamente, popula\u00e7\u00f5es reduzidas de abelhas e outros insetos poderia ser parcialmente respons\u00e1vel pela queda de produtividade.<\/p>\n<p>\u201cDemonstramos o potencial do aumento da densidade de polinizadores como forma de aumentar a produtividade agr\u00edcola\u201d, disse Antonio Mauro Saraiva, coordenador do N\u00facleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computa\u00e7\u00e3o (Biocomp) e professor da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli-USP), que participou do trabalho de organiza\u00e7\u00e3o, registro e an\u00e1lise dos bancos de dados. \u201cNesse trabalho testamos duas hip\u00f3teses, o efeito do aumento da densidade de polinizadores e da riqueza de esp\u00e9cies\u201d, disse ele. Para as pequenas propriedades, o ganho de produtividade dependeu da quantidade de polinizadores e n\u00e3o esteve ligado \u00e0 diversidade desses animais na propriedade. Para as grandes fazendas, em contrapartida, a \u00fanica forma de se tornarem mais produtivas seria aumentar tanto a quantidade de polinizadores quanto a diversidade de plantas e animais na \u00e1rea cultivada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/garibaldi7HR-300x209.jpg?0a23b3\" alt=\" A) a beetle (Coleoptera); B) wasp (Hymenoptera); C) bee (Hymenoptera); and D) a butterfly (Lepidoptera).\" width=\"634\" height=\"442\" \/>Visitantes de flores de ma\u00e7\u00e3 na Chapada Diamantina: A) besouro, B) vespa, C) abelha e D) borboleta<\/p>\n<p>\u201cO que mais contribuiu para a diferen\u00e7a entre as taxas de produ\u00e7\u00e3o mais altas e mais baixas foi o aumento na densidade de polinizadores\u201d, disse Leandro Freitas, pesquisador do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro e um dos autores do trabalho. \u201cO incremento no uso de t\u00e9cnicas convencionais de intensifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, como o uso de fertilizantes sint\u00e9ticos e monoculturas, apresentou uma contribui\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0 dos polinizadores.\u201d<\/p>\n<p>Freitas examinou o cultivo de tomates no norte do estado do Rio de Janeiro com a equipe de Maria Cristina Gaglianone, da Universidade Estadual do Norte Fluminense. \u201cO grau de informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos produtores era muito baixo\u201d, ele observou. \u201cMuitos n\u00e3o sabiam que a visita\u00e7\u00e3o das flores por abelhas estava relacionada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dos tomates.\u201d\u00a0 Um estudo recente da equipe de Breno Freitas, professor da Universidade Federal do Cear\u00e1 e tamb\u00e9m coautor do estudo da Science, indicou que a soja, como o tomate e outros cultivos, n\u00e3o depende de polinizadores, mas pode aumentar sua produtividade com eles.<\/p>\n<p>Garibaldi, o coordenador do trabalho, percorreu as planta\u00e7\u00f5es de framboesa da Patag\u00f4nia e observou: \u201cA vis\u00e3o dos agricultores tem mudado nos \u00faltimos anos, mas ainda n\u00e3o d\u00e3o muita import\u00e2ncia aos polinizadores. A prioridade \u00e9 o retorno econ\u00f4mico de curto prazo, sem uma vis\u00e3o de longo prazo.\u201d Ele ressaltou: \u201cExistem alternativas ao modelo mais adotado de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, com base em monocultura e fertilizantes\u201d.<\/p>\n<p>Os autores do artigo da Science ressaltam o conceito de intensifica\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, que consiste em adotar medidas de promo\u00e7\u00e3o da biodiversidade capazes de aumentar a produtividade agr\u00edcola, sem abandonar as pr\u00e1ticas convencionais. Essas medidas podem oferecer condi\u00e7\u00f5es de vida mais amig\u00e1veis aos polinizadores, como o plantio de plantas com flores em faixas dos terrenos ou \u00e0 margem das estradas, a constru\u00e7\u00e3o de cercas-vivas, a redu\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas e a recupera\u00e7\u00e3o das matas nativas pr\u00f3ximas aos cultivos. Em um artigo de 2014 na Frontiers in Ecology and the Environment, Garibaldi e sua equipe detalham as possibilidades de implantar essas e outras medidas para ampliar a densidade de polinizadores nas propriedades rurais.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 implementar essas pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas\u201d, disse Garibaldi. \u201cAproveitamos todas as oportunidades para apresentar essas possibilidades, para escutar e aprender.\u201d A pr\u00f3xima oportunidade ser\u00e1 na quarta reuni\u00e3o da Plataforma Internacional para Biodiversidade e Servi\u00e7os Ambientais (IPBES), um \u00f3rg\u00e3o intergovenamenal criado em 2012 e aberto a todos os pa\u00edses membros das Na\u00e7\u00f5es Unidas, marcada para os dias 22 a 28 de fevereiro em Kuala Lumpur, Mal\u00e1sia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora estejam mais escassos no campo, por causa da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea das matas e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/abelhas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Embora estejam mais escassos no campo, por causa da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea das matas e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35759"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35759"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35759\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}