{"id":35530,"date":"2016-01-20T17:00:27","date_gmt":"2016-01-20T20:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35530"},"modified":"2016-01-19T21:38:27","modified_gmt":"2016-01-20T00:38:27","slug":"riqueza-de-1-da-populacao-mundial-supera-a-dos-99-restantes-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/riqueza-de-1-da-populacao-mundial-supera-a-dos-99-restantes-em-2015\/","title":{"rendered":"Riqueza de 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial supera a dos 99% restantes em 2015"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35531\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35531\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma economia para o 1% (An Economy for the 1%) <\/em>mostra que a riqueza da metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial caiu em 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares desde 2010, uma queda de 41%. Isso ocorreu a despeito do crescimento da popula\u00e7\u00e3o global em 400 milh\u00f5es de pessoas no mesmo per\u00edodo. Enquanto isso, a riqueza dos 62 mais ricos cresceu em mais de meio trilh\u00e3o de d\u00f3lares, chegando a 1,76 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m mostra como as mulheres s\u00e3o desproporcionalmente afetadas pela desigualdade \u2013 dos 62 mais ricos, 53 s\u00e3o homens e apenas 9 s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p>Embora os l\u00edderes mundiais falem cada vez mais sobre a necessidade de enfrentar a desigualdade, e que em setembro passado tenham acordado um esfor\u00e7o para reduzi-la, a dist\u00e2ncia entre os mais ricos e os demais se ampliou enormemente nos \u00faltimos 12 meses. A previs\u00e3o da Oxfam, feita antes da reuni\u00e3o do ano passado em Davos, se confirmou com um ano de anteced\u00eancia: na \u00e9poca a organiza\u00e7\u00e3o afirmou que 1% da popula\u00e7\u00e3o teria mais riquezas que todos os demais em 2016.<\/p>\n<p>A Oxfam est\u00e1 chamando para uma a\u00e7\u00e3o urgente para enfrentar essa crise de desigualdade extrema, que amea\u00e7a minar todos os progressos feitos no sentido de combater a pobreza nos \u00faltimos 25 anos. A organiza\u00e7\u00e3o coloca como prioridade o fim desta era de para\u00edsos fiscais, em que indiv\u00edduos ricos e grandes empresas recorrem cada vez mais a centros <em>offshore<\/em> para escapar do pagamento dos justos impostos devidos \u00e0 sociedade. Estas manobras t\u00eam negado aos governos acesso a recursos necess\u00e1rios para combater a pobreza e a desigualdade.<\/p>\n<p>K\u00e1tia Maia, diretora da Oxfam Brasil, declarou: \u201c\u00c9 simplesmente inadmiss\u00edvel que a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha mais do que poucas d\u00fazias de super-ricos, que mal dariam para lotar um \u00f4nibus. A preocupa\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes mundiais com a crescente desigualdade at\u00e9 agora n\u00e3o se traduziu em a\u00e7\u00f5es concretas \u2013 o mundo se tornou um lugar ainda mais desigual e essa tend\u00eancia est\u00e1 se acelerando. N\u00e3o podemos continuar permitindo que centenas de milh\u00f5es de pessoas passem fome enquanto recursos que poderiam ser usados para ajud\u00e1-las sejam sugados por aqueles que est\u00e3o no topo da pir\u00e2mide. N\u00f3s desafiamos os governos, empresas e elites presentes em Davos a fazer sua parte pondo fim \u00e0 era dos para\u00edsos fiscais, que alimenta a desigualdade econ\u00f4mica e impede que centenas de milh\u00f5es de pessoas escapem da pobreza. As multinacionais e elites financeiras jogam com regras diferentes, recusando-se a pagar os impostos de que a sociedade precisa para funcionar. O fato de 188 das 201 maiores empresas do mundo terem presen\u00e7a em pelo menos um dos para\u00edsos fiscais mostra que \u00e9 hora de agir.\u201d<\/p>\n<p>Em termos globais, estima-se que um total de 7,6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em fortunas individuais estejam depositados <em>offshore<\/em>. Se impostos fossem cobrados pela renda gerada por essa fortuna, eles gerariam 190 bilh\u00f5es de d\u00f3lares a mais, que estariam dispon\u00edveis para os governos anualmente.<\/p>\n<p>Acredita-se que 30% de toda riqueza financeira da \u00c1frica seja mantida <em>offshore<\/em>, com uma perda em arrecada\u00e7\u00e3o de impostos estimada em 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Essa quantia \u00e9 suficiente para custear assist\u00eancia m\u00e9dica a mulheres e crian\u00e7as que poderiam salvar a vida de 4 milh\u00f5es de crian\u00e7as por ano, al\u00e9m de empregar professores suficientes para garantir escola para cada crian\u00e7a africana.<\/p>\n<p>Nove entre dez corpora\u00e7\u00f5es membros do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (ou <em>World Economic Forum<\/em>, da sigla em ingl\u00eas) est\u00e3o presentes em pelo menos um para\u00edso fiscal e estima-se que a evas\u00e3o fiscal por parte de multinacionais custe aos pa\u00edses em desenvolvimento pelo menos 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Os investimentos de grandes corpora\u00e7\u00f5es em para\u00edsos fiscais praticamente quadruplicaram entre 2000 e 2014.<\/p>\n<p>Se os l\u00edderes mundiais realmente pretendem atingir a meta, estabelecida em setembro passado na reuni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de erradicar a pobreza extrema at\u00e9 2030, \u00e9 fundamental que os governos coletem os impostos devidos por grandes empresas e indiv\u00edduos super-ricos.<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero de pessoas vivendo em extrema pobreza tenha ca\u00eddo pela metade entre 1990 e 2010, o ganho anual m\u00e9dio dos 10% mais pobres cresceu menos de 3 d\u00f3lares por ano nos \u00faltimos 25 anos. Isso equivale a um aumento no ganho individual de menos de 1 centavo de d\u00f3lar por dia.<\/p>\n<p>Se a desigualdade interna em cada pa\u00eds n\u00e3o tivesse crescido entre 1990 e 2010, 200 milh\u00f5es de pessoas a mais teriam sa\u00eddo da linha da pobreza.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da Oxfam, outra das tend\u00eancias-chave por tr\u00e1s da crescente desigualdade \u00e9 a queda na parcela da renda nacional que vai para os trabalhadores em praticamente todos os pa\u00edses desenvolvidos e na maioria dos pa\u00edses em desenvolvimento e uma dist\u00e2ncia cada vez maior entre o pagamento dos que est\u00e3o no topo e os que est\u00e3o na base da pir\u00e2mide de renda. As mulheres constituem a maioria dos trabalhadores com pior remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em contraste, os j\u00e1 ricos se beneficiaram das taxas de retorno de capital atrav\u00e9s de pagamentos de juros e dividendos, entre outros, que foram consistentemente mais elevados que as taxas de crescimento econ\u00f4mico. Essa vantagem se soma ao uso de para\u00edsos fiscais, que talvez seja o exemplo mais gritante no relat\u00f3rio de como as regras do jogo econ\u00f4mico foram reescritas de forma a potencializar a capacidade de os ricos e poderosos reterem suas fortunas.<\/p>\n<p>A Oxfam pede que uma a\u00e7\u00e3o consistente contra os para\u00edsos fiscais seja parte de uma ofensiva de tr\u00eas pontos contra a desigualdade. Uma a\u00e7\u00e3o para recuperar os bilh\u00f5es de d\u00f3lares perdidos para para\u00edsos fiscais deve ser acompanhada por um compromisso por parte dos governos para que esses recursos sejam investidos em assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, escola e outros servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais, que fazem grande diferen\u00e7a na vida dos mais pobres.<\/p>\n<p>Os governos tamb\u00e9m devem assegurar que o trabalho pague por aqueles na base tanto quanto para aqueles no topo da escala \u2013 o que incluiu eleva\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios m\u00ednimos para valores mais dignos e o combate\u00e0s diferen\u00e7as salariais entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>K\u00e1tia Maia acrescentou: \u201cOs mais ricos n\u00e3o podem mais fingir que sua riqueza beneficia a todos \u2013 na verdade, sua riqueza extrema mostra uma economia global doente. A recente explos\u00e3o na riqueza dos super-ricos ocorreu \u00e0s custas da maioria das pessoas, especialmente das mais pobres.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da campanha contra a desigualdade, a Oxfam participar\u00e1 de Davos (representada pela diretora-executiva da Confedera\u00e7\u00e3o Oxfam Internacional, Winnie Byanima) com o objetivo de pressionar lideran\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas a enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e agir para solucionar as crises humanit\u00e1rias, inclusive a da S\u00edria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00famero de pessoas cuja riqueza \u00e9 igual \u00e0 da metade mais pobre do planeta desde 2010:<\/strong><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"308\">2010<\/td>\n<td width=\"308\">388<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"308\">2011<\/td>\n<td width=\"308\">177<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"308\">2012<\/td>\n<td width=\"308\">159<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"308\">2013<\/td>\n<td width=\"308\">92<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"308\">2014<\/td>\n<td width=\"308\">80<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"308\">2015<\/td>\n<td width=\"308\">62<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.credit-suisse.com\/uk\/en\/news-and-expertise\/research\/credit-suisse-research-institute\/publications.html\" target=\"_blank\">Riqueza dos 1%, 50%, e 99% obtida do \u201cCredit Suisse Global Wealth Datebook\u201d (2013 e 2014)\u00a0<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>(*)A riqueza dos 62 mais ricos foi calculada usando a lista anual dos bilion\u00e1rios da <a href=\"http:\/\/www.forbes.com\/\" target=\"_blank\">Forbes<\/a> , publicada em mar\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p><em>(**)Os c\u00e1lculos incluem riqueza negativa (i. e. d\u00edvida). Por seguran\u00e7a, a Oxfam recalculou a parcela e riqueza dos 1% mais ricos depois da exclus\u00e3o da riqueza negativa, n\u00e3o havendo altera\u00e7\u00e3o significativa (queda de 50,1% para 49,8%). A riqueza negativa como parcela da riqueza total permaneceu constante ao longo do tempo, de forma que a tend\u00eancia de distribui\u00e7\u00e3o de renda se manteve inalterada.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma economia para o 1% (An Economy for the 1%) mostra que a riqueza da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35531,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/riquesa_populacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma economia para o 1% (An Economy for the 1%) mostra que a riqueza da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}