{"id":35468,"date":"2016-01-19T16:00:48","date_gmt":"2016-01-19T19:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35468"},"modified":"2016-01-19T12:11:48","modified_gmt":"2016-01-19T15:11:48","slug":"de-tecnologias-para-conter-enchentes-a-praticas-de-agricultura-conscientes-um-mundo-melhor-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/de-tecnologias-para-conter-enchentes-a-praticas-de-agricultura-conscientes-um-mundo-melhor-e-possivel\/","title":{"rendered":"Com tecnologias e pr\u00e1ticas conscientes, um mundo melhor \u00e9 poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg\" rel=\"attachment wp-att-35469\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35469\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Com o simp\u00e1tico apelido de \u201cRoom for the River\u201d, que pode ser traduzido como \u201cEspa\u00e7o para o Rio\u201d , j\u00e1 est\u00e1 em fase de finaliza\u00e7\u00e3o o projeto que o governo holand\u00eas criou para evitar que o rio Ijssel inunde a pequena cidade de Deventer durante as chuvas que t\u00eam castigado a regi\u00e3o cada vez mais, por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A boa not\u00edcia me chegou pela revista \u201cResurgence &amp; Ecologist\u201d, publica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica bimensal que acabo de receber (<a href=\"http:\/\/www.resurgence.org\/magazine\/\">aqui a vers\u00e3o online). <\/a>E me fez lembrar a viagem que fiz \u00e0 Holanda em 2011, a convite dos patrocinadores desse mesmo projeto, um dos cinco ou seis que est\u00e3o sendo postos em pr\u00e1tica para que aquele pa\u00eds se adapte aos eventos extremos cada vez mais frequentes.<\/p>\n<p>Holanda est\u00e1 entre os pa\u00edses mais densamente povoados do mundo e tem grandes \u00e1reas abaixo do n\u00edvel do mar. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a regi\u00e3o sofre com inunda\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito tempo, mesmo antes de o clima come\u00e7ar a mostrar sinais de mudan\u00e7as por causa do ac\u00famulo dos gases de efeito estufa. Em 1993 e 1995 foi pior: enchentes fizeram subir um dos principais rios do Delta, o Waal, e 250 mil pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas, alagando ainda Nijmegen, uma cidade que tem mais de dois mil anos de idade. Come\u00e7ou a\u00ed uma forte a\u00e7\u00e3o que uniu todos os \u00f3rg\u00e3os de todas as inst\u00e2ncias de governo para salvar o pa\u00eds de uma cat\u00e1strofe maior. A sociedade civil tamb\u00e9m foi convocada, mandou ideias, sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando estive l\u00e1, a expectativa era de que o Parlamento aprovasse uma lei para criar o Fundo Delta, que a partir de 2020 poder\u00e1 ter 1 bilh\u00e3o de euros em seus cofres anualmente para o pa\u00eds lidar com o problema das enchentes.<\/p>\n<p>Um dos pesquisadores que trabalham para o projeto \u201cRoom for the River\u201d levou-nos \u2013 a mim e a alguns colegas jornalistas de outros pa\u00edses que tamb\u00e9m foram convidados \u2013 a um ponto do rio Ijssel que nos permitia ver algumas das casas que seriam removidas para que as obras de amplia\u00e7\u00e3o do leito come\u00e7assem (<a href=\"https:\/\/www.ruimtevoorderivier.nl\/room-for-the-river-deventer\">veja aqui, em ingl\u00eas, o site do projeto) <\/a>. Eram lindas, o cen\u00e1rio era de cart\u00e3o postal. Os propriet\u00e1rios j\u00e1 estavam avisados e teriam tempo suficiente para rearrumar suas vidas. Todos estavam de acordo porque, de uma forma ou de outra, sabiam que se ficassem ali, correriam perigo de vida.<\/p>\n<p>O rio teve seu leito alargado numa parte, em outra fizeram uma esp\u00e9cie de concha na parte interna para que a \u00e1gua possa escoar. Constru\u00edram ainda pequenas reten\u00e7\u00f5es noutro lugar. O custo da obra foi de 350 milh\u00f5es de euros e cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas ser\u00e3o beneficiadas.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea, leitor, legitimamente est\u00e1 tentando fazer alguma liga\u00e7\u00e3o entre essa iniciativa e a nossa hist\u00f3ria recorrente de tempestades e desabrigados, vou ser sincera: n\u00e3o h\u00e1. Mas n\u00e3o \u00e9 absurdo dizer que poder\u00edamos copiar o projeto para reproduzi-lo aqui, mesmo com realidades geogr\u00e1ficas totalmente diferentes. \u00c9 uma tecnologia que est\u00e1 dispon\u00edvel. Um dos profissionais que trabalha no \u201cRoom for the River\u201d esteve no Brasil, fez algumas palestras e mostrou que a t\u00e9cnica usada para salvar o Delta holand\u00eas pode, sim, ser adaptada para outras terras. Ficou nisso.<\/p>\n<p>Holanda \u00e9 um dos pa\u00edses que est\u00e1 no topo do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) que anualmente \u00e9 lan\u00e7ado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Tem uma depend\u00eancia forte em usinas termel\u00e9tricas para conseguir energia, embora haja um investimento severo em e\u00f3licas. N\u00e3o tem hidrel\u00e9tricas, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m do fato de ser um pa\u00eds bem mais rico do que o nosso, e das diferen\u00e7as de relevo, o que a Holanda est\u00e1 mostrando, com tanto investimento em obras que v\u00e3o torn\u00e1-la menos vulner\u00e1vel \u00e0s enchentes, \u00e9 cuidado. E essa li\u00e7\u00e3o de casa pode ser apreendida. Porque n\u00e3o se trata apenas de salvar o meio ambiente, mas de n\u00e3o expor pessoas, bichos e agricultura \u00e0s intemp\u00e9ries. Uma vis\u00e3o que j\u00e1 deveria fazer parte do b\u00ea-a-b\u00e1 de qualquer autoridade, seja regente, presidente ou ministro, de qualquer na\u00e7\u00e3o, seja pobre ou rica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata mais de acreditar ou n\u00e3o no fato de que os gases de efeito estufa est\u00e3o a mudar o clima e de que o fen\u00f4meno \u00e9 de responsabilidade dos homens. Podemos at\u00e9 postergar a discuss\u00e3o porque, na pr\u00e1tica, as tempestades, secas e furac\u00f5es est\u00e3o botando na ordem do dia a necessidade de tomar medidas de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez disso, aqui no Brasil o ano de 2015 n\u00e3o foi dos mais pr\u00f3speros para o meio ambiente e as pessoas. Houve aumento do \u00edndice de queimadas e inc\u00eandios (<a href=\"http:\/\/amazonia.org.br\/2016\/01\/2015-foi-um-ano-muito-ruim-dizem-ambientalistas-do-amazonas\/%29\">leia aqui)<\/a> na Amaz\u00f4nia para dar mais espa\u00e7o para a pecu\u00e1ria. Em Minas Gerais, um erro absurdo, incompat\u00edvel com os debates mundiais sobre processos industriais mais conscientes e respons\u00e1veis, deixou uma barragem inteira de lama se espalhar por rios e mares, afetando pessoas, bichos e terras. Enquanto isso, uma crise pol\u00edtica se arrasta, tornando pouco poss\u00edvel que se ponha na agenda \u201coutros assuntos\u201d.<\/p>\n<p>Mas a \u201cResurgence &amp; Ecologist\u201d traz ainda boa not\u00edcia para quem se preocupa com o que come. Com o patroc\u00ednio do The College of Real Farming and Food Culture (CRFFC), foi dado o primeiro pontap\u00e9 para uma campanha que pretende repensar e reformular a agricultura, com bases bem diferentes daquelas que vemos hoje. Chama-se \u201cEnlightened Agriculture\u201d, que pode ser traduzido por \u201cAgricultura esclarecida\u201d e, por enquanto, est\u00e1 aberta a sugest\u00f5es e ideias somente atrav\u00e9s de um espa\u00e7o criado na internet (<a href=\"http:\/\/www.campaignforrealfarming.org\/\">veja aqui) <\/a>. Pretende ser, segundo Colin Tudge, bi\u00f3logo, escritor e idealizador da campanha, um \u201cexerc\u00edcio gigante de democracia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMilh\u00f5es de pessoas est\u00e3o tentando cultivar a terra de acordo com os princ\u00edpios que eu chamo de agricultura esclarecida, baseados em m\u00e9todos de agroecologia e criados expressamente para prover boa comida a todos sem, para isso, ter que demolir o entorno. H\u00e1 pessoas que ainda est\u00e3o tentando, e h\u00e1 centenas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, associa\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es fazendo algo para ajud\u00e1-las nesse caminho. Do movimento <a href=\"http:\/\/www.slowfoodbrasil.com\/\">\u201cSlow Food\u201d\u00a0 <\/a>que come\u00e7ou na It\u00e1lia em 1986, ao movimento global de camponeses chamado <a href=\"http:\/\/viacampesina.org\/en\/\">Via Campesina <\/a>que come\u00e7ou em 1990, passando pelos cons\u00f3rcios que procuram terra para cultivar de maneira consciente. Tudo isso \u00e9 capaz de transformar uma frustra\u00e7\u00e3o global em massa cr\u00edtica. E a campanha vai ajudar\u201d, diz o artigo escrito por Colin Tudge para \u201cResurgence\u201d.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil temos alguns movimentos que podem auxiliar a compor essa esp\u00e9cie de \u201cmosaico da boa agricultura\u201d, como o <a href=\"http:\/\/www.sunnet.com.br\/home\/Noticias\/Seja-amigo-do-Banco-de-Sementes-de-Aldeia-Velha.html\">Banco de Sementes da Aldeia Velha<\/a>, al\u00e9m de um \u00f3rg\u00e3o &#8211; o <a href=\"http:\/\/mds.gov.br\/acesso-a-informacao\/perguntas-frequentes\/seguranca-alimentar-e-nutricional\/sesan-institucional\/consea\">Consea\u00a0 <\/a>\u2013 especificamente voltado a essa tarefa. Talvez essas linhas possam se encontrar algum dia.<\/p>\n<p>O que se precisa \u00e9 dialogar mais, ampliar a possibilidade de conhecer experi\u00eancias, trocar informa\u00e7\u00f5es. Quer seja para descobrir novas tecnologias que possam reduzir problemas, quer seja para formas diferentes de plantar e colher sem precisar, para isso, ficarmos ref\u00e9ns apenas do com\u00e9rcio mundial de alimentos. Colin Tudge ajuda a refletir sobre o que anda travando o processo de trocas, e me permito terminar esse texto com palavras dele:<\/p>\n<p>\u201cO mundo derivou tanto para a direita que aqueles que sugerem que \u00e9 poss\u00edvel cooperar, em conjunto, por um mundo melhor, s\u00e3o vistos como perigosos subversivos. As regras do neoliberalismo \u2013 baseadas na cren\u00e7a de que o mundo ser\u00e1 melhor se focarmos na competi\u00e7\u00e3o impiedosa \u2013 e os mais poderosos ainda acreditam no discurso de Margareth Thatcher, que disse: \u2018N\u00e3o h\u00e1 alternativas\u2019&#8230; O que precisamos \u00e9 de sistemas pol\u00edticos que sejam democracias verdadeiras; um sistema econ\u00f4mico que seja democr\u00e1tico e leis que sejam realmente justas para todos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o simp\u00e1tico apelido de \u201cRoom for the River\u201d, que pode ser traduzido como \u201cEspa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35469,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/rio-Ijssel.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com o simp\u00e1tico apelido de \u201cRoom for the River\u201d, que pode ser traduzido como \u201cEspa\u00e7o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35468"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35468\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}