{"id":35348,"date":"2016-01-17T13:00:55","date_gmt":"2016-01-17T16:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35348"},"modified":"2016-01-16T21:23:15","modified_gmt":"2016-01-17T00:23:15","slug":"alimentacao-com-poucas-fibras-prejudica-flora-intestinal-segundo-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/alimentacao-com-poucas-fibras-prejudica-flora-intestinal-segundo-cientistas\/","title":{"rendered":"Alimenta\u00e7\u00e3o com poucas fibras prejudica flora intestinal, segundo cientistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35349\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O h\u00e1bito de comer alimentos gordurosos e instant\u00e2neos, com uma quantidade quase inexistente de fibras, tem tudo para mudar totalmente nosso intestino. Para pior. Um estudo realizado por pesquisadores das escolas de Medicina de tr\u00eas das mais importantes universidades americanas, Stanford, Harvard e Princeton, faz um alerta claro: adotar uma dieta pobre em fibras, caracter\u00edstica t\u00e3o comum em alimentos industrializados, pode eliminar bact\u00e9rias ben\u00e9ficas da nossa flora intestinal de forma irrevers\u00edvel. Os cientistas constataram, tamb\u00e9m, que essa mal\u00e9fica mudan\u00e7a tende a ser transmitida para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Publicada na revista \u201cNature\u201d, a pesquisa indica que negligenciar as fibras \u2014 presentes em alimentos como feij\u00e3o, soja, vegetais, frutas e aveia \u2014 pode causar uma importante perda da diversidade de esp\u00e9cies de bact\u00e9rias no intestino, ambiente chamado de microbiota. Quem ingere poucas fibras pode ver exemplares importantes desses micro-organismos desaparecerem em tr\u00eas ou quatro gera\u00e7\u00f5es dentro de sua fam\u00edlia. E, se isso ocorrer, a pesquisas sugere que haver\u00e1 dificuldade de restaurar essas bact\u00e9rias mesmo com o consumo di\u00e1rio de alimentos ricos em fibras.<\/p>\n<p>Segundo os principais autores do estudo, o casal Justin e Erica Sonnenburg, boa parte da popula\u00e7\u00e3o em sociedades industrializadas j\u00e1 deve estar indo por esse caminho.<\/p>\n<p>\u2014 In\u00fameros fatores, como o uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos, podem justificar essa queda no n\u00famero de bact\u00e9rias entre pessoas de regi\u00f5es industrializadas. Mas nos perguntamos se a escassez de fibra na vida moderna poderia, por si s\u00f3, ser respons\u00e1vel por esse fen\u00f4meno \u2014 diz Erica Sonnenburg, ao contar como a pesquisa come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Os cientistas explicam que a prolifera\u00e7\u00e3o de alimentos processados quase livres de fibras, iniciada na metade do s\u00e9culo XX, resultou em um consumo m\u00e9dio per capita de 15 gramas desse nutriente por dia. Isso representa apenas um d\u00e9cimo do consumo de fibras de popula\u00e7\u00f5es atuais de ca\u00e7adores-coletores, cuja dieta \u00e9 mais pr\u00f3xima dos humanos na pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>As fibras s\u00e3o essenciais porque servem de principal fonte de alimento para as bact\u00e9rias do c\u00f3lon, a maior por\u00e7\u00e3o do intestino grosso.<\/p>\n<p>\u2014 Essas bact\u00e9rias nos defendem de agentes patog\u00eanicos, treinam o sistema imunol\u00f3gico e at\u00e9 orientam o desenvolvimento dos tecidos. Milhares de esp\u00e9cies bacterianas habitam o intestino grosso de todo indiv\u00edduo saud\u00e1vel. Seria dif\u00edcil viver sem elas \u2014 analisa Justin Sonnenburg, professor de microbiologia e imunologia.<\/p>\n<p>Essas bact\u00e9rias s\u00e3o adquiridas ao longo da vida, e, principalmente, durante a inf\u00e2ncia, junto ao n\u00facleo familiar mais pr\u00f3ximo. Se determinada crian\u00e7a tem contato frequente \u2014 por toque, saliva, respira\u00e7\u00e3o do mesmo ar \u2014 com pessoas que t\u00eam uma microbiota saud\u00e1vel e vive numa casa onde a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 rica em fibras, ela vai desenvolver as bact\u00e9rias que se alimentar\u00e3o dessas fibras. Com isso, ter\u00e1 o organismo mais protegido contra doen\u00e7as como a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel, que gera diarreia constante, gases e sensa\u00e7\u00e3o de peso no est\u00f4mago.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos dizem ainda que as m\u00e3es podem transferir informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica sobre sua pr\u00f3pria microbiota para os fetos. Assim, embora as crian\u00e7as nas\u00e7am com poucas bact\u00e9rias, j\u00e1 teriam indica\u00e7\u00e3o de quais devem desenvolver. Al\u00e9m disso, aquelas que nascem por parto normal s\u00e3o beneficiadas porque passam pela vagina da m\u00e3e e entram em contato com suas bact\u00e9rias, o que fortalece o organismo do beb\u00ea. Parte desses micro-organismos tamb\u00e9m \u00e9 transmitida durante a amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Um adulto tem 3 trilh\u00f5es e 300 milh\u00f5es de bact\u00e9rias, o que, se fosse pesado, daria cerca de dois quilos e meio \u2014 destaca o especialista em terapia nutricional Ricardo Rosenfeld. \u2014 Para cada c\u00e9lula do corpo, temos ao menos nove bact\u00e9rias. Essa popula\u00e7\u00e3o de seres vivos nos influencia muito. Existem pequenas evid\u00eancias de rela\u00e7\u00e3o entre mudan\u00e7as na microbiota e incid\u00eancia de c\u00e2ncer, diabetes, infarto, psor\u00edase e outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Nutri\u00e7\u00e3o Parental e Enteral, Rosenfeld diz que 70% do sistema imunol\u00f3gico est\u00e3o no intestino, e que o ser humano mudou tanto nos \u00faltimos cem anos que parte do organismo n\u00e3o consegue se adaptar.<\/p>\n<p>\u2014 O s\u00e9culo XX foi o da industrializa\u00e7\u00e3o e da desgra\u00e7a na alimenta\u00e7\u00e3o. Quando se fala em manter a vida, pensa-se logo no cora\u00e7\u00e3o e no c\u00e9rebro, n\u00e3o nas bact\u00e9rias. Mas, para morrer rapidamente, basta deixar de alimentar suas bact\u00e9rias com boa comida \u2014 ressalta o m\u00e9dico. \u2014 Se elas morrem, n\u00f3s tamb\u00e9m morremos.<\/p>\n<p>PESQUISA COM CAMUNDONGOS<\/p>\n<p>No estudo dos EUA, os pesquisadores trabalharam com camundongos nascidos em ambientes ass\u00e9pticos, sem bact\u00e9rias. Ap\u00f3s preencher as v\u00edsceras dos animais com micr\u00f3bios de humanos, a equipe os dividiu em dois grupos. Um recebeu alimentos com alto teor de fibras de origem vegetal, enquanto o outro teve uma dieta equivalente \u00e0 do primeiro em rela\u00e7\u00e3o a prote\u00edna, gordura e calorias, mas praticamente sem fibras.<\/p>\n<p>Analisando amostras de fezes dos animais, os pesquisadores viram que, em duas semanas, os camundongos que seguiam dieta com pouca fibra passaram a abrigar menos esp\u00e9cies bacterianas no intestino. Mais da metade delas caiu em 75%. Depois de sete semanas, esses animais voltaram para uma dieta rica em fibras, por um m\u00eas. No entanto, a microbiota deles se recuperou apenas parcialmente: um ter\u00e7o das esp\u00e9cies originais n\u00e3o chegou a ser restaurado.<\/p>\n<p>De acordo com o endocrinologista Alberto Arbex, da Faculdade Ipemed de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e professor convidado de Harvard, em certos pa\u00edses industrializados, como os EUA, 60% dos alimentos s\u00e3o pr\u00e9-preparados.<\/p>\n<p>\u2014 No Brasil, essa taxa \u00e9 de 30%, mas j\u00e1 foi bem menor e s\u00f3 faz crescer. Temos que tomar cuidado. Para evitar o sobrepeso (<em>problema que atinge 53% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo pesquisas recentes<\/em>), temos que contar muito com as bact\u00e9rias. Elas nos definem e determinam muitas das doen\u00e7as que vamos desenvolver ou n\u00e3o \u2014 alerta Arbex.<\/p>\n<div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O h\u00e1bito de comer alimentos gordurosos e instant\u00e2neos, com uma quantidade quase inexistente de fibras,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35349,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/alimentos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O h\u00e1bito de comer alimentos gordurosos e instant\u00e2neos, com uma quantidade quase inexistente de fibras,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35348"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35348\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}