{"id":35261,"date":"2016-01-15T21:41:48","date_gmt":"2016-01-16T00:41:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35261"},"modified":"2016-01-15T21:41:48","modified_gmt":"2016-01-16T00:41:48","slug":"associacao-de-saude-faz-dossie-sobre-uso-de-agrotoxicos-no-brasil-maior-consumidor-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/associacao-de-saude-faz-dossie-sobre-uso-de-agrotoxicos-no-brasil-maior-consumidor-do-mundo\/","title":{"rendered":"Associa\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade faz dossi\u00ea sobre uso de agrot\u00f3xicos no Brasil, maior consumidor do mundo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"ed-foto\" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/blog\/69c46f5b-024f-4a6f-be05-a910cb83af3b_Sorensen%20pequeno.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p>Apesar do t\u00edtulo, come\u00e7o o texto com uma boa nova. Est\u00e1 circulando pela internet uma not\u00edcia dizendo que o governo da Dinamarca, pa\u00eds que sediou a Confer\u00eancia do Clima de 2009 (COP-15), e que j\u00e1 \u00e9 quem mais expande o com\u00e9rcio de produtos org\u00e2nicos, estabeleceu uma ousada meta. N\u00e3o tem a ver com baixar emiss\u00f5es de carbono, mas com oferecer oportunidades reais de uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel para seus habitantes. Assim, j\u00e1 investiu 53 milh\u00f5es de euros para ampliar a agricultura biol\u00f3gica e quer duplicar a quantidade de terras cultivadas sem agrot\u00f3xicos at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Se essa meta for alcan\u00e7ada, o pa\u00eds pretende oferecer \u00e0s escolas e hospitais uma nutri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com essa \u201cpegada eco\u201d. E mais: na grade escolar dos cursos formais ser\u00e3o inclu\u00eddas aulas sobre nutri\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, agroecologia.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia me fez viajar no tempo. Em 2012 estive em Copenhague, a convite do Minist\u00e9rio de Turismo de l\u00e1, entre outras coisas para acompanhar exatamente o incentivo\u00e0 nutri\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel. Um dos programas para os quais levaram os jornalistas convidados do mundo inteiro foi uma visita a um mercado que havia sido rec\u00e9m-inaugurado, iniciativa de um jovem chef de cozinha, Anker Sorensen. O mercado, chamado Torvehallerne, \u00e9 um lugar amplo, claro, com umas 60 barracas de comidas de v\u00e1rias partes do mundo e muitos produtos frescos, legumes e verduras, como os que n\u00f3s temos \u00e0 m\u00e3o em qualquer feira livre. Mas, l\u00e1, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Sorensen, o jovem chef dinamarqu\u00eas que nos recebeu de maneira af\u00e1vel, falou-me \u00e0 \u00e9poca que sua ideia surgiu justamente porque os dinamarqueses estavam se tornando um povo de maus h\u00e1bitos alimentares, levando a um aumento de obesidade.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas andavam comendo muita comida pronta. Mas de uns dez anos para c\u00e1 estamos nos tornando mais conscientes dos riscos que esse tipo de nutri\u00e7\u00e3o pouco saud\u00e1vel causa \u00e0 sa\u00fade. Nossa cozinha hoje tem mais personalidade e n\u00e3o vemos mais sentido em comprar cenoura da Espanha ou aspargos da Fran\u00e7a. Construir um mercado com a proposta de vender comida fresca foi o caminho para fazer frente \u00e0 nova postura\u201d, disse-me Soren.<\/p>\n<p>N\u00e3o chega a ser novidade, mas um fato a ser digno de registro \u00e9 que a busca por comidas saud\u00e1veis \u00e9 um h\u00e1bito que se alastra. Dia desses, numa das minhas redes sociais, Ana Paula Cardoso, amiga que est\u00e1 morando em Paris e escreve para o blog do &#8220;Caderno Ela&#8221; (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/blogs.oglobo.globo.com\/paris\">veja aqui) <\/a>, comemorava o fato de ter entrado numa loja de \u201cprodutos ex\u00f3ticos\u201d. L\u00e1 encontrou chuchu, quiabo e at\u00e9 babosa:<\/p>\n<p>\u201cSei que muitos n\u00e3o v\u00e3o entender por que estou t\u00e3o feliz, mas \u00e9 que amo chuchu\u201d, dizia ela.<\/p>\n<p>Conversamos um pouco e Ana me contou que chuchu l\u00e1 \u00e9 considerado ex\u00f3tico, sim, assim como a couve. Mas que em Paris h\u00e1 muitos mercadinhos de produtos org\u00e2nicos:<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 no meu quarteir\u00e3o s\u00e3o dois supermercados bio e mais uma feira cheia de pequenos produtores. Outro dia achei um mercado super chique cheio de morangos org\u00e2nicos que tinham a foto e o nome do produtor em cada caixinha de morango\u201d, contou-me ela.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o dessa tend\u00eancia, no entanto, e aqui vem a p\u00e9ssima not\u00edcia, o Brasil continua sendo o pa\u00eds que mais usa agrot\u00f3xicos no mundo. E isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Considerando o volume de terras agricult\u00e1veis que temos, muito maior do que qualquer dos pa\u00edses citados, \u00e9 de se supor que algo est\u00e1 fora da ordem. Principalmente quando se sabe que h\u00e1 uma lista com 14 produtos usados aqui \u00e0 larga escala que s\u00e3o proibidos na Comunidade Europeia, nos Estados Unidos e em outros lugares. A cihexatina, por exemplo, que tem toxicidade considerada aguda e \u00e9 um produto suspeito de provocar c\u00e2ncer, n\u00e3o pode entrar nos Estados Unidos, na Comunidade Europeia, no Canad\u00e1 ou no Jap\u00e3o. Aqui no Brasil, por\u00e9m, \u00e9 usado no cultivo de laranjas, lim\u00f5es, tangerinas, limas&#8230;*<\/p>\n<p>Esse processo de utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos na agricultura tem sido objeto de muito estudo e de muitos protestos por parte das organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil envolvidas com o tema. Vale registrar que o Brasil tem um organismo, o Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Consea), com participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil, criado em 1993, tendo sido interrompido em 1995 e retomado em 2003, bastante ativo. Um dos focos do Consea \u00e9 a agroecologia, que inclui a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sem uso de agrot\u00f3xicos com aten\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de pequenos produtores (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/nova-etica-social\/platb\/2013\/10\/23\/850-milhoes-com-fome-no-mundo-ainda-e-muita-coisa-diz-presidente-do-consea\/\">leia aqui uma entrevista com a presidente do Consea). <\/a><\/p>\n<p>Recentemente a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) lan\u00e7ou um dossi\u00ea intitulado \u201cUm alerta sobre os impactos dos agrot\u00f3xicos na sa\u00fade\u201d ( Ed. Express\u00e3o Popular), com o aux\u00edlio da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, que n\u00e3o deixa d\u00favida alguma. \u00c9 preciso, para o bem de todos, que se diminua a carga de venenos &#8211; como querem os mais radicais &#8211; ou biocidas, como querem os seguidores da bi\u00f3loga Rachel Carson, que nos anos 50 denunciou pela primeira vez o poder dessas subst\u00e2ncias sobre os organismos humanos \u2013 no alimento dos brasileiros.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 escrito a v\u00e1rias m\u00e3os, tem 623 p\u00e1ginas, traz pesquisas cient\u00edficas sobre o impacto dos agrot\u00f3xicos na sa\u00fade humana que faz arrepiar os cabelos. E d\u00e1 voz a pessoas de comunidades de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds com a publica\u00e7\u00e3o de cartas. Nesses textos, alguns bem emocionantes, \u00e9 vis\u00edvel que falta informa\u00e7\u00e3o correta sobre o uso desses produtos para os campesinos, pessoas que n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o v\u00edtimas por consumirem alimentos como por trabalharem com o veneno sem os cuidados necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Um desses trechos reproduz entrevista com l\u00edderes comunit\u00e1rios de Turmalina e Veredinha, no Vale do Jequitinhonha, uma das regi\u00f5es mais empobrecidas de Minas Gerais:<\/p>\n<p>\u201cEsse uso de agrot\u00f3xico vem desde o plantio de eucalipto no in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, e naquela \u00e9poca, como a gente n\u00e3o conhecia, a gente n\u00e3o se assustava porque achava que, se eles estavam usando, era porque podia. Era muito aldrin* jogado sobre a terra. A gente via muitos p\u00e1ssaros mortos devido ao contato com o veneno. Eu acho que muitos brasileiros n\u00e3o conhecem o Brasil por inteiro e eles n\u00e3o sabem as barbaridades que acontecem em peda\u00e7os do nosso Brasil; no nosso caso, \u00e9 a monocultura\u201d.<\/p>\n<p>O agricultor Domingos Rodrigues Golveia, de El\u00f3i Mendes, que hoje cultiva caf\u00e9 sem agrot\u00f3xico em sua pr\u00f3pria propriedade ao Sul de Minas Gerais, conta como era a vida quando trabalhava numa grande empresa de flores na cidade paulista de Atibaia:<\/p>\n<p>\u201cUsava muito veneno. Passava muito mal por causa disso. Sentia dor de dente, tremor nos l\u00e1bios, acelera\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, escurecimento de vista, dor de cabe\u00e7a, e n\u00e3o s\u00f3 eu, mas toda minha fam\u00edlia, minha mulher e meus dois meninos. Meu amigo Nivaldo est\u00e1 com infec\u00e7\u00e3o no f\u00edgado por causa dos venenos e foi proibido de trabalhar no meio das flores\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho dos pesquisadores que ajudaram a fazer o dossi\u00ea da Abrasco pode contribuir para diminuir a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre o tema. Bem documentado, o livro conta que em 2010 houve um aumento de 190% no mercado de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds; que as maiores empresas que controlam esse mercado s\u00e3o multinacionais instaladas aqui; que o registro de um agrot\u00f3xico \u00e9 ad eternum, ou seja, n\u00e3o existe procedimento de atualiza\u00e7\u00e3o como acontece com os medicamentos; que o custo pago para um registro no Brasil \u00e9 de R$ 1,8 mil enquanto nos Estados Unidos, segundo maior mercado depois do nosso, \u00e9 de 600 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p>R\u00f3tulos, orienta\u00e7\u00f5es e receitu\u00e1rios s\u00e3o usados para dificultar a percep\u00e7\u00e3o de perigo pelos trabalhadores e pela popula\u00e7\u00e3o, denuncia o dossi\u00ea.<\/p>\n<p>E assim o pa\u00eds vai se afastando, e muito, da possibilidade de pegar o bonde da sa\u00fade que vem carreando melhores oportunidades para os europeus e outros pa\u00edses desenvolvidos. Eis a\u00ed o que est\u00e1 fora da ordem.<\/p>\n<p>*<em>A fonte dessa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um relat\u00f3rio publicado pela Anvisa em 2008.<\/em><\/p>\n<p><em>*Inseticida tirado de circula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos nos anos 70 por causar grandes danos aos seres vivos.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0 Cr\u00e9dito da foto: Amelia Gonzalez<\/em><\/p>\n<p>Fonte: G1 &#8211; Nova \u00c9tica Social<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do t\u00edtulo, come\u00e7o o texto com uma boa nova. 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