{"id":35185,"date":"2016-01-15T12:00:42","date_gmt":"2016-01-15T15:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=35185"},"modified":"2016-01-14T21:39:35","modified_gmt":"2016-01-15T00:39:35","slug":"paises-correm-para-garantir-maior-influencia-sobre-a-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/paises-correm-para-garantir-maior-influencia-sobre-a-antartica\/","title":{"rendered":"Pa\u00edses correm para garantir maior influ\u00eancia sobre a Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"<div class=\"materia-corpo entry-content\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-35186\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em uma ilha repleta de geleiras, fiordes e elefantes marinhos, a R\u00fassia construiu a primeira igreja ortodoxa da Ant\u00e1rtica em uma montanha com vista para a base de pesquisa, trazendo toda a madeira para a constru\u00e7\u00e3o da Sib\u00e9ria. A menos de uma hora de viagem de tren\u00f3 motorizado, trabalhadores chineses reformaram a Esta\u00e7\u00e3o da Grande Muralha, um dos pilares no plano chin\u00eas de operar cinco bases na Ant\u00e1rtica, incluindo uma quadra fechada de badminton, domos para proteger esta\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite e alojamentos para 150 pessoas.<\/p>\n<p>Sem medo da competi\u00e7\u00e3o, a base futur\u00edstica de Bharathi, constru\u00edda pela \u00cdndia a partir de 134 cont\u00eaineres de navio interligados, parece-se com uma nave espacial. A Turquia e o Ir\u00e3 tamb\u00e9m anunciaram planos de construir bases na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais de um s\u00e9culo se passou desde que os exploradores hastearam suas bandeiras no final do planeta e, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, esse continente promete ser convertido em uma reserva cient\u00edfica, onde atividades militares e de minera\u00e7\u00e3o ser\u00e3o proibidas.<\/p>\n<p>Contudo, diversos pa\u00edses correm para garantir uma maior influ\u00eancia sobre a regi\u00e3o, de olho n\u00e3o apenas no final desses tratados de prote\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m nas oportunidades estrat\u00e9gicas e comerciais que existem neste momento.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Novos pa\u00edses est\u00e3o se envolvendo no que veem como uma arca do tesouro de recursos naturais\u00a0\u2014 afirmou Anne-Marie Brady, pesquisadora da Universidade de Canterbury, na Nova Zel\u00e2ndia, especializada na pol\u00edtica da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>Alguns dos investimentos se concentram nos recursos que j\u00e1 est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos exploradores da Ant\u00e1rtica, incluindo os abundantes animais marinhos. A China e a Coreia do Sul, que operam bases de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o no continente, est\u00e3o pescando cada vez mais krill, crust\u00e1ceos parecidos com camar\u00f5es encontrados em abund\u00e2ncia no Oceano Austral, ao passo que a R\u00fassia acaba de impedir a cria\u00e7\u00e3o de um dos maiores santu\u00e1rios marinhos do mundo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns cientistas examinam a possibilidade de extrair \u00e1gua dos icebergs, que comp\u00f5em a maior reserva de \u00e1gua doce do planeta. Os pa\u00edses tamb\u00e9m est\u00e3o desenvolvendo projetos de pesquisa aeroespacial e de sat\u00e9lite com o objetivo de expandir sua capacidade de navega\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p>Construindo a partir das bases sovi\u00e9ticas, a R\u00fassia est\u00e1 expandindo suas esta\u00e7\u00f5es de monitoramento da Glonass, a vers\u00e3o russa do GPS. Ao menos tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es russas j\u00e1 est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o na Ant\u00e1rtica, como parte da iniciativa do pa\u00eds de concorrer com a domin\u00e2ncia do GPS norte-americano, e novas esta\u00e7\u00f5es foram planejadas em locais como a base russa, que fica ao lado da Igreja Ortodoxa da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>Em outras regi\u00f5es da Ant\u00e1rtica, os russos se gabam de terem descoberto reservas de \u00e1gua doce do tamanho do Lago Ont\u00e1rio, ap\u00f3s escavarem por quil\u00f4metros de gelo.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Voc\u00ea pode ver que viemos para ficar\u00a0\u2014 afirmou Vladimir Cheberdak, 57 anos, chefe da Esta\u00e7\u00e3o Bellingshausen, enquanto bebia ch\u00e1 sob um retrato de Fabian Gottlieb von Bellingshausen, oficial e almirante da Marinha Imperial Russa, que explorou a costa da Ant\u00e1rtica em 1820.<\/p>\n<p>As reservas minerais, petrol\u00edferas e de g\u00e1s natural s\u00e3o o pr\u00eamio de longo prazo. O tratado que impede a minera\u00e7\u00e3o no continente\u00a0\u2014 protegendo minas de ferro, carv\u00e3o mineral e cromo\u00a0\u2014 deve chegar ao fim em 2048 e pode ser colocado em quest\u00e3o at\u00e9 antes disso. Os pesquisadores encontraram recentemente dep\u00f3sitos de kimberlita que indicam a exist\u00eancia de diamantes. E, embora as avalia\u00e7\u00f5es variem drasticamente, os ge\u00f3logos estimam que a Ant\u00e1rtica tenha ao menos 36 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos tratados, existem obst\u00e1culos enormes que impedem a explora\u00e7\u00e3o desses recursos, como a deriva de icebergs que podem colocar em risco as plataformas petrol\u00edferas. Al\u00e9m disso, a Ant\u00e1rtica \u00e9 bastante isolada e conta com dep\u00f3sitos de minerais espalhados por regi\u00f5es distantes em um continente maior do que a Europa, onde as temperaturas chegam a 57 graus negativos no inverno.<\/p>\n<p>Contudo, avan\u00e7os na tecnologia podem tornar a Ant\u00e1rtica muito mais acess\u00edvel daqui a tr\u00eas d\u00e9cadas. E at\u00e9 antes disso, os cientistas tentam determinar se o aquecimento global pode facilitar o acesso a determinadas regi\u00f5es, possivelmente desestabilizando a camada de gelo do continente ou deslocando as popula\u00e7\u00f5es de krill do Oceano Austral.<br \/>\n<strong><br \/>\nPress\u00e3o para renegociar tratados pode aumentar<\/strong><\/p>\n<p>Os especialistas tamb\u00e9m destacam que a demanda por recursos em um mundo sedento por energia poderia aumentar a press\u00e3o para renegociar os tratados da Ant\u00e1rtica, possibilitando o desenvolvimento de opera\u00e7\u00f5es comerciais muito antes do final das proibi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es de pesquisa na Ilha do Rei George oferecem ind\u00edcios do futuro nesse continente coberto de gelo, \u00e0 medida que os pa\u00edses se posicionam de forma mais assertiva e colocam em xeque os acordos financiados por pa\u00edses como Estados Unidos, Reino Unido, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Ficar na Ant\u00e1rtica significa se habituar \u00e0 vida no continente mais seco, frio e com os ventos mais fortes do planeta, ainda que cada pa\u00eds tente faz\u00ea-lo lembrar de sua terra natal.<\/p>\n<p>Sacerdotes russos realizam cultos frequentes na igreja ortodoxa frequentada pelos cerca de 16 russos que passam o inverno na base, quase todos cientistas polares especializados em glaciologia e meteorologia. O n\u00famero de especialistas chega a 40 nos meses de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>A China \u00e9, sem d\u00favida, a que expande mais rapidamente suas opera\u00e7\u00f5es na Ant\u00e1rtica. Os chineses abriram sua quarta esta\u00e7\u00e3o em 2014 e j\u00e1 tem planos adiantados de constru\u00e7\u00e3o de uma quinta. O pa\u00eds j\u00e1 est\u00e1 construindo seu segundo navio quebra-gelo e est\u00e1 instalando uma base de pesquisa em um domo de gelo a 4.091 quil\u00f4metros acima do n\u00edvel do mar em um dos lugares mais frios do planeta.<\/p>\n<p>As autoridades chinesas afirmam que sua expans\u00e3o na Ant\u00e1rtica prioriza a pesquisa cient\u00edfica, mas tamb\u00e9m reconhecem preocupa\u00e7\u00f5es com a &#8220;seguran\u00e7a de recursos&#8221; em suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que alguns pa\u00edses expandem suas opera\u00e7\u00f5es na Ant\u00e1rtica, os Estados Unidos mant\u00eam tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es que operam o ano todo no continente e contam com mais de mil pessoas durante o ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio sul, incluindo os especialistas da Esta\u00e7\u00e3o Amundsen-Scott, constru\u00edda em 1956, com uma eleva\u00e7\u00e3o de 2.753 quil\u00f4metros, em um plat\u00f4 no Polo Sul. Contudo, os pesquisadores norte-americanos reclamam dos cortes de verbas e do acesso a muito menos navios quebra-gelo que os pesquisadores da R\u00fassia, o que limita o alcance dos EUA na Ant\u00e1rtica. Os especialistas alertam que o fluxo pol\u00edtico da Ant\u00e1rtica pode apagar a distin\u00e7\u00e3o entre atividades civis e militares muito antes que os tratados precisem ser renegociados, especialmente em partes do continente ideais para interceptar sinais de sat\u00e9lite, ou adaptar sistemas de sat\u00e9lite, o que poderia melhorar o alcance das opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses enfrentam dificuldades na regi\u00e3o. O Brasil abriu uma esta\u00e7\u00e3o de pesquisa em 1984, que foi quase totalmente destru\u00edda por um inc\u00eandio que matou duas pessoas em 2012, o mesmo ano em que uma barca\u00e7a cheia de \u00f3leo diesel afundou perto da base. Se n\u00e3o fosse o bastante, um avi\u00e3o brasileiro de transporte militar C-130 Hercules continua na pista da base a\u00e9rea chilena desde que se acidentou durante um pouso em 2014.<\/p>\n<p>Ainda assim, essa falta de sorte criou oportunidades para a China e, em 2015, uma empresa chinesa faturou o contrato de US$100 milh\u00f5es para reconstruir a esta\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Em meio a todas essas mudan\u00e7as, a Ant\u00e1rtica continua a ser um destino atraente. A Coreia do Sul abriu sua segunda base em 2014, descrevendo-a como uma forma de testar rob\u00f4s desenvolvidos na Coreia para serem usados sob condi\u00e7\u00f5es extremas. Com a ajuda da R\u00fassia, Belarus est\u00e1 se preparando para construir sua primeira base na Ant\u00e1rtica. Em 2015, a Col\u00f4mbia tamb\u00e9m planejou se unir a outros pa\u00edses sul-americanos com bases no continente.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Os velhos tempos em que a Ant\u00e1rtica era dominada apenas pelos interesses e desejos dos europeus, australianos e norte-americanos acabaram. A realidade \u00e9 que a Ant\u00e1rtica \u00e9 um continente geopoliticamente disputado\u00a0\u2014 afirmou Klaus Dodds, pesquisador da Universidade de Londres, especializado na Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma ilha repleta de geleiras, fiordes e elefantes marinhos, a R\u00fassia construiu a primeira<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/influencia_antartida.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em uma ilha repleta de geleiras, fiordes e elefantes marinhos, a R\u00fassia construiu a primeira","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35185"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35185\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}