{"id":34932,"date":"2016-01-10T16:00:53","date_gmt":"2016-01-10T19:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34932"},"modified":"2016-01-10T12:02:18","modified_gmt":"2016-01-10T15:02:18","slug":"belo-monte-ameaca-50-especies-de-peixes-unicas-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/belo-monte-ameaca-50-especies-de-peixes-unicas-no-mundo\/","title":{"rendered":"Hidrel\u00e9trica de Belo Monte amea\u00e7a 50 esp\u00e9cies de peixes \u00fanicas no mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34933\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quase 500 barragens projetadas nas bacias de tr\u00eas dos principais rios do planeta colocam um ter\u00e7o dos <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/peces\/a\/\">peixes<\/a> de rio em risco, segundo den\u00fancia feita na \u00faltima sexta-feira por 40 especialistas na <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/content\/351\/6269\/128\" target=\"_blank\">revista cient\u00edfica <em>Science<\/em><\/a>. Apenas no Brasil, a represa da hidrel\u00e9trica de Belomonte coloca em risco 50 esp\u00e9cies que s\u00f3 existem no pa\u00eds. Enquanto nas na\u00e7\u00f5es industrializadas emerge um movimento para destruir as represas mais nocivas, existem projetos para construir 450 novas barragens nas bacias dos rios Amazonas (Am\u00e9rica do Sul), Congo (\u00c1frica) e Mekong (\u00c1sia). Os signat\u00e1rios do artigo denunciam a \u201cfalta de transpar\u00eancia\u201d durante os processos de autoriza\u00e7\u00e3o das represas e a \u201cfalta de protocolos\u201d para avaliar seu <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/problemas_ambientales\/a\/\">impacto ambiental<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEsses projetos abordam importantes necessidades energ\u00e9ticas, mas seus defensores costumam superestimar os benef\u00edcios econ\u00f4micos e subestimar os efeitos de longo prazo sobre a biodiversidade e recursos pesqueiros cruciais\u201d, alertam os autores, liderados pelo ecologista <a href=\"http:\/\/aquaticecology.tamu.edu\/\" target=\"_blank\">Kirk Winemiller<\/a>, professor da Universidade Texas A&amp;M (EUA).<\/p>\n<p>Nas bacias dos rios Amazonas, Congo e Mekong vivem 4.000 esp\u00e9cies de peixes de rio, uma ter\u00e7a parte de todas as conhecidas no planeta. A maioria n\u00e3o \u00e9 encontrada em nenhum outro lugar. Os 40 especialistas salientam que \u201cas grandes represas invariavelmente reduzem a diversidade pesqueira\u201d, al\u00e9m de impedir a conex\u00e3o entre diferentes popula\u00e7\u00f5es fluviais e bloquear o ciclo de vida normal de esp\u00e9cies migrat\u00f3rias. \u201cIsso pode ser especialmente devastador para os estoques pesqueiros tropicais, nos quais muitas esp\u00e9cies de grande valor migram centenas de quil\u00f4metros\u201d, argumentam.<\/p>\n<p>Entre os signat\u00e1rios h\u00e1 dezenas de professores de universidades dos EUA, Brasil, Reino Unido, Camboja e Alemanha, al\u00e9m de especialistas do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente e da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w560\"><a class=\"enlace\" title=\"ampliar foto\"> <img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"\" src=\"http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/01\/08\/ciencia\/1452249996_241713_1452251798_sumario_normal.jpg\" srcset=\", http:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2016\/01\/08\/ciencia\/1452249996_241713_1452251798_sumario_normal.jpg 560w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"411\" \/> <span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span> <\/a><figcaption class=\"foto-pie\">O cascudo-zebra, valorizado como esp\u00e9cie ornamental, s\u00f3 vive em trechos amea\u00e7ados do rio Xingu. \/ <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">Kirk Winemiller<\/span> <\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\">\u00a0\u201cMesmo quando as avalia\u00e7\u00f5es de impacto ambiental s\u00e3o obrigat\u00f3rias, milh\u00f5es de d\u00f3lares podem ser gastos em estudos que n\u00e3o t\u00eam nenhuma influ\u00eancia real para os projetos, \u00e0s vezes porque eles s\u00e3o finalizados quando a constru\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em andamento\u201d, denunciam os autores.<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Winemiller recorda o caso do rio Xingu, um importante afluente do Amazonas. Seu trecho inferior \u00e9 um complexo de corredeiras que serve de h\u00e1bitat a quase meia centena de esp\u00e9cies pesqueiras que n\u00e3o s\u00e3o encontradas em nenhum outro ponto da Terra. \u201cEssas esp\u00e9cies, que alimentam os pescadores locais que abastecem o com\u00e9rcio internacional de peixes ornamentais, est\u00e3o agora amea\u00e7adas pelo <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/07\/06\/opinion\/1436195768_857181.html\">gigantesco projeto hidrel\u00e9trico de Belo Monte<\/a>\u201d, observa Winemiller. Esse complexo de represas no Estado do Par\u00e1, com conclus\u00e3o prevista para este ano, foi projetado para ser a terceira maior usina hidrel\u00e9trica do mundo, atr\u00e1s apenas das de Tr\u00eas Gargantas (China) e Itaipu (Brasil\/Paraguai).<\/p>\n<p>\u201cEsse pol\u00eamico projeto est\u00e1 quase terminado e vai alterar radicalmente o rio, sua ecologia e a vida da popula\u00e7\u00e3o local, especialmente das comunidades ind\u00edgenas que dependiam dos servi\u00e7os que o ecossistema do rio proporciona\u201d, acrescenta Winemiller. A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento do Governo brasileiro, que busca impulsionar o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. A organiza\u00e7\u00e3o Survival, que defende os direitos dos povos ind\u00edgenas em todo o mundo, <a href=\"http:\/\/www.survival.es\/sobre\/presa-belo-monte\" target=\"_blank\">denunciou<\/a> que \u201ca represa destruiria os meios de subsist\u00eancia de milhares de ind\u00edgenas que dependem da selva e do rio para obter \u00e1gua e alimentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSomos c\u00e9ticos quanto \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que as comunidades rurais no Amazonas, no Congo e no Mekong estariam se beneficiando mais pelo fornecimento de <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/electricidad\/a\/\">energia<\/a> e a gera\u00e7\u00e3o de emprego do que sofrendo preju\u00edzos pela perda da pesca, da sua agricultura e das suas propriedades\u201d, dizem os autores na <em>Science<\/em>. Os cientistas pedem que as autoridades utilizem os m\u00e9todos anal\u00edticos mais modernos para levar em conta todos os impactos acumulativos das represas sobre o meio ambiente e as popula\u00e7\u00f5es locais, com o objetivo de descartar projetos muito prejudiciais ou realoc\u00e1-los para trechos fluviais menos fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Os especialistas calculam que em 75% dos casos a constru\u00e7\u00e3o das grandes represas no mundo teve estouros or\u00e7ament\u00e1rios de quase 100% dos valores estimados previamente. A equipe recorda o caso da represa de Tr\u00eas Gargantas, em que o Governo chin\u00eas precisou destinar 26 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (105,3 bilh\u00f5es de reais, pelo c\u00e2mbio atual) adicionais para atenuar o impacto ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cAs ag\u00eancias governamentais respons\u00e1veis pelas autoriza\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de represas devem exigir avalia\u00e7\u00f5es de impacto ambiental rigorosas e amparadas na ci\u00eancia, em escala regional\u201d, pleiteia Winemiller. Al\u00e9m disso, afirma ele, as institui\u00e7\u00f5es financeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, \u201cdevem exigir garantias de que esse tipo de avalia\u00e7\u00e3o ocorra antes da aprova\u00e7\u00e3o dos financiamentos\u201d.<\/p>\n<p>Emmanuel Boulet, especialista-chefe em quest\u00f5es ambientais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, recorda que h\u00e1 protocolos internacionais de boas pr\u00e1ticas para a constru\u00e7\u00e3o de barragens fluviais. \u201cQuando aplicados, podemos ter resultados ben\u00e9ficos para todos, como na <a href=\"http:\/\/www.iadb.org\/es\/noticias\/comunicados-de-prensa\/2012-10-19\/planta-hidroelectrica-reventazon-en-costa-rica,10163.html\" target=\"_blank\">usina hidrel\u00e9trica de Reventaz\u00f3n<\/a>, na Costa Rica, ou na <a href=\"http:\/\/www.iadb.org\/es\/noticias\/comunicados-de-prensa\/2011-12-01\/central-hidroelectrica-chaglla-en-peru,9730.html\" target=\"_blank\">central hidrel\u00e9trica de Chaglla<\/a>, no Peru\u201d, opina. O banco concedeu cr\u00e9ditos de 200 milh\u00f5es e 150 milh\u00f5es de d\u00f3lares, respectivamente, para esses dois projetos.<\/p>\n<p>Boulet, no entanto, aceita as cr\u00edticas. \u201cReconhecemos que os pa\u00edses podem melhorar seu planejamento da energia hidrel\u00e9trica. Em outras palavras, temos de realizar os projetos adequados e faz\u00ea-los adequadamente.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 500 barragens projetadas nas bacias de tr\u00eas dos principais rios do planeta colocam um<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34933,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/belo_monte.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quase 500 barragens projetadas nas bacias de tr\u00eas dos principais rios do planeta colocam um","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34932"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34932\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}