{"id":34699,"date":"2016-01-07T12:00:50","date_gmt":"2016-01-07T15:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34699"},"modified":"2016-01-06T21:31:52","modified_gmt":"2016-01-07T00:31:52","slug":"pesquisa-mundial-com-criancas-aponta-que-elas-se-sentem-inseguras-tambem-dentro-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-mundial-com-criancas-aponta-que-elas-se-sentem-inseguras-tambem-dentro-de-casa\/","title":{"rendered":"Pesquisa mundial com crian\u00e7as aponta que elas se sentem inseguras tamb\u00e9m dentro de casa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/crianca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34700\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/crianca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/crianca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/crianca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N\u00e3o est\u00e1 muito f\u00e1cil ler not\u00edcias sem ficar desanimada com a humanidade. Mas hoje, para mim, foi diferente. Durante alguns minutos assisti com prazer ao v\u00eddeo da reportagem que conta a rela\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a e um galo que foi domesticado por ela (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sao-paulo\/itapetininga-regiao\/noticia\/2016\/01\/galo-domesticado-obedece-garoto-e-ate-se-finge-de-morto-inseparaveis.html?utm_source=facebook&amp;utm_medium=share-bar-desktop&amp;utm_campaign=share-bar\">leia aqui) <\/a>. Muito menos pela bizarrice da hist\u00f3ria, muito mais pela singeleza da rela\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7a e bicho e pela aparente seguran\u00e7a e tranquilidade daquele menino de cidade do interior.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, no instante mesmo em que lia a reportagem, na outra tela do meu computador estava a sugest\u00e3o de pauta que me chegara da assessoria da ChildFund Brasil. Uma pesquisa, chamada <a href=\"http:\/\/www.childfundalliance.org\/docs\/SVBD-Global-Report-Espanol.pdf\">\u201cPequenas Vozes, Grandes Sonhos\u201d<\/a>, feita com cerca de seis mil crian\u00e7as entre 10 e 12 anos em 44 pa\u00edses ao redor do mundo, mostrou que 46% delas se sentem inseguras dentro de suas pr\u00f3prias casas. Cen\u00e1rio condizente com um mundo que oferece pouca seguran\u00e7a tamb\u00e9m aos adultos, principalmente dos pa\u00edses em desenvolvimento, de onde s\u00e3o 3.773 crian\u00e7as que responderam \u00e0 pesquisa e aprenderam a ter medo dentro do territ\u00f3rio que deveria ser seu porto seguro. As outras 2.032 moram em pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Interessante observar que os resultados da pesquisa variam bastante entre as na\u00e7\u00f5es. Se na Guin\u00e9, pa\u00eds africano, s\u00f3 4% das crian\u00e7as se declaram vulner\u00e1veis em casa, no Togo, outro pa\u00eds do continente que nem t\u00e3o longe fica, essa porcentagem cresce para 94%. L\u00e1 as crian\u00e7as dizem \u00a0estar inseguras na pr\u00f3pria resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Por que os adultos maltratam as crian\u00e7as dentro de casa? Essa pergunta tamb\u00e9m foi feita, e 40% responderam que \u00e9 porque eles \u201ct\u00eam poder\u201d. J\u00e1 35% delas, (vejam s\u00f3!) acreditam que as pr\u00f3prias crian\u00e7as s\u00e3o merecedoras de castigos. Da mesma forma, 32% dizem que a puni\u00e7\u00e3o est\u00e1 por tr\u00e1s dos abusos. Na Austr\u00e1lia, 70%\u00a0dos entrevistados\u00a0dizem que os adultos lesam as crian\u00e7as devido \u00e0s drogas ou intoxica\u00e7\u00e3o.\u00a0Na Fran\u00e7a,\u00a060% acreditam que o abuso \u00e9 o resultado de seus pais terem sido maltratados quando\u00a0pequenos.<\/p>\n<p>\u201cEsta pesquisa anual nos lembra da honestidade e clareza na forma com que as crian\u00e7as veem o mundo ao redor delas. Estas verdades frequentemente apontam para as \u00e1reas em que a maioria necessita de nossa aten\u00e7\u00e3o\u201d, disse Anne Lynam Goddard, presidente e CEO do ChildFund International. A pesquisa foi patrocinada pela ChildFund Alliance, rede de 12 organiza\u00e7\u00f5es focadas no desenvolvimento infantil trabalhando em 58 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Perguntaram \u00e0s crian\u00e7as o que elas fariam se tivessem o poder de proteger a inf\u00e2ncia em seus pa\u00edses, e uma entre cinco (22%) nos pa\u00edses em desenvolvimento disseram que puniriam os abusadores enviando-os\u00a0para a pris\u00e3o, enquanto 20% disseram que aprovariam, fortaleceriam ou aplicariam melhor as leis destinadas a proteger as crian\u00e7as. No Afeganist\u00e3o, 32% disseram que exigiriam que as crian\u00e7as completassem sua educa\u00e7\u00e3o. Trinta e nove por cento das crian\u00e7as vietnamitas desestimulariam o mau comportamento, dando bons exemplos.<\/p>\n<p>Em setembro do ano passado, as Na\u00e7\u00f5es Unidas conclamaram os pa\u00edses a pensarem sobre a seguran\u00e7a das crian\u00e7as quando lan\u00e7aram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS). Um mundo em que \u201ccada crian\u00e7a possa crescer livre de explora\u00e7\u00e3o e de viol\u00eancia\u201d \u00e9 uma das metas a serem atingidas at\u00e9 2030 (<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/pos2015\/agenda2030\/\">leia aqui) <\/a>. Num encontro ocorrido em novembro, tamb\u00e9m patrocinado pela ONU (<a href=\"http:\/\/www.unmultimedia.org\/radio\/portuguese\/2015\/11\/unicef-destaca-compromisso-para-proteger-criancas-da-exploracao-sexual-online\/#.Vo1Mg_krKGQ%29\">leia aqui) <\/a>, a explora\u00e7\u00e3o sexual online foi debatida e empresas de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o, governos e organiza\u00e7\u00f5es internacionais prometeram proteger a inf\u00e2ncia desse mal.<\/p>\n<p>Nesse mesmo estudo, a ChildFund fez uma pesquisa paralela com as crian\u00e7as norte-americanas, onde a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a \u00e9 sentida muito mais nos parques (45%) ou pelas ruas da vizinhan\u00e7a (64%). L\u00e1, 89% das crian\u00e7as se sentem seguras entre as quatro paredes do lar. Uma em cada tr\u00eas (32%) crian\u00e7as americanas concorda com a \u00eanfase em aprovar e\/ou fazer cumprir leis que as protejam de forma mais eficaz.<\/p>\n<p>A pesquisa mostrou ainda que uma em cada cinco crian\u00e7as dos pa\u00edses em desenvolvimento, ou 18%, sentem falta de serem ouvidas pelos adultos, j\u00e1 que elas pr\u00f3prias poderiam ajud\u00e1-los a formar um mundo mais seguro. Na na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica do Timor-Leste, cerca de dois ter\u00e7os das crian\u00e7as (64%) dizem que os adultos devem \u201camar mais as crian\u00e7as\u201d, enquanto uma em quatro\u00a0entrevistados\u00a0no M\u00e9xico (25%) e Lib\u00e9ria (25%) dizem que os adultos devem se certificar de que as pessoas que lesam as crian\u00e7as sejam punidas. Cerca de um ter\u00e7o das crian\u00e7as americanas (35%) acreditam que ouvir o que as crian\u00e7as t\u00eam a dizer \u00e9 o mais importante, com 24% dizendo que os adultos devem relatar \u00e0s autoridades as les\u00f5es contra as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Na na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica do Timor-Leste, cerca de dois ter\u00e7os das crian\u00e7as (64%) dizem que os adultos devem \u201camar mais as crian\u00e7as\u201d, enquanto uma em quatro\u00a0entrevistados\u00a0no M\u00e9xico (25%) e Lib\u00e9ria (25%) dizem que os adultos devem se certificar de que as pessoas que lesam as crian\u00e7as sejam punidas. Cerca de um ter\u00e7o das crian\u00e7as americanas (35%) acreditam que ouvir o que as crian\u00e7as t\u00eam a dizer \u00e9 o mais importante, com 24 por cento dizendo que os adultos devem relatar \u00e0s autoridades as les\u00f5es contra as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cOs adultos podem ser cru\u00e9is\u201d, disseram 31% das crian\u00e7as dos pa\u00edses desenvolvidos e 26% das que moram em pa\u00edses pobres.<\/p>\n<p>\u201cAs m\u00e3es ou os irm\u00e3os maiores batem nas meninas e meninos quando fazemos algo errado. Quando \u00e9 minha m\u00e3e que bate d\u00f3i e eu choro\u201d, respondeu Lucia aos pesquisadores, uma menina de 12 anos moradora no Timor-Leste.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia e medo andam de m\u00e3os dadas por esse mundo que pretende ser melhor, mais sustent\u00e1vel, causando menos horrores \u00e0s pessoas e ao meio ambiente. A cena do presidente Obama chorando quando anunciou ontem (5) medidas para dificultar a compra de armas em seu pa\u00eds \u00e9 impactante e faz pensar (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/%20http:\/g1.globo.com\/globo-news\/jornal-das-dez\/videos\/v\/obama-se-emociona-ao-anunciar-medidas-de-controle-as-armas-nos-eua\/4719194\/%29\">veja aqui) <\/a>. Quantos inocentes j\u00e1 morreram, em outros pa\u00edses, sob as armas que seu pa\u00eds financia, que grandes corpora\u00e7\u00f5es produzem?<\/p>\n<p>Aqui, fiquei com vontade de trazer para voc\u00eas uma parte do pensamento do escritor mo\u00e7ambicano Mia Couto quando, em 2011, foi convidado a dar uma palestra de sete minutos num encontro patrocinado por ag\u00eancias seguradoras (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5xtgUxggt_4\">ou\u00e7a aqui) <\/a>.<\/p>\n<p>\u201cPara fabricar armas \u00e9 preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos \u00e9 imperioso sustentar fantasmas. A manuten\u00e7\u00e3o desse alvoro\u00e7o requer um dispendioso aparato e um batalh\u00e3o de especialistas que em segredo tomam decis\u00f5es em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as amea\u00e7as dom\u00e9sticas precisamos de mais pol\u00edcia, mais pris\u00f5es, mais seguran\u00e7a privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as amea\u00e7as globais precisamos de mais ex\u00e9rcitos, mais servi\u00e7os secretos e a suspens\u00e3o tempor\u00e1ria da nossa cidadania\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>Olhando para o resultado dessa pesquisa, v\u00ea-se que Mia Couto acertou em cheio ainda quando, nesse mesmo evento, afirmou que \u201ca maior parte da viol\u00eancia contra as crian\u00e7as sempre foi praticada n\u00e3o por estranhos, mas por parentes e conhecidos\u201d. Adultos que est\u00e3o sendo, eles pr\u00f3prios, massacrados pelo medo do dia seguinte, sobretudo em pa\u00edses onde a maior inseguran\u00e7a vem da falta de condi\u00e7\u00f5es para viver com dignidade, nutri\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Concordo com Anne Lynam Goddard, para quem o resultado dessa pesquisa \u201cn\u00e3o apenas fornece um f\u00f3rum para que algumas das crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis do mundo nos digam coletivamente o que veem, mas tamb\u00e9m suas ideias nos d\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es importantes de como devemos moldar nossos esfor\u00e7os para melhor\u00a0atend\u00ea-las.\u201d Uma \u00f3tima chance de refletir.<\/p>\n<p>E aqui, volto para a tranquilidade e singeleza daquela cena em Paranapanema que atraiu minha aten\u00e7\u00e3o hoje pela manh\u00e3. Pouco tempo depois, a not\u00edcia saiu da primeira p\u00e1gina do site e deu espa\u00e7o a outras. Pouco tempo depois, as manchetes anunciavam que a Coreia do Norte anunciou um teste nuclear, que a ONU est\u00e1 pensando em san\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Termino minha reflex\u00e3o com Mia Couto:<\/p>\n<p>\u201cO custo para superar a fome mundial seria uma fra\u00e7\u00e3o muito pequena do que se gasta em armamento\u201d.<\/p>\n<p><em>Cr\u00e9dito da foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ChidFund Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o est\u00e1 muito f\u00e1cil ler not\u00edcias sem ficar desanimada com a humanidade. 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