{"id":34523,"date":"2016-01-04T08:00:31","date_gmt":"2016-01-04T11:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=34523"},"modified":"2016-01-03T20:49:56","modified_gmt":"2016-01-03T23:49:56","slug":"gato-cosmico-formado-por-galaxias-ajuda-a-explicar-evolucao-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/gato-cosmico-formado-por-galaxias-ajuda-a-explicar-evolucao-do-universo\/","title":{"rendered":"&#8216;Gato&#8217; c\u00f3smico formado por gal\u00e1xias ajuda a explicar evolu\u00e7\u00e3o do Universo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-34524\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A 4,6 bilh\u00f5es de anos-luz, um evento \u00e9pico est\u00e1 se desenrolando em um ponto obscuro da constela\u00e7\u00e3o boreal da Ursa Maior: a colis\u00e3o de dois grupos de gal\u00e1xias.<\/p>\n<p>O encontro, dizem astr\u00f4nomos americanos e brasileiros, pode ser a chave para ajudar a entender o intrincado processo de evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias.<\/p>\n<p>Quem v\u00ea a imagem sorridente produzida pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble entende por que o objeto ganhou o nome de &#8220;Gato de Cheshire&#8221;, uma refer\u00eancia ao personagem risonho de Lewis Carroll em &#8220;Alice no Pa\u00eds das Maravilhas&#8221;.<\/p>\n<p>Os arcos que d\u00e3o ao &#8220;rosto&#8221; sua forma s\u00e3o na verdade a luz de gal\u00e1xias ainda mais distantes, distorcidas pelo fen\u00f4meno das lentes gravitacionais.<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia, a imensa gravidade das gal\u00e1xias da frente, dominadas por duas maiores e mais brilhantes (os &#8220;olhos&#8221; do gato), distorcem a luz que vem de tr\u00e1s, produzindo as curvas.<\/p>\n<p>O efeito \u00e9 uma das mais intrigantes previs\u00f5es da relatividade geral. Gra\u00e7as \u00e0 teoria de Einstein, os astr\u00f4nomos podem fazer a &#8220;engenharia reversa&#8221; da lente gravitacional e descobrir de que maneira e em que quantidade a massa est\u00e1 distribu\u00edda entre as gal\u00e1xias que comp\u00f5em o Gato de Cheshire.<\/p>\n<p>Foi uma das coisas que fizeram o grupo de Jimmy Irwin, da Universidade do Alabama (EUA), e Renato Dupke, do Observat\u00f3rio Nacional, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de analisarem as lentes gravitacionais nas imagens do Hubble, que retratam o objeto em luz vis\u00edvel, os astr\u00f4nomos lan\u00e7aram m\u00e3o de dados do telesc\u00f3pio espacial Chandra, que faz medidas em raios X, e de novas observa\u00e7\u00f5es feitas no Observat\u00f3rio Gemini Norte, no Hava\u00ed.<\/p>\n<p>Juntando tudo, os pesquisadores puderam determinar que as duas gal\u00e1xias centrais est\u00e3o em processo de colis\u00e3o, se aproximando \u00e0 estonteante velocidade de cerca de 500 mil km\/h.<\/p>\n<p>&#8220;Elas v\u00e3o colidir&#8221;, disse Renato Dupke \u00e0 Folha. &#8220;N\u00e3o est\u00e3o exatamente em \u00f3rbitas de colis\u00e3o, no sentido convencional, mas v\u00e3o oscilar continuamente at\u00e9 uma se fundir completamente na outra.&#8221;<\/p>\n<p>Estima-se que a colis\u00e3o v\u00e1 acontecer em mais ou menos 1 bilh\u00e3o de anos &#8211; o que significa que, na pr\u00e1tica, j\u00e1 aconteceu, ao menos para observadores mais pr\u00f3ximos do Gato de Cheshire, como apontam os pesquisadores em seu artigo aceito para publica\u00e7\u00e3o no &#8220;Astrophysical<br \/>\nJournal&#8221;.<\/p>\n<p>(Lembre-se: os astr\u00f4nomos na Terra enxergam esses eventos com um atraso consider\u00e1vel, pois a luz leva bilh\u00f5es de anos para vir de l\u00e1 at\u00e9 aqui.)<\/p>\n<p>Quando a colis\u00e3o estiver conclu\u00edda, o que restar\u00e1 \u00e9 uma enorme gal\u00e1xia el\u00edptica central e um punhado de pequenas gal\u00e1xias em volta &#8211; forma\u00e7\u00e3o que os astr\u00f4nomos chamam de &#8220;grupo f\u00f3ssil&#8221;.<\/p>\n<p>*F\u00d3SSEIS GAL\u00c1CTICOS*<\/p>\n<p>&#8220;O termo foi dado basicamente depois da descoberta do primeiro deles, em 1994&#8221;, conta Dupke. &#8220;Eram sistemas an\u00f4malos, dominados completamente pela gal\u00e1xia central gigante, mas com poucas gal\u00e1xias compar\u00e1veis ao redor.&#8221; Em resumo, parecia representar o resultado final da evolu\u00e7\u00e3o de um grupo de gal\u00e1xias.<\/p>\n<p>Talvez, em algum momento futuro, daqui a alguns bilh\u00f5es de anos, at\u00e9 mesmo o Grupo Local, conjunto com pouco mais de 50 gal\u00e1xias do qual a Via L\u00e1ctea \u00e9 um dos membros mais not\u00e1veis, assim como a vizinha gal\u00e1xia de Andr\u00f4meda, termine como um &#8220;f\u00f3ssil&#8221;.<\/p>\n<p>Sabe-se que a nossa gal\u00e1xia e Andr\u00f4meda tamb\u00e9m est\u00e3o em rota de colis\u00e3o, e o mesmo deve acontecer entre o que restar das duas e a gal\u00e1xia do Tri\u00e2ngulo, a terceira e menor das gal\u00e1xias espirais do Grupo Local.<\/p>\n<p>Em algum ponto, poderemos ter uma enorme gal\u00e1xia el\u00edptica, resultado das colis\u00f5es, e umas poucas gal\u00e1xias an\u00e3s em volta -a defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de um grupo f\u00f3ssil.<\/p>\n<p>*ORIGEM E FUTURO*<\/p>\n<p>Contudo, os poucos grupos f\u00f3sseis conhecidos pelos astr\u00f4nomos est\u00e3o contando uma hist\u00f3ria um pouco diferente.<\/p>\n<p>Em vez de se mostrarem frios e antigos, como se poderia esperar de um grupo de gal\u00e1xias que chegou ao fim da linha evolutivo h\u00e1 muito tempo (e o pr\u00f3prio termo &#8220;f\u00f3ssil&#8221; sugere), alguns deles figuram como quentes e abrigam poderosas emiss\u00f5es de raios X.<\/p>\n<p>Isso sem falar no fato de que sua massa \u00e9 maior do que o esperado, mais compat\u00edvel com a de um aglomerado de gal\u00e1xias do que meramente um grupo, como o Grupo Local.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, os astr\u00f4nomos come\u00e7am a se perguntar se o estado &#8220;f\u00f3ssil&#8221; de um grupo de gal\u00e1xias n\u00e3o \u00e9 apenas transit\u00f3rio, at\u00e9 que uma nova gal\u00e1xia venha a se encontrar com ele e apague sua &#8220;fossiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Pode muito bem ser o que acontece no Gato de Cheshire. Um dos dois grupos em colis\u00e3o, antes de iniciar seu encontro fatal, parecia ser um grupo f\u00f3ssil de baixa massa, e o outro, praticamente um grupo f\u00f3ssil cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Juntos, deixaram de ser f\u00f3sseis, por ter duas gal\u00e1xias dominantes, mas voltar\u00e3o a s\u00ea-lo, quando as duas colidirem e formarem uma \u00fanica e imensa gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>Pode o estudo do Gato de Cheshire finalmente conduzir a uma compreens\u00e3o melhor e mais org\u00e2nica da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o de grupos f\u00f3sseis, n\u00e3o f\u00f3sseis e aglomerados de gal\u00e1xias?<\/p>\n<p>&#8220;Na minha opini\u00e3o, sim&#8221;, diz Dupke. &#8220;Ele pode ser a chave para entender por que alguns desses grupos sobreviveram at\u00e9 hoje. Talvez a exist\u00eancia deles at\u00e9 os tempos recentes possa dar pistas sobre a distribui\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria no Universo primitivo.&#8221;<\/p>\n<p>Sejam quais forem as explica\u00e7\u00f5es a que chegar\u00e3o os astr\u00f4nomos ao observar o baile do Universo, \u00e9 ineg\u00e1vel o charme dessa dan\u00e7a c\u00f3smica, sempre em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 4,6 bilh\u00f5es de anos-luz, um evento \u00e9pico est\u00e1 se desenrolando em um ponto obscuro<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":34524,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/gato_cosmico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A 4,6 bilh\u00f5es de anos-luz, um evento \u00e9pico est\u00e1 se desenrolando em um ponto obscuro","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34523"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34523\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34524"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}